Pseudopapel

Memórias do jogo de botão

Jogo de botão em 1979

Times de botão: Mixto, São Paulo, Nacional, Santa Cruz e Vasco

Li um texto escrito por Ubiratan Leal, da Revista ESPN e do site Balípodo, em que ele fala de sua paixão na infância pelo futebol de mesa, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era muito mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria aqui. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos.

Minhas primeiras memórias do futebol de botão são de fotos que mostram meu irmão e eu brincando na tenra infância, especialmente a foto aí embaixo. Aparecemos deitados sobre o campo para chutar a gol, muitas vezes em jogos com três redes (!). Claro, com três e dois anos de idade não é de se espantar. Eram fins dos anos 1970, ainda morávamos em um apartamento na Bandeira Paulista. A diferença de idade — sou pouco menos de onze meses mais velho — sempre permitiu que brincássemos praticamente das mesmas coisas em pé de quase igualdade.

Jogo de botão em 1979

Nosso sonho era participar dos campeonatos que meu pai organizava entre seus amigos, quase sempre em nossa casa. Eram campeonatos anuais, mas que duravam vários fins de semana, com uma ou outra rodada no meio da semana, se não me engano. Numa época em que e-mail era coisa de ficção científica, as atualizações da tabela eram passadas por correio, mesmo, depois de a secretária dele datilografar tudo. Era ela também que fazia os resumos dos campeonatos, que estão guardados até hoje.

Não chegamos a conseguir participar, pois ainda não éramos nem adolescentes quando os campeonatos “morreram”. Não sei direito o motivo, mas imagino que tenha sido especialmente por causa da mudança do local de disputa: tínhamos nos mudado para Alphaville. Mesmo sem trânsito (e sem pedágio) na Castello Branco à época, o campeonato provavelmente passou a ser classificado com uma prioridade mais baixa. Ainda houve um ou outro por lá, mas depois nunca mais.

Seleção da Alemanha fabricada pela Crack's

Esta seleção da Alemanha, fabricada pela Crack’s, foi meu time na maioria das “Copas do Mundo” que disputei. O craque do time era o camisa 10, Matthäus, que seguiu como artilheiro mesmo depois de colado com Super Bonder e fita adesiva. Para essa seleção, busquei o maço de cigarros mais bonito da banca, da Lucky Strike. Engraçado pensar que foi vendido para um moleque bem abaixo de 18 anos, mesmo sem o vendedor saber que minutos depois eu jogaria todos os cigarros no lixo.

Mais ou menos na mesma época, meu irmão e eu começamos a organizar campeonatos entre nossos amigos por lá. O primeiro durante a Copa do Mundo de 1986 fez com que, óbvio, o campeonato fosse uma Copa do Mundo. Mas valia imaginar qualquer seleção com qualquer time. O meu, por exemplo, era um Górnik Zabrze, da Brianezi, fabricado nos anos 1970, igual a este do Farah. Por causa das cores, chamei-o de Paraguai. A escalação? Peguei um álbum de figurinhas do Campeonato Paulista de 1978 e “convoquei” alguns dos jogadores, seguramente nenhum de ascendência guarani. Gozado, não me lembro de nenhum, a não ser do craque daquele time, o camisa 2: Neca. Que não era lateral direito, mas como é que eu iria saber?

Times de botão: Holanda e Inglaterra

Outro dos “técnicos” escolheu um time qualquer e chamou de Bélgica, que estava em evidência naquela Copa. Meu irmão tinha um time da União Soviética (igual a este, também do Farah), fabricado pela Crack’s — se naquela época eu imaginasse um lugar chamado Cracolândia, seria muito diferente da que temos hoje em Campos Elíseos —, e usou-o sob esse nome. Mas batizou cada jogador com nomes supostamente russos que ele mesmo inventou. Uns poucos lembravam até nomes daquele país, mas a maioria não tinha nada a ver. Curiosamente, eu me lembro de alguns dos nomes, mais até do que os do meu time. O goleiro chamava-se Goleress (o cara nasceu para ser goleiro?); o zagueiro central era o Nortov; o lateral direito era o Vondos; o ponta esquerda era o Vondoteico, que era o craque do time. Um outro “técnico” simplesmente inventou um país chamado Gray Light. Seu elenco era composto por vários jogadores famosos, como Gary Lineker.

