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	<title>Pseudopapel &#187; Jornalismo</title>
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	<description>Porque de eletrônico este espaço só tem o formato.</description>
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		<title>Quando o Lance! publicou minha foto sem crédito</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2014 19:42:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Lance!]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional Atlético Clube]]></category>

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		<description><![CDATA[Li no Lance! de hoje uma reportagem sobre o acesso do Nacional. Possivelmente não foi o autor da matéria quem escolheu as imagens, mas fiquei realmente surpreso ao ver a foto que tirei (do time entrando em campo) publicada sem o devido crédito, apenas como &#8220;Arquivo pessoal&#8221;, tanto na edição impressa como no site. Em meus sites, sempre publico diversas fotos de minha autoria sobre a história da cidade de São Paulo, sobre o Nacional e sobre o São Paulo, e todas estão sempre disponíveis para ser publicadas gratuitamente em qualquer lugar, mesmo que com fins comerciais, desde que seja dado o crédito. Obviamente, esse aviso não&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2014/10/lance-foto-sem-credito/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li no <em>Lance!</em> de hoje uma reportagem sobre o acesso do Nacional. Possivelmente não foi o autor da matéria quem escolheu as imagens, mas fiquei realmente surpreso ao ver a foto que tirei (do time entrando em campo) publicada sem o devido crédito, apenas como &#8220;Arquivo pessoal&#8221;, tanto na edição impressa <a href="http://www.lancenet.com.br/minuto/Ganso-Socrates-Nacional-idolos-formando_0_1233476814.html">como no <em>site</em></a>. Em meus <em>sites</em>, sempre publico diversas fotos de minha autoria sobre <a href="http://www.historiaspaulistanas.com.br">a história da cidade de São Paulo</a>, sobre o Nacional e <a href="http://anotacoestricolores.tumblr.com">sobre o São Paulo</a>, e todas estão sempre disponíveis para ser publicadas gratuitamente em qualquer lugar, mesmo que com fins comerciais, desde que seja dado o crédito.</p>
<p>Obviamente, esse aviso não está no Facebook, de onde a foto foi tirada, mas seria de se imaginar que um jornal do porte do <em>Lance!</em> daria o devido crédito, até para o leitor saber quem tirou as fotos. Ou pelo menos tentaria entrar em contato — sei dos prazos exíguos, mas esta matéria era &#8220;fria&#8221;, e eu costumo responder muito rápido a mensagens, seja por email, por Twitter ou por Facebook. Nos últimos tempos, nem os resultados da Segundona vinham sendo publicados, fosse no <em>Lance!</em> ou outro jornal.</p>
<p>Cito como exemplo a edição de ontem, que não trazia os resultados da &#8220;Bezinha&#8221;, mas trazia dos campeonatos Alemão, Espanhol, Inglês e Italiano. Não condiz muito com a missão do <em>Lance!</em>:</p>
<blockquote><p><em>Ser a referência em conteúdo esportivo no País oferecendo um jornalismo de qualidade e independente, em defesa dos interesses do torcedor e <strong>do desenvolvimento do esporte nacional</strong>.</em></p></blockquote>
<div id="attachment_1728" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><img class="size-medium wp-image-1728" title="Nacional entrando em campo o Grêmio Prudente, em 11 de outubro. Qualquer um pode usar esta foto à vontade, desde que com o devido crédito, algo que o Lance! não fez. Foto: Alexandre Giesbrecht" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2014/10/nacional-ac-nicolau-alayon-640x425.jpg" alt="Nacional entrando em campo o Grêmio Prudente, em 11 de outubro. Qualquer um pode usar esta foto à vontade, desde que com o devido crédito, algo que o Lance! não fez. Foto: Alexandre Giesbrecht" width="640" height="425" /><p class="wp-caption-text">Nacional entrando em campo o Grêmio Prudente, em 11 de outubro. Qualquer um pode usar esta foto à vontade, desde que com o devido crédito. Foto: Alexandre Giesbrecht</p></div>
<p>Quando finalmente resolveram publicar alguma coisa, fizeram-no com duas fotos que contêm &#8220;Arquivo pessoal&#8221; como crédito. &#8220;Arquivo pessoal&#8221; de quem?! Do repórter? Do técnico? Não, de um torcedor que resolveu publicar no Facebook <a href="https://www.facebook.com/agiesbrecht/posts/10152554204078171">várias fotos do jogo entre Nacional e Grêmio Prudente</a> e viu <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10152554173973171&amp;set=pcb.10152554204078171&amp;type=1">uma delas</a> ser publicada sem o seu nome. Não sei nem de quem é a foto do time posado, mas não vou me surpreender se ele se sentir da mesma maneira, já que também foi relegado a &#8220;Arquivo pessoal&#8221;.</p>
<p>Não estou pedindo pagamento pela foto. Minhas fotos seguem gratuitas, a não ser quando explicitamente indicado (ou, claro, quando forem fotos de outrem), e <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/como-e-dificil-receber-creditos/">eu já fui vítima desse tipo de coisa anteriormente</a>, assim como <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/06/desrespeito-direitos-autorais/">meu pai também já foi</a>. Mas gostaria de ver o devido crédito ser dado.</p>
<p>Sou assinante da edição digital há dois anos e fui também um dos primeiros assinantes em São Paulo da edição impressa, no já longínquo ano de 1997. Não são muitos leitores que têm uma cópia da primeira edição paulista do <em>Lance!</em>, mas estou entre eles, graças a uma farta coleção com centenas de edições encadernadas. Tenho toda uma história com o <em>Lance!</em> e com o Nacional: estive em quase todos os jogos em casa nos últimos três anos. E, quando poderia ter visto meu nome em uma edição do <em>Lance!</em>, fui surpreendido por um &#8220;Arquivo pessoal&#8221; como crédito. Aguardo providências e uma resposta. Este texto também foi enviado a vários emails constantes do expediente do jornal.</p>
<p><strong>Atualização (19h36):</strong> Um representante do jornal <a href="https://twitter.com/lancenet/status/524658962072076288">entrou em contato comigo</a> por meio da conta oficial de Twitter e informou-me que o crédito na matéria do <em>site</em> foi editado. Pouco depois, o editor executivo do grupo, Guilherme Gomes Pinto, mandou-me um email explicando a &#8220;falha de comunicação&#8221;: &#8220;Na entrevista por telefone com um dirigente do Nacional, ao saber que a matéria teria um espaço maior do que esperado, o repórter pediu autorização ao dirigente para usar fotos publicadas no perfil dele, sem compartilhamento de quaisquer outros perfis, como se fossem de fato dele. O referido dirigente permitiu a utilização e somente por isso foi publicado com o  crédito de Arquivo Pessoal. Evidentemente que se soubéssemos o autor das imagens elas seriam publicadas com crédito, que é o procedimento do <em>Lance!</em>. Poderíamos/deveríamos ter ido atrás para tentar encontrar o autor das imagens? Sim. Mas aí também entram essas questões de prazos exíguos que você falou.&#8221; Ele terminou a mensagem avisando que amanhã será publicada uma correção na edição impressa.</p>
<p><strong>Atualização (22/10, 19h15):</strong> O <em>Lance!</em> publicou hoje, na página 2 de sua edição impressa, uma errata, conforme a foto abaixo.</p>
<div id="attachment_1737" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><img class="size-medium wp-image-1737" title="Errata publicada pelo Lance" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2014/10/lance-errata-foto-sem-credito-640x426.jpg" alt="Errata publicada pelo Lance" width="640" height="426" /><p class="wp-caption-text">Errata publicada pelo Lance</p></div>
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		<title>Memórias da minha infância jornalística</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 19:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada, o Flavio Gomes postou em seu blog um texto sobre o primeiro jornal que ele fez, aos nove anos. Isso, claro, atiçou minha memória e cometi as (muitas) linhas abaixo, publicadas nos comentários do texto original. Minha primeira memória também é dos nove anos de idade, um “jornal”, de cujo nome não me lembro, que publiquei durante uma viagem com meus avós a Itanhaém. O jornal já nasceu encadernado, publicado que era nas páginas de um caderno adquirido exatamente para esse fim. Alternava notícias gonzo — como a de quando meu avô foi ao mercado e esqueceu&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2014/04/memorias-infancia-jornalistica/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, o Flavio Gomes postou em seu blog <a href="http://flaviogomes.warmup.com.br/2014/04/o-comeco-de-tudo/" title="Flavio Gomes: &#039;O começo de tudo&#039;" class="broken_link">um texto sobre o primeiro jornal que ele fez</a>, aos nove anos. Isso, claro, atiçou minha memória e cometi as (muitas) linhas abaixo, publicadas nos comentários do texto original.</p>
