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	<title>Pseudopapel &#187; Causos</title>
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	<description>Porque de eletrônico este espaço só tem o formato.</description>
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		<title>Do Bixiga à Lapa: ida e volta em 2h35 pela CPTM</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Feb 2012 20:12:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O rodízio paulistano de veículos é um perfeito exemplo de decisão que uma minoria é obrigada a engolir por causa de atitudes da maioria. No caso, para compensar os inúmeros automóveis com um único ocupante que poderia estar se utilizando de transporte público (que ajudam a transformar o trânsito da cidade em um caos diário), retira-se um quinto de toda a frota de carros de circulação nos horários de pico da manhã e da tarde. Pouco importa que haja pessoas que realmente precisam do carro — na verdade, seria muito difícil comtrolar isso. Entre 1999 e 2009 praticamente só usei&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/02/bixiga-lapa-2h35-cptm/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O rodízio paulistano de veículos é um perfeito exemplo de decisão que <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/02/golpe-sacolinhas-plasticas/" title="O golpe das sacolinhas plásticas">uma minoria é obrigada a engolir por causa de atitudes da maioria</a>. No caso, para compensar os inúmeros automóveis com um único ocupante que poderia estar se utilizando de transporte público (que ajudam a transformar o trânsito da cidade em um caos diário), retira-se um quinto de toda a frota de carros de circulação nos horários de pico da manhã e da tarde. Pouco importa que haja pessoas que realmente precisam do carro — na verdade, seria muito difícil comtrolar isso. Entre 1999 e 2009 praticamente só usei transporte público para ir e voltar ao trabalho. A partir de 2009 segui com o transporte público, mas incluindo uma ida de carro à Lapa, na escola do meu filho, hoje com três anos, para deixá-lo ali. O carro também fica na Lapa, e eu sigo com a CPTM e posteriormente o Metrô, fazendo o percurso inverso no final da tarde, quando pego meu filho, pego o carro e sigo de volta para casa. Por rotas alternativas, diga-se de passagem, já que é muito raro eu pegar trânsito pesado, seja de manhã ou à tarde.</p>
<p>Pois bem, eu também tenho de deixar meu carro na garagem uma vez por semana. O que eu costumava fazer até o fim do ano passado era levá-lo antes do horário do rodízio, e à tarde minha esposa dava um jeito de sair no meio da tarde de seu escritório para buscá-lo e chegar em casa antes de o rodízio acabar. Imprevistos eram analisados de última hora, mas, mesmo assim, só chegamos a desrespeitar o rodízio uma vez, quando minha mãe foi buscar meu filho com nosso carro. Com manda Murphy, <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/11/demolicoes-vejinha/" title="Ainda as demolições, agora com loas da Vejinha">isso gerou uma multa em novembro passado</a>. Desde o início do ano letivo de 2012, passei a levar meu filho para a escola às sextas-feiras de metrô e trem. Ele ainda dá um pouco de trabalho no trajeto, pois anda devagar e distrai-se muito facilmente, mas ele de fato <a href="http://instagr.am/p/HYk6CGon88/" title="Foto no Instagram: Willi na Estação da Luz">encara com alegria a tarefa</a> e, não raro, quando vou buscá-lo em outros dias tenta &#8220;insistir&#8221; para irmos de trem para casa. Fazer dessa maneira demora um pouco mais, claro. De manhã, quando vou de carro levo entre uma hora e uma hora e vinte minutos para chegar ao trabalho; quando o levo de trem, esse tempo aumenta para entre 1h20 e 1h40. À tarde, de carro levo entre 1h10 e 1h30; de trem, entre 1h20 e 1h40. (Vale ressaltar que, quando falo &#8220;de carro&#8221;, quero dizer em apenas uma das pernas, pois a outra é feita de trem independentemente.)</p>
<p>Na última sexta-feira 24, entretanto, levei 2h35 à tarde. De manhã eu já havia levado um pouco mais de tempo, porque a plataforma 1 da Estação Luz, usada para embarque rumo à Lapa pela Linha 7, <a href="https://twitter.com/#!/agiesbrecht/status/172984214583640066">estava lotada de maneira pouco característica</a>. Como os dois primeiros trens foram da série 1100 (trens de seis carros, os mais curtos — e antigos — em operação na linha), a lotação não diminuía. Embarcamos no terceiro, e ainda percebi que o quarto também seria um 1100. Mas isso não acrescentou mais do que uns dez minutos ao percurso. O problema realmente foi na volta.</p>
<p>Saí para buscá-lo às 17h30 em ponto. Peguei o Metrô na Estação São Joaquim e cheguei à Luz sem problemas coisa de vinte minutos depois, incluído aí o tempo a pé até a estação. A enorme fila para baldear à CPTM não era novidade, pois <a href="http://instagr.am/p/mlzAt/" title="Foto no Instagram: fila para baldear do Metrô à CPTM na Luz.">ocorre diariamente naquele horário</a>. Novidade era o que o alto-falantes anunciavam a cada minuto: &#8220;Por motivo de falha de energia, os trens da Linha 7-Rubi no sentido Francisco Morato estão circulando em apenas uma via entre as estações Piqueri e Água Branca.&#8221; Sinal de que, no mínimo, haveria um maior intervalo entre as saídas. No mínimo. Quando cheguei ao saguão 1 da Estação da Luz, comecei a perceber que aquela viagem não teria nada de normal. As escadas de acesso à plataforma 1 estavam entupidas de pessoas, todas elas paradas. As escadas rolantes tinham sido desligadas, medida que costuma ser tomada apenas nas escadas de acesso à plataforma 4, que atende à Linha 11-Coral, rumo a Guaianazes. A foto abaixo foi tirada enquanto eu tentava acessar a plataform 1 por uma das escadas rolantes desligadas.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/escada-acesso-plataforma-1-estacao-da-luz-lotada.jpg" alt="Escada de acesso à plataforma 1 da Estação da Luz lotada" title="Escada de acesso à plataforma 1 da Estação da Luz lotada" width="640" height="427" class="alignnone size-full wp-image-1441" /></p>
<p>A foto, claro, não dá uma boa ideia de que todas essas pessoas estão paradas, mas o fato de haver quatro pessoas olhando para trás é um bom indicador. Isso sem falar que muitas vezes as pessoas que estava subindo tinham de se espremer à direita para dar espaço a quem pretendia descer. A subida levou mais de cinco minutos. Quando finalmente cheguei à plataforma, a cena que vi era parecida com a da foto que abre este texto. A diferença é que, quando bati a foto, eu já estava mais próximo do trem, pois o primeiro, um 1100, já tinha chegado e partido. O trem que está chegando na foto é um da série 1700, com oito carros. O que está à esquerda, na plataforma 2, usada para desembarque da Linha 7, é um 1100.</p>
<p>Até meados do ano passado, a plataforma 1 era usada para embarque e desembarque da <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/01/fim-linha-10-luz/" title="O fim da Linha 10 na Luz?">Linha 10, que agora só vai até o Brás</a>. A Linha 7 tinha seu embarque e desembarque feitos na plataforma 2, um dos lados da plataforma central. O outro lado, a plataforma 3, era e ainda é usado para desembarque da Linha 11, com os passageiros das duas linhas se misturando. Se os acontecimentos de sexta-feira fossem um ano atrás, é possível que a situação fosse ainda pior, pois mesmo com a plataforma 2 pouco lotada <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/08/algumas-cenas-estacao-luz/" title="Algumas cenas na Estação da Luz">havia muita confusão na hora do embarque</a>, com o pessoal que tentava desembarcar sendo empurrado de volta para dentro. Quando o primeiro trem 1100 chegou na sexta, é fécil imaginar a confusão que foi o embarque, com todos se acotovelando o mais próximo possível às portas para tentar entrar. Mas não é preciso imaginar, pois aqui está o vídeo:</p>
<p><iframe title="YouTube video player" width="640" height="394" src="http://www.youtube.com/embed/0eEhPJZXMKc?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Eu consegui embarcar no 1700 da primeira foto. Um senhor logo atrás de mim, que estava carregando um carrinho de compras cheio e pesado, caiu bem na porta. Ainda não tinham entrado muitas pessoas no trem, mas as que tinham estavam mais preocupadas em garantir um lugar sentadas do que em ajudar o homem. Dentro do trem, eu era o único que o fazia. Felizmente, as pessoas atrás dele não só pararam de empurrar como também estavam ajudando. Eu tentava levantar o carrinho e colocá-lo de lado; os demais ajudavam o homem a se levantar. No instante em que ele saiu do caminho, a horda avançou preenchendo todos os espaços, como água invadindo um compartimento. A foto abaixo não faz jus ao momento em que foi tirada. Ela não consegue nem chegar perto de passar a sensação que qualquer um dos passageiros ali tinham, espremidos e em pé, sabendo que a viagem que teriam pela frente seria mais longa do que o normal.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/carro-trem-serie-1700-cptm-lotado.jpg" alt="Carro lotado em trem série 1700 da CPTM" title="Carro lotado em trem série 1700 da CPTM" width="640" height="427" class="alignnone size-full wp-image-1443" /></p>
<p>Mais longa, pois os trens estavam circulando em velocidade reduzida e com maior tempo de parada nas estações. Na Estação Palmeiras-Barra Funda, cuja plataforma também estava lotada (primeira foto abaixo), muita gente tentou entrar e conseguiu, apesar do aperto que já havia desde a Luz. A plataforma da Estação Lapa, onde desci, também estava lotada, não apenas por quem queria embarcar no sentido Francisco Morato, como também pelos que tinham como destino Luz, Palmeiras-Barra Funda e Água Branca. Como apenas uma via estava sendo usada naquele trecho, os trens de ambos os sentidos estavam parando na plataforma 1. Quando atravessei a estação pela passarela superior, ao descer do outro lado encontrei bloqueios onde uma funcionária da CPTM perguntava a todos que passavam se estavam saindo da estação ou se queriam embarcar no sentido Luz (segunda foto abaixo). Quem queria sair podia passar, rumo às saídas; quem queria embarcar era direcionado à plataforma oposta.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/02/plataforma-estacao-lapa-cptm-lotada.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/plataforma-estacao-lapa-cptm-lotada-640x426.jpg" alt="Plataforma da Estação Lapa (Linha 7) da CPTM lotada" title="Plataforma da Estação Lapa (Linha 7) da CPTM lotada" width="640" height="426" class="alignnone size-medium wp-image-1444" /></a></p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/catracas-estacao-lapa-cptm.jpg" alt="Catracas da Estação Lapa (Linha 7) da CPTM" title="Catracas da Estação Lapa (Linha 7) da CPTM" width="640" height="427" class="alignnone size-full wp-image-1445" /></p>