Nessa primeira Copa do Mundo meu irmão ganhou de mim na final. O jogo terminou 8 a 7, ou algo parecido. As Copas do Mundo seguintes foram vencidas sempre por ele. Fiquei com a maior parte (mas não todos) os vice-campeonatos. Ele às vezes até perdia na primeira fase, quando podia perder, mas nunca nos mata-matas e, especialmente, na final. Apesar desse domínio, todos tinham o maior prazer em participar. Eu, em especial, adorava confeccionar as tabelas e tentar fazer “anuários” baseados em um livro estrangeiro da Copa do Mundo de 1986 que meu pai tinha arrumado. Um dos livros mais legais que já tive. E sumiu. Não sei que fim levou, mas sumiu quando eu ainda era criança.

Copa do Mundo de botão

Não sei se esta foto, batida em 1988 ou 1989, é de uma das Copas do Mundo, mas é mais ou menos da mesma época. Nesse torneio especificamente havia jogos simultâneos, daí o outro campo no pé da foto.

O grande motivo do domínio do meu irmão certamente era a bolinha. Ou melhor, o disco que usávamos. Eram sempre fichas de War. Se algum sumia, lá íamos nós até a caixa do jogo para buscar um novo. Quando, com muito atraso, passamos a jogar com bolinhas, tudo passaria a ser equilibrado, ao menos no que dizia respeito a nós dois. Mas aí as nossas Copas do Mundo já tinham acabado.

A Copa do Mundo de 1986 também me lembra o nascimento do meu primo Fernando. Quando ele veio ao mundo, meu irmão e eu ganhamos como presente um time de botão cada. Não me lembro de qual ele ganhou; eu ganhei o Grêmio. Era uma série da Gulliver em que os jogadores tinham dois tamanhos diferentes, algo que eu nunca tinha visto até então. Não me adaptei àquele estilo de botão e pouco joguei com aquele Grêmio.

Acho que eu era o único que fazia paralelamente campeonatos sozinho. Aprendi isso com meu pai. Quer dizer, com um caderno em que ele anotava os campeonatos dele, que duraram entre 1964 e 1974, se não me engano. 1974 foi o ano em que ele se casou — no dia do casamento, ele conta que estava jogando botão até pouco antes da cerimônia. É claro que eu tinha de ter o meu próprio caderno com os meus próprios campeonatos! Então passei a montar meu Campeonato Brasileiro em pontos corridos, algo que eu sempre quisera ver na vida real, mas nunca tinha conseguido. Havia oito clubes, nenhum deles comprado em loja.

Times de botão: Botafogo, Goiás, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Ceará

Os times eram os com que meu pai jogava na infância, montados a partir de diversos times que ele tinha comprado. Ele provavelmente vai saber citar a marca de cada um. Eu, como já os recebi “desfigurados”, não saberia dizer. Mas os times eram boas mesclas. Não eram exatamente os mesmos de 25 anos antes, pois após o advento dos escudinhos de botão na revista Placar ele passou a decorá-los. Fora isso, era a mesma coisa. Ele guardava cada um em maços de cigarro Minister, com etiquetas adesivas daquelas em relevo para tornar fácil o arquivamento. Não sei o que aconteceu com esses maços. Aliás, não sei nem onde ele os arranjou. Anos mais tarde, eu quis recolocá-los em maços de cigarro e contei com a ajuda de uma amiga da minha tia, que fumava algumas dezenas de cigarros Marlboro por dia. Rapidinho obtive caixinhas para as dezenas de times. E arrumei também uma etiquetadora para colocar os devidos nomes.

