Pseudopapel

A Estação Pinheiros do Metrô

Estação Pinheiros do Metrô

Com cerca de três décadas de atraso, a Estação Pinheiros do Metrô foi inau­gu­rada hoje. Ela já fazia parte dos planos da empresa desde os anos 1970, quando seria uma das pontas da Linha Sudeste–Sudoeste, uma linha que faria uma “pará­bola” subindo até a Estação Luz e depois des­cendo até o Ipi­ranga. Por causa do tra­jeto pecu­liar, ela cru­zaria duas vezes as atuais linhas 2-Verde e 3-Vermelha. Essa linha nunca saiu do papel, a não ser pela pla­ta­forma aban­do­nada que existe no sub­solo da Estação Pedro II (que seria uma das esta­ções de inte­gração com a Linha 3), mas foi a partir dela que o pro­jeto da Linha 4-Amarela começou a ser elaborado.

Em março de 1990 o jornal Folha de S. Paulo divulgou o pro­jeto da “Linha Paulista–Pinheiros”, que já previa as esta­ções Pau­lista, em moldes seme­lhantes ao que acabou por ser cons­truído, Faria Lima e Pinheiros, além da Estação Mou­rato Coelho, no mesmo local onde está sendo hoje cons­truída a Estação Fra­dique Cou­tinho, e de duas esta­ções que nunca foram cons­truídas, Incor e Brasil. Mais ou menos a meio caminho entre as duas, está sendo cons­truída a Estação Oscar Freire. A linha ter­mi­naria em Pinheiros.

O pro­jeto sofreu inú­meras mudanças ao longo dos anos, e as obras só se ini­ci­aram de fato em 2004, já com pre­visão de exten­sões até Luz, em uma ponte, e Vila Sônia, na outra. A Estação Pinheiros fazia parte da pri­meira fase, mas elas foram para­li­sadas por meses após um grave aci­dente em janeiro de 2007, quando uma cra­tera se abriu no can­teiro de obras, cau­sando a morte de sete pes­soas, entre ope­rá­rios e tran­seuntes. Mesmo depois que elas foram reto­madas, o prazo de entrega seguiu sendo adiado inú­meras vezes. Por fim, hoje foi cumprido.

Na matéria do Jornal da Tarde de hoje sobre a inau­gu­ração da Estação Pinheiros do Metrô existe a infor­mação de que a estação ope­raria excep­ci­o­nal­mente em horário ainda mais redu­zido, pois só seria inau­gu­rada às 10 horas. Sim, ela foi inau­gu­rada às 10 horas, mas apenas com aquele tipo de cerimônia com a pre­sença de auto­ri­dades. A estação já estava fun­ci­o­nando desde que a linha abriu, às 4h40. Apro­veitei para conhecê-la, sem ter os mesmos per­calços que tive quando a Linha 4 abriu, em maio do ano passado.

Placa de plataforma na Estação Pinheiros

Che­guei vindo da Estação Pau­lista, onde embar­quei depois de subir a pé a Ave­nida Angé­lica, onde eu tinha feito algumas fotos para um texto a ser publi­cado nesta semana. Pude per­ceber que grande parte dos pas­sa­geiros que vêm da Pau­lista desem­barca na Estação Faria Lima. O trem estava quase vazio quando che­gamos à Estação Pinheiros. Desci e já saquei a câmera, ima­gi­nando que no dia da inau­gu­ração nin­guém olharia feio. Acertei. Eu estava no fim da pla­ta­forma, e ouvi alguns estalos que pare­ciam vir do teto. Pro­va­vel­mente não era nada, mas não posso negar que senti um cala­frio. Difícil não lem­brar do aci­dente de 2007.