<p>Minha primeira memória também é dos nove anos de idade, um “jornal”, de cujo nome não me lembro, que publiquei durante uma viagem com meus avós a Itanhaém. O jornal já nasceu encadernado, publicado que era nas páginas de um caderno adquirido exatamente para esse fim. Alternava notícias gonzo — como a de quando meu avô foi ao mercado e esqueceu parte das compras no teto do carro, sobrando apenas o tapete de chuveiro, que ficou devidamente “grudado” — e <em>hard news</em>, como a explosão da Challenger, ocorrida naqueles dias. É exatamente por causa dessa notícia que me lembro da minha idade.</p>
<p>Mas meu negócio, mesmo, era desenhar histórias em quadrinhos, apesar de eu ser um péssimo desenhista. Segui nessa toada até os catorze anos, graças à inspiração das histórias em quadrinhos desenhadas pelo meu pai na infância e adolescência. Tenho até hoje várias das revistas que ele publicou, acho que entre 1963 e 1970. Embora houvesse vários números acima do cem, desconfio que ele pulou alguns números. A coleção segue praticamente completa até por volta do número 80, depois começam a aparecer “buracos”.</p>
<p>A minha coleção foi muito menos longa, embora mais vasta, pois eu tinha umas quatro ou cinco publicações concomitantes. Eu fazia no mesmo esquema que o meu pai, colorindo apenas a capa e uma ou outra página interna, mais ou menos como era <em>O Pato Donald</em> nos anos 1950. Eram as referências do meu pai e também as minhas, já que ele mantém até hoje a coleção do <em>Pato</em> completa do número 1 ao 1900, mais ou menos.</p>
<p>Mas chegou uma hora em que percebi que desenhava como uma criança de seis ou sete anos, embora já tivesse quase quinze. Cessei as publicações de quadrinhos, embora não tenha fechado a editora, afinal eu orgulhava-me de tê-la fundado em 1981, dez anos antes, e não poderia deixá-la morrer. Eu só nunca consegui uma explicação da data. Em 1981, eu já sabia escrever, é verdade, e escrevia livros e desenhava histórias em quadrinhos, da maneira como se espera que uma criança de cinco anos o faça, mas não me lembro de ter inventado o nome de uma editora até, sei lá, uns dois ou três anos depois. Mas eu tinha definido que a data de fundação era em 1981, e, naqueles tempos, minha palavra era final na Editora Matriz.</p>
<p>A empreitada seguinte da editora serviria para suprir uma lacuna na minha vida, criada quando a <em>Placar</em> cessou suas publicações semanais, em agosto de 1990. A Matriz, claro, seria a responsável por uma revista que fizesse o mesmo papel. O nome, por mero acaso, era um sinônimo de “placar”: <em>Escore</em>. Mas havia um problema: devido ao Plano Collor, não havia verba para mandar fotógrafos aos estádios e coisa e tal nem para comprar material de agências. Ok, talvez o Plano Collor não tivesse nada a ver com isso, mas fica mais legal contando assim.</p>
<p>Então, em vez de cobrir o Campeonato Brasileiro de Futebol, a <em>Escore</em> passou a cobrir o Campeonato Brasileiro de Futebol… de Botão, realizado no meu quarto, mesmo. Como eu sempre quisera ver um campeonato em pontos corridos, o meu Brasileiro era assim, com oito clubes disputando o título. Havia até uma segunda divisão, uma Copa do Brasil e campeonatos regionais e estaduais. E a revista seguiu firme e forte, semanalmente, por mais de cinquenta edições. Confesso que o “forte” devia-se mais aos excelentes desenhos do meu vizinho Zé do que ao meu talento jornalístico. Acho que tenho todas as edições, guardadas em algum armário inacessível na casa dos meus pais.</p>
<p>Um ano após o fim da <em>Escore</em>, chegou o primeiro computador em casa. Para mim, a maior utilidade seria diagramar minhas revistas. No começo, eu usava o Paintbrush, mesmo. Imagine minha surpresa ao descobrir que dava para fazer em formato de papel, mesmo, em vez do formato padrão que o programa abriu para as primeiras edições publicadas. Eu pegava os cliparts que vinham com o Windows 3.1 e espalhava-os pelas páginas. A imagem que abre este texto dá a dimensão do que era essa fase. As tábuas de classificação eram especialmente difíceis de ser feitas!</p>
<p>Algum tempo depois, migrei para o Word. Para ter certeza de como poderia usá-lo com mais de uma coluna por página, passei dias tentando diagramar uma página do Estadão no Word. Por incrível que pareça, deu certo, e pude diagramar a nova revista esportiva da Editora Matriz, <a href="https://twitter.com/jogosspfc/status/403639688969584641">no Word</a>: a <em>Goleada</em>. Seu auge foi em 1995, quando em várias segundas e terças eu dava um jeito de ir à Praça da República, para comprar jornais de outros estados e até de outros países. Eles serviriam de fonte para textos, fichas técnicas e fotos, escaneadas para entrar na edição daquela semana. Àquela altura, a cobertura tinha deixado os campeonatos de botão e resumia-se apenas ao bom e velho futebol profissional.</p>
<p>Não é difícil imaginar que, apesar de a publicação supostamente ser semanal, devido a todo esse processo e à quantidade de páginas, eu levava muito mais que uma semana para escrever cada uma delas, então elas saíam meio que mensalmente ou bimestralmente, dependendo de quantas provas eu tivesse na faculdade. Obviamente, eu pulava os números. Assim, por exemplo, o número 48 foi seguido, acho, pelo 53 ou algo do tipo.</p>
<p>Folheando alguma revista, descobri que a Microsoft estava lançando um programa para diagramação de páginas, chamado Publisher. Eu até lidava com PageMaker na faculdade, mas ele era caríssimo e eu não tinha como comprar. O Publisher custou-me R$ 120 na época (começo de 1996), tirados do meu primeiro salário em uma editora (como contato comercial). Mas, no fim das contas, usei-o muito pouco para diagramar revistas. Ele foi muito mais útil para diagramar trabalhos de faculdade, embora meus colegas de grupo sempre odiassem quando eu tentava fazer trabalhos com mais de uma coluna por página.</p>
<p>Minha relação com diagramação passou a ser exclusivamente por <em>hobby</em>. Sim, eu diagramo revistas como passatempo. Outro dia, mesmo, peguei o álbum de figurinhas da Copa União de 1988 — o Brasileiro daquele ano realmente chegou a ser conhecido assim, apesar de muita gente achar que Copa União foi só a de 1987 — e rediagramei, no InDesign, duas páginas. Apenas escaneei as figurinhas, que <a href="http://anotacoestricolores.tumblr.com/post/81987828737/album-de-figurinhas-copa-uniao-de-1988" title="Anotações Tricolores: 'Álbum de figurinhas: Copa União de 1988'">entraram no layout exatamente como foram coladas no meu álbum original</a>, ainda comigo, embora com a capa colada com durex e maltratado pelo tempo.</p>
<p>Havia outras memórias menos detalhadas, mas o texto já estava longo demais e parou por aí. Pelo visto, isto é o menos prolixo que consigo ser em um assunto tão apaixonante, que também faz parte da minha infância e adolescência.</p>
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		<title>Mais um desrespeito aos direitos autorais</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2013/06/desrespeito-direitos-autorais/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Jun 2013 23:07:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ralph Giesbrecht]]></category>
		<category><![CDATA[Varginha]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje fiquei sabendo de mais um exemplo de ausência de créditos. Um jornal de Varginha, o Correio do Sul, publicou, em sua edição de ontem, uma foto tirada por meu pai no ano passado, quando ele esteve em visita àquela cidade. A foto foi usada duas vezes, uma na capa e outra no segundo caderno, e nenhuma das duas trouxe o crédito de quem a tirou. Na capa, há duas fotos creditadas a Guilherme Bergamini, provavelmente funcionário do jornal. Um desavisado imaginaria que foi dele também a (bela) foto de um casarão à beira da linha férrea que corta a&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/06/desrespeito-direitos-autorais/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje fiquei sabendo de mais um <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/como-e-dificil-receber-creditos/" title="Como é difícil receber créditos!">exemplo de ausência de créditos</a>. Um jornal de Varginha, o <em>Correio do Sul</em>, publicou, em sua edição de ontem, uma foto tirada por meu pai no ano passado, quando <a href="http://blogdogiesbrecht.blogspot.com.br/2012/07/varginha-em-fotos.html" title="Blog do Ralph Giesbrecht: "Varginha em fotos"">ele esteve em visita àquela cidade</a>. A foto foi usada duas vezes, uma na capa e outra no segundo caderno, e nenhuma das duas trouxe o crédito de quem a tirou. Na capa, há duas fotos creditadas a Guilherme Bergamini, provavelmente funcionário do jornal. Um desavisado imaginaria que foi dele também a (bela) foto de um casarão à beira da linha férrea que corta a cidade.</p>
<p>Mas a situação é ainda pior, pois a foto serviu para ilustrar uma matéria sobre um esdrúxulo projeto que vai contra tudo o que o meu pai defende em relação ao patrimônio ferroviário brasileiro. E a matéria defende tal proposta, mencionando que &#8220;a linha férrea (…) pode deixar de ser um problema e se transformar em um belíssimo cartão postal&#8221;. Independentemente de se concordar ou não com a afirmativa, o fato é que meu pai não concorda com ela, e a publicação de uma foto por ele tirada para defender tal projeto é um absurdo.</p>