Um dos times de que mais me lembro é o Porto Seguro, a escola onde meu pai e eu estudamos, feito quase todo de botões estilo “Canoinha” da Estrela. Ele tinha montado o time com seus colegas, muitos dos quais eu conhecia. O primeiro botão abaixo é um dos jogadores, que hoje é o tio da minha esposa. Era talvez o único que, por motivos óbvios, não tinha escudinhos da Placar colados. Como o “escudo” do colégio era razoavelmente simples, canetas hidrográficas de apenas duas cores resolveram o problema. Era também um dos únicos que tinha a escalação “impressa” no próprio botão. Certa vez, sei lá por quê, levei-o à escola. O professor de Artes Plásticas viu e resolveu que a ala masculina da classe faria times de botão como um dos trabalhos e depois seria organizado um campeonato. Eu até fiz o meu time, mas, para o campeonato, usei o time do meu pai, com que eu já estava acostumado a jogar. Não me lembro do resultado. Aliás, nem me lembro se o campeonato chegou a terminar.

Times de botão: Porto Seguro, Marília, Londrina, Sport e Grêmio

Outro time que me marcou era o Marília, composto por jogadores transparentes estilo “tampa de relógio”, mas com uma tampa embaixo, o que permitia que se colocasse os escudinhos por dentro do botão. Essa tampa de baixo tinha dois furinhos para que fosse possível desencaixá-la, como se vê no terceiro botão acima. Eu tinha sempre um clipe desentortado para usar quando precisasse abrir um desses botões. O clipe desentortado fazia parte do meu kit para jogar, que também incluía uma caixa de fichas de pif-paf, usadas como palheta. Outro time de que eu gostava muito era o Londrina, com botões azuis da marca Bolagol. No meio do botão havia uma depressão onde era encaixado o papelzinho redondo com o escudinho e o número de cada jogador. Algumas dessas depressões ainda tinham uma tampinha transparente para proteger o papel, mas muitas foram se soltando com o tempo. Um dos outros times que tinham jogadores Bolagol era o Sport, nesse caso branco. Talvez influenciado pela campanha do Fluminense no Brasileiro de 1984, o número 6 eu chamava de “Paulo Vítor Entrou na Linha”. Só não me peça para explicar o que o Sport tinha a ver com o Fluminense. Não faço ideia. Também vale citar que o Grêmio montado pelo meu pai tinha botões “Canoinha” vermelhos. Até hoje, quando penso em cada um dos times consigo me lembrar de como eram os botões.

Caixa de fichas de pif-paf, usadas como palhetas

A caixa de fichas de pif-paf que eram usadas como plahetas. Muitas delas já se perderam no tempo e algumas quebraram-se, mas a maioria ainda existe. Como se pode ver, a branca era a preferida.

Quando eu ia ao Rio de Janeiro, ficava muitas vezes no apartamento do meu primo de segundo grau Bruno, que tinha a minha idade, apesar de ser primo da minha mãe. No prédio dele, em Botafogo, havia muita gente com que jogar. Os botões que eles usavam eram diferentes dos com que estava acostumado. Não eram iguais nem aos que chamávamos de “oficiais” (Champion, Crack’s etc.) nem aos do meu pai. Eles eram maciços, com ângulos retos. Lembravam um pouco os oficiais da Federação Paulista que eu conheceria anos mais tarde, mas menores e sem furo no meio. E eles praticavam trocas de jogadores, literalmente, o que eu achava divertido, embora nunca pudesse participar, já que os meus eram muito diferentes. Foi lá no Rio também que certa vez fui à Rua da Alfândega procurar times e comprei seis caixas: América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Eram caixas azuis, com botões meio vagabundos, que tinham até uma pontinha que sobrava depois de os moldes serem destacados. O único deles que eu já não tinha era o Bangu, que ficou, pois, intacto; os demais foram desfigurados para montar outros times.

