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	<title>Pseudopapel</title>
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	<description>Porque de eletrônico este espaço só tem o formato.</description>
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		<title>Quando o Lance! publicou minha foto sem crédito</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2014 19:42:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Lance!]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional Atlético Clube]]></category>

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		<description><![CDATA[Li no Lance! de hoje uma reportagem sobre o acesso do Nacional. Possivelmente não foi o autor da matéria quem escolheu as imagens, mas fiquei realmente surpreso ao ver a foto que tirei (do time entrando em campo) publicada sem o devido crédito, apenas como &#8220;Arquivo pessoal&#8221;, tanto na edição impressa como no site. Em meus sites, sempre publico diversas fotos de minha autoria sobre a história da cidade de São Paulo, sobre o Nacional e sobre o São Paulo, e todas estão sempre disponíveis para ser publicadas gratuitamente em qualquer lugar, mesmo que com fins comerciais, desde que seja dado o crédito. Obviamente, esse aviso não&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2014/10/lance-foto-sem-credito/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li no <em>Lance!</em> de hoje uma reportagem sobre o acesso do Nacional. Possivelmente não foi o autor da matéria quem escolheu as imagens, mas fiquei realmente surpreso ao ver a foto que tirei (do time entrando em campo) publicada sem o devido crédito, apenas como &#8220;Arquivo pessoal&#8221;, tanto na edição impressa <a href="http://www.lancenet.com.br/minuto/Ganso-Socrates-Nacional-idolos-formando_0_1233476814.html">como no <em>site</em></a>. Em meus <em>sites</em>, sempre publico diversas fotos de minha autoria sobre <a href="http://www.historiaspaulistanas.com.br">a história da cidade de São Paulo</a>, sobre o Nacional e <a href="http://anotacoestricolores.tumblr.com">sobre o São Paulo</a>, e todas estão sempre disponíveis para ser publicadas gratuitamente em qualquer lugar, mesmo que com fins comerciais, desde que seja dado o crédito.</p>
<p>Obviamente, esse aviso não está no Facebook, de onde a foto foi tirada, mas seria de se imaginar que um jornal do porte do <em>Lance!</em> daria o devido crédito, até para o leitor saber quem tirou as fotos. Ou pelo menos tentaria entrar em contato — sei dos prazos exíguos, mas esta matéria era &#8220;fria&#8221;, e eu costumo responder muito rápido a mensagens, seja por email, por Twitter ou por Facebook. Nos últimos tempos, nem os resultados da Segundona vinham sendo publicados, fosse no <em>Lance!</em> ou outro jornal.</p>
<p>Cito como exemplo a edição de ontem, que não trazia os resultados da &#8220;Bezinha&#8221;, mas trazia dos campeonatos Alemão, Espanhol, Inglês e Italiano. Não condiz muito com a missão do <em>Lance!</em>:</p>
<blockquote><p><em>Ser a referência em conteúdo esportivo no País oferecendo um jornalismo de qualidade e independente, em defesa dos interesses do torcedor e <strong>do desenvolvimento do esporte nacional</strong>.</em></p></blockquote>
<div id="attachment_1728" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><img class="size-medium wp-image-1728" title="Nacional entrando em campo o Grêmio Prudente, em 11 de outubro. Qualquer um pode usar esta foto à vontade, desde que com o devido crédito, algo que o Lance! não fez. Foto: Alexandre Giesbrecht" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2014/10/nacional-ac-nicolau-alayon-640x425.jpg" alt="Nacional entrando em campo o Grêmio Prudente, em 11 de outubro. Qualquer um pode usar esta foto à vontade, desde que com o devido crédito, algo que o Lance! não fez. Foto: Alexandre Giesbrecht" width="640" height="425" /><p class="wp-caption-text">Nacional entrando em campo o Grêmio Prudente, em 11 de outubro. Qualquer um pode usar esta foto à vontade, desde que com o devido crédito. Foto: Alexandre Giesbrecht</p></div>
<p>Quando finalmente resolveram publicar alguma coisa, fizeram-no com duas fotos que contêm &#8220;Arquivo pessoal&#8221; como crédito. &#8220;Arquivo pessoal&#8221; de quem?! Do repórter? Do técnico? Não, de um torcedor que resolveu publicar no Facebook <a href="https://www.facebook.com/agiesbrecht/posts/10152554204078171">várias fotos do jogo entre Nacional e Grêmio Prudente</a> e viu <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10152554173973171&amp;set=pcb.10152554204078171&amp;type=1">uma delas</a> ser publicada sem o seu nome. Não sei nem de quem é a foto do time posado, mas não vou me surpreender se ele se sentir da mesma maneira, já que também foi relegado a &#8220;Arquivo pessoal&#8221;.</p>
<p>Não estou pedindo pagamento pela foto. Minhas fotos seguem gratuitas, a não ser quando explicitamente indicado (ou, claro, quando forem fotos de outrem), e <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/como-e-dificil-receber-creditos/">eu já fui vítima desse tipo de coisa anteriormente</a>, assim como <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/06/desrespeito-direitos-autorais/">meu pai também já foi</a>. Mas gostaria de ver o devido crédito ser dado.</p>
<p>Sou assinante da edição digital há dois anos e fui também um dos primeiros assinantes em São Paulo da edição impressa, no já longínquo ano de 1997. Não são muitos leitores que têm uma cópia da primeira edição paulista do <em>Lance!</em>, mas estou entre eles, graças a uma farta coleção com centenas de edições encadernadas. Tenho toda uma história com o <em>Lance!</em> e com o Nacional: estive em quase todos os jogos em casa nos últimos três anos. E, quando poderia ter visto meu nome em uma edição do <em>Lance!</em>, fui surpreendido por um &#8220;Arquivo pessoal&#8221; como crédito. Aguardo providências e uma resposta. Este texto também foi enviado a vários emails constantes do expediente do jornal.</p>
<p><strong>Atualização (19h36):</strong> Um representante do jornal <a href="https://twitter.com/lancenet/status/524658962072076288">entrou em contato comigo</a> por meio da conta oficial de Twitter e informou-me que o crédito na matéria do <em>site</em> foi editado. Pouco depois, o editor executivo do grupo, Guilherme Gomes Pinto, mandou-me um email explicando a &#8220;falha de comunicação&#8221;: &#8220;Na entrevista por telefone com um dirigente do Nacional, ao saber que a matéria teria um espaço maior do que esperado, o repórter pediu autorização ao dirigente para usar fotos publicadas no perfil dele, sem compartilhamento de quaisquer outros perfis, como se fossem de fato dele. O referido dirigente permitiu a utilização e somente por isso foi publicado com o  crédito de Arquivo Pessoal. Evidentemente que se soubéssemos o autor das imagens elas seriam publicadas com crédito, que é o procedimento do <em>Lance!</em>. Poderíamos/deveríamos ter ido atrás para tentar encontrar o autor das imagens? Sim. Mas aí também entram essas questões de prazos exíguos que você falou.&#8221; Ele terminou a mensagem avisando que amanhã será publicada uma correção na edição impressa.</p>
<p><strong>Atualização (22/10, 19h15):</strong> O <em>Lance!</em> publicou hoje, na página 2 de sua edição impressa, uma errata, conforme a foto abaixo.</p>
<div id="attachment_1737" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><img class="size-medium wp-image-1737" title="Errata publicada pelo Lance" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2014/10/lance-errata-foto-sem-credito-640x426.jpg" alt="Errata publicada pelo Lance" width="640" height="426" /><p class="wp-caption-text">Errata publicada pelo Lance</p></div>
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		<title>Memórias da minha infância jornalística</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 19:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada, o Flavio Gomes postou em seu blog um texto sobre o primeiro jornal que ele fez, aos nove anos. Isso, claro, atiçou minha memória e cometi as (muitas) linhas abaixo, publicadas nos comentários do texto original. Minha primeira memória também é dos nove anos de idade, um “jornal”, de cujo nome não me lembro, que publiquei durante uma viagem com meus avós a Itanhaém. O jornal já nasceu encadernado, publicado que era nas páginas de um caderno adquirido exatamente para esse fim. Alternava notícias gonzo — como a de quando meu avô foi ao mercado e esqueceu&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2014/04/memorias-infancia-jornalistica/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, o Flavio Gomes postou em seu blog <a href="http://flaviogomes.warmup.com.br/2014/04/o-comeco-de-tudo/" title="Flavio Gomes: &#039;O começo de tudo&#039;" class="broken_link">um texto sobre o primeiro jornal que ele fez</a>, aos nove anos. Isso, claro, atiçou minha memória e cometi as (muitas) linhas abaixo, publicadas nos comentários do texto original.</p>
<p>Minha primeira memória também é dos nove anos de idade, um “jornal”, de cujo nome não me lembro, que publiquei durante uma viagem com meus avós a Itanhaém. O jornal já nasceu encadernado, publicado que era nas páginas de um caderno adquirido exatamente para esse fim. Alternava notícias gonzo — como a de quando meu avô foi ao mercado e esqueceu parte das compras no teto do carro, sobrando apenas o tapete de chuveiro, que ficou devidamente “grudado” — e <em>hard news</em>, como a explosão da Challenger, ocorrida naqueles dias. É exatamente por causa dessa notícia que me lembro da minha idade.</p>