<p>Note que não é uma foto &#8220;parecida&#8221;. É a mesma foto, como se comprova pelo carro parado à esquerda, pelos sacos de lixo e pela moto no meio da foto e pelas pessoas à direita. Basta acessar a versão impressa do jornal, disponível em seu <em>site</em> — cujo <em>link</em> não vou colocar aqui, para não prestigiar, mas pode ser visto na imagem que ilustra este texto. Imagino que, estando a redação na própria Varginha, seria fácil ir até o local e bater uma foto, mas certamente era ainda mais fácil procurar uma foto na internet e publicá-la, imaginando que o autor nunca ficaria sabendo e/ou não se importaria. Pois bem, o autor dessa foto ficou sabendo e importa-se. Ao contrário das fotos que publico aqui, quase todas disponíveis em Creative Commons (bastando apenas a menção de meu nome como autor), as fotos do meu pai estão protegidas pelos direitos autorais.</p>
<p>O que o <em>Correio do Sul</em> tem a dizer a respeito disso?</p>
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		<title>Os cadernos do Estadão</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2013/04/estadao-cadernos/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Apr 2013 19:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>
		<category><![CDATA[O Estado de S. Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de ler um comunicado interno do Estadão, publicado pelo Blue Bus, anunciando mudanças a partir do próximo dia 22. &#8221; O jornal adotará a configuraçao de três cadernos, mais um suplemento&#8221;, escreveu Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do jornal. Note que são citados três cadernos por dia, além de um suplemento. E quais seriam esses três cadernos? &#8220;O primeiro caderno terá as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorpora comportamento digital e literatura.&#8221; Ou seja, o&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/04/estadao-cadernos/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de ler um comunicado interno do <em>Estadão</em>, <a href="http://www.bluebus.com.br/1-novo-estadao-aqui-a-integra-do-comunicado-interno-de-ricardo-gandour/" title="Blue Bus: '1 novo Estadao, aqui a integra do comunicado interno de Ricardo Gandour'">publicado pelo <em>Blue Bus</em></a>, anunciando mudanças a partir do próximo dia 22. &#8221; O jornal adotará a configuraçao de três cadernos, mais um suplemento&#8221;, escreveu Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do jornal. Note que são citados três cadernos por dia, além de um suplemento. E quais seriam esses três cadernos? &#8220;O primeiro caderno terá as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorpora comportamento digital e literatura.&#8221;</p>
<p>Ou seja, o <em>Estadão</em> vai retroceder mais de vinte anos. Para quem não se lembra, não era nascido ou simplesmente não se importava, até 1991, o noticiário era concentrado em um ou dois cadernos. Até os anos 1980, a divisão entre os assuntos nem era lá muito clara, mas essa época eu não peguei (como leitor). O que peguei foi a época de poucos cadernos, o que fazia com que o caderno &#8220;Cidades&#8221; (atual &#8220;Metrópole&#8221;) fosse sempre fundido com o &#8220;Esportes&#8221;, a não ser aos domingos e às segundas-feiras. Assim, eu tinha de dividir o jornal com a minha mãe, que queria ler &#8220;Cidades&#8221;, enquanto eu queria ler &#8220;Esportes&#8221;. Adivinhe quem tinha a preferência? Em vez de poder levar o jornal comigo para a escola, às vezes, eu não podia nem lê-lo de manhã. Não creio que fosse só comigo que isso ocorresse.</p>
<p>Quando os dois cadernos passaram a ser separados &#8212; a não ser em épocas como pouca cobertura esportiva, como em fins de ano, quando eles voltavam a se fundir por alguns dias &#8211;, resolveu esse problema. E isso, pelo visto, vai durar até abril de 2013. Já não divido mais o jornal com minha mãe, mas divido-o com minha esposa. E o &#8220;Metrópole&#8221; é sua leitura preferida do jornal. Não poderemos mais ler o jornal juntos na mesa do café da manhã.</p>
<p>O <em>Estadão</em> <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/11/fim-jornal-da-tarde/" title="O fim do Jornal da Tarde">já tinha matado, no ano passado, o <em>Jornal da Tarde</em></a>. Nesse processo, vi diminuída a cobertura esportiva a que eu tinha direito. No <em>JT</em>, eram, no mínimo, doze páginas diárias, o que equivaleria a seis páginas n&#8217;<em>O Estado</em>, mas este, em muitos dias, traz apenas quatro páginas. A diferença no número de páginas é pequena, mas, na cobertura dos times, é gritante: enquanto o finado trazia, em geral, duas páginas para cada um dos quatro grandes (o equivalente a uma página inteira do irmão mais velho), não raro vê-se no <em>Estadão</em> uma única matéria, que ocupa apenas um pedaço da página. Se forem diminuir ainda mais, vai começar a ficar injustificável minha assinatura.</p>
<p>Não nego que os jornais enfrentam inúmeros desafios hoje em dia, especialmente para se fortalecer entre o público jovem. Mesmo entre a minha geração, que já não é tão jovem assim, não é lá muito fácil encontrar alguém que assine jornal. Entre os oito amigos de colégio com quem ainda mantenho contato frequente, nenhum (!) assina um jornal impresso. Apenas dois deles o fizeram em algum momento de suas vidas adultas. Uma das coisas que atraem jovens (do sexo masculino) aos jornais é o caderno de esportes. Foi o que aconteceu comigo.</p>
<p>Atualmente, quase ninguém fica sabendo de um resultado de jogo pelos jornais. Acontece, ainda, comigo, quando acabo indo formir muito cedo, mas é raro. Além disso, 95% do noticiário diário esportivo publicado em impressos ocorreu até as 18 horas do dia anterior. Muitas vezes, o sujeito abre o jornal na parte de esportes e só depara com notícias que já lera na internet à noite. Esse é o maior problema, e não consigo entender como mesclar tudo no mesmo caderno vai resolver. Os jogos noturnos continuarão com uma cobertura parca, escrita às pressas, devido aos exíguos prazos de fechamento, e estes nem veem a internet com vantagem, pois os <em>sites</em> sempre querem publicar seus textos o mais rápido possível &#8212; ou seja, minutos após o encerramento da partida. Isso também não vai ser resolvido com os cadernos mesclados.</p>
<p>Essa questão dos três cadernos é um tendência recente nos Estados Unidos, onde alguns jornais chegaram ao extremo de cortar algumas edições. Sim, alguns jornais já não põem sua versão impressa para circular em determinados dias da semana. Quanto tempo até essa &#8220;inovação&#8221; chegar por aqui? Será que, quando chegar, eu ainda estarei assinando um jornal?</p>
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		<title>O fim do Jornal da Tarde</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2012 17:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando o Jornal da Tarde &#8212; JT para os íntimos &#8212; passou a fazer parte da minha vida ele já não era mais um vespertino como o nome sugere. A mudança tinha ocorrido fazia pouco tempo. (Parêntese: em sua última edição e no especial de 25 anos, publicado em 1991, é mencionado o mês de abril de 1988 como o da mudança, mas ela já era citada no passado em uma reportagem do Estadão de 5 de janeiro de 1986. Esse &#8220;mistério&#8221; só vai ser solucionado quando &#8212; e se &#8212; o acervo do JT for para a internet. Com&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/11/fim-jornal-da-tarde/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="capa-jt"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/11/19760407-Jornal-da-Tarde.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/11/19760407-Jornal-da-Tarde-255x387.jpg" alt="Capa do Jornal da Tarde em 7 de abril de 1976" title="Capa do Jornal da Tarde em 7 de abril de 1976" width="255" height="387" class="alignright size-thumbnail wp-image-1555" /></a></div>
<p>Quando o <em>Jornal da Tarde</em> &#8212; <em>JT</em> para os íntimos &#8212; passou a fazer parte da minha vida ele já não era mais um vespertino como o nome sugere. A mudança tinha ocorrido fazia pouco tempo. (Parêntese: em sua última edição e no especial de 25 anos, publicado em 1991, é mencionado o mês de abril de 1988 como o da mudança, mas ela já era citada no passado em uma reportagem do <em>Estadão</em> de 5 de janeiro de 1986. Esse &#8220;mistério&#8221; só vai ser solucionado quando &#8212; e se &#8212; o acervo do <em>JT</em> for para a internet. Com o fim do jornal, talvez esse projeto, anunciado pelo <em>Estado</em> no início do ano, mas sem data prevista de implantação, tenha sido cancelado.) Como o <em>Estadão</em>, jornal que assinávamos em casa, não saía às segundas-feiras, meu pai comprava o <em>JT</em> nesse dia e geralmente levava-o quando nos buscava na escola. Muitas vezes li o jornal no trajeto entre o Morumbi, onde estudava, e Santana de Parnaíba, onde morava. Minha lembranças mais antigas disso são de 1988.</p>
