Pseudopapel

A Estação Roosevelt ainda existe para a CPTM

Mapa incorreto da Linha 7 da CPTM

A Estação Roo­se­velt, também conhe­cida ori­gi­nal­mente como Estação do Norte, era de onde saíam ori­gi­nal­mente os trens rumo ao Rio de Janeiro. Em 1979 ela foi pra­ti­ca­mente fun­dida com as esta­ções Brás do Metrô e da então CBTU, mas man­teve seu nome por algum tempo. Ele só foi mudado após uma reforma nas esta­ções pro­mo­vida pela CPTM, quando esta assumiu a admi­nis­tração das linhas de subúrbio da capital pau­lista. Loca­li­zado na Praça Agente Cícero, pró­ximo ao Largo da Con­córdia, o prédio dela é na minha opi­nião um dos mais bonitos de toda a CPTM, em estilo art déco, cons­truído pro­va­vel­mente nos anos 1940 para subs­ti­tuir o prédio ori­ginal, de 1875. O nome da estação passou de Estação do Norte para Estação Roo­se­velt em 1945, quando da morte de Fran­klin Delano Roo­se­velt, então pre­si­dente dos Estados Unidos. Não foi a única home­nagem: a Praça Roo­se­velt, que fica a cerca de quatro quilô­me­tros dali, também ganhou o nome do pre­si­dente ame­ri­cano, algum tempo depois.

No começo do mês pas­sado eu estava em busca de ima­gens dos mapas antigos que a Fepasa e a CBTU usavam nas linhas de subúrbio de São Paulo antes de serem encam­padas pela CPTM. Nessa busca, na comu­ni­dade “CPTM — você também anda” do Orkut, o Caio César disse ver todas as semanas na Linha 7-Rubi um mapa que ainda apre­sen­tava a Estação Roo­se­velt. Achei estranho, pois ando quase que dia­ri­a­mente nessa linha e nunca tinha visto tal mapa. Meu pal­pite foi de que talvez ele fosse o mesmo mapa que certa vez encon­trei, por baixo de outro mais recente (embora também desa­tu­a­li­zado), foto esta que foi publi­cada em meu texto sobre os mapas desa­tu­a­li­zados da CPTM.

Mapa incorreto da Linha 7 da CPTM

Passei um mês pres­tando ainda mais atenção aos mapas nos trens, em busca do mapa onde se veria a Estação Roo­se­velt. E acabei por encontrá-lo, inteiro, na manhã de hoje, em um TUE série 1100. Não sur­pre­en­den­te­mente, era o único mapa desse tipo no vagão. Os outros já estavam menos desa­tu­a­li­zados. De fato, parece ser o mesmo mapa cuja pequena parte eu já tinha visto e foto­gra­fado. E ele mostra o perigo que é con­fiar nos mapas que a pró­pria CPTM dis­po­ni­bi­liza para seus usuá­rios. Além do nome errado da estação, ele mostra inte­gra­ções ine­xis­tentes nas esta­ções Lapa e Água Branca, mostra as linhas 10-Turquesa e 11-Coral che­gando até a Estação Barra Funda, mostra a Linha 7 parando na mesma Barra Funda, sem seguir até a Luz. Essas inte­gra­ções até exis­tiram por um tempo, no início da década pas­sada, quando a Estação da Luz estava em reforma, mas já há anos não existem mais.

Além disso, não dá para ver na foto, mas a Linha 7-Rubi não só é mos­trada como seguindo até Jun­diaí, sem a bal­de­ação hoje obri­ga­tória em quase todos os horá­rios em Fran­cisco Morato, como a Linha 10 é mos­trada seguindo, sem bal­de­ação alguma, até Para­na­pi­a­caba. Aquela linha hoje vai apenas até Rio Grande da Serra. O trecho até Para­na­pi­a­caba foi extinto até como extensão ope­ra­ci­onal no início da década pas­sada e hoje só é ope­rado quin­ze­nal­mente, como expresso turístico.

8 comentários

Zé Maria Aquino (47)

Foi ali que pisei pela pri­meira vez, em 6 de janeiro de 1951, solo pau­lista. À noite saía o trem de prata lotado da turma que tinha medo de avião. Os artistas que vinham fazer pro­grama na Tv.Tupi e Record, nos anos 50/60, pre­fe­riam viajar à noite no trem bala. Cha­mavam de Vasp dos covardes. rrss

7 de abril de 2011, 0:18

gilberto maluf (60)

A pri­meira vez que peguei o Trem de Prata foi na estação da Luz em 1975. A RRFSA uti­li­zava nesta época os esta­ci­o­na­mentos da estação Roo­se­velt para o Trem de Prata que ficava lá de dia. Só rodava de noite, afinal quase todos os carros eram de cabines duplas.
Aliás, uma beleza, com luz embu­tida na parede, banheiro interno, ven­ti­lação interna, etc.
Logo cedo a gente corria para o vagão res­tau­rante para o café da manhã. Coisa sem graça ocorreu em uma cidade da bai­xada flu­mi­nense, o trem ficou parado ao lado de um trem da Cen­tral, api­nhado do tra­ba­lha­dores. E nós ali pare­cíamos uns marajás mesmo sem querer ser.
O trem saia as 23h e che­gava entre 08:30 e 09 da manhã.
Uma pena, pas­saram o maça­rico para vender o alu­mínio. Só neste país.
abs

7 de abril de 2011, 10:23

Ralph Mennucci Giesbrecht (35)

É, o Trem de Prata somente andou de 1994 a 98, era uma ini­ci­a­tiva pri­vada que acabou por sabo­ta­gens da MRS. Em 1975 era o Santa Cruz, extinto em 1991, bem dife­rente do Trem de Prata.
De qual­quer forma, uma pena que ambos tenham acabado.