<p>Cheguei à escola às 18h35, quase meia hora além do que seria esperado. Não era um absurdo de atraso, mas naquele horário a grande maioria dos alunos já tinha ido embora. Eu teria problemas, mesmo, se tivesse chegado mais perto das 19 horas. De qualquer maneira, para voltar decidi não arriscar a Linha 7, especialmente por ter contemplado lotação na única plataforma disponível para embarques em ambos os sentidos. Seguimos, pois para a Estação Lapa da Linha 8, que fica uns seiscentos metros adiante, mas do outro lado da linha. Sim, há duas estações homônimas na CPTM, a poucos metros uma da outra, mas que ficam em linhas diferentes. Assim, eu iria até a Barra Funda, onde tomaria o Metrô, faria nova baldeação na Sé e chegaria em casa supostamente sem maiores atropelos. Ledo engano.</p>
<p>O primeiro obstáculo foi o próprio percurso entre as duas estações. Eu cruzei a linha pela própria estação da Linha 7, usando a passarela superior pelo lado de fora das catracas — a passarela é dividida em duas, uma para quem está do lado de dentro das catracas e outra para quem está fora. Para complicar, em uma das mãos eu carregava a mochila do meu filho, acompanhada de uma sacola com lençóis e a lancheira, ambas acopladas à mochila, facilitando um pouco. Na outra mão, o guarda-chuva, pois havia uma chuva fraca, porém insistente. Ao meu filho pedi que fosse segurando no meu bolso, o que ele cumpriu à risca. O problema é que a calçada da Rua John Harrison, que acompanha a Linha 8 no trajeto entre as duas estações, está bastante esburacada, com poças d&#8217;água se acumulando em vários pontos. Além disso, o movimento de pedestres ali é grande, especialmente próximo ao ponto de ônibus que fica próximo à passagem subterrânea da Santos–Jundiaí (ou seja, a passarela mais próxima à estação da Linha 7). As saídas dessa passarela subterrânea também causam um estrangulamento da calçada da John Harrison, que fica estreita a ponto de só dar para passar uma pessoa por vez, e olhe lá. A outra alternativa seria descer a escadaria até a passagem e subir a escadaria seguinte. Optamos pela calçada estreita. Também tínhamos de tomar cuidado com as poças d&#8217;água no meio-fio, pois um carro ou ônibus que passasse nelas um pouco mais rápido deixar-nos-ia encharcados. E sujos.</p>
<p>Chegamos à estação depois de dez ou quinze minutos. Murphy estava lá: passamos pela catraca na hora em que um trem estava saindo. Hora de esperar. Enquanto isso, os alto-falantes informavam que também havia um problema de energia na Linha 8, só que próximo à Estação Jardim Silveira, em Barueri, bem longe dali. Não sei se era por isso que os trens pareciam estar demorando mais que o normal. Acomodamo-nos em duas cadeiras para esperar o próximo, mas os percalços não esperaram. Meu filho começou a dizer que precisava urgentemente ir ao banheiro &#8220;fazer cocô&#8221;: a pior das situações quando se depende de um banheiro público. Pior: eu achava que não havia banheiros naquela estação. Felizmente, um homem que estava ao lado disse que havia, sim, e corremos para lá.</p>
<p>O banheiro era bastante apertado para o volume de usuários que recebe. E há lá apenas um vaso sanitário, que estava ocupado. Ao menos não tivemos de esperar muito, mas, quando entramos, vi que não havia papel higiênico, que teria a segunda função de higienizar o assento da melhor maneira que fosse possível. Tive de chamar o funcionário que fica do lado de fora do banheiro, que vasculhou numa sacolinha e me deu um pacote de papel de folha dupla (!) da marca Neve. Necessidades fisiológicas satisfeitas, saímos do banheiro e novamente demos de cara com Murphy, que fez um trem sair no instante em que deixávamos o banheiro. E o trem seguinte demorou bastante para chegar. Ao menos o bom humor do meu filho ainda não tinha ido embora, como comprova a foto abaixo, tirada depois da incursão ao banheiro.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/02/cadeiras-estacao-lapa-cptm.jpg" alt="Cadeiras na Estação Lapa (Linha 8) da CPTM" title="Cadeiras na Estação Lapa (Linha 8) da CPTM" width="640" height="427" class="alignnone size-full wp-image-1446" /></p>
<p>Enquanto esperávamos, ouvi os alto-falantes solicitar cuidados no uso das escadas rolantes, que inexistem em ambas as estações Lapa. O trem finalmente chegou, depois de quase dez minutos. Seguimos em pé no trecho de uma estação até Palmeiras-Barra Funda, e o bom humor do meu filho começava a dar sinais de estar no fim, com insistentes pedidos de colo que não podiam ser atendidos. O desembarque na Barra Funda é quase total, e o trem estava bem cheio, apesar do contrafluxo para o horário — provavelmente reflexo do maior intervalo entre as composições. Como na plataforma 1 há apenas duas escadas e duas escadas rolantes para o desembarque, é formado um verdadeiro funil em torno dos dois conjuntos. Veja na foto abaixo como estava o cenário ali.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/desembarque-plataforma-linha-8-estacao-palmeiras-barra-funda.jpg" alt="Desembarque da plataforma da Linha 8 na Estação Palmeiras-Barra Funda" title="Desembarque da plataforma da Linha 8 na Estação Palmeiras-Barra Funda" width="640" height="427" class="alignnone size-full wp-image-1447" /></p>
<p>Esperamos mais de cinco minutos até as escadas esvaziarem. Finalmente subimos e fizemos a transferência para o Metrô. Eu tinha-me esquecido que naquele horário (19h25) ainda não havia-se encerrado o pico da Linha 3 no sentido da zona leste, e as plataformas estavam bem cheias. Pela terceira vez seguida, Murphy riu bem na nossa cara, com um trem saindo no instante em que começávamos a descer a escada de acesso à plataforma. Poucos segundos depois, um novo trem adentrou a linha, mas nem parou ali: deve ter ido direto à Estação República, que também é um gargalo de gente naquele horário. Esperamos mais um pouco, e chegou um novo trem. Foi a única vez durante todo o percurso que fomos sentados, com meu filho no meu colo.</p>
<p>Como o trem estava cheio, o desembarque na Sé não foi tão simples, e resolvi manter meu filho no colo para sair de lá, dando um jeito de acomodar os pertences que eu carregava na outra mão. Descemos à plataforma da Linha 1 no sentido Jabaquara, e desta vez não havia nenhum trem saindo que não pudéssemos pegar. Pelo contrário; chegou um assim que nos postamos para esperar. Desta vez nem plataforma nem trem estavam lotados. Faltava apenas andar da Estação São Joaquim até nossa casa, já sem chuva. Chegamos às 20h05, ou 2h35 minutos após eu ter saído para buscá-lo. Talvez se eu tivesse feito o percurso habitual de volta, pela Linha 7, eu tivesse chegado antes. Ou talvez depois. Impossível saber.</p>
<p>Culpa da CPTM? Difícil dizer. Não sei qual foi a gravidade do problema elétrico nem se era algo complicado de ser resolvido. Mas a empresa poderia ter facilitado as coisas, para mim na sexta-feira e para milhares de usuários todos os dias, se a saída da plataforma 1 da Estação Palmeiras-Barra Funda tivesse mais opções e se os banheiros das estações fossem mais organizados (posso falar que os banheiros das estações Luz, Palmeiras-Barra Funda, Lapa 7 e Cidade Jardim são semelhantes, embora maiores). Os constantes avisos de que há problemas ajudam, mas não dão ao usuário uma ideia do que fazer. Vale mais a pena esperar ou procurar outra opção? Ninguém diz. &#8220;Intervalos maiores&#8221; podem ser de cinco, dez ou vinte minutos. Já calhou de em um dia de chuva, dois anos e pouco atrás, <a href="http://www.pittsburgh.com.br/tweets/6742035257/" class="broken_link">eu ficar cinquenta minutos parado na Estação Água Branca</a>, <a href="http://www.pittsburgh.com.br/tweets/6741022333/" class="broken_link">com as portas do trem abertas</a>.</p>
<p>É óbvio que eu sei que há pessoas que enfrentam situações piores com uma frequência até maior. Isso sem falar em outras cidades, como <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/12/supervia-proibido-fotografar/" title="Na Supervia é proibido fotografar?">Rio de Janeiro</a> e <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/09/cptm-trens-portenhos-diferencas-semelhancas/" title="CPTM e trens portenhos: diferenças e semelhanças">Buenos Aires</a>, que têm serviços de trens metropolitanos piores. O caso que contei acima mostra que, se em um percurso razoavelmente curto as coisas podem ficar desse jeito, imagine para quem tem um trajeto ainda maior pela frente. A CPTM ainda tem muito o que fazer.</p>
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		<title>Avianca cancela voo e deixa passageiros na mão</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 10:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nas últimas vezes que fui para o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, no final da tarde, cheguei em cima da hora para o voo, e o que me salvou foi o check-in feito previamente pela internet, que garantiu que eu só pegaria filas antes de passar pela máquina de raios-x e no portão de embarque. Ontem, pois, eu me programei para sair um pouco mais cedo, evitando o grosso do trânsito no cruzamento da Rua Professor Cristiano Fischer com a Avenida Protásio Alves e ao longo da Avenida Carlos Gomes e Rua Dom Pedro II. Funcionou. Apesar de eu&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/10/avianca-cancela-voo/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nas últimas vezes que fui para o Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, no final da tarde, cheguei em cima da hora para o voo, e o que me salvou foi o check-in feito previamente pela internet, que garantiu que eu só pegaria filas antes de passar pela máquina de raios-x e no portão de embarque. Ontem, pois, eu me programei para sair um pouco mais cedo, evitando o grosso do trânsito no cruzamento da Rua Professor Cristiano Fischer com a Avenida Protásio Alves e ao longo da Avenida Carlos Gomes e Rua Dom Pedro II. Funcionou. Apesar de eu ter pegado algum trânsito, os quinze minutos de antecedência para sair fizeram eu chegar quase meia hora mais cedo ao aeroporto. Ainda deu tempo de parar na livraria antes de ir para o portão de embarque. Olhei no painel, e o portão era o de sempre: portão 2.</p>