<p>Mas meu negócio, mesmo, era desenhar histórias em quadrinhos, apesar de eu ser um péssimo desenhista. Segui nessa toada até os catorze anos, graças à inspiração das histórias em quadrinhos desenhadas pelo meu pai na infância e adolescência. Tenho até hoje várias das revistas que ele publicou, acho que entre 1963 e 1970. Embora houvesse vários números acima do cem, desconfio que ele pulou alguns números. A coleção segue praticamente completa até por volta do número 80, depois começam a aparecer “buracos”.</p>
<p>A minha coleção foi muito menos longa, embora mais vasta, pois eu tinha umas quatro ou cinco publicações concomitantes. Eu fazia no mesmo esquema que o meu pai, colorindo apenas a capa e uma ou outra página interna, mais ou menos como era <em>O Pato Donald</em> nos anos 1950. Eram as referências do meu pai e também as minhas, já que ele mantém até hoje a coleção do <em>Pato</em> completa do número 1 ao 1900, mais ou menos.</p>
<p>Mas chegou uma hora em que percebi que desenhava como uma criança de seis ou sete anos, embora já tivesse quase quinze. Cessei as publicações de quadrinhos, embora não tenha fechado a editora, afinal eu orgulhava-me de tê-la fundado em 1981, dez anos antes, e não poderia deixá-la morrer. Eu só nunca consegui uma explicação da data. Em 1981, eu já sabia escrever, é verdade, e escrevia livros e desenhava histórias em quadrinhos, da maneira como se espera que uma criança de cinco anos o faça, mas não me lembro de ter inventado o nome de uma editora até, sei lá, uns dois ou três anos depois. Mas eu tinha definido que a data de fundação era em 1981, e, naqueles tempos, minha palavra era final na Editora Matriz.</p>
<p>A empreitada seguinte da editora serviria para suprir uma lacuna na minha vida, criada quando a <em>Placar</em> cessou suas publicações semanais, em agosto de 1990. A Matriz, claro, seria a responsável por uma revista que fizesse o mesmo papel. O nome, por mero acaso, era um sinônimo de “placar”: <em>Escore</em>. Mas havia um problema: devido ao Plano Collor, não havia verba para mandar fotógrafos aos estádios e coisa e tal nem para comprar material de agências. Ok, talvez o Plano Collor não tivesse nada a ver com isso, mas fica mais legal contando assim.</p>
<p>Então, em vez de cobrir o Campeonato Brasileiro de Futebol, a <em>Escore</em> passou a cobrir o Campeonato Brasileiro de Futebol… de Botão, realizado no meu quarto, mesmo. Como eu sempre quisera ver um campeonato em pontos corridos, o meu Brasileiro era assim, com oito clubes disputando o título. Havia até uma segunda divisão, uma Copa do Brasil e campeonatos regionais e estaduais. E a revista seguiu firme e forte, semanalmente, por mais de cinquenta edições. Confesso que o “forte” devia-se mais aos excelentes desenhos do meu vizinho Zé do que ao meu talento jornalístico. Acho que tenho todas as edições, guardadas em algum armário inacessível na casa dos meus pais.</p>
<p>Um ano após o fim da <em>Escore</em>, chegou o primeiro computador em casa. Para mim, a maior utilidade seria diagramar minhas revistas. No começo, eu usava o Paintbrush, mesmo. Imagine minha surpresa ao descobrir que dava para fazer em formato de papel, mesmo, em vez do formato padrão que o programa abriu para as primeiras edições publicadas. Eu pegava os cliparts que vinham com o Windows 3.1 e espalhava-os pelas páginas. A imagem que abre este texto dá a dimensão do que era essa fase. As tábuas de classificação eram especialmente difíceis de ser feitas!</p>
<p>Algum tempo depois, migrei para o Word. Para ter certeza de como poderia usá-lo com mais de uma coluna por página, passei dias tentando diagramar uma página do Estadão no Word. Por incrível que pareça, deu certo, e pude diagramar a nova revista esportiva da Editora Matriz, <a href="https://twitter.com/jogosspfc/status/403639688969584641">no Word</a>: a <em>Goleada</em>. Seu auge foi em 1995, quando em várias segundas e terças eu dava um jeito de ir à Praça da República, para comprar jornais de outros estados e até de outros países. Eles serviriam de fonte para textos, fichas técnicas e fotos, escaneadas para entrar na edição daquela semana. Àquela altura, a cobertura tinha deixado os campeonatos de botão e resumia-se apenas ao bom e velho futebol profissional.</p>
<p>Não é difícil imaginar que, apesar de a publicação supostamente ser semanal, devido a todo esse processo e à quantidade de páginas, eu levava muito mais que uma semana para escrever cada uma delas, então elas saíam meio que mensalmente ou bimestralmente, dependendo de quantas provas eu tivesse na faculdade. Obviamente, eu pulava os números. Assim, por exemplo, o número 48 foi seguido, acho, pelo 53 ou algo do tipo.</p>
<p>Folheando alguma revista, descobri que a Microsoft estava lançando um programa para diagramação de páginas, chamado Publisher. Eu até lidava com PageMaker na faculdade, mas ele era caríssimo e eu não tinha como comprar. O Publisher custou-me R$ 120 na época (começo de 1996), tirados do meu primeiro salário em uma editora (como contato comercial). Mas, no fim das contas, usei-o muito pouco para diagramar revistas. Ele foi muito mais útil para diagramar trabalhos de faculdade, embora meus colegas de grupo sempre odiassem quando eu tentava fazer trabalhos com mais de uma coluna por página.</p>
<p>Minha relação com diagramação passou a ser exclusivamente por <em>hobby</em>. Sim, eu diagramo revistas como passatempo. Outro dia, mesmo, peguei o álbum de figurinhas da Copa União de 1988 — o Brasileiro daquele ano realmente chegou a ser conhecido assim, apesar de muita gente achar que Copa União foi só a de 1987 — e rediagramei, no InDesign, duas páginas. Apenas escaneei as figurinhas, que <a href="http://anotacoestricolores.tumblr.com/post/81987828737/album-de-figurinhas-copa-uniao-de-1988" title="Anotações Tricolores: 'Álbum de figurinhas: Copa União de 1988'">entraram no layout exatamente como foram coladas no meu álbum original</a>, ainda comigo, embora com a capa colada com durex e maltratado pelo tempo.</p>
<p>Havia outras memórias menos detalhadas, mas o texto já estava longo demais e parou por aí. Pelo visto, isto é o menos prolixo que consigo ser em um assunto tão apaixonante, que também faz parte da minha infância e adolescência.</p>
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		<title>Spams de corretores e diretores</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Oct 2013 20:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Serviço]]></category>
		<category><![CDATA[email]]></category>
		<category><![CDATA[empresas desastradas]]></category>
		<category><![CDATA[spam]]></category>

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		<description><![CDATA[A praga do spam não é recente. Convive-se com ela há quase vinte anos, e são spams de todos os tipos. Vez por outra, aparece algum mais curioso, mas são ocasiões raras, não só porque esses spams curiosos são raros, mas também porque quem é que fica olhando a pasta de lixo eletrônico, para encontrá-los? O problema é que o sistema de detecção de spams não é tão eficiente como gostaríamos. Nos casos em que o spammer envia, de uma forma praticamente manual, suas porcarias, é razoavelmente fácil enganar o filtro. Cito como exemplo a mania recente de corretores de&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/10/spams-corretores-diretores/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A praga do spam não é recente. Convive-se com ela há quase vinte anos, e são spams de todos os tipos. Vez por outra, aparece algum mais curioso, mas são ocasiões raras, não só porque esses spams curiosos são raros, mas também porque quem é que fica olhando a pasta de lixo eletrônico, para encontrá-los? O problema é que o sistema de detecção de spams não é tão eficiente como gostaríamos. Nos casos em que o <em>spammer</em> envia, de uma forma praticamente manual, suas porcarias, é razoavelmente fácil enganar o filtro.</p>
<p>Cito como exemplo a mania recente de corretores de imóveis: enviar spam aleatoriamente sobre seus <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/05/predios-nomes-estrangeiros/" title="Prédios com nomes estrangeiros">&#8220;fantásticos&#8221; lançamentos imobiliários</a>, contando, para isso, com a ajuda de bancos de dados de endereços vendidos ilegalmente. Já recebi emails com lançamentos &#8220;imperdíveis&#8221; em cidades muito distantes da minha. Ontem, mesmo, recebi um spam sobre um prédio que até fica em São Paulo, mas veja o primor do raciocínio que abre a mensagem, mantido aqui com todos os erros de português: &#8220;Faço um trabalho totalmente on-line, entendo que hoje , clientes com potencial de compra não <em>tem</em> tempo <em>pára</em> falar ao telefone, por isso, lhe escrevo para apresentar um projeto de <em>Alto Padrão no</em> Jardins onde <em>a muito tempo</em> não se lança nenhum empreendimento deste porte, <em>há 7 minutos</em> da Av.Paulista o Coração financeiro de São Paulo.&#8221;</p>
<p>Tive a impressão de já ter recebido anteriormente um spam desse mesmo corretor de nome curioso, porém, como não tinha certeza, simplesmente respondi, solicitando que meu endereço fosse retirado de sua lista de spam. Ele respondeu-me dizendo que o removeu. Possivelmente, ele removeu-o, de fato, mas quem garante que meu endereço não pipocará de novo em sua lista quando ele comprar um CD mais &#8220;atualizado&#8221;, no futuro?</p>
