Pseudopapel

Efeito dominó na Linha 1 do Metrô

Plataforma da Estação Sé lotada

Não há nenhuma novidade na lotação da Estação Sé ao longo de um dia útil. A única coisa que muda são as plataformas que ficam com gente saindo pelo ladrão. No horário de pico da manhã, é a plataforma da Linha 1 no sentido Jabaquara que fica apinhada. É muito raro eu chegar lá nesse horário e conseguir pegar o primeiro trem que passa. Normalmente, pego o terceiro ou o quarto. Nunca peguei além do sexto. Até hoje.

Ao descer a escada rolante, não teria como imaginar a situação lá embaixo, até porque a escada rolante estava funcionando — na maioria das vezes, já está desligada por causa da lotação. Quase sempre quando chego lá os currais (eufemisticamente chamados de “direcionadores de embarque”) estão cheios. Vez por outra, estão “transbordando”, mas não chegavam assim tão perto das escadas. Não hoje. Eu sempre vou até o último vagão, onde é mais fácil de embarcar e na estação onde desço saio perto de uma escada. Desta vez, eu não consegui sequer sair do centro. Era impossível chegar ao corredor para alcançar o último vagão. Nos alto-falantes, era informado que havia uma falha em uma composição na Estação Luz. A previsão de normalização era de três minutos. Enquanto isso, as escadas rolantes eram desligadas, e não demorou muito para que ninguém conseguisse mais descê-las.

Escadas para plataforma lotadas na Estação Sé

Em um horário em que vem um trem atrás do outro, com poucos segundos entre a saída de um e a chegada do seguinte, levou cerca de cinco minutos para passar o primeiro trem. E esse primeiro, lotado, nem parou na estação. Mas alguns minutos, e o primeiro trem parou. Foi o bastante para ao menos permitir que eu chegasse aos currais do último vagão, mas não para adentrar um deles. Àquela altura, os alto-falantes bradavam que o problema já havia sido normalizado. O problema, talvez. Mas ainda faltava segurar o efeito dominó que ele tinha causado. Cada trem que chegava à Sé já estava lotado, e poucos conseguiam embarcar. Um segurança informou que, apesar de trens no sentido Tucuruvi estarem sendo esvaziados na Estação São Bento, esta, logo em seguida à Sé, também estava lotada. Ou seja, nada de trens vazios chegando à Sé para aliviar a situação.

A situação pouco agradável era agravada pelo calor. Enquanto isso, o sexto trem chegava e ia embora, garantindo que eu teria um novo recorde para o período da manhã. Veio o sétimo, e novamente não consegui entrar, embora dessa vez tenha ficado sobre a faixa amarela, o que praticamente garantia o meu embarque na composição seguinte. E aí, no pelotão de frente, é bom entrar rápido. E, de preferência, seguir para o corredor, para dar espaço a mais passageiros, regrinha simples de bom senso que poucos seguem. Rumo a meu destino, aonde cheguei com cerca de meia hora de atraso, considerando-se que eu estava originalmente mais de dez minutos adiantado.

Embarque difícil na plataforma lotada da Sé

As cenas descritas e mostradas acima não são exclusividade de um único dia com uma “pequena” falha em um dos trens. Na própria Sé, no sentido Itaquera, mas no horário de pico da tarde, essas cenas são bem mais comuns, e não é necessário que haja problema em nenhum trem. Há muito que o sistema está saturado e faltam opções de linhas para que se possa ir de uma estação a outra no Metrô. Quando a Linha 4-Amarela for inaugurada — algo que já foi adiado tantas vezes —, será a primeira vez que o metrô de São Paulo terá um “anel”. Ainda será muito pouco, e qualquer um com uma câmera não precisará de muito esforço para captar imagens muito parecidas com as que ilustram esta página.

2 comentários

gilberto maluf (66)

Alexandre, não sei se entendi bem, o pico da manhã na Sé é na linha 1 em direção ao Jabaquara. Se for, a maioria descerá no Paraiso com destino a região da Paulista, creio.
Eu não trabalhei no setor de Operações do Metrô, mas sei que o pessoal é competente e se o desconforto é grande deve-se realmente pela saturação.
Se existissem trens estrategicamente colocados para estes horários de pico, veríamos um trem chegar na Sé vazio e de lá levar boa parte do pessoal da plataforma. Ao longo da linha existem alguns estacionamentos de trens.
Mas estou fora do Metrô há 11 anos e da cidade há 6 anos e realmente desconheço a atual situação. A cidade nestes 6 anos que estou fora cresceu muito e quem está de fora vê bem a diferença.
abs

1 de dezembro de 2010, 10:00

Alexandre Giesbrecht

Eu diria, Gilberto, que mais da metade dos passageiros no sentido Jabaquara desembarcam na Estação Paraíso. Sou um deles, embora eu não faça baldeação; eu desço ali, mesmo. A plataforma do sentido Vila Madalena geralmente está bem lotada, embora não como na Sé. O que é evidente, e muitos funcionários do Metrô vão concordar, é que falta investimento, tanto para equipamento como para pessoal. O noticiário falou de muitas demissões nos últimos anos, e o sistema só cresceu. Ou seja, a conta não parece fechar. Os trens vazios aparecem, sim, nos horários de pico. Na Barra Funda, já vi passar trem vazio que seguia rumo à Estação República, no sentido Corinthians-Itaquera. E na própria Sé eu já peguei no sentido Jabaquara um dos trens que são esvaziados na Estação São Bento. Mas ontem nem isso estava adiantando, porque, segundo um segurança, a própria São Bento estava abarrotada, o que fazia com que os trens já saíssem de lá lotados. Foi parecido com o que presenciei em setembro, na Estação Paraíso, quando tive de esperar pelo 13.º trem para seguir rumo à Luz.

1 de dezembro de 2010, 14:33

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Quem?

Alexandre Giesbrecht nasceu em São Paulo, em abril de 1976, e mora no bairro do Bixiga. Publicitário formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, é autor do livro São Paulo Campeão Brasileiro 1977 (edição do autor).

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