<p>Meia hora antes do voo, notei que não havia ainda o aviso no portão e fui conferir a tabela. Ainda estava o portão 2 como previsto, mas… logo ao lado, o aviso &#8220;Cancelado&#8221;. Será que teria algo a ver com as cinzas do vulcão Puyehue? O céu de Porto Alegre estava esquisito quando cheguei, na manhã de ontem, <a href="http://twitter.com/#!/agiesbrecht/status/126379676053676032" class="broken_link">algo impressionante, mesmo</a>, como uma neblina fora de hora. Mas ao longo da tarde as cnzas foram sumindo e, quando saí rumo ao aeroporto, elas eram quase imperceptíveis. Ainda assim, faria algum sentido se fosse o motivo do cancelamento, a não ser por um detalhe: havia voos de outras companhias saindo normalmente.</p>
<p>Tive de sair da área de embarque para verificar o que estava acontecendo. No balcão de check-in da Avianca já havia algumas pessoas bastante descontentes, e faltava pouco para chegar ao bate-boca. Alheio a isso, fui buscar informações. Sim, meu voo tinha sido cancelado. Ok, quais eram as minhas opções? Uma, seria esperar até às 21h30, para ver se eu conseguiria embarcar em um voo da Gol. Detalhe: não só este voo ainda não estava confirmado, como eu era o 68.º na lista de espera. Não era um cenário muito animador. Outros voos da Avianca? Não havia, e, segundo a atendente, todos os voos de hoje já estavam lotados desde então, devido aos remanejamentos que a empresa já estava fazendo desde o início da tarde. A Avianca bancaria a minha hospedagem em Porto Alegre enquanto eu esperava? Apesar de ela ser <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/companhia-aerea-deve-pagar-hospedagem-em-caso-de-cancelamento-de-voo/n1237592886317.html">obrigada a fazer isso (mesmo se o cancelamento se dever ao mau tempo)</a>, a posição da empresa era, basicamente, &#8220;Vire-se&#8221;. Ainda tentei ver se outras companhias tinham lugar, mas o único que me ofereceram sairia por uns 1,2 mil reais. Fora de cogitação.</p>
<p>A imagem da Avianca, ex-OceanAir, que eu tinha até ali não era ruim. Sim, ao menos na rota a que estou acostumado (São Paulo–Porto Alegre) a empresa voa apenas com Fokker 100s — embora com o nome alterado para MD28, provavelmente devido à má fama que o equipamento adquiriu nos anos 1990. Mas o serviço de bordo é acima da média atual no Brasil e serve até sanduíches ou salgadinhos, sempre quentes, algo que, mesmo longe das fartas refeições que se via nos céus brasileiros até os anos 1980, soa como um banquete frente aos amendoins da Gol e aos caríssimos sanduíches <em>vendidos</em> em voos da Webjet. Essa imagem foi jogada na privada pela empresa, que ainda deu a descarga.</p>
<p>O cancelamento do meu voo gerou os seguintes custos, apenas no meu caso: trinta reais, do táxi do aeroporto a um shopping center, onde eu compraria itens básicos para eu poder ficar até o dia seguinte em Porto Alegre, 46,97 reais, em cuecas (pacote com duas), meias (pacote com três) e camiseta (pacote com duas), 12,81 reais, em desodorante, escova e pasta de dentes, dezessete reais, do táxi do shopping center ao hotel, 145 reais, do hotel, e mais o táxi para o aeroporto nesta tarde, que deverá girar em torno de 25 a 30 reais. Isso porque acabei nem jantando. Total de uns 280 reais, mais o desgaste por não ter ido para casa ontem e complicado a vida da minha mulher, que hoje terá que se virar para levar e buscar nosso filho na escola. O dinheiro minha empresa reembolsará, pois ela cuida de seu funcionário. Só que não é ela que deveria fazê-lo, mas, sim, a Avianca, que não cuida de seu passageiro.</p>
<p>Agora pela manhã já vi na televisão que alguns voos foram cancelados, inclusive o primeiro da Avianca para Guarulhos. O segundo e o terceiro (para o qual tenho uma nova reserva, mesmo depois de a moça do check-in ter-me informado que todos os voos do dia já estavam lotados) permanecem no site da Infraero como &#8220;previstos&#8221;, assim como o voo das 23h37. As cinzas vulcânicas <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;section=Geral&amp;newsID=a3531665.xml" class="broken_link">deixaram o espaço aéreo gaúcho</a> à 1 hora de hoje. Desta vez, não sairei rumo ao aeroporto sem obter uma informação confiável a respeito do meu voo. E vale lembrar que amanhã e sexta-feira embarcar para São Paulo provavelmente será um inferno, já que possivelmente o Aeroporto de Cumbica estará fechado por causa de uma greve de funcionários.</p>
<p><strong>Atualização (26/10, 18h59):</strong> Após a publicação do caso no meu Twitter, a Avianca tentou entrar em contato comigo por telefone quando eu estava no meio do voo de volta. Não conseguiu, obviamente. O Leandro, do SAC da empresa, ligou-me novamente no dia seguinte, e aí consegui falar com ele. Ele pediu para eu contar brevemente a história, mas logo descobri que ele já tinha lido o meu relato nesta página, o que é um ponto positivo. Ele também me falou que aos passageiros que esperaram até o horário do voo da Gol e não conseguiram ser acomodados nele foi oferecida hospedagem com traslado a um hotel na cidade, informação que conflita com o que me foi passado no balcão de check-in. Com o que eu tinha de informação (não haveria pagamento de alimentação, hospedagem ou traslados), não valeria a pena esperar até o horário do voo, já que eu não teria mais tempo hábil de ir a um shopping comprar os itens de que necessitava.</p>
<p>Concluído o relato, ele me passou o número de protocolo e avisou-me que entraria novamente em contato em até cinco dias — ou seja, hoje. De fato, ele me ligou no fim da tarde, para me comunicar que a empresa ofereceria um crédito de mil pontos em seu programa de milhagens. Mil pontos equivalem a um décimo do necessário para um passagem de ida dentro do Brasil. Nem de longe cobriria as despesas que minha empresa e eu tivemos devido a uma falha de comunicação da Avianca. Ele perguntou se eu estava satisfeito. Eu, claro, disse que não. Aproveitei para assegurar que minha intenção não é obter nenhum tipo de indenização, apenas o reembolso das despesas que tive, listadas acima e todas com seus devidos comprovantes. Mas também frisei que, caso não receba amigavelmente por meio do protocolo atual, não hesitarei em procurar meus direitos na Justiça, aí, sim, pleiteando uma indenização por danos morais. Pelo próprio Twitter ofereceram-me auxílio jurídico nesse sentido. Ele irá conversar com sua gerência e deve entrar em contato comigo até o fim desta semana. Aguardemos.</p>
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		<title>Memórias do jogo de botão</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Mar 2011 23:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[botão]]></category>
		<category><![CDATA[futebol de mesa]]></category>
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		<description><![CDATA[Li um texto escrito por Ubiratan Leal, da Revista ESPN e do site Balípodo, em que ele fala de sua paixão na infância pelo futebol de mesa, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era muito mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria aqui. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos. Minhas primeiras&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/03/memorias-jogo-de-botao/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1-640x132.jpg" alt="Times de botão: Mixto, São Paulo, Nacional, Santa Cruz e Vasco" title="Times de botão: Mixto, São Paulo, Nacional, Santa Cruz e Vasco" width="640" height="132" class="alignnone size-large wp-image-719" /></p>
<p>Li um texto escrito por Ubiratan Leal, da <em>Revista ESPN</em> e do site <em>Balípodo</em>, em que ele fala de <a href="http://www.balipodo.com.br/index.php?p=6495" class="broken_link">sua paixão na infância pelo futebol de mesa</a>, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era muito mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria aqui. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos.</p>
<p>Minhas primeiras memórias do futebol de botão são de fotos que mostram meu irmão e eu brincando na tenra infância, especialmente a foto aí embaixo. Aparecemos deitados sobre o campo para chutar a gol, muitas vezes em jogos com três redes (!). Claro, com três e dois anos de idade não é de se espantar. Eram fins dos anos 1970, ainda morávamos em um apartamento na Bandeira Paulista. A diferença de idade — sou pouco <em>menos</em> de onze meses mais velho — sempre permitiu que brincássemos praticamente das mesmas coisas em pé de quase igualdade.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1979.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1979-640x426.jpg" alt="Jogo de botão em 1979" title="Jogo de botão em 1979" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-714" /></a></p>
<p>Nosso sonho era participar dos campeonatos que meu pai organizava entre seus amigos, quase sempre em nossa casa. Eram campeonatos anuais, mas que duravam vários fins de semana, com uma ou outra rodada no meio da semana, se não me engano. Numa época em que e-mail era coisa de ficção científica, as atualizações da tabela eram passadas por correio, mesmo, depois de a secretária dele datilografar tudo. Era ela também que fazia os resumos dos campeonatos, que estão guardados até hoje.</p>
<p>Não chegamos a conseguir participar, pois ainda não éramos nem adolescentes quando os campeonatos &#8220;morreram&#8221;. Não sei direito o motivo, mas imagino que tenha sido especialmente por causa da mudança do local de disputa: tínhamos nos mudado para Alphaville. Mesmo sem trânsito (e sem pedágio) na Castello Branco à época, o campeonato provavelmente passou a ser classificado com uma prioridade mais baixa. Ainda houve um ou outro por lá, mas depois nunca mais.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/alemanha-botao-cracks.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/alemanha-botao-cracks-640x426.jpg" alt="Seleção da Alemanha fabricada pela Crack&#039;s" title="Seleção da Alemanha fabricada pela Crack&#039;s" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-717" /></a></p>
<p>Esta seleção da Alemanha, fabricada pela Crack&#8217;s, foi meu time na maioria das &#8220;Copas do Mundo&#8221; que disputei. O craque do time era o camisa 10, Matthäus, que seguiu como artilheiro mesmo depois de colado com Super Bonder e fita adesiva. Para essa seleção, busquei o maço de cigarros mais bonito da banca, da Lucky Strike. Engraçado pensar que foi vendido para um moleque bem abaixo de 18 anos, mesmo sem o vendedor saber que minutos depois eu jogaria todos os cigarros no lixo.