<p>No segundo semestre de 1991 o <em>Estadão</em> passou a sair também às segundas-feiras, mas não consigo me lembrar se àquela época meu pai ainda mantinha o hábito de comprar o <em>JT</em> às segundas. A partir daí, por cerca de dois anos e meio, só o reencontrei após títulos do São Paulo, quando corria à banca para comprar todos os jornais. Nessa época, foram várias as vezes em que isso ocorreu, tantas foram as campanhas tricolores que culminaram com a taça sobre a cabeça de Raí. E ainda tenho todos esses jornais, como quem me conhece já suspeitava. Em 1994 voltei a lê-lo regularmente, embora com atraso de um dia, abastecido pelos vizinhos, que guardavam a edição de segunda-feira para mim. Nesse ano eu já estava na faculdade e tinha o costume de todos os dias comprar um jornal na banca, para poder ler durante (!) as aulas. Eu não comprava necessariamente o <em>JT</em>; eu alternava-o com o <em>Diário Popular</em>, a <em>Folha da Tarde</em> e até eventualmente o <em>Notícias Populares</em>, quando alguma manchete bizarra me chamava a atenção. Nenhum desses jornais existe mais. (Eu não comprava o <em>Estadão</em> e a <em>Folha de S. Paulo</em> porque podia ler o primeiro em casa e o segundo na casa das minhas tias-avós, que eu frequentava bastante por ser muito perto da faculdade.)</p>
<p>Quando incluí em minha rotina uma viagem pendular diária de ônibus de cerca de uma hora, de Santana de Parnaíba à Avenida Paulista, decidi assinar um jornal. O escolhido foi o <em>JT</em>, do qual passei a ser assinante lá por outubro de 1999. Embora na época eu não soubesse, o jornal já era bem diferente de seus &#8220;anos de glória&#8221;, até a década de 1980, e não só por ser matutino. Aos poucos, ele foi perdendo sua característica de um design diferente, até irreverente em certos detalhes. Pouco disso havia sobrado em 1999, e menos ainda sobrava a cada mudança sofrida depois. Mas era o jornal que se adaptava melhor ao meu dia a dia: eu conseguia lê-lo praticamente inteiro no percurso até chegar ao escritório onde trabalhava. E, se o visual tinha mudado para pior, o conteúdo tinha sofrido menos transformações. Estava mais sisudo, é certo, mas seu caderno de esportes e sua cobertura local continuavam sendo provavelmente os melhores da cidade. Isso era importante para mim. Ainda é.</p>
<p>Uma das poucas mudanças para melhor nos últimos tempos foi feita em 25 de agosto de 2003: o jornal reviveu a &#8220;Edição de Esportes&#8221;, como passou a ser chamado o caderno de esportes às segundas-feiras. Ele ganhou numeração separada, começando do número 1, e formato tabloide, da mesma maneira como ele era apresentado trinta anos antes. Regularmente ela vinha com mais de quarenta páginas (44 e até 48) e trazia semanalmente o &#8220;Paredão&#8221;, uma entrevista com duas ou três páginas, e a seção que retratava o &#8220;onde anda&#8221; de algum ídolo do passado, sob o título &#8220;Cadê você?&#8221;. Isso sem falar em uma cobertura maior dos jogos. Era a época de seguidos Troféus Ford Aceesp. Tenho todas as edições encadernadas. Ainda hoje tenho tanto prazer ao folheá-las quanto as dos anos 1970 e 1980 (que <em>não</em> tenho em casa).</p>
<p>Nos últimos anos, o que distinguia essa &#8220;Edição de Esportes&#8221; já tinha sumido. O &#8220;Paredão&#8221; e o &#8220;Cadê você?&#8221; tinham acabado (a primeira já em 2005, a segunda no ano seguinte), e até uma seção um pouco mais recente, que trouxe entre 2007 e 2009 fotos para os leitores identificarem sumiu. Participei semanalmente daquela que pedia para identificar um jogo só pela foto e vi meu nome ali todas as semanas, menos duas. Era uma bela diversão, que para mim se perdeu quando passou a trazer apenas fotos de jogadores, mas que ao menos seguia buscando interação. Se fossem apenas as seções sumindo, não haveria muito problema, mas as páginas também tinham minguado. O último caderno de esportes de segunda-feira, em 29 de outubro, trouxe apenas dezesseis páginas. Tudo bem, não tinha havido rodada no domingo, por causa das eleições, mas não deixa de ser simbólico. (A edição de 22 de outubro teve vinte páginas.) Em dezembro de 2010 a edição do campeão brasileiro &#8212; o Fluminense, mas um time paulista estava na briga até a última rodada &#8212; rendeu míseras 24 páginas. Para efeito de comparação, a edição do campeão de 2003, o Cruzeiro, teve o dobro de páginas, e, apesar de haver um clube paulista na &#8220;luta&#8221;, ele tinha pouquíssimas chances.</p>
<p>Vejam bem: não estou comparando com as &#8220;Edições de Esportes&#8221; de 1974, também em formato tabloide, mas de uma época em que o jornal tinha uma importância distinta. Estou comparando com seis anos antes ou menos, quando a internet já estava bastante disseminada. Perdeu-se muito conteúdo em pouco tempo. Sem conteúdo, a importância também diminui. E, sem importância, o fim parece próximo. Havia anos que eu ouvia falar que o <em>JT</em> poderia acabar. Nas últimas semanas, esses rumores intensificaram-se e na segunda-feira foram confirmados. E o fim foi breve: na quarta-feira já saiu a última edição. E nem consegui guardar mais de uma, pois eu estava em Porto Alegre no dia e, quando cheguei a Guarulhos, às três da manhã de quinta, graças a um <a href="http://instagr.am/p/ReJYrnIn5d/">atraso de mais de quatro horas da Avianca</a>, já haviam recolhido as edições, se é que havia sobrado alguma. Fiquei apenas com a minha de assinante.</p>
<p>Por falar na assinatura, eu nunca cheguei a receber um comunicado oficial do fim da minha assinatura; apenas os textos que circularam no jornal na terça e na quarta-feiras. Em um deles, o &#8220;Comunicado importante aos assinantes do <em>Jornal da Tarde</em>&#8220;, uma frase surpreendentemente conformista: &#8220;Caso tenham interesse, uma opção é continuar com a assinatura, passando a receber o <em>Estadão</em>.&#8221; Como assim &#8220;caso tenham interesse&#8221;?! Perderam a chance de fidelizar um público que, apesar do baque, poderia seguir com o <em>Estadão</em>! Bastava avisar que eles seguiriam recebendo o &#8220;irmão mais velho&#8221; e pagariam o mesmo preço da assinatura do <em>JT</em> por, sei lá, um ou dois meses. Depois desse &#8220;caso tenham interesse&#8221;, fiquei surpreso ao ver que na quinta-feira entregaram o <em>Estadão</em> na minha porta. Mas ainda não faço ideia de quanto pagarei por isso. Só sei que essa assinatura custa o dobro da do <em>JT</em> e não estou inclinado a seguir com um jornal que não tenho tempo de ler pela manhã, isso sem falar no minguado caderno de Esportes, que não chega aos pés do do <em>JT</em> nem nos melhores dias do primeiro e piores dias do segundo. Se o &#8220;Jornal do Carro&#8221; vai sobreviver no <em>Estado</em>, por que não dedicar-se também a um caderno de esportes que honrasse a memória do finado e respeitasse seus leitores?</p>
<p>Os leitores, de quem o <em>JT</em> dependia para sobreviver, já que quase não tinha anúncios, não pareciam se importar muito com o jornal. Na seção de cartas da página 2, alguns nomes repetiam-se muitas vezes, como Uriel Villas Boas e Luiz Nusbaum, entre outros. Provavelmente eram dos poucos que mandavam <del datetime="2012-11-02T13:21:54+00:00">cartas</del> emails para a redação. Ter uma carta publicada ali era muito mais fácil que no <em>Estadão</em>, que recebe um volume muito maior. Mandei uns seis ou sete emails para a seção entre 2003 e 2012, e acho que todos foram publicados, inclusive <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/01/carta-jt-texto-nao-meu/" title="Minha carta ao JT tem texto que não é meu">um que teve palavras inseridas pelo próprio editor</a>, algo de que não gostei muito. Deve ter sido justamente para preencher espaço pela falta de leitores escrevendo. E por que não havia muitos leitores escrevendo? Talvez porque a comunicação dificilmente tinha mão dupla. O máximo de interação que se tinha era o blog do jornal (porque era um blog, não um site), onde os leitores podiam comentar, mas nunca vi uma resposta da redação a nenhum comentário, nem aos incisivos nem aos inofensivos. De certo modo, é como se ainda estivéssemos nos anos 1980, mas sem um jornal igual aos daquela época. Quando escrevi um email sobre minhas considerações a respeito do jornal (parte deste texto foi tirada de lá), não consegui sequer descobrir para onde mandá-lo, senão para a seção de cartas e para o responsável pelo caderno de esportes, Luiz Antônio Prósperi, e este só porque seu endereço era listado em sua coluna semanal, senão nem isso. Não tenho a menor ideia se meu email foi lido, pois nunca recebi resposta, e ele tornou-se meu único email com o endereço da seção de cartas que não foi publicado.</p>
<p>Nesse email eu também mencionava a seção &#8220;Há XX anos&#8221;, que fica com os xis no nome, pois mudava quase todos os dias. Era uma ideia boa, mas bastante subutilizada desde o início: a capa que aparecia era minúscula, e, quando muito, era possível ler a manchete principal e uma ou outra manchete adicional. Uma pena, especialmente nas edições dos primeiros trinta anos do jornal, que são de um primor gráfico que se destaca mesmo na época atual. Não sei por qual motivo, havia períodos em que praticamente só se publicava capas de dez anos antes, com raras exceções (uma ou duas por semana), talvez como um apelo à solução mais fácil. Se dessem um jeito de deixar a capa em tamanho maior, o texto que a acompanhava poderia até ser dispensado. À exceção da <em>Última Hora</em>, não há jornal no Brasil que tenha se destacado tanto por seu design quanto o <em>Jornal da Tarde</em>, e perderam por anos a oportunidade de destacar isso ao leitor atual, muitos dos quais não tiveram contato com os jornais da época, a não ser por matérias autolaudatórias em que eram destacadas sempre as mesmas capas do passado.</p>