<p>Outro exemplo foi um email que recebi há cerca de dois meses, com o assunto &#8220;Contato &#8211; café&#8221;. Desempregado que estava na época, o assunto interessou-me, aliado ao pequeno trecho que era destacado na caixa de entrada: poderia ser alguém que tinha recebido o meu currículo e queria conversar. A primeira frase não deixava transparecer que era um spam: &#8220;Eu trabalho como Diretora <em>(sic)</em> de relacionamento da agência XXXX XXXXXXX, uma agência de marketing e comunicação digital.&#8221; Ou seja, minha ideia fazia sentido.</p>
<p>Porém, ao ler o restante do texto, percebi que era uma mera propaganda dos serviços da empresa, com um agravante: a maneira como foi enviado — spam — depunha fortemente contra esses serviços. Vejamos. Ela fala em uma &#8220;consultoria avançada onde nós pesquisamos e monitoramos consumidores e outros players <em>(sic)</em>&#8220;. Pois bem, essa tal &#8220;consultoria avançada&#8221; enviou emails aleatoriamente para supostos clientes, inclusive uma pessoa física desempregada, alardeando a suposta eficiência do serviço.</p>
<p>O texto prosseguia: &#8220;Nosso grande diferencial e excelência é exatamente o monitoramento das mídias sociais para gestão da reputação da marca e também para planejamento e execução de estratégias sociais para a geração da publicidade espontânea através de ações, campanhas, aplicativos, combinadas com inteligência de negócio.&#8221; Nesse ponto, ela até não errou tanto, afinal, esta postagem em meu humilde blogue não deixa de ser uma &#8220;publicidade espontânea&#8221;, ainda que negativa. Só não é mais negativa, aliás, porque optei por omitir nomes.</p>
<p>E ainda havia essa preocupante pérola: &#8220;Esse é um conceito novo, que tempos <em>(sic)</em> implementado em cases de sucesso, como <em>[ela cita o nome de três grandes empresas]</em>.&#8221; Na mesma hora, já fiquei com medo de essas três grandes empresas usarem a mesma estratégia de spam para divulgar seus serviços. Ou seja, a tal diretora de Relacionamento conseguiu arranhar a imagem do que são provavelmente seus três maiores clientes.</p>
<p>Antes de encerrar com sua assinatura, que incluía uma quase antítese &#8220;Inteligência digital&#8221;, ela despede-se com a seguinte proposta: &#8220;Gostaria, conforme a sua conveniência, de agendar uma reunião de 20 ou 30 minutos para lhe apresentar pessoalmente esta proposta de valor para a sua marca e sua operação e claro aproveitar e tomar um café para trocarmos cartão de visita.&#8221; Fiquei tentado a aceitar seu convite, mas, como eu não tinha cartões de visita, justamente por estar desempregado, deixei para lá, já com a ideia de escrever este texto em algum momento.</p>
<p>(Duas semanas depois, ela enviou novamente o mesmo email, com uma ou outra diferença nos espaçamentos entre parágrafos, mas silenciou-se desde então. Nesse segundo email, ela abria com um &#8220;Solicito sua indicação para área responsável&#8221;, que só serviu para ressaltar a falta de &#8220;inteligência digital&#8221; da agência.)</p>
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		<title>Cetale, o zagueiro que o futebol esqueceu</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2013/08/cetale-zagueiro-botafogo/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Aug 2013 14:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Botafogo-RJ]]></category>
		<category><![CDATA[Cetale]]></category>
		<category><![CDATA[Estádio Nicolau Alayon]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional Atlético Clube]]></category>

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		<description><![CDATA[Morreu, na madrugada de 21 de julho, o ex-zagueiro Cetale, que defendeu o Botafogo entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1960. Após os jogos do Nacional no Estádio Nicolau Alayon, a última pessoa a deixar as arquibancadas costumava ser o homem da foto acima. Quieto, passava despercebido para a maioria dos torcedores, que não imaginavam estar próximos de um zagueiro que jogou com grandes personagens do futebol brasileiro. Nascido em 23 de fevereiro de 1939, filho de pai argentino e mãe uruguaia, foi criado na Vila Anastácio, em São Paulo, e seu início de carreira&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/08/cetale-zagueiro-botafogo/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Morreu, na madrugada de 21 de julho, o ex-zagueiro Cetale, que defendeu o Botafogo entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1960. Após os jogos do Nacional no Estádio Nicolau Alayon, a última pessoa a deixar as arquibancadas costumava ser o homem da foto acima. Quieto, passava despercebido para a maioria dos torcedores, que não imaginavam estar próximos de um zagueiro que jogou com grandes personagens do futebol brasileiro.</p>
<p>Nascido em 23 de fevereiro de 1939, filho de pai argentino e mãe uruguaia, foi criado na Vila Anastácio, em São Paulo, e seu início de carreira foi no time infantil do Corinthians, na primeira metade da década de 1950. Por sua altura de 1,81 metro (alto para a época), era considerado um dos destaques, como mostrou a matéria &#8220;Rato cumpre uma nobre missão no Coríntians&#8221;, publicada na <em>Folha da Manhã</em> de 24 de julho de 1955. No ano seguinte, entretanto, transferiu-se para o Nacional, ficando lá até 1958, quando foi levado para o Rio de Janeiro por um olheiro do America. Segundo <a href="http://portoroberto.blog.uol.com.br/arch2008-08-24_2008-08-30.html" title="O Blog do Roberto Porto: 'Um nome para a história do Glorioso'">texto de Albino Castro Filho no blog de Roberto Porto</a>, &#8220;treinou dois meses na velha cancha de Campos Salles e chegou a disputar um amistoso contra o Bonsucesso vestindo a camisa do diabo rubro, <em>[mas]</em> o America, que já preparava Djalma Dias, vacilou, e Cetale foi para o Botafogo, levado por Nadim Marreis&#8221;.</p>
<p>Aos dezenove anos, estava sendo preparado no time de aspirantes que conquistou o bicampeonato da categoria, em 1958 e 1959, ao lado de Amarildo, Amoroso e outros jogadores que atuariam, mais tarde, no famoso Botafogo dos anos 1960. O fato de jogar nos aspirantes não impedia que fosse convocado para as excursões do clube, como um giro pela Europa, em junho de 1959, que incluiu uma goleada sobre o Anderlecht, em Bruxelas, com Cetale entrando no segundo tempo. &#8220;Excursionei o mundo inteiro com o Botafogo&#8221;, disse o jogador a Albino Castro Filho. &#8220;Conheci mais de cinquenta países e, naquelas viagens, vivi meus melhores momentos no clube.&#8221;</p>
<blockquote><p>6/6/1959<br />
<strong>ANDERLECHT 0×5 BOTAFOGO</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> amistoso. <strong>Estádio:</strong> Bruxelas, BÉL. <strong>Público:</strong> 20.000. <strong>Gols:</strong> Paulinho (7/1T), Quarentinha (14/1T), Lippens (contra, 25/1T), Quarentinha (26/1T e 25/1T).<br />
<strong>Anderlecht:</strong> Week; Cogelaers, Koster e Gettemans; Coninck e Lippens; Jurion, Van der Wilt, Stockmans, Mande Boers e Van dem Bosche.<br />
<strong>Botafogo:</strong> Ernâni; Aírton, Chicão e Nílton Santos; Tomé (Cetale) e Ronaldo; Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Nivaldo).</p></blockquote>
<p>Ainda uma jovem promessa, dizia-se que seu passe estaria estipulado em quatro milhões de cruzeiros, o terceiro maior valor entre os cinco jogadores que o Estadão de 27 de junho dava como possíveis transferidos à Espanha, atrás de Didi (quinze milhões) e do goleiro Ernâni (cinco milhões). Naquele ano, chegou a ser oferecido, junto com Rossi, ao Atlético de Madri, numa negociação em troca de Vavá, que não foi para a frente. Seu prestígio faria com que fosse convocado para a seleção carioca de novos que enfrentou a paulista, no Maracanã, em 28 de abril de 1960, num jogo cuja renda foi revertida para o benefício das vítimas de inundações no Nordeste. Curiosamente, Ademir da Guia, ainda jogador do Bangu, era reserva na seleção carioca e entrou, provavelmente no segundo tempo, no lugar de Válter. A partida terminou empatada em um gol.</p>
<p>7/4/1960<br />
<strong>BOTAFOGO 1×1 VASCO DA GAMA</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> Rio&#8211;São Paulo. <strong>Estádio:</strong> Maracanã (Rio de Janeiro, RJ). <strong>Juiz:</strong> Alberto da Gama Malcher. <strong>Renda:</strong> Cr$ 896.913. <strong>Gols:</strong> Amarildo (15/1T) e Peniche (22/2T).<br />
<strong>Botafogo:</strong> Ernâni; Jorge (Marcelo), Cetale e Nílton Santos; Chicão e Frazão; Garrincha, Rossi, Neivaldo, Amarildo e Orlando (Geninho).<br />
<strong>Vasco da Gama:</strong> Miguel (Itá); Paulinho, Bellini e Coronel; Écio (Orlando) e Russo; Sabará, Roberto (Valdemar), Delém, Pinga e Peniche.</p>
<p>Em 23 de junho de 1960, foi personagem de um caso curioso. Em amistoso contra o Palmeiras, o zagueiro Zé Maria foi expulso, aos 22 minutos do primeiro tempo, por indisciplina, logo após o gol palmeirense. Diante dos protestos de Zé Maria, a partida ficou parada por alguns minutos e, quando finalmente foi reiniciada, Cetale, originalmente no banco, estava em campo. Ele não tinha informado ao representante da federação quem tinha sido substituído, mas o trio de arbitragem, inicialmente, não se deu conta. Cerca de dois minutos depois, um dos bandeirinhas percebeu que o Botafogo ainda estava com onze jogadores em campo e avisou o árbitro, Manuel Ramos.</p>
<p>Nova confusão estava armada, com os botafoguenses cercando o árbitro e rapidamente sendo acompanhados por integrantes da comissão técnica e até dirigentes. Cetale argumentava que o jogo era um amistoso, sem convencer Ramos. A delegação carioca optou, então, por retirar-se de campo, embora sem ir aos vestiários. Os jogadores ficaram na beira do túnel por dez minutos, até os ânimos se acalmarem, e voltaram ao gramado. Cetale estava entre eles, mas, agora, substituindo Neivaldo.</p>
