Pseudopapel

Santander: o banco das tarifas “juntas”

Capa do extrato do Santander

Até meados do ano passado eu mantinha uma conta no Citibank, onde pagava R$ 39,90 de tarifa mensal. Periodicamente, recebo pagamentos do exterior, que sempre foram processados pelo Citi sem burocracia e sem cobrança de tarifas. Eu só recebia um aviso de pagamento e solicitava o depósito em minha conta. Nada me era cobrado a mais por isso. No ano passado, recebi uma visita do pessoal do então Banco Real, pois a empresa onde eu trabalhava passaria a fazer pagamento de salário por ali. Optei por abrir uma conta apenas para receber salário, pois não me interessava trocar o Citi naquele momento. Foi-me oferecida, então, uma conta no Van Gogh, sem cobrança de tarifas. Aceitei, pois, e acabei por fechar minha conta no Citibank, acreditando que eu teria um atendimento similar no Real (que eu já sabia que iria se converter em Santander), por uma tarifa mais baixa.

Ledo engano.

A primeira surpresa desagradável foi na hora de receber o primeiro pagamento enviado do exterior: era necessária uma grande burocracia, que incluía envio do contrato com o Google (que faz o pagamento), da ordem de pagamento emitida pelo próprio Google e de um documento assinado. Garantiram-me que seria apenas aquela primeira vez. Pouco depois, a segunda surpresa desagradável: uma cobrança de R$ 24,90 por operação de câmbio, mesmo quando duas eram efetuadas juntas. Como escrevi acima, o Citi não me cobrava nada por isso, e sei por exeperiência própria que essa é uma operação das mais simples. Acho muito difícil justificar um valor tão alto. A taxa de câmbio utilizada também foi uma grande decepção: bem abaixo da cotação oficial. No Citibank, a taxa era inferior à cotação oficial, mas muito próxima.

Se tivesse parado por aí, eu provavelmente não teria ligado muito. Afinal, esses pagamentos são efetuados no máximo mensalmente, então ainda representavam uma economia, embora já não tão grande como poderia — e deveria — ser. Eis que em maio último tive minha terceira surpresa desagradável, que foi a cobrança de R$ 38,00 de mensalidade. É possível que a isenção de tarifa fosse uma opção do Real, suprimida com a mudança para o Santander, mas não recebi um único comunicado, um único aviso. Não recebi nada; simplesmente um dia começaram a cobrar. Na verdade, apesar de terem mudado os números da minha agência e conta para adaptá-los ao Santander, o cartão que eu uso ainda é do Real, pois não se dignaram a mandar-me um cartão do Santander. Mas cobrar, isso cobram! E, de uma hora para a outra, passei a pagar, incluindo a tarifa de câmbio, mais de 50% a mais por mês do que pagava no Citibank.

Para piorar ainda mais, hoje tive a quarta surpresa desagradável, que foi com o mais recente fechamento de câmbio. Essa surpresa desagradável já tinha sido iniciada na semana retrasada, quando descobri que eu teria de enviar novamente os documentos, o que foi suavizado um pouco com a possibilidade de mandá-los escaneados, mesmo o documento assinado. Depois de tudo enviado, ainda assim tive de cobrar a mesa de câmbio por email para que o depósito fosse efetuado, depois de três dias úteis sem ele cair na minha conta. Não obstante tudo isso, ao acessar meu extrato online descobri que a tarifa de operação de câmbio mais que triplicou, passando para R$ 90,00. Escrevo mais uma vez, pois ainda tenho dificuldades em acreditar: a tarifa mais que triplicou! Mais uma vez: o Santander cobra uma tarifa três vezes maior. Agora acho que caiu a ficha. Ou seja, mesmo que o Santander me pagasse cinquenta reais para manter minha conta lá, a tarifa de operação de câmbio faria com que isso não valesse a pena na comparação com o Citibank. Imagine, então, pagar 38 reais como mensalidade!

Voltando à cotação usada, o dólar comercial fechou ontem, para venda, em 1,5427 real. O meu depósito foi feito com uma cotação de 1,4890 real. Mesmo sem receber nenhuma fortuna (no caso, 727,60 dólares), o prejuízo com a cotação foi de 39,07 reais. Somando-se aos absurdos R$ 90 da tarifa, temos quase 130 reais, isso sem falar no IOF (4,11 reais) e no imposto de renda, que eu declaro e soma outros quase trezentos reais à conta. Uma mordida de quase 50%, cortesia dos impostos escorchantes deste país e das tarifas do Santander.

Liguei para a minha agência às 9h58, mas fui informado que só poderia ser atendido dali a dois minutos (!). Deixei recado, pois, que foi retornado em cerca de meia hora — a única surpresa agradável desta história. A minha gerente está em licença-maternidade, então falei com outra gerente, que não conhecia as tarifas de câmbio e não sabia me dizer se os R$ 90,00 eram um erro ou se essa seria a tarifa cobrada pelo Santander (enquanto os R$ 24,90 seriam a tarifa do extinto Real). Ou seja, até agora a mudança do Real para o Santander só me trouxe prejuízo e desprazer. Parece que o tal do “juntos” envolve apenas Real e Santander, não o cliente. A opção de voltar ao Citibank já se tornou extremamente atraente, e parece que será o caminho que seguirei.

Estou profundamente decepcionado com o Santander. Enviei este texto para o email redes.sociais@santander.com.br, que é o endereço que o Twitter do banco costuma indicar quando alguém lhe direciona um tuíte. Não acredito que vá resolver o meu problema, mas esta postagem será atualizada com o desenrolar da situação, para o bem e para o mal.