</p></div>
<p>Mais ou menos na mesma época, meu irmão e eu começamos a organizar campeonatos entre nossos amigos por lá. O primeiro durante a Copa do Mundo de 1986 fez com que, óbvio, o campeonato fosse uma Copa do Mundo. Mas valia imaginar qualquer seleção com qualquer time. O meu, por exemplo, era um Górnik Zabrze, da Brianezi, fabricado nos anos 1970, <a href="http://colecaodebotao.wordpress.com/2011/03/18/gornik-polonia/">igual a este do Farah</a>. Por causa das cores, chamei-o de Paraguai. A escalação? Peguei um álbum de figurinhas do Campeonato Paulista de 1978 e &#8220;convoquei&#8221; alguns dos jogadores, seguramente nenhum de ascendência guarani. Gozado, não me lembro de nenhum, a não ser do craque daquele time, o camisa 2: Neca. Que não era lateral direito, mas como é que eu iria saber?</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-5-640x121.jpg" alt="Times de botão: Holanda e Inglaterra" title="Times de botão: Holanda e Inglaterra" width="640" height="121" class="alignnone size-large wp-image-727" /></p>
<p>Outro dos &#8220;técnicos&#8221; escolheu um time qualquer e chamou de Bélgica, que estava em evidência naquela Copa. Meu irmão tinha um time da União Soviética (<a href="http://colecaodebotao.wordpress.com/2010/11/21/russia-selecao/">igual a este, também do Farah</a>), fabricado pela Crack&#8217;s — se naquela época eu imaginasse um lugar chamado Cracolândia, seria muito diferente da que temos hoje em Campos Elíseos —, e usou-o sob esse nome. Mas batizou cada jogador com nomes supostamente russos que ele mesmo inventou. Uns poucos lembravam até nomes daquele país, mas a maioria não tinha nada a ver. Curiosamente, eu me lembro de alguns dos nomes, mais até do que os do meu time. O goleiro chamava-se Goleress (o cara <em>nasceu</em> para ser goleiro?); o zagueiro central era o Nortov; o lateral direito era o Vondos; o ponta esquerda era o Vondoteico, que era o craque do time. Um outro &#8220;técnico&#8221; simplesmente inventou um país chamado Gray Light. Seu elenco era composto por vários jogadores famosos, como Gary Lineker.</p>
<p>Nessa primeira Copa do Mundo meu irmão ganhou de mim na final. O jogo terminou 8 a 7, ou algo parecido. As Copas do Mundo seguintes foram vencidas sempre por ele. Fiquei com a maior parte (mas não todos) os vice-campeonatos. Ele às vezes até perdia na primeira fase, quando podia perder, mas nunca nos mata-matas e, especialmente, na final. Apesar desse domínio, todos tinham o maior prazer em participar. Eu, em especial, adorava confeccionar as tabelas e tentar fazer &#8220;anuários&#8221; baseados em um livro estrangeiro da Copa do Mundo de 1986 que meu pai tinha arrumado. Um dos livros mais legais que já tive. E sumiu. Não sei que fim levou, mas sumiu quando eu ainda era criança.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/copa-do-mundo-botao.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/copa-do-mundo-botao-640x426.jpg" alt="Copa do Mundo de botão" title="Copa do Mundo de botão" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-709" /></a></p>
<p>Não sei se esta foto, batida em 1988 ou 1989, é de uma das Copas do Mundo, mas é mais ou menos da mesma época. Nesse torneio especificamente havia jogos simultâneos, daí o outro campo no pé da foto.
</p></div>
<p>O grande motivo do domínio do meu irmão certamente era a bolinha. Ou melhor, o disco que usávamos. Eram sempre fichas de War. Se algum sumia, lá íamos nós até a caixa do jogo para buscar um novo. Quando, com muito atraso, passamos a jogar com bolinhas, tudo passaria a ser equilibrado, ao menos no que dizia respeito a nós dois. Mas aí as nossas Copas do Mundo já tinham acabado.</p>
<p>A Copa do Mundo de 1986 também me lembra o nascimento do meu primo Fernando. Quando ele veio ao mundo, meu irmão e eu ganhamos como presente um time de botão cada. Não me lembro de qual ele ganhou; eu ganhei o Grêmio. Era uma série da Gulliver em que os jogadores tinham dois tamanhos diferentes, algo que eu nunca tinha visto até então. Não me adaptei àquele estilo de botão e pouco joguei com aquele Grêmio.</p>
<p>Acho que eu era o único que fazia paralelamente campeonatos sozinho. Aprendi isso com meu pai. Quer dizer, com um caderno em que ele anotava os campeonatos dele, que duraram entre 1964 e 1974, se não me engano. 1974 foi o ano em que ele se casou — no dia do casamento, ele conta que estava jogando botão até pouco antes da cerimônia. É claro que eu tinha de ter o meu próprio caderno com os meus próprios campeonatos! Então passei a montar meu Campeonato Brasileiro em pontos corridos, algo que eu sempre quisera ver na vida real, mas nunca tinha conseguido. Havia oito clubes, nenhum deles comprado em loja.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-3-640x112.jpg" alt="Times de botão: Botafogo, Goiás, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Ceará" title="Times de botão: Botafogo, Goiás, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Ceará" width="640" height="112" class="alignnone size-large wp-image-726" /></p>
<p>Os times eram os com que meu pai jogava na infância, montados a partir de diversos times que ele tinha comprado. Ele provavelmente vai saber citar a marca de cada um. Eu, como já os recebi &#8220;desfigurados&#8221;, não saberia dizer. Mas os times eram boas mesclas. Não eram exatamente os mesmos de 25 anos antes, pois após o advento dos escudinhos de botão na revista <em>Placar</em> ele passou a decorá-los. Fora isso, era a mesma coisa. Ele guardava cada um em maços de cigarro Minister, com etiquetas adesivas daquelas em relevo para tornar fácil o arquivamento. Não sei o que aconteceu com esses maços. Aliás, não sei nem onde ele os arranjou. Anos mais tarde, eu quis recolocá-los em maços de cigarro e contei com a ajuda de uma amiga da minha tia, que fumava algumas dezenas de cigarros Marlboro por dia. Rapidinho obtive caixinhas para as dezenas de times. E arrumei também uma etiquetadora para colocar os devidos nomes.</p>
<p>Um dos times de que mais me lembro é o Porto Seguro, a escola onde meu pai e eu estudamos, feito quase todo de botões estilo &#8220;Canoinha&#8221; da Estrela. Ele tinha montado o time com seus colegas, muitos dos quais eu conhecia. O primeiro botão abaixo é um dos jogadores, que hoje é o tio da minha esposa. Era talvez o único que, por motivos óbvios, não tinha escudinhos da Placar colados. Como o &#8220;escudo&#8221; do colégio era razoavelmente simples, canetas hidrográficas de apenas duas cores resolveram o problema. Era também um dos únicos que tinha a escalação &#8220;impressa&#8221; no próprio botão. Certa vez, sei lá por quê, levei-o à escola. O professor de Artes Plásticas viu e resolveu que a ala masculina da classe faria times de botão como um dos trabalhos e depois seria organizado um campeonato. Eu até fiz o meu time, mas, para o campeonato, usei o time do meu pai, com que eu já estava acostumado a jogar. Não me lembro do resultado. Aliás, nem me lembro se o campeonato chegou a terminar.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-2-640x106.jpg" alt="Times de botão: Porto Seguro, Marília, Londrina, Sport e Grêmio" title="Times de botão: Porto Seguro, Marília, Londrina, Sport e Grêmio" width="640" height="106" class="alignnone size-large wp-image-724" /></p>
<p>Outro time que me marcou era o Marília, composto por jogadores transparentes estilo &#8220;tampa de relógio&#8221;, mas com uma tampa embaixo, o que permitia que se colocasse os escudinhos por dentro do botão. Essa tampa de baixo tinha dois furinhos para que fosse possível desencaixá-la, como se vê no terceiro botão acima. Eu tinha sempre um clipe desentortado para usar quando precisasse abrir um desses botões. O clipe desentortado fazia parte do meu kit para jogar, que também incluía uma caixa de fichas de pif-paf, usadas como palheta. Outro time de que eu gostava muito era o Londrina, com botões azuis da marca Bolagol. No meio do botão havia uma depressão onde era encaixado o papelzinho redondo com o escudinho e o número de cada jogador. Algumas dessas depressões ainda tinham uma tampinha transparente para proteger o papel, mas muitas foram se soltando com o tempo. Um dos outros times que tinham jogadores Bolagol era o Sport, nesse caso branco. Talvez influenciado pela campanha do Fluminense no Brasileiro de 1984, o número 6 eu chamava de &#8220;Paulo Vítor Entrou na Linha&#8221;. Só não me peça para explicar o que o Sport tinha a ver com o Fluminense. Não faço ideia. Também vale citar que o Grêmio montado pelo meu pai tinha botões &#8220;Canoinha&#8221; vermelhos. Até hoje, quando penso em cada um dos times consigo me lembrar de como eram os botões.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/caixa-palhetas-fichas-pif-paf.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/caixa-palhetas-fichas-pif-paf-640x426.jpg" alt="Caixa de fichas de pif-paf, usadas como palhetas" title="Caixa de fichas de pif-paf, usadas como palhetas" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-716" /></a></p>
<p>A caixa de fichas de pif-paf que eram usadas como plahetas. Muitas delas já se perderam no tempo e algumas quebraram-se, mas a maioria ainda existe. Como se pode ver, a branca era a preferida.