<p>Não que essas capas &#8220;de sempre&#8221; não devam ser destacadas, pois de fato marcaram não só o jornalismo como muitos leitores. O exemplo mais citado é <a href="http://blogdomariomarinho.blogspot.com.br/2010/07/capa-historica.html" title="Blog do Mário Marinho: 'A capa histórica'">a capa de 6 de julho de 1982</a>, a do menino com a camisa da seleção brasileira chorando a eliminação diante da Itália na Copa do Mundo. Aos quarenta anos, o menino, claro, virou matéria sobre o fim do jornal, <a href="http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2012/10/31/menino-da-tragedia-do-sarria-lamenta-fim-de-jornal-tarde-e-conta-como-foto-historica-marcou-sua-vida.htm" title="Uol Esporte: 'No fim do Jornal da Tarde, menino da tragédia do Sarriá conta como foto histórica marcou sua vida'">publicada no Uol</a> e provavelmente em outros veículos. Mas a de que mais gosto é a de 8 de junho de 1970, com a expressão de um torcedor mudando até culminar em um alegre sorriso pelo gol do Brasil contra a Inglaterra na Copa do Mundo. Nos dois casos, era a cara do <em>JT</em> usar personagens aparentemente alheios ao assunto.</p>
<p>Essa foi uma das características que o jornal perdeu. Em sua última edição ele destacou algumas &#8220;capas que marcaram os 46 anos&#8221;. É quase constrangedor ver como as capas do século 21 são muito menos criativas que as do século anterior. Fiquei com a impressão de que as capas de destaque nos últimos anos são simplesmente aquelas que têm uma foto grande, independentemente se as fotos grandes são marcantes ou não. E, claro, eu não poderia deixar de mencionar a desastrada mudança no logotipo. Por 33 anos após o lançamento do jornal, a fonte de seu logotipo foi a bela Clarendon. Em 1999, ela foi substituída pela Helvetica Ultra Compressed, mais tarde adaptada para outra fonte da família, Helvetica Compressed, um pouco mais &#8220;gordinha&#8221;, mas com o &#8220;r&#8221; de &#8220;jornal&#8221; com um rabicho visivelmente menor que o de &#8220;tarde&#8221;. Apenas sete anos depois, nova mudança, para a Interstate, mesma fonte que passou a ser usada nas manchetes. Pela primeira vez, o nome do jornal ganhou maiúsculas. E seguiu assim até sua morte. Não me parece coincidência que na última edição, para os topos das páginas falando da trajetória do veículo, tenha sido escolhido o logotipo original.</p>
<p>Por falar nessas páginas, o <em>JT</em> não teve direito sequer a um obituário digno. Na página 8A de sua última edição, <a href="http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/para-ficar-na-historia/" title="JT: 'Para ficar na história'">um texto apócrifo</a> nada mais é do que uma versão reduzida, sem os devidos créditos, de outro <a href="http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19860105-34003-nac-0018-999-18-not/" title="O Estado de S. Paulo: 'A revolução na arte de informar'">publicado por José Maria Mayrink no <em>Estadão</em> em 5 de janeiro de 1986</a>. Naquela ocasião, era para comemorar o aniversário de vinte anos do jornal. Mas talvez um obituário &#8220;oficial&#8221; nem fosse tão necessário assim. Vários profissionais que passaram por lá e outros que por ele foram influenciados escreveram em seus blogs a respeito. Seguindo a ordem em que apareceram no meu Google Reader: <a href="http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2012/10/29/jornal-da-tarde-vazia/" title="Mauro Beting: 'Jornal da Tarde vazia'">Mauro Beting</a>, <a href="http://flaviogomes.warmup.com.br/2012/10/jt/" title="Blog do Flávio Gomes: &#039;JT&#039;" class="broken_link">Flávio Gomes</a>, <a href="http://trivela.uol.com.br/blog/menon/o-jt-e-seus-matadores-merecem-aplausos" title="Blog do Menon: &#039;O JT e seus matadores merecem aplausos&#039;" class="broken_link">Luís Augusto Símon</a>, <a href="http://dagomir.blogspot.com.br/2012/10/rip-jt.html" title="Blog do Dagomir Marquezi: 'RIP JT'">Dagomir Marquezi</a>, <a href="http://blogs.estadao.com.br/reclames-do-estadao/2012/10/30/chegou-o-jt/" title="Reclames do Estadão: 'Chegou o JT'">Cley Scholtz</a> (Reclames do Estadão), <a href="http://baptistao.zip.net/arch2012-10-01_2012-10-31.html#2012_10-30_17_18_50-4079780-0" title="Baptistão Caricaturas: &#039;Inverno do JT&#039;" class="broken_link">Eduardo Baptistão</a>, <a href="http://blogdojuca.uol.com.br/2012/10/que-pena-jornal-da-tarde-1966-2012/" title="Blog do Juca: 'Que pena, JT (1966-2012)'">Juca Kfouri</a> (com cartum de <a href="http://www.byguedex.com.br/2012/10/as-maquinas-pararam.html" title="By Guedex: 'Pararam as máquinas'">By Guedex</a>) e <a href="http://jmaquino.blog.terra.com.br/2012/10/31/o-adeus-do-jt/" title="J.M. Aquino: &#039;O adeus do JT&#039;" class="broken_link">José Maria de Aquino</a>, além de <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-morte-de-um-jornal/?autor=42#todos-comentarios" title="Mino Carta: 'A morte de um jornal'">Mino Carta</a>, que não está no meu Google Reader. Isso sem falar em textos como os de <a href="http://quandoacidade.wordpress.com/2012/10/31/teste-de-conhecimento/" title="Quando a cidade era mais gentil: 'Teste de conhecimento'">Martin Jayo</a>, <a href="http://www.evaldonovelini.com.br/?p=3169" title="Evaldo Novelini: &#039;Sobre o fim do JT&#039;" class="broken_link">Evaldo Novelini</a> e <a href="http://futpopclube.com/2012/10/31/obrigado-jornal-da-tarde/" title="Fut Pop Clube: 'Obrigado, "Jornal da Tarde"!'">João Ricardo Lima</a>, além de outros textos não lincados e, vá lá, este aqui. Incluiria ainda o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornal_da_Tarde_(S%C3%A3o_Paulo)" title="Wikipédia: Jornal da Tarde (São Paulo)">verbete sobre o jornal na Wikipédia</a>, boa parte dele escrito por mim.</p>
<p>O <em>JT</em> vai fazer falta.</p>
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		<title>Minha carta ao JT tem texto que não é meu</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 22:47:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cartas]]></category>
		<category><![CDATA[empresas desastradas]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Na seção &#8216;Há 20 Anos&#8217; li que, em 1992, um estudo da USP mostrava que seriam necessários 300 anos para que o ensino público brasileiro se igualasse ao de países desenvolvidos (Opinião, 9/1, pág. 2A). Pois bem, já se passaram 20 anos desde que essa matéria foi publicada e no que avançamos? Tivemos alguma melhora? Eu, realmente, duvido de que as coisas tenham se tornado melhores. Na verdade, imagino até que o ensino público brasileiro tenha regredido, considerando toda a corrupção que assola o nosso país e a falta de compromisso de nossos políticos. Devemos precisar de mais do que&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/01/carta-jt-texto-nao-meu/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Na seção &#8216;Há 20 Anos&#8217; li que, em 1992, um estudo da USP mostrava que seriam necessários 300 anos para que o ensino público brasileiro se igualasse ao de países desenvolvidos (Opinião, 9/1, pág. 2A). Pois bem, já se passaram 20 anos desde que essa matéria foi publicada e no que avançamos? Tivemos alguma melhora? Eu, realmente, duvido de que as coisas tenham se tornado melhores. Na verdade, imagino até que o ensino público brasileiro tenha regredido, considerando toda a corrupção que assola o nosso país e a falta de compromisso de nossos políticos. Devemos precisar de mais do que 300 anos para deixar o ensino público em ordem.&#8221;</p>
<p>A carta acima foi enviada ontem por mim ao <em>Jornal da Tarde</em> — em forma de email, claro — e publicada na edição de hoje. Eu concordo com tudo que está escrito acima. Não, esta última frase não é tão surreal quanto parece, já que o texto em questão foi escrito involuntariamente a quatro mãos. O fato é que eu escrevi menos de 50% dele; o restante foi alguém do jornal que adicionou. O motivo para tal adição eu ignoro. Posso supor que fosse para preencher o espaço, embora isso esteja longe de justificar o fato de colocarem palavras na minha boca.</p>
<p>O rodapé da seção de cartas é claro: &#8220;As cartas poderão ser reduzidas.&#8221; Nenhum problema quanto a isso. Já tive outras cartas publicadas no <em>JT</em> e em outros veículos, e a maioria delas foi reduzida. Mas apenas no <em>JT</em> uma carta minha tinha tido conteúdo <em>adicionado</em> (não me lembro quando, mas sei que já ocorrera uma vez), embora tivesse sido pouca coisa. Desta vez, eu tinha escrito 259 caracteres (e errado o ano!), que foram transformados em 607, já descontado o aposto que indica a matéria a que eu me referia. Veja o meu email original:</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/01/carta-original-jornal-da-tarde.gif" alt="Carta original ao Jornal da Tarde em 2012" title="Carta original ao Jornal da Tarde em 2012" width="640" height="380" class="alignnone size-full wp-image-1371" /></p>