Bangu (Fábrica de Penas de Aço Brasil)

A caixinha do Bangu ainda existe, embora não seja mais usada para guardar o time, que tem seu próprio maço de cigarro. O fabricante era a Fábrica de Penas de Aço Brasil, que ficava na Rua Pereira Nunes, 410-A, no Rio de janeiro. Pelo Google Street View, não fica claro se a empresa ainda está lá, mas uma consulta no Google só retornou resultados do Diário Oficial.

A maior parte dos campeonatos de que eu participei na minha infância e adolescência envolveu, além do meu irmão, o Zé e o Gui, dois irmãos que moravam quase ao lado da nossa casa. Eles tinham entre si uma rivalidade ainda maior do que a nossa, acentuada por uma diferença de idade de quase três anos. O Zé, o mais velho, é um dia mais novo que o meu irmão. Eu já briguei com meu irmão por causa de jogos de botão, mas nunca cheguei a comer uma tabela após uma dolorosa eliminação, só para impedir a continuação do campeonato — a medida funcionou melhor que qualquer tapetão. Esses campeonatos geralmente tinham fórmulas de fazer a CBF morrer de inveja, incluindo uma primeira fase de grupos em que todos os times se classificavam.

O Zé também foi parte integrante dos campeonatos qe eu fazia sozinho, embora ele provavelmente nunca tenha presenciado um jogo. Afinal, eu publicava uma revista semanal sobre os torneios e precisava de alguém para desenhar as capas, já que minhas habilidades para desenho só são aceitáveis para uma criança de oito anos, e olhe lá. O pessoal da minha classe na escola sempre queria ver as revistas, claro que não pelo conteúdo, mas pelas capas e por um ou outro desenho que ele fazia a mais para preecher um eventual espaço vazio. As revistas em geral vinham com pôsteres (!) dos times posados. Esses eu mesmo fazia, usando os próprios jogadores como moldes e depois desenhando uma versão bem minimalista dos escudos com régua e compasso. Foi graças a essas revistas, escritas a mão, que minha letra melhorou bastante e eu passei a escrever em letra de forma. O nome da publicação, Escore, foi descaradamente baseado na Placar, que àquela altura já não era mais semanal. Era a minha maneira de suprir essa, digamos, “carência”. A revista durou uns cinquenta números. Eu, que sempre tinha gostado de fazer revistas em quadrinhos, nunca tinha conseguido chegar tão longe numa numeração. Essas revistas foram a única coisa que procurei, mas não achei para ilustrar este texto.

Ulysses Cup

A Ulysses Cup em 4 de março de 2001. Não dá para ver direito na foto, mas, além da imagem de Ulysses Guimarães, todos os campeões estão imortalizados ali, em decalque coberto por esmalte incolor.

Um pouco mais tarde, nós quatro criamos a Ulysses Cup, um troféu de posse transitória a ser disputado em um campeonato de botão. Àquela altura, já tínhamos sido apresentados aos times oficiais da Federação Paulista, por meio de uma matéria publicada na Placar em dezembro de 1991. Fomos atrás do Lourival, um dos fornecedores citados, no Belenzinho, e compramos um time cada um. O meu foi um time azul e vermelho, que batizei como Nacional. O do meu irmão foi um verde e branco, batizado de Werder Bremen. E foi com esse time que ele ganhou a primeira Ulysses Cup, em 1993. O nome, cuja ideia não foi minha, foi uma mistura de Ulysses Guimarães, recentemente falecido, com a Copa Stanley, troféu máximo do hóquei no gelo, esporte pelo qual minha fascinação estava começando.

Das cinco Ulysses Cups, conquistei duas, uma com meu time do Pittsburgh Penguins (um clube de hóquei no gelo), outra com a minha seleção alemã de 1974 (cujo craque era o número 8, Grabowski). Meu irmão ganhou aquela primeira e mais uma. A edição que sobrou foi vencida pelo Zé. Detalhe: meu irmão e eu suspendemos um ao outro daquela edição, devido a problemas distintos que nem lembro mais. Um deles possivelmente teve a ver com uma vez em que atirei vários jogadores da minha Alemanha contra ele. Muitos deles têm sequelas até hoje: pequenos “dentes” embaixo. O motivo? Deve estar perdido em alguma sinapse desfeita em meu cérebro.