</p></div>
<p>Quando eu ia ao Rio de Janeiro, ficava muitas vezes no apartamento do meu primo de segundo grau Bruno, que tinha a minha idade, apesar de ser primo da minha mãe. No prédio dele, em Botafogo, havia muita gente com que jogar. Os botões que eles usavam eram diferentes dos com que estava acostumado. Não eram iguais nem aos que chamávamos de &#8220;oficiais&#8221; (Champion, Crack&#8217;s etc.) nem aos do meu pai. Eles eram maciços, com ângulos retos. Lembravam um pouco os oficiais da Federação Paulista que eu conheceria anos mais tarde, mas menores e sem furo no meio. E eles praticavam trocas de jogadores, literalmente, o que eu achava divertido, embora nunca pudesse participar, já que os meus eram muito diferentes. Foi lá no Rio também que certa vez fui à Rua da Alfândega procurar times e comprei seis caixas: América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Eram caixas azuis, com botões meio vagabundos, que tinham até uma pontinha que sobrava depois de os moldes serem destacados. O único deles que eu já não tinha era o Bangu, que ficou, pois, intacto; os demais foram desfigurados para montar outros times.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/bangu-fabrica-de-penas-de-aco-brasil.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/bangu-fabrica-de-penas-de-aco-brasil-640x425.jpg" alt="Bangu (Fábrica de Penas de Aço Brasil)" title="Bangu (Fábrica de Penas de Aço Brasil)" width="640" height="425" class="alignnone size-large wp-image-715" /></a></p>
<p>A caixinha do Bangu ainda existe, embora não seja mais usada para guardar o time, que tem seu próprio maço de cigarro. O fabricante era a Fábrica de Penas de Aço Brasil, que ficava na <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&#038;source=s_q&#038;hl=en&#038;geocode=&#038;q=Rua+Pereira+Nunes,+410,+Rio+de+Janeiro,+Brasil&#038;aq=0&#038;sll=37.0625,-95.677068&#038;sspn=34.313287,79.013672&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=R.+Pereira+Nunes,+410+-+Vila+Isabel,+Rio+de+Janeiro,+20511-120,+Brazil&#038;ll=-22.915754,-43.2406&#038;spn=0.002436,0.004823&#038;t=h&#038;z=18&#038;layer=c&#038;cbll=-22.915595,-43.240638&#038;panoid=PpG_iFl4ao10s9w2I7XrWw&#038;cbp=12,76.32,,0,0.45">Rua Pereira Nunes, 410-A</a>, no Rio de janeiro. Pelo Google Street View, não fica claro se a empresa ainda está lá, mas uma consulta no Google só retornou resultados do <em>Diário Oficial</em>.
</div>
<p>A maior parte dos campeonatos de que eu participei na minha infância e adolescência envolveu, além do meu irmão, o Zé e o Gui, dois irmãos que moravam quase ao lado da nossa casa. Eles tinham entre si uma rivalidade ainda maior do que a nossa, acentuada por uma diferença de idade de quase três anos. O Zé, o mais velho, é um dia mais novo que o meu irmão. Eu já briguei com meu irmão por causa de jogos de botão, mas nunca cheguei a comer uma tabela após uma dolorosa eliminação, só para impedir a continuação do campeonato — a medida funcionou melhor que qualquer tapetão. Esses campeonatos geralmente tinham fórmulas de fazer a CBF morrer de inveja, incluindo uma primeira fase de grupos em que todos os times se classificavam.</p>
<p>O Zé também foi parte integrante dos campeonatos qe eu fazia sozinho, embora ele provavelmente nunca tenha presenciado um jogo. Afinal, eu publicava uma revista semanal sobre os torneios e precisava de alguém para desenhar as capas, já que minhas habilidades para desenho só são aceitáveis para uma criança de oito anos, e olhe lá. O pessoal da minha classe na escola sempre queria ver as revistas, claro que não pelo conteúdo, mas pelas capas e por um ou outro desenho que ele fazia a mais para preecher um eventual espaço vazio. As revistas em geral vinham com pôsteres (!) dos times posados. Esses eu mesmo fazia, usando os próprios jogadores como moldes e depois desenhando uma versão bem minimalista dos escudos com régua e compasso. Foi graças a essas revistas, escritas a mão, que minha letra melhorou bastante e eu passei a escrever em letra de forma. O nome da publicação, <em>Escore</em>, foi descaradamente baseado na <em>Placar</em>, que àquela altura já não era mais semanal. Era a minha maneira de suprir essa, digamos, &#8220;carência&#8221;. A revista durou uns cinquenta números. Eu, que sempre tinha gostado de fazer revistas em quadrinhos, nunca tinha conseguido chegar tão longe numa numeração. Essas revistas foram a única coisa que procurei, mas não achei para ilustrar este texto.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ulysses-cup.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ulysses-cup-640x424.jpg" alt="Ulysses Cup" title="Ulysses Cup" width="640" height="424" class="alignnone size-large wp-image-708" /></a></p>
<p>A Ulysses Cup em 4 de março de 2001. Não dá para ver direito na foto, mas, além da imagem de Ulysses Guimarães, todos os campeões estão imortalizados ali, em decalque coberto por esmalte incolor.
</p></div>
<p>Um pouco mais tarde, nós quatro criamos a Ulysses Cup, um troféu de posse transitória a ser disputado em um campeonato de botão. Àquela altura, já tínhamos sido apresentados aos times oficiais da Federação Paulista, por meio de uma matéria publicada na <em>Placar</em> em dezembro de 1991. Fomos atrás do Lourival, um dos fornecedores citados, no Belenzinho, e compramos um time cada um. O meu foi um time azul e vermelho, que batizei como Nacional. O do meu irmão foi um verde e branco, batizado de Werder Bremen. E foi com esse time que ele ganhou a primeira Ulysses Cup, em 1993. O nome, cuja ideia não foi minha, foi uma mistura de Ulysses Guimarães, recentemente falecido, com a Copa Stanley, troféu máximo do hóquei no gelo, esporte pelo qual minha fascinação estava começando.</p>
<p>Das cinco Ulysses Cups, conquistei duas, uma com meu time do Pittsburgh Penguins (um clube de hóquei no gelo), outra com a minha seleção alemã de 1974 (cujo craque era o número 8, Grabowski). Meu irmão ganhou aquela primeira e mais uma. A edição que sobrou foi vencida pelo Zé. Detalhe: meu irmão e eu suspendemos um ao outro daquela edição, devido a problemas distintos que nem lembro mais. Um deles possivelmente teve a ver com uma vez em que atirei vários jogadores da minha Alemanha contra ele. Muitos deles têm sequelas até hoje: pequenos &#8220;dentes&#8221; embaixo. O motivo? Deve estar perdido em alguma sinapse desfeita em meu cérebro.</p>
<p>Com times oficiais em mãos, resolvemos &#8220;nos profissionalizar&#8221;. Isto é, inscrevemo-nos na Federação Paulista de Futebol de Mesa. Quando do cadastro, cada um teve de escolher um apelido. O meu foi simplesmente o sobrenome do meio, Linhares. Em meados de 1994 participamos, meu irmão, o Zé e eu, de nosso primeiro campeonato, um torneio aberto no Círculo Militar de São Paulo. Nesses torneios abertos era permitida a inscrição de jogadores avulsos, sem clube, como nós. Foi lá que recebemos o convite para defender o Nacional, cujo departamento de futebol de mesa estava começando.</p>
<p>Acabamos não fazendo nada a respeito, mas no ano seguinte, quando praticamente já tínhamos nos esquecido, ligaram para mim perguntando se eu ainda estava interessado em treinar no Nacional. Sim, eu estava. Meu irmão e o Zé foram também. Passamos a defender a equipe de aspirantes do clube. Num dos jogos fora de casa, contra a Sociedade Amigos de Vila Maria Zélia, a reportagem do <em>Estadão</em> estava lá para escrever matéria sobre o botonismo naquele bairro. Acabamos saindo meio que sem querer na reportagem, publicada no caderno &#8220;Seu Bairro Leste&#8221; de 15 de agosto de 1996. A foto da equipe do Nacional, inclusive, foi a maior da página Z6, mas acabou bastante manchada por um anúncio quase todo preto na página oposta. O Nacional venceu o jogo, 46 a 26.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/reportagem-vila-maria-zelia.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/reportagem-vila-maria-zelia-640x425.jpg" alt="Reportagem sobre botonismo na Vila Maria Zélia" title="Reportagem sobre botonismo na Vila Maria Zélia" width="640" height="425" class="alignnone size-large wp-image-710" /></a></p>
<p>Na matéria sobre o botonismo na Vila Maria Zélia, a equipe do Nacional (sou o último à direita) ganhou um indevido destaque. A foto do time da casa saiu na capa do suplemento.
</p></div>
<p>Participando de praticamente todas as competições a que eu tinha direito, consegui subir no ranking da Federação e fui convocado até para a quarta divisão do Paulista Individual, realizado em um fim de semana no Clube Atlético Indiano. Para essa competição eram convocados anualmente os oitenta melhores no ranking, sendo vinte em cada divisão. Não cheguei nem perto de vencer, mas também não fui um dos últimos.</p>
<p>Eu tinha um estilo bem característico. Enquanto a grande maioria dos federados aproveitava ao máximo os doze toques a que tinham direito em cada lance, eu chutava do meio da rua, mesmo. E com uma pontaria realmente boa para a distância. Esses chutes ficaram conhecidos no Nacional como &#8220;pombos sem asa&#8221;. É claro que com esse estilo eu não teria como ir muito mais longe do que fui. Eu não gastava todo o tempo que podia, o que gerava uma média de gols (tanto pró como contra) mais alta nos meus jogos, isso sem falar que mais de uma vez tomei gol do goleiro adversário devido à potência dos meus chutes.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/nacional-foto-posada.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/nacional-foto-posada-640x421.jpg" alt="Nacional: foto posada" title="Nacional: foto posada" width="640" height="421" class="alignnone size-large wp-image-711" /></a></p>
<p>A foto acima é da minha última partida pelo Nacional, em 14 de setembro de 1997, contra a Hebraica. Em pé: Espel, Ceará, Peron e Linhares. Agachados: Roni, Miltinho, Bueno e Mazinho.