A estação é muito pare­cida com as demais que já foram inau­gu­radas na linha (Pau­lista, Faria Lima e Butantã). Assim como as outras, ela tem um meza­nino de dis­tri­buição para acesso às pla­ta­formas. Estas, por sua vez, encontram-se a 33 metros de pro­fun­di­dade, o que sig­ni­fica descer cinco lances de longas escadas rolantes para acessá-las a partir dos blo­queios. No total, a estação tem 31 escadas rolantes, o que supos­ta­mente deve evitar longas filas para deixar as pla­ta­formas, ao con­trário do que ocorre em muitas esta­ções do Metrô e da CPTM, que têm pouquís­simas saídas das plataformas.

Mezanino de distribuição da Estação Pinheiros

Plataformas da Estação Pinheiros

Escadas rolantes na Estação Pinheiros

Tudo parece muito bonito à pri­meira vista, mas uma ins­peção melhor mostra que nem tudo são flores. A inte­gração com a CPTM, que sempre foi um dos mai­ores atra­tivos da linha, não está fun­ci­o­nando ainda, apesar de desde outubro se ouvir que haveria uma inte­gração impro­vi­sada por meio de pas­sa­rela, ao con­trário da pas­sagem sub­ter­rânea ini­ci­al­mente pre­vista e pos­te­ri­or­mente des­car­tada. Sem a inte­gração, os blo­queios de acesso à CPTM estavam fechados, assim como a pró­pria entrada lateral, que ser­virá também a essa empresa dentro do prédio cons­truído pela con­ces­si­o­nária ViaQuatro.

Os pas­sa­geiros que qui­sessem seguir para a Linha 9 da CPTM eram obri­gados a deixar a estação e dar a volta pelo quar­teirão onde um dia exis­tirá o ter­minal anexo de ônibus. O caminho está mar­cado por cones e grades, mas é bem mais longo, esbu­ra­cado e passa pelo meio da rua, não por uma cal­çada. Che­gando à estação da CPTM, é neces­sário pagar nova pas­sagem. A pre­visão atual é que a inte­gração seja aberta no mês que vem. Segundo o twitter ofi­cial da CPTM, isso se dará no dia 2 de junho.

Acesso à CPTM fechado na Estação Pinheiros

Acesso provisório à CPTM na Estação Pinheiros

As obras do futuro ter­minal de ônibus anexo estão para­li­sadas em estágio ini­cial desde novembro de 2010, como se vê na foto abaixo. Quase todo o entorno da estação está da mesma maneira, o que dá ares de aban­dono. Mas obras para­li­sadas na Estação Pinheiros não são uma novi­dade. Além dos meses que a obra ficou parada após o aci­dente de 2007, a estação da CPTM, quando foi cons­truída, entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980, chegou a ficar mais de um ano com sua cons­trução para­li­sada, porque a Fepasa, que admi­nis­trava a linha hoje conhe­cida como Linha 9-Esmeralda tinha pri­o­ri­zado as reformas na atual Linha 8-Diamante. Naquela época, entre­tanto, a área onde o ter­minal será (será mesmo?) erguido tinha como des­tino virar um estacionamento.

Estação Pinheiros da CPTM

1 comentário

Nilthon Fernandes (1)

Olá Ale­xandre Gies­brecht, boa tarde, tudo bem?

Gostei das ima­gens e queria saber se posso publicar a pri­meira delas na minha revista. Estamos falando de trans­portes em SP.
Se vc auto­rizar, natu­ral­mente que damos os cré­ditos da imagem e envi­amos alguns exem­plares da revista ao ende­reço que indicar.

Um abraço,

Nilthon

16 de junho de 2011, 13:01

Escreva seu comentário

Nome:
Obrigatório.
E-mail:
Obrigatório; não será publicado.
Website:
Comentário:

Busca

RSS

Assine aqui.

Tempo de resposta

58 queries em 3,919 segundos.

Meu Flickr

Textos e fotos publicados aqui são liberados em Creative Commons sob a licença Attribution 3.0 Unported. Isso significa que podem ser usados em qualquer projeto, comercial ou não, desde que sejam creditados como "Alexandre Giesbrecht". Um link para cá é bem-vindo, assim como um aviso de que o material foi usado.