Com times oficiais em mãos, resolvemos “nos profissionalizar”. Isto é, inscrevemo-nos na Federação Paulista de Futebol de Mesa. Quando do cadastro, cada um teve de escolher um apelido. O meu foi simplesmente o sobrenome do meio, Linhares. Em meados de 1994 participamos, meu irmão, o Zé e eu, de nosso primeiro campeonato, um torneio aberto no Círculo Militar de São Paulo. Nesses torneios abertos era permitida a inscrição de jogadores avulsos, sem clube, como nós. Foi lá que recebemos o convite para defender o Nacional, cujo departamento de futebol de mesa estava começando.

Acabamos não fazendo nada a respeito, mas no ano seguinte, quando praticamente já tínhamos nos esquecido, ligaram para mim perguntando se eu ainda estava interessado em treinar no Nacional. Sim, eu estava. Meu irmão e o Zé foram também. Passamos a defender a equipe de aspirantes do clube. Num dos jogos fora de casa, contra a Sociedade Amigos de Vila Maria Zélia, a reportagem do Estadão estava lá para escrever matéria sobre o botonismo naquele bairro. Acabamos saindo meio que sem querer na reportagem, publicada no caderno “Seu Bairro Leste” de 15 de agosto de 1996. A foto da equipe do Nacional, inclusive, foi a maior da página Z6, mas acabou bastante manchada por um anúncio quase todo preto na página oposta. O Nacional venceu o jogo, 46 a 26.

Reportagem sobre botonismo na Vila Maria Zélia

Na matéria sobre o botonismo na Vila Maria Zélia, a equipe do Nacional (sou o último à direita) ganhou um indevido destaque. A foto do time da casa saiu na capa do suplemento.

Participando de praticamente todas as competições a que eu tinha direito, consegui subir no ranking da Federação e fui convocado até para a quarta divisão do Paulista Individual, realizado em um fim de semana no Clube Atlético Indiano. Para essa competição eram convocados anualmente os oitenta melhores no ranking, sendo vinte em cada divisão. Não cheguei nem perto de vencer, mas também não fui um dos últimos.

Eu tinha um estilo bem característico. Enquanto a grande maioria dos federados aproveitava ao máximo os doze toques a que tinham direito em cada lance, eu chutava do meio da rua, mesmo. E com uma pontaria realmente boa para a distância. Esses chutes ficaram conhecidos no Nacional como “pombos sem asa”. É claro que com esse estilo eu não teria como ir muito mais longe do que fui. Eu não gastava todo o tempo que podia, o que gerava uma média de gols (tanto pró como contra) mais alta nos meus jogos, isso sem falar que mais de uma vez tomei gol do goleiro adversário devido à potência dos meus chutes.

Nacional: foto posada

A foto acima é da minha última partida pelo Nacional, em 14 de setembro de 1997, contra a Hebraica. Em pé: Espel, Ceará, Peron e Linhares. Agachados: Roni, Miltinho, Bueno e Mazinho.

Minha última participação na Federação Paulista foi em 1997. O Nacional já não tinha mais jogadores suficientes para formar uma equipe de aspirantes, então só havia o time principal, do qual eu passei a ser titular. Mas naquela época minha vida profissional começou a colocar obstáculos demais para seguir comparecendo todos os finais de semana e deixei de ir. Desde 1997, meus únicos jogos foram um minicampeonato com parentes da minha mulher em 2000 e um campeonato escolar em 2007, em que atuei em dupla com o primo da minha mulher, então no colegial. Fomos campeões ganhando as duas partidas por W.O.