</p></div>
<p>Minha última participação na Federação Paulista foi em 1997. O Nacional já não tinha mais jogadores suficientes para formar uma equipe de aspirantes, então só havia o time principal, do qual eu passei a ser titular. Mas naquela época minha vida profissional começou a colocar obstáculos demais para seguir comparecendo todos os finais de semana e deixei de ir. Desde 1997, meus únicos jogos foram um minicampeonato com parentes da minha mulher em 2000 e um campeonato escolar em 2007, em que atuei em dupla com o primo da minha mulher, então no colegial. Fomos campeões ganhando as duas partidas por W.O.</p>
<p>Depois de ler o texto do Ubiratan, resolvi comprar um Estrelão para meu filho Guilherme, que está por completar dois anos e meio. Não me parece cedo, não. Na foto que abre este texto, meu irmão, debruçado sobre o campo, tinha acabado de fazer dois anos. Na foto que fecha, Willi começa a aprender a jogar.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/willi-joga-botao-640x426.jpg" alt="Willi joga botão" title="Willi joga botão" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-729" /></p>
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		<title>Falha de trem no Bom Retiro prejudica Linha 7</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2011/02/falha-trem-prejudica-linha-7/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 00:47:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por volta das 17h20 de hoje houve problema em uma das composições da CPTM entre as estações Luz e Barra Funda. Cheguei à Estação Luz pela Linha 1 do Metrô cerca de meia hora depois, para fazer a transferência para a CPTM e pegar justamente a Linha 7-Rubi na plataforma 2, a única linha que, partindo da Luz, segue para a Estação Palmeiras–Barra Funda. Os alto-falantes da estação avisavam que, para pegar a Linha 7, os passageiros deveriam se dirigir à Estação Palmeiras–Barra Funda. Sem a CPTM como opção, e com uma distância grande demais para ser coberta a pé,&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/02/falha-trem-prejudica-linha-7/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por volta das <a href="http://twitter.com/#!/CPTM_oficial/status/35436668882264064" class="broken_link">17h20 de hoje</a> houve problema em uma das composições da CPTM entre as estações Luz e Barra Funda. Cheguei à Estação Luz pela Linha 1 do Metrô cerca de meia hora depois, para fazer a transferência para a CPTM e pegar justamente a Linha 7-Rubi na plataforma 2, a única linha que, partindo da Luz, segue para a Estação Palmeiras–Barra Funda. Os alto-falantes da estação avisavam que, para pegar a Linha 7, os passageiros deveriam se dirigir à Estação Palmeiras–Barra Funda. Sem a CPTM como opção, e com uma distância grande demais para ser coberta a pé, só sobrava como alternativa pegar o metrô, baldear na Sé e seguir pela Linha 3-Vermelha até a Barra Funda.</p>
<p>A transferência da CPTM para o Metrô na Luz, normalmente tranquila nesse horário, estava <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/07/baldeacao-na-luz-nao-funciona/">abarrotada como costuma ser pela manhã</a>. A plataforma de embarque no metrô sentido Jabaquara, rumo à Sé, estava também apinhada. Consegui entrar no segundo trem. Ao chegar à Sé, duas estações depois, saí, pelo mais puro dos acasos, quase em frente a duas escadas rolantes que subiam rumo à plataforma da Linha 3 no sentido Palmeiras–Barra Funda. Ainda assim, levei quase cinco minutos para conseguir simplesmente chegar às escadas e subir por elas. O fluxo de pessoas na plataforma era tão grande que quando o trem seguinte chegou ainda havia muita gente que tinha chegado no mesmo que eu e, possivelmente, no anterior. Eu filmei o desembarque:</p>
<div class="full-image"><iframe title="YouTube video player" width="672" height="535" src="http://www.youtube.com/embed/9sF1PT1cExI?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></div>
<p>Ir da Sé à Palmeiras–Barra Funda não foi tão problemático. A plataforma até tinha bastante gente, mas nada surreal como se via no andar de baixo — ou mesmo na plataforma oposta, sentido Corinthians–Itaquera, que naquele horário é a visão do inferno. Na Barra Funda, sim, os problemas voltavam a ficar evidente. Como eu fiz por muito tempo diariamente a transferência ali, mais ou menos naquele horário, eu sabia que a situação estava muito longe da normalidade. Costuma haver alguma fila nas catracas de transferência do Metrô para a CPTM, só que desta vez a fila fagocitava os corredores de acesso, como se nota na foto abaixo e na que abre este texto.</p>
<p><div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/02/fila-transferencia-metro-cptm-barra-funda.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/02/fila-transferencia-metro-cptm-barra-funda-672x447.jpg" alt="Fila para transferência entre Metrô e CPTM na Barra Funda" title="Fila para transferência entre Metrô e CPTM na Barra Funda" width="672" height="447" class="alignnone size-large wp-image-650" /></a></div><br />
<div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/02/pessoas-pulando-catraca-barra-funda.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/02/pessoas-pulando-catraca-barra-funda-672x447.jpg" alt="Pessoas pulando as catracas na Barra Funda" title="Pessoas pulando as catracas na Barra Funda" width="672" height="447" class="alignnone size-large wp-image-651" /></a></div></p>
<p>Quando o fluxo vindo da CPTM diminuía, as catracas nesse sentido ficavam vazias, e o pessoal dava um jeito de passar por elas no sentido oposto. Na foto acima, vê-se as três &#8220;técnicas&#8221; utilizadas: passar por cima, espremer-se afastando os braços da catraca e passar por baixo.</p>
<p>Passada a catraca, o problema passava a ser chegar à plataforma da Linha 7. O alto-falante informava que os trens que estavam nas plataformas 8 e 9 (na verdadem uma plataforma central que serve à Linha 7) não prestariam mais serviço, algo que normalmente é reservado apenas às composições que param na plataforma 10. Enquanto isso, as plataformas 8 e 9 não apenas tinham cerca de três vezes mais pessoas que o normal para o horário, como o mezanino de distribuição também era lotado por uma multidão. Afinal, ali havia o movimento da Palmeiras–Barra Funda somado a boa parte do movimento que deveria estar na Luz, tudo isso agravado por atrasos diversos.</p>
<div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/02/plataforma-cptm-lotada-palmeiras-barra-funda.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/02/plataforma-cptm-lotada-palmeiras-barra-funda-672x447.jpg" alt="Plataforma da CPTM lotada na Barra Funda" title="Plataforma da CPTM lotada na Barra Funda" width="672" height="447" class="alignnone size-large wp-image-652" /></a></div>
<p>Àquela altura, o twitter oficial da CPTM informava que <a href="http://twitter.com/#!/CPTM_oficial/status/35430825088516097" class="broken_link">havia intervalos aiores na Linha 7</a>, mas em nenhum momento falou nada sobre evitar a Estação da Luz. Isso ficou a cargo dos usuários, mesmo, <a href="http://twitter.com/#!/agiesbrecht/status/35429786541096960" class="broken_link">como eu</a>, mas com alcance bem mais limitado, ao menos individualmente. Talvez a ligação entre Luz e Barra Funda já estivesse restabelecida de alguma maneira, porque um trem que chegou na plataforma 8 estava vindo daquele sentido e tinha passageiros dentro. Ele parou, abriu as portas, mas praticamente não esvaziou em nada a plataforma, ainda alimentada por um fluxo constante de pessoas descendo as escadas. Segundo a própria CPTM, o sistema só voltaria ao normal <a href="http://twitter.com/#!/CPTM_oficial/status/35448729511137280" class="broken_link">por volta das 19h20</a>, duas horas depois da pane original. O site da <em>Folha</em> trouxe <a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/873275-falha-em-trem-da-cptm-lota-estacao-barra-funda.shtml">uma nota sobre o ocorrido</a>, ilustrada por uma foto minha, <a href="http://noticias.uol.com.br/arquivohome/arquivo.jhtm?d=20110209" class="broken_link">também usada na home do portal</a>.</p>
<p>Não fiquei para ver como a Linha 7 se comportaria. Felizmente, eu tinha a opção de pegar a Linha 8-Diamante, pois iria apenas até a Lapa, onde existem duas estações homônimas (embora distantes cerca de quinhentos metros e sem nenhum tipo de ligação). A plataforma dessa linha estava com apenas com um volume um pouco maior de passageiros. Meu atraso foi de cerca de meia hora no final das contas, menos do que eu esperava. Mas eu tinha essa alternativa. E quem não tinha?</p>
<p>Só para lembrar, no próximo domingo as tarifas do Metrô e da CPTM passam dos atuais 2,65 reais para 2,90 reais.</p>
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		<title>Para variar, São Paulo debaixo d&#8217;água</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Jan 2011 13:03:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje pela manhã, apesar do tempo razoavelmente bom, São Paulo está parada. Não chove há algumas horas, mas a falta de um sol forte impediu que vários pontos de alagamento se dissipassem depois da chuva forte da noite de ontem. Cinco córregos e o Rio Tietê transboradaram, e São Paulo teve em determinado momento 63 pontos de alagamento, sendo 44 deles intransitáveis, segundo o jornal Agora. Eu vi alguns desses pontos. Fomos a um aniversário próximo ao Estádio do Morumbi ontem à noite. Apesar de ainda não ter chovido àquela hora, o trânsito na região estava péssimo, e levamos quase&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/01/para-variar-sao-paulo-debaixo-dagua/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje pela manhã, apesar do tempo razoavelmente bom, São Paulo está parada. Não chove há algumas horas, mas a falta de um sol forte impediu que vários pontos de alagamento se dissipassem depois da chuva forte da noite de ontem. Cinco córregos e o Rio Tietê transboradaram, e São Paulo teve em determinado momento <a href="http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u857991.shtml">63 pontos de alagamento, sendo 44 deles intransitáveis</a>, segundo o jornal <em>Agora</em>. Eu vi alguns desses pontos.</p>
<p>Fomos a um aniversário próximo ao Estádio do Morumbi ontem à noite. Apesar de ainda não ter chovido àquela hora, o trânsito na região estava péssimo, e levamos quase três vezes o tempo normal para ir da Ponte Cidade Jardim ao meu destino. Não sei o que ocasinou tanta confusão. Saímos de lá por volta das 22h40, já com chuva forte. Como passaríamos na Pompeia para deixar minha cunhada e meu sobrinho, atravessei a Ponte Cidade Jardim, e a princípio eu seguiria pelas avenidas Europa, Brasil e Sumaré. Nem cheguei à Avenida Europa.</p>
<div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/01/alagamento-avenida-cidade-jardim-3.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/01/alagamento-avenida-cidade-jardim-3-672x448.jpg" alt="Alagamento na Avenida Cidade Jardim (3)" title="Alagamento na Avenida Cidade Jardim (3)" width="672" height="448" class="alignnone size-large wp-image-569" /></a></div>