Como a resposta estava demorando mais do que eu imaginava, perguntei qual era o tempo médio de espera. Fui informado que o prazo máximo era de “cinco dias úteis”, que seriam completados na última terça-feira, 2 de agosto. Não recebi comunicação alguma. No dia 3, entrei em contato mais uma vez pelo Twitter, informando que já estávamos no sexto dia útil, mas eu ainda não tinha recebido uma posição do banco. Responderam-me, novamente via Twitter, que meu caso estava em análise e que naquele mesmo dia (quarta 3) eu seria contatado. Não fui. Isso só aconteceria às 15h43 de quinta-feira 4, por meio de uma ligação da gerente da minha conta, que não sei se ligou por causa do contato que fiz com ela na semana passada ou por causa do email enviado para o tal redes.sociais.

Em uma ligação de 29 minutos, ela não soube dizer por que tive cobrados dois valores diferentes para um mesmo tipo de operação. A melhor teoria foi de que no novo contrato que mandei preenchido foi selecionada uma opção diferente de serviço em algum campo. Os campos que preenchi foram os de dados pessoais, e havia diversos outros que deveriam ser preenchidos pelo banco ou por outrem.

6 comentários

Ralph Mennucci Giesbrecht (42)

Banco no Brasil é um sorvedouro de dinheiro ao mesmo tempo que o atendimento é péssimo. V. ainda nào sabia disso? Melhorar, nunca – piorar, sempre! (para o cliente, sempre)

26 de julho de 2011, 11:36

gilberto maluf (66)

Alexandre, esse mesmo banco sempre me ligava oferecendo empréstimo com taxas, segundo eles, de 3,5% a.m.
Certo dia resolvi checar e a taxa real de juros passava dos 7% a.m.
Mandei email falando da desonestidade e a partir daí comecei a receber telefonemas do tipo: é porque não estava incluido o IOF entre outras desculpas.
Quer dizer, me consideravam um otário para aceitar desculpas esfarrapadas.
Até que perdi a paciência e falei que sabia calcular TMA e TML, indicadores bancários e aí perceberam que tinham que adotar outra estratégia.
Fizeram com que uma funcionária, mal preparada por sinal, tentasse me convencer com telefonemas. Ela estava completamente nervosa e vi que ia sobrar para ela se não aceitasse a justificativa.
Acabei aceitando por pena dela e nunca mais o banco me telefonou oferecendo empréstimo “das Arábias”.
Esse banco é desonesto. Experimente utilizar o Cheque Especial deles. Somente por uma vez utilizei e nunca mais.
Ainda tenho conta lá porque a conta da Light e da CEG cai automaticamente na conta corrente. Vai dar trabalho tirar e por isso convivo com eles.
abs

26 de julho de 2011, 13:43

Alexandre Giesbrecht

Gilberto, você precisava fazer um texto explicando o cálculo de TMA e TML, para colocar aqui e ajudar outros que porventura resolvam tentar se aprofundar nas letras miúdas dos contratos de empréstimo que lhe são oferecidos.

Hoje já fui ao Citibank, e é bem possível que eu volte a ter conta lá. Por eu ter conta atualmente no Van Gogh, eles me oferecem um ano sem mensalidade, o que já é alguma coisa. E confirmei: no pacote de serviços que pretendo pegar (ligeiramente mais caro que o que tenho no Santander) eles não cobram nada para uma operação de câmbio por mês, que é perfeito para mim. Só esqueci de perguntar, por curiosidade, qual a tarifa para uma eventual segunda operação no mês.

Só ficarei no Santander, mesmo, se a resposta deles vier, o que, por si só, já seria um milagre, e vier com outro milagre sendo oferecido.

26 de julho de 2011, 20:45

gilberto maluf (66)

A TMA é o custo de oportunidade, não interessa muito para nós. O que interessa é calcular a taxa efetiva que estão nos cobrando. Quando eu não tinha máguina financeira, eu calculava por aproximação e para isso bastava uma máquina de 4 operações, mas tinha que ter a troca de sinal ( + – ).
Se precisar farei um exemplo, sem ser pretensioso. Mas já faz muitos anos que não faço da forma didática.
abs

27 de julho de 2011, 15:44

Alexandre Giesbrecht

Faça o exemplo, sim, quando tiver um tempo, Gilberto. Sempre acaba sendo útil para alguém que chega aqui por meio de uma pesquisa.

27 de julho de 2011, 16:53

Fabio (7)

Realmente, o Santander é horrível!!

Minha esposa é correntista pois receber seus proventos por lá. Olha… Você olha o extrato e lá aparecem desconto de taxas, 3 vezes a mesma taxa no mesmo mês…

A faculdade em que estudo tem seus boletos emitidos por esta horrivel banco (na verdade era sudameris, que passou pea Real, que foi pra Santander). E, não sei como (ironico…) essa porcaria de banco descobriu o telefone da minha casa e ligavam todo santo dia querendo falar comigo. Como eu não estou em casa na parte da manhã, minha esposa atendia, e ela não tem muita paciência com telemarketing… Cortava rapidinho o assunto… Já tem um tempo que não ligam… e espero que assim continue.
É como disse acima o grande Ralph: banco é sorvedouro de dinheiro. E eu digo mais: são os agiotas oficiais.

27 de julho de 2011, 18:18

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Quem?

Alexandre Giesbrecht nasceu em São Paulo, em abril de 1976, e mora no bairro do Bixiga. Publicitário formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, é autor do livro São Paulo Campeão Brasileiro 1977 (edição do autor).

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