7 de abril de 2011, 16:17

gilberto maluf (60)

Fiz con­fusão, eu andei no Santa Cruz, um trem com­prado em 1950 dos Estados Unidos.

7 de abril de 2011, 20:09

Kovuh (1)

Eu vi esse mapa na linha 7 rubi tb, axu q tem um carro do trem q tah com o nome desa­tu­a­li­zado tirei umas fotos tb, tinha uma tal de estação pirelli tb da linha q ia pra para­na­pi­a­caba, ate me assutei

28 de abril de 2011, 0:11

Aline (5)

Lembro ter ouvido falar de quando não havia ligação entre as esta­ções Brás e Roo­se­velt. Muita gente vinha da zona leste e seguia a pé para o que hoje cha­mamos centro velho, incluindo a Luz. Pes­qui­sando des­cobri que isso foi em 1979! Meu ano de nascimento…

Eu morava em Mauá e tra­ba­lhava no bairro da Santa Efi­gênia, nos anos 90. Pegava o trem todos os dias da estação Gua­pi­tuba até Luz. Os trens tinham horá­rios mar­cados em tabela. Alguns par­tiam da Estação Mauá. Eu pegava o 7:05 no Gua­pi­tuba, descia em Mauá e pegava o 7:20, que partia da “linha morta” para poder ir sen­tada. Eu tenho muitas e muitas his­tó­rias para contar nos tantos anos que tra­fe­guei na atual linha 10 — turquesa.

A Pirelli era uma parada na fábrica da Pirelli entre Santo André e Capuava. Não eram todos os trens que faziam esta parada, era só em alguns horá­rios espe­cí­ficos, pro­va­vel­mente nos horá­rios de entrada e saída da pró­pria Pirelli. Mas ela passou a ser usada por tra­ba­lha­dores da região, como do Wal Mart da Ave­nida dos Estados.

Naquela época a linha era ser­vida por duas com­po­si­ções: o TUE Budd Mafersa-Série 1400 que cir­cu­lava com 6 vagões e o TUE Mafersa-Série 700 com 8 vagões, que cha­má­vamos de “trem grande”, mais con­for­tável e com mais vagões. Os da série 1400 que­bravam com muita freqüência e por isso muitas vezes os pas­sa­geiros se revol­tavam e depre­davam as com­po­si­ções. Foi após uma grande onda de depre­da­ções que a linha Paranapiacaba-Jundiaí sofreu uma grande trans­for­mação. Os trens pas­saram a seguir até Rio Grande da Serra apenas e tempos depois foi divi­dida entre Luz — RGS, Luz — Fran­cisco Morato e Fran­cisco Morato — Jundiaí.

Os trens pre­en­cheram uma boa parte da minha vida. A his­tória de Mauá é toda rela­ci­o­nada com a linha fer­ro­viária EFSJ, que divide a cidade entre duas “Mauás”: uma mais “rica” (para os padrões da cidade) e a parte maior e mais pobre.

12 de maio de 2011, 23:33

Alexandre Giesbrecht

Puxa, Aline, obri­gado pela sua deta­lhada con­tri­buição. A ligação entre a Estação Brás do Metrô e as esta­ções Brás/Roosevelt da então RFFSA só foi inau­gu­rada, mesmo, em feve­reiro de 1982. Desde março de 1979, quando a estação do Metrô foi inau­gu­rada, até a inau­gu­ração da ligação, os pas­sa­geiros tinham de per­correr a dis­tância a pé pela Rua Domingos Paiva. Além do caminho mais longo, não fazia muita dife­rença, pois teriam de pagar nova pas­sagem de qual­quer jeito, com ou sem ligação. Isso sem falar que o bilhete do Metrô cus­tava cerca de três vezes mais que os da RRFSA. Um bilhete inte­grado, com des­conto (mas ainda assim mais caro que um bilhete normal, como podemos fazer hoje), só seria criado em feve­reiro de 1981. Já os horá­rios mar­cados em tabela (que quase nunca era res­pei­tada, nem na Fepasa nem na RFFSA/CBTU) só aca­ba­riam quando da cri­ação da CPTM, em meados dos anos 1990.

13 de maio de 2011, 9:18

Erivelto de Jesus Souza (4)

Algumas vezes, quando vou (aper­tado) para o tra­balho no Expresso Leste, fico pres­tando atenção as antigas pla­ta­formas da Roo­se­velt, pois era lá que des­cíamos quando meu pai cis­mava em irmos com­prar roupas no Brás. Tempos sau­dosos. Meu pai faleceu em 1994, mas me lembro como hoje dele indo à ponta de uma das pla­ta­formas para garantir que pega­ríamos a com­po­sição certa para Ita­quera e essa lem­brança sempre me vem a mente ao olhar para elas lá aban­do­nadas e ainda mais difí­ceis de serem vistas por conta das casas de madeira que foram cons­truídas ali, pro­va­vel­mente, como alo­ja­mento para fun­ci­o­ná­rios da CPTM.
Será que você pode me escla­recer algo sobre a “Cabine de Norte” que fica ali pró­ximo? É um prédio de dois andares que fica entre a linha da CPTM e do metrô ali por perto; seria uma “torre de con­trole” de trens? No site de seu pai não abre o link da Roosevelt.

18 de maio de 2012, 22:12

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