<p>Se compararmos os dois textos, no que foi publicado até a palavra &#8220;regredido&#8221; dá para se dizer que eles simplesmente elaboraram um pouco mais minhas frases. Não mexeram no sentido delas, de fato. Após isso, já não há nada que eu tenha sequer mencionado? Corrupção? Falta de compromisso? Eu não citei os motivos para uma possível regressão. Quem os citou foi o <em>JT</em>, tudo debaixo do meu nome. E de uma maneira simplória, pois há muito mais motivos que apenas a corrupção e a falta de compromisso por parte de nossa classe política. Não que eu discorde do que eles afirmaram em meu nome; apenas acho que é uma afirmação incompleta. E, claro, se vivêssemos em uma ditadura, o jornal teria me jogado debaixo de um ônibus em alta velocidade.</p>
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		<title>A história de Joe Gaetjens</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2011/09/historia-joe-gaetjens/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 20:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há algum tempo peguei finalmente uma Sports Illustrated de meses antes, que estava na minha fila de leitura. Era de março de 2010: na capa, o jogador de hóquei no gelo Sidney Crosby com a camisa do Canadá, ao invés da do Pittsburgh Penguins, comemorando o gol da medalha de ouro nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver, marcado na prorrogação. Mas a melhor reportagem da edição é outra, de oito páginas, sobre a vida e o sumiço do futebolista haitiano Joe Gaetjens, que defendeu a seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Gaetjens tornou-se conhecido&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/09/historia-joe-gaetjens/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algum tempo peguei finalmente uma <em>Sports Illustrated</em> de meses antes, que estava na minha fila de leitura. Era de março de 2010: na capa, o jogador de hóquei no gelo Sidney Crosby com a camisa do Canadá, ao invés da do Pittsburgh Penguins, comemorando o gol da medalha de ouro nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver, marcado na prorrogação. Mas a melhor reportagem da edição é outra, de oito páginas, <a href="http://sportsillustrated.cnn.com/vault/article/magazine/MAG1166756/1/index.htm" class="broken_link">sobre a vida e o sumiço do futebolista haitiano Joe Gaetjens</a>, que defendeu a seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Gaetjens tornou-se conhecido no meio esportivo por ter marcado o gol da vitória dos Estados Unidos contra a Inglaterra na primeira fase, em Belo Horizonte. Esse jogo é considerado uma das maiores zebras da história da competição, pois o time americano era formado por jogadores amadores e pouco experientes, e enfrentava um selecionado que era tido como um dos melhores do mundo.</p>
<p>Além de interessante, a matéria esclarece diversos mitos perpetuados pela história e até pelo filme de 2005 sobre a partida que marcou a carreira de Gaetjens, chamado no Brasil de <em>Duelo de Campeões</em> (em inglês, <em>The Game of Their Lives</em>). Um deles: Gaetjens não era negro, mas, sim, terceira geração de descendentes de alemães — seu bisavô fora ao Haiti para ser representante comercial do rei da Prússia no século XIX. Já algumas dúvidas nunca foram esclarecidas, como quando e como ele morreu. O texto trata as versões como <em>teledjòl</em>, ou &#8220;rumores&#8221; em crioulo, e não tenta impor uma delas. É uma excelente narrativa mesmo para quem já conhece o final.</p>
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		<title>A nova cara da Placar</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2011/07/nova-cara-placar/</link>
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		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 21:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Em janeiro de 2006 Placar mudou seu projeto gráfico. Na ocasião, o diretor de Redação da revista, Sérgio Xavier Filho, falou sobre a mudança na carta ao leitor e citou o clichê em que se tornou falar disso. Foi também a ocasião em que o logotipo da revista, desenhado por Roger Black onze anos antes, foi alterado para levar a Bola de Prata, prêmiação anual distribuída pela revista durante o Campeonato Brasileiro. (Discordo dessa alteração, que descaracterizou o logo, mas este artigo não é para tratar disso.) Depois disso, uma nova e razoavelmente precoce mudança ocorreria em fevereiro de 2007.&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/07/nova-cara-placar/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em janeiro de 2006 <em>Placar</em> mudou seu projeto gráfico. Na ocasião, o diretor de Redação da revista, Sérgio Xavier Filho, falou sobre a mudança na carta ao leitor e citou o clichê em que se tornou falar disso. Foi também a ocasião em que o logotipo da revista, desenhado por Roger Black onze anos antes, foi alterado para levar a Bola de Prata, prêmiação anual distribuída pela revista durante o Campeonato Brasileiro. (Discordo dessa alteração, que descaracterizou o logo, mas este artigo não é para tratar disso.) Depois disso, uma nova e razoavelmente precoce mudança ocorreria em fevereiro de 2007. Na reforma de janeiro de 2006 a fonte principal fora mantida — versões mais pesadas da <a href="http://new.myfonts.com/fonts/emigre/solex/" class="broken_link">família Solex</a> —, mas na nova reforma, ela foi sacrificada. Desta vez, nenhuma menção no editorial. <a href="http://placar.wordpress.com/2007/01/26/primeira-folheada-fevereiro-de-2007/">Na época</a>, elogiei o fato de o <em>layout</em> ficar mais limpo, mas critiquei a fonte principal utilizada, a <a href="http://www.houseind.com/fonts/unitedcollection">família United</a>, da House Industries. O curioso é que eu mudei de ideia em relação à família tipográfica, e não demorou muito. Foi só perceber o quão versátil ela é, e a <em>Placar</em> foi importante nisso, porque seu pessoal de Arte soube explorá-la com eficiência.</p>
<p>Ao contrário da reforma de fevereiro de 2007, a reforma seguinte demorou. Enquanto ela não vinha, fiquei imaginando se a família United seria mantida. A edição de julho de 2011 trouxe a resposta: sim, a United foi mantida. Na verdade, seu uso foi até expandido: agora é a única família de fontes usada na revista, uma aposta ousada. Com isso, a versão regular com serifas dela passou a ser usada inclusive no corpo dos textos. Minha primeira impressão disso não foi das melhores, assim como já havia ocorrido com o uso da fonte em títulos e outros elementos gráficos. O problema que vejo é que, além de a United ser bastante angulosa, a versão com serifas é do tipo <em>slab serif</em>. Nesse último quesito, o uso de <em>slab serifs</em> em corpo de textos está longe de ser uma novidade. O <em>Jornal da Tarde</em> já usava uma das famílias mais antigas desse estilo, a Clarendon, nos anos 1970, com sucesso, mas a Clarendon é &#8220;redondinha&#8221; e aproxima-se muito mais das fontes serifadas normalmente usadas em revistas. <em>Placar</em> seguiu o mesmo caminho trilhado pela <em>Revista ESPN</em>, que, por sua vez, importou a mesma fonte para corpo de texto que sua versão norte-americana. Vale lembrar que a United já era usada por <em>Placar</em> no corpo do texto de alguns boxes.</p>
<p>Corpo de texto à parte, a reforma visual manteve boa parte do que funcionava no design anterior. Os pontilhados que serviam como &#8220;fios&#8221; em seções como &#8220;Aquecimento&#8221; e &#8220;O Mundo É uma Bola&#8221; foram mantidos, mas agora em menor número, apenas horizontalmente e sem chegar às bordas das páginas. Ficou mais limpo, embora antes não estivesse ruim. Já que algumas mudanças eram necessárias, acho bom que mantenham uma unidade visual razoável com o <em>layout</em> anterior. Os início de algumas matérias, especialmente nos textos de uma página, como colunas, ganharam um corpo maior, tendência cada vez mais utilizada em revistas. Funciona quando o texto em corpo maior coincide com um parágrafo, mas, por exemplo, na (dispensável) coluna de Milton Neves isso não ocorre, o que dá um aspecto estranho à página.</p>
<p>Nas entrevistas, as perguntas são apresentadas em uma versão mais pesada da fonte e em parágrafos não-justificadas, fazendo um bom contraste com as respostas, justificadas e na mesma versão regular da fonte usada no corpo dos outros textos. Mas nas perguntas é vetada a hifenização, o que vira um problema quando isso gera linhas muito curtas, provocando um &#8220;buraco&#8221; na página. Isso ocorreu em uma das perguntas da entrevista com o Robinho, na página 94. De início, pensei que fosse o uso do recurso &#8220;Balance ragged lines&#8221;, do InDesign, mas a quinta pergunta da página 92 mostra que não é esse o caso. As fotos que ilustram as entrevistas também comprovam que o padrão agora é manter uma margem fixa nas páginas, funcionando como uma &#8220;borda branca&#8221;, mesmo recurso que tem sido brilhantemente usado na revista <em>Época</em>, da concorrente Editora Globo. Com o <em>layout</em> mais &#8220;limpo&#8221; em <em>Placar</em>, parece estar funcionando. Felizmente, as fotos que ocupam todo o espaço da página não foram abolidas totalmente, como na abertura das matérias.</p>
<p>No fim das contas, foi uma reforma gráfica positiva. Por ter sido razoavelmente simples, mantendo boa parte do <em>layout</em> anterior, é possível que a próxima reforma não esteja tão longe. Eu espero que esteja, pois gostei do resultado atual.</p>
