Pseudopapel

Passeando pela Estação Júlio Prestes

Estação Júlio Prestes

Chegar à Estação Júlio Prestes hoje em dia não se compara ao que devia sentir quem chegava pela Estrada de Ferro Sorocabana em meados do século passado, quando a estação foi inaugurada. Não se compara sequer a pouco mais de vinte anos atrás, antes da inauguração do Terminal Intermodal Palmeiras-Barra Funda, que absorveu grande parte do movimento que anteriormente seguia até a Júlio Prestes. A estação pulsava com o movimento, comparável ao que se vê hoje na null. O movimento começou a diminuir no fim dos anos 1970, quando a rodoviária mudou-se do outro lado da Praça Júlio Prestes para o Tietê, onde está até hoje. A inauguração da unificada estação Barra Funda fez o movimento diminuir drasticamente, e já em 2003 ouvi pela primeira vez que a Júlio Prestes seria desativada.

Felizmente não foi.

Sim, é melancólico ver a cobertura abaixo chegando e saber que são poucos os que contemplam essa visão a cada viagem da Linha 8 que termina. Muitos já tinham descido em Osasco ou Presidente Altino para fazer a baldeação rumo à Linha 9-Esmeralda, e outros muitos desceram na Barra Funda rumo à Linha 7-Rubi ou, mais provavelmente, à Linha 3 do Metrô. O trem, ainda lotado ao sair da Estação Lapa, sai da Barra Funda quase vazio, com dezenas de assentos livres em cada vagão. A Júlio Prestes, uma estação terminal sem baldeação no centro, parece anacrônica. Em alguns trens da própria Linha 8, ela já foi suprimida dos respectivos mapas de orientação, o que por si só é um grande absurdo, pela desinformação que presta.

As plataformas, outrora lotadas, agora dificilmente ficam intransitáveis. Não que isso seja um problema — plataformas lotadas não são nada agradáveis —, mas não deixa de ser triste perceber que a grande estação tem movimento parecido com o de uma estação menor de ponta de linha. Nas três fotos abaixo o trem já tinha deixado seus passageiro havia alguns minutos, o suficiente para a plataforma ficar quase vazia, algo que na Luz simplesmente não ocorre. A passarela também fica às moscas a qualquer parte do dia, a ponto de não fazer sentido tê-la ali.

As placas da estação mostram claramente o quanto a CPTM se importa com a estação — e com seus passageiros. Não dá para dizer que a estação esteja mal cuidada, ainda mais depois que passou a dividir seu espaço com a Sala São Paulo, mas as placas ainda são do padrão antigo, que já foi substituído em boa parte das estações. Ao menos a cor da Linha 8 não mudou, então acaba atrapalhando menos. O único sinal de que algupem da empresa sabe que as placas existem é a suposta obra de arte que consiste em barris grafitados, que parece jogada aos pés de uma placa com o nome da estação, talvez na falta de um lugar melhor para colocá-la.

Bancos da antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro adornam a estação, embora provavelmente só estejam ali para a CPTM não ter de colocar bancos novos. Ainda bem, aliás, que a empresa prefere não comprar bancos novos, pois pode-se continuar a usar este belo banco, por mais que seja estranho vê-lo numa estação que fazia parte da Estrada de Ferro Sorocabana. Ele não é o único banco aparentemente fora de lugar: também há lá bancos da Companhia Paulista. Da Sorocabana, mesmo, não vi nenhum, ao menos não com identificação tão clara.

Saí da estação, e o único lugar aonde poderia ir era a Praça Júlio Prestes. Sem baldeação ali, segui a pé pela Rua Mauá para pegar o Metrô na Luz, estação que fica além da Estação da Luz da CPTM. Pagando nova passagem, claro. Esse trecho fica para outra postagem.

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Alexandre Giesbrecht nasceu em São Paulo, em abril de 1976, e mora no bairro do Bixiga. Publicitário formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, é autor do livro São Paulo Campeão Brasileiro 1977 (edição do autor).

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