Depois de ler o texto do Ubiratan, resolvi comprar um Estrelão para meu filho Guilherme, que está por completar dois anos e meio. Não me parece cedo, não. Na foto que abre este texto, meu irmão, debruçado sobre o campo, tinha acabado de fazer dois anos. Na foto que fecha, Willi começa a aprender a jogar.

Willi joga botão

14 comentários

MTavares (1)

Alexandre,

engraçado que este final de semana também andei nostálgico com meus times de botão dos anos 80, consegui lembrar de quase todos times que tive

esse São Paulo e esse Santos da foto que teu guri joga, caso sejam de acrílico baixo e da Gulliver, eu tive os 2

meu time de Campeonato era um Bayern München, que comprei em Brasília (craque era o Matthaus e o goleiro Maier, de madeira)

o Tabelão da Placar e o Jornal Correio do Povo me fizeram sempre ser fiel as escalações

meu 1.o time e 1.o do Inter tinha Gilmar, Luiz Carlos Winck, Pinga, Mauro Galvão e André Luiz; Dunga, Ademir Kaeffer e Ruben Paz; Sílvio Hickmann, Geraldão e Silvinho
(no ano seguinte, uma caixa de fósforos Fiat Lux, cheia de areia, coberta de fita isolante preta e com um escudo do Inter, chamada de ‘Taffarel’ assumiu o gol)

meu 2.o time e 1.o time do Fluminense tinha Paulo Victor, Aldo, Vica, Ricardo e Branco; Jandir, Delei, Assis e Romerito; Washington e Tato

(meu 1.o time do SPFC, semelhante ao da foto, tinha Gilmar, Zé Teodoro, Oscar Bernardi, Dario Pereyra e Nelsinho; Falcão, Silas e Pita; Müller, Careca e Sidney… depois comprei outro do SPFC e esse de acrílico virou Botafogo de Ribeirão Preto, com escudinhos da Placar)

27 de março de 2011, 20:55

Alexandre Giesbrecht

Sim, são os da Gulliver. Comprei ontem, junto com o Estrelão da última foto. O Tabelão também era minha fonte de referência, se bem que durante boa parte do tempo em que fiz meus campeonatos sozinho ele já não existia (1990-92). Eu cheguei a montar um São Paulo oficial (regras da FPFM) com 22 jogadores, incluindo tudo quanto é reserva de 1992. Ah, e eu também montei goleiros com caixinhas de fósforo e fitas isolantes! Mas os que usávamos em boa parte dos campeonatos eram os mesmos para todos, um conjunto de goleiros de madeira do meu pai (não sei se foi ele que fez). Eu mutilei também times da Gulliver e semelhantes para montar times como Itabaiana, Muniz Freire e Comercial-MS. Eu não costumava era colocar escalações, porque as deixava para a revista que eu “publicava”, em seu respectivo Tabelão. Acho, inclusive, que eu também copiei o nome da seção. A conferir quando eu achá-la.

27 de março de 2011, 21:02

Ana Maria Giesbrecht (3)

Boas lembranças e excelente idéia de treinar o Willi. Logo, logo vamos ver um campeonato entre pais e filhos… Ainda lembro da gritaria de vcs no quintal ou na garagem, dependia do tempo, qdo todos se reuniam para as rodadas!

27 de março de 2011, 21:58

Jorge Farah (1)

Muito boa sua matéria, eu so nao entendi uma coisa voce ainda tem estes botões antigos ou ja os perdeu, a pergunta é por que eu sou colecionador, quando o seu filho tiver idade vamos filiá-lo a federação, e quem sabe voce nao volte a jogar conosco, sera um enorme prazer, mais uma vez parabens pelas lembranças o futmesa espera voce quem sabe em breve de volta.

27 de março de 2011, 23:27

Alexandre Giesbrecht

Ainda tenho todos os fotografados (mais os respectivos times na maioria dos casos). Alguns se perderam quando eu era criança, mesmo. Outros poucos se perderam depois e mais um ou outro se desfez (!) após anos guardados. Mas a gigantesca maioria ainda está aí.