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		<title>A revista Sãopaulo não fala de São Paulo</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2011/06/revista-saopaulo-nao-fala-sao-paulo/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Jun 2011 17:09:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Folha de S. Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Sãopaulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Como tenho feito em quase todas as semanas desde a primeira edição, comprei a revista Sãopaulo — ou, mais precisamente, comprei a Folha de S. Paulo de domingo, que vem com a revista encartada. E, como tem sido quase a regra, fiquei decepcionado. A revista deveria tratar da cidade. Falar de seus problemas, das pessoas que a constróem, da sua história, de seus projetos, de suas ideias. Em vez disso, faz reportagens que citam São Paulo apenas genericamente. A capa da edição de domingo passado é um perfeito exemplo disso: &#8220;Enomania — De R$ 23 a R$ 100, um guia&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/06/revista-saopaulo-nao-fala-sao-paulo/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como tenho feito em quase todas as semanas desde a primeira edição, comprei a revista <em>Sãopaulo</em> — ou, mais precisamente, comprei a <em>Folha de S. Paulo</em> de domingo, que vem com a revista encartada. E, como tem sido quase a regra, fiquei decepcionado. A revista deveria tratar da cidade. Falar de seus problemas, das pessoas que a constróem, da sua história, de seus projetos, de suas ideias. Em vez disso, faz reportagens que citam São Paulo apenas genericamente. A capa da edição de domingo passado é um perfeito exemplo disso: &#8220;Enomania — De R$ 23 a R$ 100, um guia para descobrir qual vinho tem o seu estilo&#8221;. E isso tem a ver com São Paulo porque…? Bem, não tem.</p>
<p>As duas páginas de abertura da respectiva matéria ainda tentam encaixar a cidade, com uma foto do <em>skyline</em> do centro, estragada pela silhoueta negativa de uma garrafa de vinho, e o título &#8220;Cidade engarrafada&#8221;, mas tudo parece apenas um artifício para justificar a reportagem, cujo objetivo confesso é &#8220;dissolver a pompa que ainda cerca a bebida&#8221;. Não sei avaliar, e nem pretendo, se a matéria é boa ou ruim, mas está na cara que ela teria lugar num suplemento sobre comidas e bebidas, na Ilustrada ou até no Cotidiano. Na <em>Sãopaulo</em> simplesmente não se justifica.</p>
<p>A edição da semana passada também lista 12 das 51 capas já publicadas, o que só serve para comprovar a minha tese. Nas oito primeiras há assuntos que não me interessam, mas que se encaixam perfeitamente em uma revista do tipo. Já as quatro últimas são fúteis e com nada ou muito pouco a ver com a cidade. A saber:</p>
<ul>
<li>Na edição 37, de fevereiro, &#8220;estudantes mostram como se vestem para ir à escola&#8221;. Hein? Essa moda tem a ver com a cidade? Claro que não!</li>
<li>Na edição 40, de março, &#8220;o design democrático de Fernando Jaeger é tema de perfil&#8221;. Quem sou eu para determinar se um design é bom ou ruim? Mas, sendo bom ou sendo ruim, o que ele fala de São Paulo?</li>
<li>Na edição 42, de abril, &#8220;chefs de cozinha revelam as receitas que preparam em casa&#8221;. Além do fato de a casa de cada um deles ficar em São Paulo, que raios isso mostra do dia a dia da cidade?</li>
<li>Na edição 50, de maio, &#8220;especial verde indica soluções para mudar o seu mundo&#8221;. O especial é composto de diversas reportagens &#8220;ecológicas&#8221; que ocupam 21 páginas, mas apenas seis delas tratam especificamente da cidade, mais dois terços de outra página. Mesmo que encaixemos as três páginas sobre sacolas plásticas, uma polêmica que promete mexer com São Paulo daqui a alguns meses, ainda assim não temos metade do especial falando sobre o que deveria ser o tema principal da revista.</li>
</ul>
<p>Se compararmos as reportagens de capa acima, selecionadas pela própria equipe que faz a revista, com algumas das primeiras capas, é de entristecer. A número 1 trouxe fotografias inéditas da construção da Linha 4 do Metrô. O número 7 falou do dia a dia de uma penitenciária feminina paulista (matéria que não me interessa nem um pouco, mas que tem a ver com o que a revista deveria abordar). O número 12 trouxe talvez a melhor reportagem de capa da ainda curta história da <em>Sãopaulo</em>, falando sobre lojas fundadas no início do século passado e que ainda persistem. Mesmo recentemente houve alguns bons exemplos, como a matéria sobre os flanelinhas publicada em março e a sobre vagas de estacionamento publicada em abril. Foram reportagens que se aprofundaram em problemas reais da cidade.</p>
<p>A revista ainda está devendo reportagens sobre a história de São Paulo, algo que tem sido muito bem abordado pela mensal <em>Época São Paulo</em>, revista que também tem tido seus maus momentos. Já a <em>Veja São Paulo</em> parece estar se recuperando de um passado recente em que matérias sobre &#8220;o dentista das celebridades&#8221; e afins quase dominaram as pautas de capa, mas ainda está longe do que foi principalmente nos anos 1980, quando a cidade estava estampada em suas páginas.</p>
<p>Nas páginas de <em>Sãopaulo</em>, definitivamente, São Paulo ainda não está estampada. Por muitas vezes, a impressão que tenho é de folhear a finada <em>Revista da Folha</em>, que muito raramente tinha algo interessante (como uma reportagem sobre o Edifício São Vito publicada em 2002) e um ano atrás deu lugar à <em>Sãopaulo</em>. Sem dúvida, a versão atual é melhor, mas ainda tem muito o que evoluir.</p>
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		<title>Entrevista com Juca Kfouri</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jun 2011 00:33:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Juca Kfouri]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Cerca de três anos e meio atrás eu decidi entrevistar o jornalista Juca Kfouri para conhecer mais da história da Placar, a fim de enriquecer o verbete sobre a revista na Wikipédia. Marquei com ele por email e fui à CBN, onde ele todas as noites durante a semana fazia o programa CBN Esporte Clube. Na data marcada cheguei lá, e ele atrasou-se. Quando me viu, já imaginou quem eu era, me pediu desculpas por mais de uma vez pelo atraso, causado por problemas particulares, e disse que eu poderia marcar a data que eu quisesse na semana seguinte para&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/06/entrevista-juca-kfouri/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cerca de três anos e meio atrás eu decidi entrevistar o jornalista Juca Kfouri para conhecer mais da história da <em>Placar</em>, a fim de enriquecer <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Placar">o verbete sobre a revista na Wikipédia</a>. Marquei com ele por email e fui à CBN, onde ele todas as noites durante a semana fazia o programa CBN Esporte Clube. Na data marcada cheguei lá, e ele atrasou-se. Quando me viu, já imaginou quem eu era, me pediu desculpas por mais de uma vez pelo atraso, causado por problemas particulares, e disse que eu poderia marcar a data que eu quisesse na semana seguinte para fazermos a entrevista.</p>
<p>Dito e feito. Ao invés de levar um gravador, usei minha câmera para filmar a entrevista, que foi praticamente toda focada na <em>Placar</em>. Gostei tanto do resultado que depois pedi autorização a ele para colocar alguns trechos da entrevista no YouTube, com o que ele concordou. Depois diagramei a transcrição da entrevista e coloquei o PDF no ar, com um link bem obscuro para ele. Foi a partir desse esforço que decidi escrever um livro sobre a história da revista, iniciativa que abortei quando <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/uma-historia-que-merecia-ser-contada/">descobri que isso já tinha sido feito</a>, e benfeito, por outrem. Hoje decidi colocar a entrevista aqui, pois a <em>Placar</em> é um tema que já apareceu por aqui antes, e pretendo que volte a aparecer. Eu só queria ter uma foto melhor para ilustrar, mas a foto que bati dele apresentando o CBN Esporte Clube daquele dia saiu desfocada.</p>