<p>23/6/1960<br />
<strong>PALMEIRAS 1×0 BOTAFOGO</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> Amistoso. <strong>Estádio:</strong> Pacaembu (São Paulo, SP). <strong>Juiz:</strong> Manuel Ramos. <strong>Renda:</strong> Cr$ 277.225. <strong>Gol:</strong> Walter Prado (22/1T).<br />
<strong>Palmeiras:</strong> Waldir de Moraes; Djalma Santos e Waldemar Carabina; Perinho, Aldemar e Geraldo; Ivã, Walter Prado, Moacir, Chinesinho e Cruz.<br />
<strong>Botafogo:</strong> Manga; Zé Maria e Nílton Santos; Ademar, Pampolini (Ronald) e Chicão; Neivaldo (Cetale 25/1T), Édson (Rossi), Alencar, Amarildo e Zagalo (Bruno).</p>
<p>Em 1961, o técnico Marinho não o relacionara para uma viagem do Botafogo, o que irritou Cetale, segundo o próprio contou, <a href="http://terceirotempo.bol.uol.com.br/quefimlevou/qfl/sobre/cetale-1415-3.html" title="Que Fim Levou?: Cetale">em entrevista sem data</a> publicada no <em>site</em> Terceiro Tempo. Com o contrato vencido no final daquele ano, parecia não ter mais espaço no clube, mesmo com o presidente declarando que estava preparando um novo contrato para o jogador. Cetali começou a despertar o interesse de outros times, e os jornais publicavam notas a respeito deles, baseadas ou não em fatos. Em dezembro, por exemplo, o Corinthians teria cogitado sua contratação. Mais tarde, já em abril de 1962, o Botafogo de Ribeirão Preto teria chegado a mandar um representante ao Rio de Janeiro para tentar contratá-lo, sem sucesso. Naquele mês, tinha circulado a notícia de que Cetale teria sido multado pelo Botafogo (o Estadão de 4 de abril apenas fala em multa, sem citar o alegado motivo), logo desmentida pela diretoria, explicando que não poderia multá-lo, por ele estar sem contrato.</p>
<p>Chegou a ser noticiada, em maio, sua transferência para o Juventus, por quinhentos mil cruzeiros, mas seu destino acabou sendo a Esportiva de Guaratinguetá, embora ele garantisse, décadas depois, também ter tido uma oferta do Internacional de Porto Alegre. No dia 29 daquele mês, o Botafogo informou à Federação Carioca de Futebol que tinha cedido todos os direitos sobre o jogador ao clube paulista, passando a ter condições de jogo no fim do mês seguinte. &#8220;Eu tinha proposta do Internacional, mas acabei preferindo ir para o Guaratinguetá&#8221;, relembraria, na entrevista publicada pelo Terceiro Tempo. &#8220;Fiquei muito arrependido.&#8221;</p>
<p>Já em sua primeira partida pelo novo clube, foi citado pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol, devido às faltas cometidas. Era um procedimento normal, em um tempo em que não havia cartões amarelos ou vermelhos. Cetale acabou absolvido.</p>
<p>25/11/1962<br />
<strong>XV DE PIRACICABA 2×0 ESPORTIVA DE GUARATINGUETÁ</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> Paulista. <strong>Estádio:</strong> Piracicaba, SP. <strong>Juiz:</strong> José Batista dos Santos. <strong>Renda:</strong> Cr$ 139.900. <strong>Gols:</strong> Vágner (20/1T) e Nilo (7/2T).<br />
<strong>XV de Piracicaba:</strong> Orlando; Orlando Maia, Ditão e Cardinale, Fernando Sátiro e Dorival; Ovaldinho, Vágner, Maneca, Nilo e Ubirael. Técnico: King.<br />
<strong>Esportiva de Guaratinguetá:</strong> Lamim; Rubens, Cetale e Henrique; Tupi e Carlitto; Roberto; Frazão, Nato, Beirute e Oriel. Técnico: Begliomimi.</p>
<p>Após o fim do campeonato a <em>Folha de S. Paulo</em> mencionou, em sua edição de 20 de dezembro, que o Flamengo teria interesse em contratar Cetale. Com ou sem oferta do time carioca, Cetale decidiu rumar para a Colômbia, a fim de defender o Deportivo Cáli. &#8220;Foi uma experiência boa&#8221;, avaliaria, mais tarde. &#8220;A diferença técnica entre o futebol brasileiro e o futebol colombiano era muito grande naquela época. O Brasil enfrentava a Colômbia e ganhava até por oito gols de diferença. Hoje, não é bem assim.&#8221; Uma operação no menisco, que ele não quis fazer na Colômbia, foi decisiva para sua volta ao Brasil, onde defenderia, ainda, Bonsucesso e Olaria — em 14 de setembro de 1966, o <em>Estadão</em> fez referência a um Cetali marcando para o São Cristóvão, em um amistoso contra a seleção da Tunísia.</p>
<p>Mais tarde, ex-companheiros do Botafogo indicaram-no para jogar no futebol dos Estados Unidos, onde defendeu o Toros Los Angeles e o Chicago Spurs. Foi naquele país que ele encerrou a carreira como jogador, passando a trabalhar num projeto voltado para jovens promessas latino-americanas. &#8220;Eu falava bem espanhol, por isso fui convidado para trabalhar no projeto, que se chamava Panamericano&#8221;, explicava.</p>
<p>Cetale só voltaria a sua São Paulo natal em 1998, já vivendo dificuldades financeiras. &#8220;Chegou a morar num albergue público, no bairro do Canindé, com duas mudas de roupa e uma mala de fotos dos tempos gloriosos do Botafogo&#8221;, escreveu Albino. &#8220;Nos momentos de desespero, e eram muitos, eu abria a minha carteira e só encontrava as duas fotos do Botafogo&#8221;, contou Cetale, no mesmo texto. &#8220;Então, revirava a mala e ficava olhando minhas fotos com a camisa do Botafogo, e isso ajudava-me a enfrentar as necessidades.&#8221; Ele não se separou dessas fotos até sua morte.</p>
<p>Após o jogo entre Nacional e Atibaia, em 18 de maio, tive a oportunidade de conhecê-lo e testemunhei o orgulho com que ele as mostrava. Ele estava cabisbaixo, sentado na ponta da arquibancada térrea na frente das tribunas do Nicolau Alayon. Quando questionado sobre seus tempos de Botafogo, imediatamente encheu o peito e sacou a foto de sua carteira, para exibi-la. No próprio domingo em que ele morreu, funcionários do Nacional procuravam separar as fotos de Cetale, para dar-lhes um destino adequado. Uma delas, de um time posado do Botafogo, em que ele está ao lado de Manga e Nílton Santos, entre outros, tinha lugar cativo, plastificada, em sua carteira.</p>
<p>Fiz, nas semanas seguintes, a pesquisa que deu origem a este texto, e gostaria de entrevistá-lo, já com os detalhes à mão. Infelizmente, ele não estava no estádio nas duas partidas seguintes do Nacional. Pouco antes de começar a terceira, no último dia 21, fui informado de sua morte. A partida entre Nacional e SEV Hortolândia teve um minuto de silêncio, em homenagem a Cetale, e <a href="http://instagram.com/p/cCER_iInwQ/" title="Instagram: agiesbrecht">terminou com o placar de 10 a 0</a>, maior goleada da história do clube ferroviário.</p>
<p>Tenho certeza de que Cetale deu a assistência em pelo menos metade dos gols.</p>
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		<title>Migração do Google Reader para o Feedly</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Jun 2013 15:16:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Serviço]]></category>
		<category><![CDATA[Feedly]]></category>
		<category><![CDATA[Google Reader]]></category>
		<category><![CDATA[RSS]]></category>

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		<description><![CDATA[Como usuário do Google Reader há quase cinco anos, é claro que a notícia de que ele seria desativado a partir do próximo dia 1 de julho deixou-me à procura de um bom substituto. Como a notícia foi amplamente divulgada em diversos dos sites que eu acompanhava, ironicamente, no próprio Google Reader, testei alguns candidatos e rapidamente decidi-me pelo Feedly, graças à sua bela interface para iPad. Entretanto, o Feedly ainda necessitava do Google Reader para acessar o seu feed, algo que eles resolveram neste mês, a poucos dias do desligamento da plataforma antiga. Mas ainda tinham ficado algumas dúvidas&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/06/migracao-google-reader-feedly/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como usuário do Google Reader <a href="http://i.minus.com/iMO3uiKVyrJcw.png" class="broken_link">há quase cinco anos</a>, é claro que a notícia de que <a href="http://googlereader.blogspot.com.br/2013/03/powering-down-google-reader.html" title="The Official Google Reader Blog: 'Powering Down Google Reader'">ele seria desativado</a> a partir do próximo dia 1 de julho deixou-me à procura de um bom substituto. Como a notícia foi amplamente divulgada em diversos dos <em>sites</em> que eu acompanhava, ironicamente, no próprio Google Reader, testei alguns candidatos e rapidamente decidi-me pelo <a href="http://cloud.feedly.com/#welcome" title="Feedly">Feedly</a>, graças à sua bela interface para iPad. Entretanto, o Feedly ainda necessitava do Google Reader para acessar o seu <em>feed</em>, algo que eles resolveram neste mês, a poucos dias do desligamento da plataforma antiga.</p>
<p>Mas ainda tinham ficado algumas dúvidas sobre como a migração ocorreria, como as que a minha amiga Cristina Castro <a href="https://www.facebook.com/cristinamorenocastro/posts/4359134915439">expôs</a> em seu Facebook (o <em>link</em> só vai funcionar para os amigos dela). Afinal, o Feedly tinha divulgado que a migração já se tinha iniciado, mas não deu muitos detalhes de como ela seria feita. Hoje, ele fez uma nova postagem em seu blog, dando <a href="http://blog.feedly.com/2013/06/19/feedly-cloud/" title="Bulding Feedly: 'Feedly Cloud is Now Available to All Users'">instruções de como migrar</a>, mas ainda fiquei com dúvidas, especialmente depois de ler que <a href="http://lifehacker.com/feedly-gets-its-own-syncing-service-detaches-you-from-513783286" title="Lifehacker: 'Feedly Gets Its Own Syncing Service, Detaches You From Google Reader'">o processo era um pouco confuso</a>. Então, após concluí-lo, com êxito e sem traumas, resolvi escrever este texto, que pode auxiliar os que tinham as mesmas dúvidas que eu tinha. </p>