<p>O Túnel Max Feffer, que liga as avenidas Cidade Jardim e Europa por sob a Avenida Brigadeiro Faria Lima estava sendo fechado naquele instante pela CET. Fomos obrigados a seguir pela Cidade Jardim, mas o trânsito estava praticamente parado por ali. Vinte minutos depois, chegamos mais perto da Rua Mário Ferraz, onde constatamos que os carros que seguiam por aquela rua acabavam voltando pelo mesmo caminho pouco tempo depois. A própria esquina com a Cidade Jardim estava bem alagada e, pelo visto, mais para a frente estava ainda pior. A foto acima, com uma câmera simples e sem iluminação ideal, serve para ao menos dar uma ideia de como estava esse cruzamento.</p>
<p>Abortamos, pois, a ideia de seguir pela Cidade Jardim, também com um grande alagamento à nossa frente. Sem alternativa, viramos na contramão do cruzamento para pegar a mesma avenida no sentido oposto, voltando à Marginal Pinheiros. Ela tinha algumas poças na pista local, mas nada assustador. Saímos pels Praça Silveira Santos e Avenida Antônio Batuíra em direção à Praça Panamericana. A partir da metade do quarteirão entre a Avenida dos Semaneiros e a Rua Banibás (onde meu pai ficou com o carro preso em um alagamento em fevereiro passado, como mostra a foto abaixo, tirada naquele dia, em que ele carrega meu filho, então com 16 meses, no colo para tirá-lo do carro) a Antônio Batuíra estava completamente debaixo d&#8217;água.</p>
<div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/01/alagamento-pinheiros-rua-banibas.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/01/alagamento-pinheiros-rua-banibas-672x447.jpg" alt="Alagamento na Rua Banibás, em Pinheiros" title="Alagamento em 2010 na Rua Banibás, em Pinheiros" width="672" height="447" class="alignnone size-large wp-image-570" /></a></div>
<p>Mais um trecho na contramão, para pegar a Avenida dos Semaneiros e, em seguida, a Pedroso de Morais. Esta estava quase intransitável na altura do cruzamento com a Rua Banibás, mas ainda consegui passar, seguindo a dica de ouro de não tirar o pé do acelerador, seguindo sempre em primeira — atenção, que esta dica vale apenas para trechos transitáveis! No cruzamento com a Praça Panamericana, outro ponto de alagamento quase intransitável. A partir daí começamos a subir rumo à Rua Heitor Penteado, e, se não encontramos mais alagamentos nesse caminho, as corredeiras nas guias ou no próprio leito das ruas foram uma paisagem constante. Em uma delas, tivemos até dificuldade para subir uma rua.</p>
<p>Chegamos à Pompeia e de lá fomos para casa, no Bixiga, sem passar por novos pontos de alagamento, embora diversas poças ainda fossem visíveis. E não só elas. Havia muito, mas muito lixo nas ruas. No trecho sob a Praça Roosevelt da Ligação Leste–Oeste, <a href="http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1860-chuva-em-sao-paulo#foto-35008">que esteve alagado pouco antes</a>, havia alguns funcionários da prefeitura recolhendo muitos quilos de lixo, enquanto as duas faixas da direita ainda estavam alagadas.</p>
<p>Não sei a que horas parou de chover, mas o noticiário comprovou que os reflexos da chuva de ontem à noite chegaram até a manhã de hoje.</p>
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		<title>A CPTM pratica censura</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/cptm-pratica-censura/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 11:30:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No que dependesse da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a foto acima não existiria. É proibido fotografar estações de trem, um resquício da época da Ditadura, quando era &#8220;questão de segurança nacional&#8221;. A proibição foi relaxada, provavelmente na última década, quando máquinas digitais se popularizaram, e mais e mais pessoas passaram a ter a ideia de fotografar trens e estações sem se preocupar com os custos de compra e revelação de filmes. Entretanto, pelo visto você só pode fotografar se for com uma máquina simples. Se for com uma um pouquinho mais complexa, você começa a atrair os olhares&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/cptm-pratica-censura/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No que dependesse da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a foto acima não existiria. É proibido fotografar estações de trem, um resquício da época da Ditadura, quando era &#8220;questão de segurança nacional&#8221;. A proibição foi relaxada, provavelmente na última década, quando máquinas digitais se popularizaram, e mais e mais pessoas passaram a ter a ideia de fotografar trens e estações sem se preocupar com os custos de compra e revelação de filmes. Entretanto, pelo visto você só pode fotografar se for com uma máquina simples. Se for com uma um pouquinho mais complexa, você começa a atrair os olhares dos seguranças.</p>
<p>Minha câmera, embora seja nova e potente para uma <em>point-and-shoot</em>, está longe de ser profissional. É uma <a href="http://www.amazon.com/gp/product/B0031RGGFM?ie=UTF8&amp;tag=beiseblog-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=B0031RGGFM">Kodak EasyShare Z981</a> (o próprio nome &#8220;EasyShare&#8221; já indica que não é uma câmera para profissionais), classificada pela Amazon na categoria &#8220;Point &amp; Shoot Digital Cameras&#8221;. Mas a aparência dela é mais próxima à de uma câmera profissional do que de uma daquelas que garotas adolescentes usam para tirar fotos em frente a um espelho. No treinamento de um segurança da CPTM, é claro que não existe um tópico explicando a diferença entre uma câmera profissional e uma amadora.</p>
<p>A primeira vez que tive problemas foi <a href="http://twitter.com/#!/agiesbrecht/status/9626694381998080" class="broken_link">em 30 de novembro</a>, quando um segurança me abordou na Estação Tamanduateí, próximo às catracas de transferência para o Metrô, informando que eu não poderia bater fotos com uma câmera profissional. Expliquei a situação, o que não adiantou nada. Como eu já tinha tirado as fotos que me interessavam — a saber, da demolição da antiga Estação Tamanduateí —, simplesmente fui embora.</p>
<p>Alguns dias depois, entretanto, decidi voltar lá para ver como anda a evolução da demolição, mas antes parei na <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br/m/mooca.htm">Estação Moóca</a>. Saí do trem e fui até o início da plataforma no sentido Rio Grande da Serra, de onde tirei a foto que ilustra este texto, entre outras. Quando cheguei próximo às escadas para a passarela, um segurança de novo apontou para a minha câmera, informando que não era permitido fotografar com câmeras profissionais sem autorização da chefia. Mais uma vez, expliquei que minha câmera não era profissional, e mais uma vez minha explicação de nada adiantou.</p>
<p>Cabe ressaltar: apesar de eu discordar frontalmente da proibição da CPTM, nenhum dos quatro funcionários que interagiram comigo nos dois episódios foi descortês. Muito pelo contrário. Todos foram educados e em nenhum momento proferiram ameaças ou algo parecido. O único senão é o desconhecimento da diferença de uma câmera <em>point-and-shoot</em> e uma profissional, o que, convenhamos, não dá para culpá-los. No fim das contas, fui liberado pela chefia da estação para continuar fotografando. Na Estação Moóca — na Tamanduateí, eu teria de procurar a chefia de estação novamente.</p>
<p>Ou o departamento de Marketing da CPTM. Consultei o departamento, e a primeira informação é que é proibido fotografar com qualquer câmera, mesmo amadora, sendo apenas celulares permitidos, ainda assim por pura impossibilidade de controle. Anacrônico, não? Comprovei o que eu já imaginava: o procedimento de autorização para fotografar é extremamente burocrático. Tudo começa com uma solicitação via e-mail para marketing@cptm.sp.gov.br, em que se explica quando as fotos serão feitas e em qual estação, junto com uma descrição de como esse material será usado. Também é preciso comprometer-se a não vender as fotos. Aqui no <em>Pseudopapel</em> isso não é um problema, pois todas as fotos tiradas por mim são liberadas em <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/">Creative Commons</a>.</p>
<p>A solicitação é encaminhada então para a área de operações responsável, que autoriza ou não que as fotos sejam feitas, usando como critério o &#8220;projeto&#8221; apresentado. E como é necessário apresentar o &#8220;projeto&#8221;, isso praticamente elimina a possibilidade de que sejam autorizadas fotos meramente para arquivo pessoal. Sem &#8220;projeto&#8221;, sem fotos. Ao menos, parece — <em>parece!</em> — que serão autorizadas solicitações para alimentar a Wikipédia ou o site <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br"><em>Estações Ferroviárias</em></a>. Essa burocracia toda, se seguida, impediria que eu publicasse postagens como as sobre <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/09/ultimo-dia-estacao-tamanduatei/">o último dia da Estação Tamanduateí</a> (seu fechamento foi comunicado na última hora) ou sobre <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/08/algumas-cenas-estacao-luz/">algumas cenas de lotação na Estação da Luz</a>. Vale destacar que tanto a chefia da estação como o departamento de Marketing informaram que não era necessária autorização para fotografar os arredores de cada estação. O problema é a partir do momento que se entra nas mesmas.</p>
<p>É difícil imaginar por que a CPTM ainda tem uma regra oriunda dos tempos da ditadura. Talvez pelo mesmo comodismo que a faz manter a sinalização antiga em boa parte da Linha 7-Rubi, três anos depois da última mudança. A regra é ainda mais anacrônica se lembrarmos que hoje não só câmeras <em>point-and-shoot</em> já têm recursos bastante similares aos de câmeras profissionais, como também com celulares é perfeitamente possível bater fotos sem ser percebido. Mas, se a câmera <em>parecer</em> profissional, só com autorização. Qual é a grande preocupação? Que alguma empresa use a foto num anúncio e crie um slogan como &#8220;o xampu da Estação Guapituba&#8221;? E se criar? O departamento Jurídico da empresa não é tão ágil quanto os seguranças? (Não sei, mas duvido que seja tão cortês.)</p>
<p>Preservar a memória ferroviária é algo que sem a menor dúvida tem sido feito melhor pelos inúmeros usuários que mantêm sites, blogs e fóruns do que pelas empresas que dela deveriam cuidar, sejam elas públicas ou não. Mesmo a imprensa pouco ligou para a Estação Tamanduateí antiga no dia de sua desativação, para ficar em um de inúmeros exemplos. Quando a CPTM lança algum livro sobre a memória ferroviária, ele geralmente é presenteado a diversos &#8220;ilustres&#8221;, que o recebem e guardam em uma estante empoeirada sem sequer abri-lo, isso se não jogarem fora direto. Já a quem esse material de fato interessa, resta esperar meses ou anos até que alguma rara cópia apareça em um sebo.</p>
<p>Se dependesse da CPTM, um site como o <em>Estações Ferroviárias</em>, do meu pai, não seria possível. E mesmo lá fotos dos anos 1960, 1970 e 1980 são raras, não só porque era mais caro tirar fotos naquela época, mas também porque, no caso das estações, era simplesmente proibido. Até quando vai ser?</p>
