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Na semana passada descobri o blog Arquivo Estado, que traz uma coletânea de reportagens antigas dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, graças a um link enviado pelo meu pai. Uma das matérias que me chamaram a atenção falava do “mais moderno edifício-garagem da América do Sul”, o Edifício Saint Patrick, que era noticiado em julho de 1956 sob a manchete “São Paulo marcha com o progresso”. A adjetivação em tons grandiosos não era incomum à época, mesmo em matérias noticiosas, mas neste caso já dava a pista de que o texto muito provavelmente era um press release. Tanto é que exatamente o mesmo texto seria publicado três dias depois na Folha de S. Paulo, mudando apenas título, subtítulo e duas das fotos.
Mesmo sem ser uma beleza — muito longe disso, aliás —, ele simboliza uma das tentativas iniciais de se resolver o problema do trânsito de São Paulo de maneira errada, dando prioridade aos automóveis. Curiosamente, fica a poucos metros do Terminal Praça da Bandeira e em frente ao final do corredor de ônibus da Avenida Nove de Julho, peças importantes e caóticas do transporte coletivo paulistano.
A matéria dá a entender que o edifício é constituído apenas de andares de garagens, mas ele tem, além de onze pavimentos de garagem, 72 apartamentos distribuídos por outros doze andares e uma galeria com cerca de uma dúzia de lojas, ligando a Avenida Nove de Julho à Rua Santo Antônio. A concepção dos andares acima da garagem é muito diferente da imagem publicada nos dois jornais em 1956, reproduzida aqui ao lado. Não parece ser resultado de uma reforma, mas, sim, a maneira como foi construído.
A região da Praça da Bandeira, onde se localiza o prédio, era muito atrativa nos anos 1950 e contava com diversas opções de hotéis nas proximidades, como o Claridge Hotel, o que mostra sua importância. O terminal de ônibus que faz com que muitos se perguntem onde fica a praça ainda estava longe de ser construído. Da mesma maneira, a Câmara dos Vereadores ainda não estava instalada do outro lado da Rua Santo Antônio, mas já era apresentada como um futuro atrativo para o edifício. Foi justamente por causa de toda essa importância que as vagas proporcionadas por ele eram apresentadas como necessárias à época. Aparentemente, hoje o prédio não é mais usado como estacionamento. As três entradas para a garagem, duas na Santo Antônio e uma na Nove de Julho, permanecem fechadas, com placas de proibido estacionar, e não existe nenhuma placa com preços. Pelo portão maior da Rua Santo Antônio visualiza-se um grande espaço vazio.
Ao menos na Folha de S. Paulo, cujo arquivo é pesquisável, o Saint Patrick só voltaria a aparecer quarenta anos depois, quando um incêndio atingiu sua garagem. Segundo o jornal, o incidente “poderia ter passado despercebido não fosse o fato de o prédio ser vizinho do Edifício Joelma”, que sofreu em 1974 aquele que é considerado o mais grave incêndio da cidade. O fogo foi controlado em apenas meia hora, sem causar grandes estragos ou ferir ninguém. Na foto que abre este texto, o Joelma, atualmente chamado de Edifício Praça da Bandeira, é o prédio amarelo do lado esquerdo. O Saint Patrick é o do centro da foto.
Sem um vizinho alto do outro lado, o Saint Patrick fica mais visível a partir do Viaduto Nove de Julho, de onde se confere que a ilustração original não representa muito do que foi construído.
A entrada do edifício pela Rua Santo Antônio. O portão principal de acesso à garagem permanece fechado. Na porta ao lado, o acesso à galeria de lojas por meio de uma escada.
A galeria de lojas do Edifício Saint Patrick tem cerca de uma dúzia de lojas. E tem também uma placa de bronze na entrada da Avenida Nove de Julho: “Galeria Dr. Roberto Moreira Filho”. Ao contrário da grande maioria dos prédios do centro que têm galerias no térreo, nestas o acesso a pelo menos parte dos elevadores não tem porta, grades ou portão. Possivelmente, esses elevadores são os que levam às garagens.
Interessante a concepção na época para o problema de estacionamento. Já que não tinha jeito já naquela época…..
abs
De fato, tomaram como solução (ou, a bem da verdade, parte dela) sem pensar muito no que significaria e sem estudar a fundo o problema e seus desdobramentos. Não deixa de ser como hoje construir novas avenidas, sem pensar em aumentar a oferta de transporte público de qualidade, embora o Saint Patrick tenha sido, claro, construído pela iniciativa privada. Ainda assim, foi vendido como solução.
- Apenas como informação, o Edifício Saint Patrick era composto de 385 garagens, 72 aptos e 18 lojas. Trabalhei na administração deste condomínio de 1963 à 1973 – (10 anos)
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Alexandre Giesbrecht nasceu em São Paulo, em abril de 1976, e mora no bairro do Bixiga. Publicitário formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, é autor do livro São Paulo Campeão Brasileiro 1977 (edição do autor).