<p>O primeiro passo foi entrar na <a href="http://cloud.feedly.com/" title="Feedly">nova interface <em>web</em> do Feedly</a>. Lá, cliquei no botão &#8220;Login&#8221;, que é o do meio e não tem o mesmo destaque do botão &#8220;Import your Google Reader&#8221;. Por que fiz isso? Porque eu já tinha importado, desde março, e não acreditei que seria necessário. No meu caso, realmente não foi. De qualquer maneira, pelo que pude ver, ambos os <em>links</em> levam ao mesmo lugar. Mas, se você estiver entrando no Feedly pela primeira vez, é bom usar a primeira opção. É importante destacar que, se você já estiver logado no Feedly, deverá deslogar-se.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/06/feedly-home-page-640x203.gif" alt="Home page do Feedly" title="Home page do Feedly" width="640" height="203" class="alignnone size-medium wp-image-1667" /></p>
<p>Em seguida, abriu-se uma nova janela, do Google, solicitando que eu confirmasse que dava autorização ao Feedly para visualizar as informações da minha conta, gerenciar meus dados no Google Reader e visualizar meu endereço de email. Isso porque eu já estava logado em minha conta no Google. Quem não estivesse logado, veria a tela de <em>login</em>. Se a migração já estaria ocorrendo, por que é necessário logar-se no Google? Porque o Feedly seguirá usando sua conta no Google para <em>login</em>, da mesma maneira que diversos <em>sites</em> permitem que você se logue com sua conta no Twitter ou no Facebook. Ou seja, mesmo após o fim do Google Reader, sua conta no Google ainda estará atrelada ao Feedly, mas não mais alimentando os <em>feeds</em>.</p>
<p>Após a confirmação da autorização, a migração foi concluída em relação ao <em>site</em> e fui direcionado para a tela com todos os meus <em>feeds</em>. Entretanto, eles apareceram todos como não-lidos, gerando uma lista com &#8220;999+ itens&#8221;, o que seria um pequeno inconveniente, caso eu não soubesse, antes, que tinha apenas um item não-lido em minha lista. Felizmente, a contagem não se altera dentro do Google Reader, então, se você cumprir esses passos antes do fim da ferramenta, pode logar-se nela e verificar quais eram os itens que você ainda não tinha lido. Depois, vá a interface do Feedly que você estiver usando e procure pela opção &#8220;Mark category as read&#8221;.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/06/feedly-mark-category-as-read.jpg" alt="Feedly: opção &quot;Mark category as read&quot;" title="Feedly: opção &quot;Mark category as read&quot;" width="640" height="315" class="alignnone size-full wp-image-1669" /></p>
<p>O processo inteiro deve ser repetido em todas as interfaces onde você tiver o Feedly instalado, deslogando-se, fechando o programa e fazendo o novo <em>login</em>. No meu caso, fiz o mesmo no iPad, no celular e na extensão do Chrome que eu tinha instalado em outro computador. Se você for acessar apenas a partir do navegador, não será preciso fazer mais nada, e você pode só acertar essa questão dos não-lidos e começar a usar o Feedly.</p>
<p>Acho que consegui descrever o processo com o máximo de detalhes de que me lembrei. Se lembrar de mais alguma coisa ou se alguém tiver alguma dúvida nos comentários em que eu consiga ser útil &#8212; não sou exatamente um cara técnico &#8211;, atualizarei o texto.</p>
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		<title>Mais um desrespeito aos direitos autorais</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2013 23:07:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ralph Giesbrecht]]></category>
		<category><![CDATA[Varginha]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje fiquei sabendo de mais um exemplo de ausência de créditos. Um jornal de Varginha, o Correio do Sul, publicou, em sua edição de ontem, uma foto tirada por meu pai no ano passado, quando ele esteve em visita àquela cidade. A foto foi usada duas vezes, uma na capa e outra no segundo caderno, e nenhuma das duas trouxe o crédito de quem a tirou. Na capa, há duas fotos creditadas a Guilherme Bergamini, provavelmente funcionário do jornal. Um desavisado imaginaria que foi dele também a (bela) foto de um casarão à beira da linha férrea que corta a&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/06/desrespeito-direitos-autorais/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje fiquei sabendo de mais um <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/como-e-dificil-receber-creditos/" title="Como é difícil receber créditos!">exemplo de ausência de créditos</a>. Um jornal de Varginha, o <em>Correio do Sul</em>, publicou, em sua edição de ontem, uma foto tirada por meu pai no ano passado, quando <a href="http://blogdogiesbrecht.blogspot.com.br/2012/07/varginha-em-fotos.html" title="Blog do Ralph Giesbrecht: "Varginha em fotos"">ele esteve em visita àquela cidade</a>. A foto foi usada duas vezes, uma na capa e outra no segundo caderno, e nenhuma das duas trouxe o crédito de quem a tirou. Na capa, há duas fotos creditadas a Guilherme Bergamini, provavelmente funcionário do jornal. Um desavisado imaginaria que foi dele também a (bela) foto de um casarão à beira da linha férrea que corta a cidade.</p>
<p>Mas a situação é ainda pior, pois a foto serviu para ilustrar uma matéria sobre um esdrúxulo projeto que vai contra tudo o que o meu pai defende em relação ao patrimônio ferroviário brasileiro. E a matéria defende tal proposta, mencionando que &#8220;a linha férrea (…) pode deixar de ser um problema e se transformar em um belíssimo cartão postal&#8221;. Independentemente de se concordar ou não com a afirmativa, o fato é que meu pai não concorda com ela, e a publicação de uma foto por ele tirada para defender tal projeto é um absurdo.</p>
<p>Note que não é uma foto &#8220;parecida&#8221;. É a mesma foto, como se comprova pelo carro parado à esquerda, pelos sacos de lixo e pela moto no meio da foto e pelas pessoas à direita. Basta acessar a versão impressa do jornal, disponível em seu <em>site</em> — cujo <em>link</em> não vou colocar aqui, para não prestigiar, mas pode ser visto na imagem que ilustra este texto. Imagino que, estando a redação na própria Varginha, seria fácil ir até o local e bater uma foto, mas certamente era ainda mais fácil procurar uma foto na internet e publicá-la, imaginando que o autor nunca ficaria sabendo e/ou não se importaria. Pois bem, o autor dessa foto ficou sabendo e importa-se. Ao contrário das fotos que publico aqui, quase todas disponíveis em Creative Commons (bastando apenas a menção de meu nome como autor), as fotos do meu pai estão protegidas pelos direitos autorais.</p>
<p>O que o <em>Correio do Sul</em> tem a dizer a respeito disso?</p>
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		<title>O centro paulistano discutido. Em 1974</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2013/05/centro-paulistano-discutido-1974/</link>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 14:09:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[centro]]></category>
		<category><![CDATA[Edifício Martinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Vale do Anhangabaú]]></category>

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		<description><![CDATA[É praticamente impossível determinar uma data exata de quando a degradação do centro de São Paulo começou, tantos são os fatores, das mais diversas eras, que a causaram. A recuperação é um processo que ainda está ocorrendo, mas não se sabe nem sequer se terá sucesso. Nas matérias de jornal com as quais trombo em outras pesquisas, pelo menos, consegui achar algo sobre o que provavelmente foi o primeiro estudo sobre a região e que pode, talvez, ser considerado o marco para a recuperação. O simples fato de esse estudo ter sido conduzido há quase quarenta anos já dá uma&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/05/centro-paulistano-discutido-1974/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É praticamente impossível determinar uma data exata de quando a degradação do centro de São Paulo começou, tantos são os fatores, das mais diversas eras, que a causaram. A recuperação é um processo que ainda está ocorrendo, mas não se sabe nem sequer se terá sucesso. Nas matérias de jornal com as quais trombo em outras pesquisas, pelo menos, consegui achar algo sobre o que provavelmente foi o primeiro estudo sobre a região e que pode, talvez, ser considerado o marco para a recuperação. O simples fato de esse estudo ter sido conduzido há quase quarenta anos já dá uma ideia de como esse processo é difícil.</p>
<p>Note que, em reportagem publicada pelo <em>Jornal da Tarde</em>, em 7 de outubro de 1974, um dos motivos para a degradação era citado, e só hoje em dia ele está sendo atacado. Nessa, matéria, o então coordenador da Coordenadoria de Gestão de Pessoas (Cogep), Evangelista Leão, disse: &#8220;A função &#8216;habitação&#8217; está deteriorando-se no centro. Administradores de outras cidades já comprovaram que, na hora em que a área central fica 100% sem moradias, surgem problemas graves, como o alto índice de criminalidade, porque o centro fica vazio à noite.&#8221;</p>