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		<title>Cenas de uma plataforma abarrotada</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2010/09/cenas-plataforma-abarrotada/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Sep 2010 00:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando postei a foto acima no meu Twitter, direto do celular, eu ainda não fazia ideia do que me esperava naquele fim de tarde de terça-feira. Não era um dia normal no metrô, e isso já estava claro desde aquela manhã, quando a Linha 3 ficou parada por algumas horas, supostamente por causa de uma blusa presa numa porta. Curiosamente, pela manhã não percebi nenhum efeito do problema, apesar de ter usado o sistema no mesmo horário. Fiz um trajeto diferente, para poder fotografar o último dia da antiga Estação Tamanduateí da CPTM em operação. Como só passei pelas linhas&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/09/cenas-plataforma-abarrotada/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando <a href="http://twitter.com/agiesbrecht/status/25150971344" class="broken_link">postei a foto acima no meu Twitter</a>, direto do celular, eu ainda não fazia ideia do que me esperava naquele fim de tarde de terça-feira. Não era um dia normal no metrô, e isso já estava claro desde aquela manhã, quando a Linha 3 ficou parada por algumas horas, supostamente <a href="http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/blusa-para-metro-e-deixa-250-mil-a-pe/">por causa de uma blusa presa numa porta</a>. Curiosamente, pela manhã não percebi nenhum efeito do problema, apesar de ter usado o sistema no mesmo horário. Fiz um trajeto diferente, para poder <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/2010/09/ultimo-dia-estacao-tamanduatei/">fotografar o último dia da antiga Estação Tamanduateí da CPTM em operação</a>. Como só passei pelas linhas 7, 10 e 2, só fui saber o que estava acontecendo quando passei pela catraca, já na minha estação de destino, e ouvi um aviso pelos alto-falantes.</p>
<p>À tarde o problema já estava resolvido, mas não seria surpresa para ninguém se houvesse algum reflexo da conturbada manhã. Ao menos para quem estava na Estação Paraíso por volta das 18 horas, o que houve não teve nada de reflexo; foi muito pior. Dias conturbados nos trens <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/2010/08/mais-um-dia-de-cao-na-se/">do metrô</a> ou <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/2010/08/algumas-cenas-estacao-luz/">da CPTM</a> não são nenhuma novidade para mim. A maior demora que eu já tinha experimentado fora entrar no sexto trem em alguma manhã na Sé. Esse recorde estava para ser batido. Aliás, estava para ser esmigalhado.</p>
<p>A plataforma no sentido Tucuruvi da Estação Paraíso nem parecia tão lotada assim quando cheguei. Havia os direcionadores, que funcionam como &#8220;currais&#8221; para direcionar os passageiros às portas do trem, e eu já os tinha pegado mais cheios. Mas cada trem que passava já chegava bastante cheio, e a quase-fila andava muito devagar. Até o oitavo trem, com meu recorde pessoal já batido, a situação nem estava tão ruim. O problema é que, no nono trem ninguém conseguiu entrar na porta onde eu estava, e a partir de então quase ninguém conseguiu mais embarcar ali. Pelos gritos e protestos que eu ouvia, de perto e de longe, a situação não era muito diferente nas outras portas.</p>
<div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2010/09/plataforma-paraiso-lotada-2.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2010/09/plataforma-paraiso-lotada-2-672x448.jpg" alt="" title="Plataforma lotada na Estação Paraíso (2)" width="672" height="448" class="alignnone size-large wp-image-359" /></a></div>
<p>Quando, por fim, o décimo-terceiro trem da minha espera surgiu do outro lado da estação, a comemoração seguia junto, de curral em curral, tal qual um miste de comemoração de gol e uma &#8220;ola&#8221; em um estádio. Sim, aquele trem estava vindo vazio. Demoraram (no mínimo) doze trens para fazer o que deveria ter sido feito havia muito tempo. Se não fosse a composição chegar vazia, uma espera de mais uma dezena de trens estaria longe de ser inimaginável, porque ainda havia algumas &#8220;camadas de pessoas&#8221; entre onde eu estava e a porta do trem. Se eu estava havia 45 minutos ali, quem estava à minha frente estava esperando fazia ainda mais tempo. O embarque, claro, transformou definitivamente em gado quem estava nos &#8220;currais&#8221;: o empurra-empurra foi violento.</p>
<p>Dentro do trem, ainda pude ouvir os alto-falantes da estação soltar uma última ironia: &#8220;Não segurem as portas do trem; você pode causar atrasos.&#8221; Sim, nós, passageiros, poderíamos causar atrasos. Não naquela terça-feira. Definitivamente, não naquela terça-feira.</p>
<div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2010/09/plataforma-paraiso-lotada-3.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2010/09/plataforma-paraiso-lotada-3-672x448.jpg" alt="" title="Plataforma lotada na Estação Paraíso (3)" width="672" height="448" class="alignnone size-large wp-image-360" /></a></div>
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		<title>Só nesta era de redes sociais</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 22:13:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No último dia 25 de maio, com pelo menos dois meses de atraso, foi inaugurada em São Paulo a Linha 4 do Metrô, ainda em operação assistida, com trens circulando em horário reduzido apenas entre as estações Paulista e Faria Lima. A inauguração foi anunciada com apenas três dias de antecedência, e mesmo assim foi um sucesso de público, excedendo em muito as expectativas da ViaQuatro, a empresa que detém a concessão da linha por trinta anos. Isso não impediu que o povo que se propôs a conhecer a linha no horário marcado — a partir das 12 horas —&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/so-nesta-era-de-redes-sociais/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No último dia 25 de maio, com pelo menos dois meses de atraso, foi inaugurada em São Paulo a Linha 4 do Metrô, ainda em operação assistida, com trens circulando em horário reduzido apenas entre as estações <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esta%C3%A7%C3%A3o_Paulista">Paulista</a> e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esta%C3%A7%C3%A3o_Faria_Lima">Faria Lima</a>. A inauguração foi anunciada com apenas três dias de antecedência, e mesmo assim foi um sucesso de público, excedendo em muito as expectativas da ViaQuatro, a empresa que detém a concessão da linha por trinta anos. Isso não impediu que o povo que se propôs a conhecer a linha no horário marcado — a partir das 12 horas — tivesse de esperar por mais de uma hora para poder adentrar as novas estações.</p>
<p>Essa espera, entretanto, teve para mim o lado positivo de proporcionar uma história que só poderia mesmo acontecer nesta era da Internet que vivemos. Mais ainda: nesta era das redes sociais.</p>
<p>Não havia exatamente uma fila na frente da estação Paulista, onde eu estava. O pessoal foi-se juntando próximo à entrada, fechada com seus portões de vidro e guardada pela segurança do Metrô. Havia tanta gente que a CET foi obrigada a fechar um pedaço da faixa da direita da Rua da Consolação para que os pedestres pudessem seguir caminhando pela calçada sem ter de se embrenhar no meio de quem esperava para andar de trem de graça. Não havia muito o que fazer a não ser esperar.</p>
<p>Um senhor logo à minha frente então notou um fotógrafo, não sei de que veículo, ao lado, postado sobre uma floreira buscando imagens do povo esperando entrar. Ele chamou-o e disse que em 1974 fora o primeiro passageiro do Metrô, tinha até o bilhete da época na carteira para mostrar. O repórter fotográfico não pareceu dar muita atenção. Ou achou que era mentira ou não percebeu o valor jornalístico do fato. Depois de o senhor perguntar se não queria bater uma foto do bilhete, o fotógrafo bateu duas, mas com uma cara de pena, de quem queria se livrar logo daquilo. Eu, que tenho o bilhete da primeira operação do Metrô na estação Sumaré, em 1998, resolvi perguntar a ele se eu também poderia bater a foto. Ele logo prontificou-se, e bati fotos da frente e do verso do bilhete. Uma delas é a que abre este texto.</p>
<p>A entrada finalmente foi liberada menos de dez minutos depois, e segui fotografando a nova estação, sem flash (o que ajuda na luminosidade das fotos, mas prejudica na estabilidade da imagem). Depois de descer cinco ou seis escadas rolantes até chegar à plataforma, fui descobrir que a espera não estava encerrada. O primeiro trem chegou em apenas quatro minutos, mas… na plataforma oposta! Isso certamente ajudou quem desembarcava vindo da Faria Lima, mas para as muitas pessoas que estavam na plataforma que era indicada como a &#8220;correta&#8221;, seriam mais seis minutos até um novo trem aparecer. Enquanto isso, a plataforma ficava cada vez mais apinhada de gente. Não tão apinhada quanto a plataforma da Sé com destino a Itaquera, mas também não tão longe disso.</p>
<div class="full-image"><img title="Plataforma lotada na estação Paulista" src="/pseudopapel/wp-content/uploads/2010/06/plataforma-lotada.jpg" alt="A plataforma da estação Paulista que futuramente terá como destino a estação da Luz, apinhada de gente no dia da inauguração." width="672" height="448" /></div>
<p>Fui à estação Faria Lima, bati mais algumas fotos, inclusive do clima de &#8220;fim de festa&#8221; que tomava conta da área das catracas, depois que as autoridades já tinham feito seus discursos e uma escola de samba tinha se apresentado — tudo que sobrou foi o palco vazio e muito papel picado no chão. Na volta à Paulista, ainda consegui uma vaguinha na frente de uma das janelas na frente do trem e <a title="YouTube: &quot;Da Faria Lima à Paulista pela Linha 4&quot;" href="http://www.youtube.com/watch?v=_ir61Zv349Y" target="_self">filmei o percurso todo</a>.</p>
<p>No dia seguinte guardei, como de costume, muitos recortes de jornal sobre a inauguração, que usei para atualizar os verbetes sobre as respectivas estações na Wikipédia. Ao folhear o <em>Estadão</em>, vi que alguém deu a devida atenção ao senhor que tinha o bilhete da primeira operação do Metrô, que agora passava a ter nome: o professor Maurício Inácio Oliveira, de Camanducaia, MG. Não sei se foi o repórter Renato Machado ou o fotógrafo KeinyAndrade, mas a foto foi batida na saída da estação Faria Lima. Acessei <a title="Estadão.com.br: &quot;Usuário levou bilhete de 1974&quot;" href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100526/not_imp556846,0.php" target="_self" class="broken_link">a matéria no site do jornal</a> e deixei um comentário contando da minha breve interação com o professor Maurício Oliveira.</p>
<p>E é aqui que chegamos ao ponto em que a história não teria seguido adiante dez anos atrás.</p>
<p>O site do <em>Estadão</em> não mostra nenhum dado dos usuários que comentam, a não ser pelo nome, e ainda assim o usuário pode colocar qualquer coisa. Eu geralmente coloco meu nome e sobrenome, e foi o que fiz ali. Para minha surpresa, cinco horas depois recebi uma mensagem com o assunto &#8220;orkut &#8211; mauricio wants to be your friend on orkut!&#8221;: &#8220;Olá. Foi você que me fotografou nesta quarta feira 26/05 no metrô de São Paulo? Caso sim, poderia me adicionar?&#8221; Sim, fui eu, e não tenho dúvida que ele me achou graças ao meu comentário no site do <em>Estadão</em>. Ele depois ainda deixou um recado no meu perfil, agradecendo pela atenção e dizendo que colocou as duas fotos que eu tirei em sua conta no orkut, com os devidos créditos.</p>
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