Ainda quero voltar a jogar pela Federação, sim. Mas do jeito que minha agenda tem andado nos últimos anos, é impossível. Quando eu tiver o incentivo de levar meu filho, aí, sim, vou tentar voltar de vez.

27 de março de 2011, 23:32

Ralph Giesbrecht (42)

Bom, eu não jogo botão já há pelo menos 15 anos… talvez mais. Lembro-me de ter ido com você e o Filipe a um campeonato lá para os lados do Anãlia Franco e ter me dado razoavelmente bem. Deve ter sido a última vez. Cuide bem dos meus times, eles já são mais que “quarentagenários”.

28 de março de 2011, 8:36

Jonas Santos (1)

belo post.. tenho os meus até hoje, muitos campeonatos ganhos e perdidos … hehe
abço

30 de março de 2011, 15:36

Fernnando (1)

Velhos e bons tempos, lembro que meu Corinthians de 97 com Ronaldo no gol (na verdade uma caixa de fosforo) era quase imbatível.

Pra quem ainda se interessar por fazer seus times no futebol de botao recomendo: http://escudinhos.blogspot.com/

Lembro também de jogar muito esse da Gulliver, só que era mais caro e nao tinha nenhuma habilidade para jogar: http://www.youtube.com/watch?v=So7Kb-Kg858

4 de abril de 2011, 0:02

Guilherme Calciolari (1)

Caraca, eu lembro dos meus tempos de campeonato, no começo só com Roma, Milan, Juventus, Torino, Fiorentina e mais um italiano que agora não lembro. Ainda eram daqueles pequenos da Gulliver e eu jogava sem campo, só no piso paviflex do apartamento, que ficou mais marcado que sei-lá-que.

Depois ganhei um estrelão e botões melhores e maiores, Argentina, Gremio, Flamengo e Barcelona (não pergunte). Mais um tempo e chegou do Corinthians e São Paulo e ficou mais divertido.

Mas o mais legal foi quando fui no bazer e comprei sei lá que times, só pela cor de fundo do botão, e não colei os escudos. Assim eu fazia basicamente tudo quanto é campeonato, só adaptando os jogos de acordo com as cores (branco, preto, vermelho e azul). Tinha um caderno com os resultados dos camapeonatos que disputava sozinho (único filho homem, e nerd sem amigos).

Parei de jogar quando fiquei sem campo, que um dia caiu atrás da porta do quarto (impedindo que abrisse a porta) e teve que ser quebrado para eu poder entrar novamente. Ainda tenho alguns botoes, esperando um filho que vai demorar pra chegar.

4 de abril de 2011, 9:56

Alexandre Giesbrecht

Dica, Guilherme: não espere o filho.

4 de abril de 2011, 21:05

Alexandre Figaro Moreira (1)

PARABÉNS pelo belíssimo texto.
Me fez relembrar muita coisa da minha infância.
É algo para se ler, reler, e guardar para um dia mostrar aos nosso filhos, netos.
Muito bom mesmo !!!!

Grande abraços

27 de maio de 2011, 14:07

Alexandre Giesbrecht

Muito obrigado pelo elogio, Alexandre. Vale lembrar que o texto foi inspirado em um que li, escrito por Ubiratan Leal. Se você não o leu, recomendo.

27 de maio de 2011, 16:57

Etore Marcari Jr. (1)

Olá Alexandre.

Antigo, mas ainda atualíssimo seu texto. Belíssimo.

Abs.

21 de agosto de 2014, 16:10

Miltinho (1)

Saudades de você Linhares!!!!! me emocionei vendo a foto do nosso time!!!
Como eu era novinho…kkkkkkk

abraçossss!!!

15 de maio de 2015, 21:13

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Alexandre Giesbrecht nasceu em São Paulo, em abril de 1976, e mora no bairro do Bixiga. Publicitário formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, é autor do livro São Paulo Campeão Brasileiro 1977 (edição do autor).

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