<p>A Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) dizia ter &#8220;cinco projetos de obras em desenvolvimento do centro&#8221;, mas eles não foram citados e, de qualquer maneira, eram considerados &#8220;obras isoladas&#8221;. Não é muito diferente do que se tem hoje, embora o poder público pouco tenha a ver com isso: são as construtoras e imobiliárias que estão migrando vários de seus lançamentos para o centro. É um tendência consolidada, mas não deixam de ser ações isoladas, sem um planejamento central &#8212; e esse planejamento central faz falta, pois, na maioria dos casos, são novos empreendimentos, localizados nos mesmos terrenos onde, antes, existiam apenas casas ou pequenos estabelecimentos comerciais. Ou seja, a infraestrutura municipal não é ampliada, o que tende a causar problemas futuros, como tanto alerto por aqui.</p>
<div id="attachment_1646" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2013/05/centro-sao-paulo-1974-640x853.jpg" alt="O Vale do Anhangabaú e o Buraco do Adhemar, em 1974 (foto do JT)" title="O Vale do Anhangabaú e o Buraco do Adhemar, em 1974 (foto do JT)" width="640" height="853" class="size-medium wp-image-1646" /><p class="wp-caption-text">O Vale do Anhangabaú e o Buraco do Adhemar, em 1974 (foto do JT)</p></div>
<p>Outro problema citado na reportagem de 1974 dizia respeito ao Vale do Anhangabaú, que ainda era uma grande avenida, com um pequeno túnel (o chamado Buraco do Adhemar), constantemente congestionada, como se comprova pela foto acima, tirada pelo <em>JT</em> do alto do Edifício Martinelli. A Prefeitura vinha tentando consolidar os projetos existentes para o local, que eram, pelo menos, dez. Apesar de a estática ser considerada um fator importante, o que se previa, naquela época, era uma série de &#8220;passarelas delgadas&#8221; passando sobre o vale, o que deixaria o nível do solo apenas para os veículos. &#8220;O vale vai transformar-se num lugar onde o público se sinta à vontade&#8221;, explicou o diretor de planejamento da Emurb, Pedro Paulo de Melo Saraiva.</p>
<p>Difícil imaginar, ao menos com esse projeto. <a href="http://noticiassp.tumblr.com/post/48433802087/prefeito-suspende-passarelas-no-vale-folha-de" title="Notícias de São Paulo: 'Prefeito suspende passarelas no Vale'">Ele acabaria cancelado</a>, em 1980, embora a ideia tenha sido mantida, propositalmente ou não, em uma das &#8220;pontas&#8221; do vale, a Praça da Bandeira. Esse cancelamento, feito pelo então prefeito Reynaldo de Barros, provavelmente deu origem ao concurso que geraria, no final da década de 1980, o visual atual do Anhangabaú, <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/09/buraco-do-adhemar/" title="O Buraco do Adhemar">com seus dois túneis</a> e o paisagismo na superfície, voltado para pedestres.</p>
<p>Logo ao lado, o Edifício Martinelli era apontado pelo <em>JT</em> como exemplo da deterioração da região: &#8220;Há outros prédios nas mesmas condições, acabando-se aos poucos, mas a melhor amostra é o Martinelli. Um edifício que foi orgulho de seu dono e da cidade, que hospedou gente rica, onde se pisava em tapetes ou em mármore, onde a aristocracia se reunia para tomar chá. O prédio mais alto da cidade, de onde, por 1,5 mil réis, se via quase toda a cidade. Hoje, ninguém sobe lá. Nem de graça.&#8221;</p>
<p>E ninguém subia porque o prédio estava tomado pelo descaso. Dos treze elevadores originais, apenas cinco estavam funcionando, e nenhum deles subia além do 22.º andar. O Sindicato dos Alfaiates ocupava, desde 1962, seis salas no 24.º andar, mas queria, desesperadamente, sair de lá. E nem cogitava a hipótese de vender as salas, pois seu vice-presidente garantia que não haveria compradores. Afinal, sem elevadores para atender o andar, o lixo acumulava-se, isso sem falar em constantes faltas de luz e de água. Marginais e prostitutas também eram facilmente encontrados por ali, especialmente à noite.</p>
<p>Com o prédio nessas condições, não era de se surpreender que o outrora luxuoso Hotel São Bento, que já ocupara sete andares do edifício, estivesse nas mesmas condições. Ele já tinha aberto mão de três dos andares e de quase todo o luxo. Seus hóspedes não dispunham mais de portaria ou mesmo água quente. &#8220;Hotel era há mais de trinta anos&#8221;, lamentou o gerente, em 1974. &#8220;Hoje é lugar mal falado.&#8221; <em>[Nota: ainda pretendo escrever mais extensamente sobre o Martinelli, que seria recuperado pela Prefeitura ainda naquela década.]</em></p>
<p>Também eram citados na reportagem a vizinhança do Minhocão, o Beco do Paissandu (que, no ano seguinte, veria seu nome mudado para Rua Abelardo Pinto) e o Mappin da <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/03/praca-ramos-edificio-mercantil-finasa/" title="Praça Ramos vista do Edifício Mercantil Finasa">Praça Ramos de Azevedo</a>. Havia, ainda (e como sempre), projetos que nunca sairiam do papel, como a transferência do comércio atacadista da Rua Vinte e Cinco de Março para um &#8220;terminal&#8221; na Marginal do Tietê e a arborização das ruas que tinham sido convertidas em calçadões naquele ano.</p>
<p>Não consegui encontrar os resultados do estudo. É possível que ele tenha servido como base para diversas das ações sofridas pelo centro nesses 39 anos. Por outro lado, também é possível que não tenha sido usado para nada ou, mesmo, que ele nunca tenha sido concluído. Não seria nenhuma novidade por estas bandas.</p>
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		<title>Os cadernos do Estadão</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2013/04/estadao-cadernos/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Apr 2013 19:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>
		<category><![CDATA[O Estado de S. Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de ler um comunicado interno do Estadão, publicado pelo Blue Bus, anunciando mudanças a partir do próximo dia 22. &#8221; O jornal adotará a configuraçao de três cadernos, mais um suplemento&#8221;, escreveu Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do jornal. Note que são citados três cadernos por dia, além de um suplemento. E quais seriam esses três cadernos? &#8220;O primeiro caderno terá as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorpora comportamento digital e literatura.&#8221; Ou seja, o&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/04/estadao-cadernos/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de ler um comunicado interno do <em>Estadão</em>, <a href="http://www.bluebus.com.br/1-novo-estadao-aqui-a-integra-do-comunicado-interno-de-ricardo-gandour/" title="Blue Bus: '1 novo Estadao, aqui a integra do comunicado interno de Ricardo Gandour'">publicado pelo <em>Blue Bus</em></a>, anunciando mudanças a partir do próximo dia 22. &#8221; O jornal adotará a configuraçao de três cadernos, mais um suplemento&#8221;, escreveu Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do jornal. Note que são citados três cadernos por dia, além de um suplemento. E quais seriam esses três cadernos? &#8220;O primeiro caderno terá as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorpora comportamento digital e literatura.&#8221;</p>
<p>Ou seja, o <em>Estadão</em> vai retroceder mais de vinte anos. Para quem não se lembra, não era nascido ou simplesmente não se importava, até 1991, o noticiário era concentrado em um ou dois cadernos. Até os anos 1980, a divisão entre os assuntos nem era lá muito clara, mas essa época eu não peguei (como leitor). O que peguei foi a época de poucos cadernos, o que fazia com que o caderno &#8220;Cidades&#8221; (atual &#8220;Metrópole&#8221;) fosse sempre fundido com o &#8220;Esportes&#8221;, a não ser aos domingos e às segundas-feiras. Assim, eu tinha de dividir o jornal com a minha mãe, que queria ler &#8220;Cidades&#8221;, enquanto eu queria ler &#8220;Esportes&#8221;. Adivinhe quem tinha a preferência? Em vez de poder levar o jornal comigo para a escola, às vezes, eu não podia nem lê-lo de manhã. Não creio que fosse só comigo que isso ocorresse.</p>
<p>Quando os dois cadernos passaram a ser separados &#8212; a não ser em épocas como pouca cobertura esportiva, como em fins de ano, quando eles voltavam a se fundir por alguns dias &#8211;, resolveu esse problema. E isso, pelo visto, vai durar até abril de 2013. Já não divido mais o jornal com minha mãe, mas divido-o com minha esposa. E o &#8220;Metrópole&#8221; é sua leitura preferida do jornal. Não poderemos mais ler o jornal juntos na mesa do café da manhã.</p>
<p>O <em>Estadão</em> <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/11/fim-jornal-da-tarde/" title="O fim do Jornal da Tarde">já tinha matado, no ano passado, o <em>Jornal da Tarde</em></a>. Nesse processo, vi diminuída a cobertura esportiva a que eu tinha direito. No <em>JT</em>, eram, no mínimo, doze páginas diárias, o que equivaleria a seis páginas n&#8217;<em>O Estado</em>, mas este, em muitos dias, traz apenas quatro páginas. A diferença no número de páginas é pequena, mas, na cobertura dos times, é gritante: enquanto o finado trazia, em geral, duas páginas para cada um dos quatro grandes (o equivalente a uma página inteira do irmão mais velho), não raro vê-se no <em>Estadão</em> uma única matéria, que ocupa apenas um pedaço da página. Se forem diminuir ainda mais, vai começar a ficar injustificável minha assinatura.</p>
<p>Não nego que os jornais enfrentam inúmeros desafios hoje em dia, especialmente para se fortalecer entre o público jovem. Mesmo entre a minha geração, que já não é tão jovem assim, não é lá muito fácil encontrar alguém que assine jornal. Entre os oito amigos de colégio com quem ainda mantenho contato frequente, nenhum (!) assina um jornal impresso. Apenas dois deles o fizeram em algum momento de suas vidas adultas. Uma das coisas que atraem jovens (do sexo masculino) aos jornais é o caderno de esportes. Foi o que aconteceu comigo.</p>
<p>Atualmente, quase ninguém fica sabendo de um resultado de jogo pelos jornais. Acontece, ainda, comigo, quando acabo indo formir muito cedo, mas é raro. Além disso, 95% do noticiário diário esportivo publicado em impressos ocorreu até as 18 horas do dia anterior. Muitas vezes, o sujeito abre o jornal na parte de esportes e só depara com notícias que já lera na internet à noite. Esse é o maior problema, e não consigo entender como mesclar tudo no mesmo caderno vai resolver. Os jogos noturnos continuarão com uma cobertura parca, escrita às pressas, devido aos exíguos prazos de fechamento, e estes nem veem a internet com vantagem, pois os <em>sites</em> sempre querem publicar seus textos o mais rápido possível &#8212; ou seja, minutos após o encerramento da partida. Isso também não vai ser resolvido com os cadernos mesclados.</p>
<p>Essa questão dos três cadernos é um tendência recente nos Estados Unidos, onde alguns jornais chegaram ao extremo de cortar algumas edições. Sim, alguns jornais já não põem sua versão impressa para circular em determinados dias da semana. Quanto tempo até essa &#8220;inovação&#8221; chegar por aqui? Será que, quando chegar, eu ainda estarei assinando um jornal?</p>
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		<title>A porteira da Mooca</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2013/02/porteira-mooca/</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Feb 2013 19:27:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Moóca]]></category>
		<category><![CDATA[Linha 10 da CPTM]]></category>
		<category><![CDATA[Mooca]]></category>
		<category><![CDATA[Radial Leste]]></category>
		<category><![CDATA[Rua da Mooca]]></category>

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		<description><![CDATA[A passagem de nível mais famosa da cidade de São Paulo sempre foi a do Brás, na frente da Estação Roosevelt, mas a Mooca também tinha uma importante porteira, que teve uma história razoavelmente conturbada. Conhecida como &#8220;porteira da Mooca&#8221;, ela foi criada no início do século XX, ainda pela São Paulo Railway, por isso também era chamada de &#8220;porteira da Ingleza&#8221; (assim, mesmo, com z) quando se estava falando daquele bairro. Ela era uma das principais ligações da zona leste com o centro, não só antes da construção da Radial Leste como após, enquanto o Viaduto Alcântara Machado não&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/02/porteira-mooca/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A passagem de nível mais famosa da cidade de São Paulo sempre foi a do Brás, na frente da Estação Roosevelt, mas a Mooca também tinha uma importante porteira, que teve uma história razoavelmente conturbada. Conhecida como &#8220;porteira da Mooca&#8221;, ela foi criada no início do século XX, ainda pela São Paulo Railway, por isso também era chamada de &#8220;porteira da Ingleza&#8221; (assim, mesmo, com <em>z</em>) quando se estava falando daquele bairro. Ela era uma das principais ligações da zona leste com o centro, não só antes da construção da Radial Leste como após, enquanto o Viaduto Alcântara Machado não ficava pronto.</p>
<p>Como ocorria em outras passagens de nível paulistanas, o local era conhecido por muitos acidentes, normalmente causados por imprudência de pedestres e motoristas. Esses acidentes levaram a Estrada de Ferro Santos&#8211;Jundiaí (EFSJ, que tinha substituído a São Paulo Railway após a encampação pelo governo brasileiro, em 1946) a impor o fechamento da porteira em 3 de março de 1967, executado pelo Departamento de Engenharia de Tráfego (DET) da cidade. A decisão desagradou a moradores e comerciantes da região, mas principalmente aos motoristas que dependiam da transposição dos trilhos da EFSJ por ali para alcançar o centro da cidade.</p>
<p>Após protestos organizados por moradores e por entidades como a União dos Moradores da Mooca e Alto da Mooca, a porteira acabou reaberta em 24 de abril. A Companhia Antarctica Paulista, que tinha uma grande fábrica ao lado da Estação Mooca e da passagem de nível, era uma das maiores interessadas na reabertura e programou uma festa para a data de reabertura, com fogos de artifício, confetes e serpentinas. Um veículo de propaganda da empresa tinha percorrido o bairro naquela manhã anunciando a festa e convidando a população, mas a iniciativa não deu muito certo: menos de cem pessoas compareceram ao evento.</p>
<div id="attachment_1628" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca-1967.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca-1967-640x773.jpg" alt="A porteira da Mooca, em 1967, em foto d&#039;O Estado de S. Paulo" title="A porteira da Mooca, em 1967, em foto d&#039;O Estado de S. Paulo" width="640" height="773" class="size-medium wp-image-1628" /></a><p class="wp-caption-text">A porteira da Mooca, em 1967, em foto d&#039;O Estado de S. Paulo</p></div>
<p>Nessa época já se falava que a passagem seria novamente fechada quando o viaduto da Radial Leste sobre a linha da EFSJ fosse inaugurado. Mas a inauguração deu-se três semanas depois, em 17 de maio, e a passagem seguiu aberta até 1976. No primeiro dia de junho daquele ano, a RFFSA (a EFSJ, que já era parte da RFFSA desde 1957, fora extinta em 1969) anunciou que fecharia definitivamente a passagem, que daria lugar ao prédio de seu Controle de Tráfego Centralizado (CTC). A versão oficial é de que a decisão já tinha sido tomada &#8220;havia alguns meses&#8221;, mas o comunicado só foi feito a quatro dias do fechamento. Assim, o Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV) teve de elaborar, às pressas, um plano com &#8220;outras opções para se atingir a região central da cidade&#8221;, como informado na nota oficial emitida pelo órgão naquele dia.</p>
<p>O DSV estimava que cerca de 1,7 mil veículos se utilizassem da passagem por hora nos horários de pico. Esses veículos somar-se-iam aos seis mil por hora recebidos pela já saturada Radial Leste nos mesmos horários. O próprio órgão público tinha uma previsão pessimista, mas, sem alternativa, determinou a mudança de mão em diversas ruas do bairro. Três semáforos foram instalados: nos cruzamentos da Radial Leste com as ruas do Hipódromo e Piratininga, e no desta última com a Rua da Mooca. Foram distribuídos ainda folhetos orientando os motoristas. Funcionários das empresas de ônibus que prestavam serviço na região receberam circulares a respeito, assim como cartazes para ser afixados nos coletivos.</p>
<p>Ao menos a previsão pessimista acabou não se concretizando no primeiro dia útil sem a porteira. O trânsito piorou na Radial Leste, é verdade, mas ficou longe do caos que era previsto. Só na Rua dos Trilhos que a coisa complicou, e &#8220;a rua praticamente parou&#8221;, na descrição d&#8217;<em>O Estado de S. Paulo</em>. Prossegue o <em>Estadão</em>: &#8220;E o cruzamento da Avenida Paes de Barros transformou-se num desordenado amontoado de automóveis, que nem o esforço dos guardas, sempre apoiados em seus apitos estridentes, conseguiu desenlaçar.&#8221; Se os motoristas tiveram menos motivos para reclamar do que se imaginava, os comerciantes da Rua da Mooca reclamavam que o fechamento da passagem de nível diminuiu consideravelmente o movimento de pedestres no local, o que consideravam péssimo para os negócios.</p>
<p>Os motoristas começaram a ter motivos para reclamar na sexta-feira seguinte, dia 11, após um engavetamento de cinco veículos no viaduto que liga a Radial Leste à Ligação Leste&#8211;Oeste, às 7h15 da manhã. Ele não teve vítimas, mas causou um congestionamento de mais de quatro quilômetros que durou quase duas horas. Voltando a citar o <em>Estadão</em>: &#8220;Dezenas de bairros da zona leste constataram, da maneira mais concreta possível, a inconveniência de possuir apenas uma passagem para o centro da cidade.&#8221;</p>
<p>No dia 4, véspera da consumação do fato, o então prefeito, Olavo Setúbal, tinha proposto que se fizesse um projeto para a construção de um viaduto no local, ligando os dois lados da Rua da Mooca. Ele adiantou que a eventual construção dependeria &#8220;do aprofundamento dos estudos globais, mediante os quais a Prefeitura tenciona desafogar o trânsito da região&#8221;. Discurso bonito, mas vazio. Já o diretor do DSV, Roberto Scaringela, acreditava que seriam necessários pelo menos dois anos para que o viaduto saísse do papel.</p>
<p>A única ligação entre os dois lados da linha do trem passou a ser a passarela para pedestres, construída pela São Paulo Railway no início do século XX, além da passarela coberta da Estação Mooca. Com a maioria os carros abandonando as ruas próximas, a região passou a sofrer com a deterioração e o abandono. O muro erguido pela RFFSA ganhou entre a vizinhança o apelido de &#8220;Muro da Vergonha&#8221;. A construção do viaduto era reivindicada pelos moradores, mas era seguidamente protelada. Um exemplo é a carta publicada pela <em>Folha de S. Paulo</em> em 29 de setembro de 1987, em que o leitor Hélio Ruggiero solicita uma solução para o muro da vergonha: &#8220;O que se pleiteia não é um viaduto de porte exuberante, mas, sim, algo que elimine de vez a triste obstrução que lá permanece há tanto tempo, fazendo parte da abominável coleção de promessas concretas e realizações abstratas.&#8221;</p>
<p>Em 10 de março de 1993, pouco depois de assumir a Prefeitura pela segunda vez, Paulo Maluf esteve na Mooca e anunciou que a construção do viaduto seria iniciada ainda naquele ano. O projeto de lei pedindo suplementação de verbas para a construção foi encaminhado à Câmara dos Vereadores ainda naquele mês. O custo estimado era de cerca de doze milhões de dólares, com previsão de entrega no final de 1995. A ideia preliminar era um viaduto com três faixas, todas no sentido bairro&#8211;Centro, e uma calçada larga para os pedestres, que permitisse a retirada da antiga passarela de metal da SPR.</p>
<p>Como é praxe até hoje, as datas foram postergadas várias vezes. Em setembro a previsão era de início de obras em 1994. Quando muitos moradores da região já começavam a duvidar da nova promessa, as obras finalmente tiveram início, apenas em setembro de 1994. O &#8220;muro da vergonha&#8221; foi demolido no mês de fevereiro seguinte. Apesar do atraso inicial, a entrega seguia prometida para até dezembro de 1995, mas, ao visitar a obra no fim do mês, Maluf antecipou esse prazo para junho. Em agosto de 1995, com o novo prazo já estourado, Maluf prometeu a entrega para outubro. Em dezembro, falava-se na inauguração em 18 de janeiro de 1996.</p>
<p>Finalmente, o viaduto foi inaugurado em 8 de fevereiro de 1996, já com o nome de Viaduto Professor Alberto Mesquita de Camargo. Comemorado inicialmente, menos de um ano depois ele passou a ser alvo de reclamações de comerciantes da vizinhança. &#8220;Eu era a favor, mas agora sou contra&#8221;, revelou Roberto Riccio, dono de uma lotérica na rua. Ele não era o único que tinha mudado de opinião. &#8220;A gente pensava que iria ser uma coisa, mas foi outra&#8221;, explicou Homero Fernandes da Silva, dono de um bar, ao <em>Estadão</em>. &#8220;A obra ficou boa, o trânsito ficou bom. Mas…&#8221; Mas o viaduto estava servindo como solução apenas para quem usava carro: ele afastava os pedestres da região.</p>
<p>Da mesma maneira que outras obras feitas na cidade.</p>
<div id="attachment_1629" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca-640x426.jpg" alt="Hoje não dá mais para perceber, mas aqui ficava a porteira da Mooca" title="Hoje não dá mais para perceber, mas aqui ficava a porteira da Mooca" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1629" /></a><p class="wp-caption-text">Hoje não dá mais para perceber, mas aqui ficava a porteira da Mooca</p></div>
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		<title>A Estação Barra Funda da Santos-Jundiaí</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jan 2013 20:49:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Barra Funda]]></category>
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		<category><![CDATA[Estação Palmeiras-Barra Funda]]></category>
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		<category><![CDATA[Trem de Prata]]></category>

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		<description><![CDATA[A atual Estação Palmeiras-Barra Funda foi a primeira estação em São Paulo a integrar de fato o Metrô e as ferrovias da CBTU e da Fepasa. Seu projeto foi apresentado em 1 de agosto de 1978, mas o terminal só seria entregue mais de uma década depois. Em março de 1987, o governo estadual prometia a inauguração da nova Estação Barra Funda para novembro daquele ano, mas, de novo, a promessa não foi cumprida. Em outubro do ano seguinte, a nova data prometida era 5 de novembro de 1988, mas o sindicato dos metroviários avisava que ainda não haveria condições&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/01/estacao-barra-funda-santos-jundiai/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A atual Estação Palmeiras-Barra Funda foi a primeira estação em São Paulo a integrar de fato o Metrô e as ferrovias da CBTU e da Fepasa. Seu projeto foi apresentado em 1 de agosto de 1978, mas o terminal só seria entregue mais de uma década depois. Em março de 1987, o governo estadual prometia a inauguração da nova Estação Barra Funda para novembro daquele ano, mas, de novo, a promessa não foi cumprida. Em outubro do ano seguinte, a nova data prometida era 5 de novembro de 1988, mas o sindicato dos metroviários avisava que ainda não haveria condições de iniciar ali a operação do Metrô naquela data. Novo adiamento, e o 5 de novembro ficaria marcado apenas como segundo dia de uma greve dos metroviários, não como a data de abertura da esperada estação. Finalmente, em 17 de dezembro, um sábado, a estação foi aberta, com festa e muitos abraços do então governador Orestes Quércia, que evitou um grupo que protestava contra a demissão de 357 metroviários durante a greve do mês anterior.</p>
<p>Mas ainda faltava algo à estação. Com o Metrô, os trens de subúrbio da Fepasa e 62 linhas de ônibus em seu terminal urbano, faltavam a rodoviária, que tinha ficado para depois, pois o governo dera prioridade à construção do Memorial da América Latina, e os trens de subúrbio da CBTU. Quando estes fossem integrados ao novo terminal, a Estação Barra Funda da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, um prédio do outro lado do Viaduto Pacaembu, sito à Rua da Várzea, sem número, poderia ser desativada. O prédio nem era antigo, pois, construído em 1964, tinha menos de 25 anos de uso. A previsão era de que a operação da CBTU fosse transferida para a nova estação a partir de quarta-feira 21. Mas, como já se viu antes, promessas de prazo naquele época não eram mais confiáveis que <a href="http://noticiassp.tumblr.com/post/41100866704/trem-aeroporto" title="Notícias de São Paulo: o trem do aeroporto">as promessas de prazo atuais</a>, e o prédio &#8220;antigo&#8221; ganhava uma curta sobrevida.</p>
<p>Na terça-feira 20 o prazo parecia confirmado em reportagem do jornal <em>Folha de S. Paulo</em> (&#8220;A partir de amanhã, a estação da Barra Funda fará interligação também com os trens da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).&#8221;), mas esse prazo também estava furado. O jornal seguiu sem tocar no assunto por dias, até o dia 7 de janeiro de 1989, quando comunicou, em uma notinha no pé da página C-5: &#8220;Desde quinta-feira <em>[5 de janeiro]</em>, está em funcionamento na Estação Barra Funda a integração Metropolitano/CBTU. Aí, sim, a antiga estação foi desativada, embora não por muito tempo.</p>
<div id="attachment_1610" class="wp-caption alignright" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/01/estacao-barra-funda-efsj-plataforma.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/01/estacao-barra-funda-efsj-plataforma-640x426.jpg" alt="Antiga estação Barra Funda da EFSJ vista da linha" title="Antiga estação Barra Funda da EFSJ vista da linha" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1610" /></a><p class="wp-caption-text">Antiga estação Barra Funda da EFSJ vista da linha</p></div>
<p>A partir de novembro de 1994, ela tornou-se o terminal em São Paulo do Trem de Prata, que passou a fazer a ligação ferroviária entre São Paulo e Rio de Janeiro. Não consegui ter certeza absoluta se era no prédio anteriormente usado pela CBTU que ocorria o embarque nesse trem, porém tudo indica que sim, tanto é que o endereço que costumava ser divulgado era Rua Capitão-Mor Gonçalo Monteiro, 6, que corresponde à entrada da antiga estação. (Se alguém que pegou o Trem de Prata tiver alguma informação, é só deixá-la na caixa de comentários.) Com esse novo público, a estação ganhou até uma sala VIP do cartão de crédito Diners Club e, mais tarde, o Espaço Cultural Trem de Prata, que não cobrava dos artistas para expor trabalhos.</p>
<p>O problema é que a operação não deu certo, principalmente devido à baixa confiabilidade do sistema, que ocasionava atrasos e afugentou passageiros. Em seus últimos meses de funcionamento, a taxa de ocupação dos trens era de 30%. A última viagem partiu da Estação Barra Funda em 29 de novembro de 1998, e o prédio mais uma vez perdeu seu uso. Desta vez, definitivamente, ao que tudo indica. Em 2001, a estação já estava toda pichada e parcialmente destruída, como mostram <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br/b/barfunda-spr.htm" title="Estações Ferroviárias do Brasil, Estação Barra Funda EFSJ">as fotos do site Estações Ferroviárias do Brasil</a>. Algum tempo depois, a passarela elevada que um dia ligara as duas plataformas também veio ao chão.</p>
<p>Hoje, quem passa por ali, seja pelas linhas 7 ou 8 da CPTM ou pelas ruas da Várzea ou Capitão-Mor Gonçalo Monteiro, provavelmente nem imagina que aquele prédio abandonado um dia foi uma estação. Com um muro à frente, parte do terreno virou um estacionamento. Na estação, uma das salas laterais, voltada para a Rua da Várzea, contém vários objetos antigos. No dia em que lá estive fotografando, não encontrei ninguém ali, mas a porta estava aberta. Na <a href="http://goo.gl/maps/2LBBV">foto do Google Street View</a>, tirada em fevereiro de 2011, é possível ver uma placa, posteriormente retirada: &#8220;Bazar Beneficente. Aceitamos doações. Ajude a quem precisa.&#8221;</p>
<p>E a estação segue decadente, mas em pé, como se fosse um zumbi.</p>
<div id="attachment_1609" class="wp-caption alignright" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/01/estacao-barra-funda-efsj-lateral.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/01/estacao-barra-funda-efsj-lateral-640x426.jpg" alt="Lateral da antiga estação Barra Funda da EFSJ" title="Lateral da antiga estação Barra Funda da EFSJ" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1609" /></a><p class="wp-caption-text">Lateral da antiga estação Barra Funda da EFSJ</p></div>
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