<p><strong>Como você foi parar em <em>Placar</em>?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=gwxmcAhhVFo">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Eu fazia Ciências Sociais. Não tinha a menor intenção de ser jornalista. Na verdade, tinha me alistado como voluntário pro CPOR para ir aprender a dar tiro, porque eu era de uma organização clandestina de esquerda, de combate à ditadura, e um belo dia um amigo meu, que trabalhava no DEDOC (Departamento de Documentação e Pesquisas Jornalísticas da Editora Abril), me disse: &#8220;Estão procurando um cara para atender um projeto de uma revista semanal esportiva da Abril, o Projeto Alfa. E eu indiquei você.&#8221; Eu queria ter o meu próprio &#8220;aparelho&#8221;, porque uma coisa que me constrangia era o fato de ter uma atividade clandestina perigosa e de alguma maneira submeter meus pais e meus irmãos aos riscos que eu corria. Aí fui lá ser entrevistado pela alta cúpula da <em>Placar</em>, que já era um bando de jornalistas renomados: Woile Guimarães, Maurício Azêdo, Cláudio de Souza&#8230; Me entrevistaram, aparentemente gostaram e me mandaram fazer os testes psicotécnicos. Eu fiz e passei. Disseram: &#8220;Tá legal, vamos te contratar.&#8221; Eu tinha que me livrar do exército. Foi uma dificuldade, mas, para resumir, me livrei e comecei a trabalhar no DEDOC, atendendo <em>Placar</em>. Assim fiquei durante quatro anos, até terminar a faculdade, em 1974. Quando terminei a faculdade, já como gerente do DEDOC, ia começar a fazer pós-graduação, e o diretor da <em>Placar</em> então, o Jairo Régis, me chamou e me convidou para assumir a chefia de reportagem da revista. &#8220;Você está maluco. Eu nunca fui repórter.&#8221; &#8220;<em>Placar</em> precisa de um cara organizado, <em>Placar</em> precisa de um cara que pense grande, e chegamos à conclusão que é você.&#8221; Eu seguia na minha ideia de fazer carreira universitária. Mas tive que decidir, porque não daria para conciliar a vida de <em>Placar</em> com a pós-graduação. Eu já estava no primeiro semestre, mas resolvi que iria mesmo trilhar o caminho do jornalismo. Assumi a chefia de reportagem da <em>Placar</em> e, cinco anos depois, era diretor da revista. Foi assim que <em>Placar</em> caiu na minha vida. Eu sempre digo que, durante muitos anos, <em>Placar</em> era o meu filho mais velho. Talvez o grande equívoco que eu tenha cometido dentro da Editora Abril tenha sido o de achar que <em>Placar</em> era minha, e não da Abril. Tanto que, quando me pediram para tirar o pé do acelerador em relação à crítica que a revista fazia, por causa dos interesses de compra de direitos pela TVA, eu caí do 15.º andar.</p>
<p><strong>Isso já na época em que você saiu.</strong><br />
Isso, 25 anos depois de ter entrado. Porque a vida inteira a revista era minha. A Abril nunca tinha feito nenhuma interferência na linha da revista. A revista era exatamente aquilo que eu queria fazer, era como se fosse minha.</p>
<p><strong>Como foi na época em que você estava na <em>Playboy</em> e ainda comandando a <em>Placar</em>, de longe?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=DTZRm_RZJxI">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Não só de longe, mas a <em>Placar</em> já era mensal e era uma revista temática. Muito mais fazia o Sérgio Martins e tal do que eu. Eu dava uma supervisionada. Quando fui para a <em>Playboy</em>, eu me joguei de cabeça na <em>Playboy</em>.</p>
<p><strong>Quando eu conversei com o Celso Unzelte, ele falou que naquela época ficavam ele, o PVC até altas horas lá e…</strong><br />
…mal viviam. Foi mais do que isso. Eu assumi a direção editorial do grupo masculino.</p>
<p><strong>Foi quando a Abril enjeitou a <em>Placar</em>.</strong><br />
Isso, porque terminou a Copa de 1990, com aquele fracasso…</p>
<p><strong>Se o Brasil tivesse ganhado, a <em>Placar</em> continuaria semanal?</strong><br />
Provavelmente continuaria. Aquele ano foi terrível, porque o campeão paulista foi o Bragantino. No Campeonato Carioca, o Vasco e o Botafogo deram a volta olímpica — o título foi decidido mesmo no tapetão, quinze dias depois. Uma das coisas que lavavam a égua da <em>Placar</em> era final de campeonato estadual. Você tinha o campeão carioca, o campeão paulista, o pôster e tal. Foi um fracasso. A Copa foi o que foi. Aí acharam que deviam parar com o futebol. E inventaram aquela bobagem da revista <em>Ação</em>, que eu até fiz, porque mandaram, mas não botava a menor fé. E a <em>Placar</em> só não desapareceu de vez porque me deu um estalo e eu falei: &#8220;Escuta, não temos que manter esse nome? Então vamos aproveitar e fazer os 50 anos do Pelé?&#8221; &#8220;Legal. Faz. Mas faz com frila, não inventa moda.&#8221; Foi um puta sucesso, esgotou, ganhou Prêmio Esso. Para o ano seguinte, eu falei: &#8220;Vamos manter uma linha de revistas temáticas, com uma redação com quatro, cinco pessoas?&#8221; &#8220;Vamos, mas sem periodicidade, tá legal?&#8221; &#8220;Tá legal.&#8221; Só que eles não perceberam que eu propus doze revistas naquele ano. Toparam. Fizemos as doze. Ninguém dizia &#8220;<em>Placar</em>, a revista mensal de futebol da Editora Abril&#8221;, mas o fato é que ela era mensal. E passou a viver no azul. Pequeno, mas não dava prejuízo. E foi se mantendo. Até que em 1994 o Brasil ganhou a Copa, e aí eu consegui encaixar o projeto da nova <em>Placar</em>, revista de &#8220;futebol, sexo e rock &#8216;n roll&#8221;.</p>
<p><strong>Era isso mesmo que você queria fazer?</strong><br />
Era. Esta é uma injustiça que cometem contra os que permaneceram em <em>Placar</em> e que sempre eu quero esclarecer. Dizem: &#8220;Pô, o Juca saiu porque não concordou com…&#8221; Não é verdade. Quem propôs a revista &#8220;futebol, sexo e rock &#8216;n roll&#8221; fui eu.</p>
<p><strong>O que eu pergunto é o seguinte: você propôs isso porque você sabia que isso ia ser aprovado ou você propôs isso porque realmente você queria?</strong><br />
Eu queria uma revista de futebol. Um dia, o Roberto Civita me perguntou: &#8220;Você acha que é missão da Editora Abril ter uma revista de futebol?&#8221; Eu falei: &#8220;Não, acho que não.&#8221; &#8220;Mas é a sua, né?&#8221; Eu falei: &#8220;É, minha é.&#8221; Eu acho um absurdo que um país como o Brasil não tenha uma revista de futebol. Eu achava que isso tornaria o projeto mais palatável. São dois os grandes problemas do futebol brasileiro. O primeiro: são raríssimos na história do Brasil os presidentes da República que se interessam por futebol, que entendem de futebol, que conhecem futebol. O Lula é uma exceção. Até outro dia eu falei: &#8220;Talvez seja até melhor que não goste, já que ele está fazendo tanta bobagem nessa área, que vai ver é pior gostando.&#8221; Você conversava com Fernando Henrique, com Itamar Franco, com Sarney sobre futebol… <em>[Faz olhar perdido, bate com as mãos em sinal de "nada".]</em> Não sabiam nada. O outro é que os grandes patrões da indústria de comunicação também ligam muito pouco para futebol. Então, meu argumento era o seguinte: a garotada brasileira de novo tem ídolos, vencedores. Acabou o trauma, a depressão de 1982, da Seleção que não ganha. Hoje tem o Romário, tem o Bebeto, tem não sei o quê. Era visível nas ruas: crianças, meninas inclusive, indo para a escola com camisas de clubes. Então não pode ser uma revista só de futebol. Vamos fazer uma revista voltada para o público jovem, vamos brincar de música, a revista tem de ser uma árvore de Natal, tem que ter presente, tem que ter games e cards… E a revista foi lançada. A primeira edição vendeu 350 mil exemplares, com o Edmundo, &#8220;O animal precisa de carinho&#8221;. E foi um puta sucesso. Como projeto editorial, era uma coisa absolutamente inovadora no Brasil, nem tanto por mérito meu. Nós trouxemos dos Estados Unidos o Roger Black, um dos melhores diretores de arte do mundo, que se encantou com a revista e com o projeto e se dedicou 48 horas por dia até o lançamento. Mas a revista não deixava de ter sua pegada, e foi aí, no terceiro mês, que deu o problema. Foi uma situação absolutamente inusitada, porque a revista era um sucesso, estava sendo comentadíssima, ganhou prêmio de design e o diabo a quatro, e o seu diretor foi embora, porque havia um encarte, &#8220;Dossiê Placar&#8221;, alguma coisa assim, e deu merda. Pediram para parar.</p>
<p><strong>Em 1972, houve outro encarte, em papel jornal, com o Tabelão e a rodada do fim de semana. Você ainda não era o diretor de redação, mas sabe por que começou?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=flSzrVSnSjU">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Era uma maneira de baratear. O problema é o seguinte: <em>Placar</em> a vida inteira deu prejuízo. São raros os anos em que <em>Placar</em> deu lucro. Eu, por exemplo, saí de <em>Placar</em>, em 1978, e fui para a TV Tupi. Passei três meses lá. Eles não pagavam o salário, pedimos demissão coletiva um dia às sete horas da noite e fomos a um boteco, umas quarenta pessoas, a equipe toda do jornalismo da Tupi, encher a cara. Fui dormir lá pelas cinco horas da manhã. Às dez horas da manhã, eu estava dormindo, e, como na minha casa não tinha telefone, meu pai bateu na porta, para me acordar. Minha mulher tinha ido trabalhar. &#8220;O que é, pai?&#8221; &#8220;A Sofia, secretária do Jairo Régis, ligou para você lá em casa. O Jairo está perguntando por que você não foi trabalhar.&#8221; Eu falei: &#8220;Pai, você está maluco? Eu não trabalho mais na Abril!&#8221; &#8220;Eu também não entendi nada, filho, mas o fato é que a Sofia pediu que eu viesse aqui à sua casa, que o Jairo quer falar com você.&#8221; Eu levantei, tomei banho, fui para a casa do meu pai e telefonei. &#8220;O que é?&#8221; &#8220;O que é o quê? São duas horas da tarde. Você não vem trabalhar?&#8221; Falei: &#8220;O que é isso, Jairo? É um convite?&#8221; &#8220;Não, é uma intimação. Tem lugar para você aqui, pô. Vem para cá.&#8221; E imediatamente eu voltei a trabalhar lá. Como editor de projetos especiais, que é uma dessas coisas que inventam para dar emprego. Me encomendaram fazer a coleção, a primeira dos grandes clubes brasileiros, que salvou <em>Placar</em> naquele ano e foi um baita de um sucesso. <em>Placar</em> fechou no azul por causa daquela coleção. Mas <em>Placar</em>, em regra, dava prejuízo. Foi um sucesso durante a Copa de 1970 e, terminada a Copa, passou a vender 35 mil exemplares.</p>
<p><strong>Qual era a tiragem nessa época?</strong><br />
Durante a Copa, vendia mais de cem mil. Depois da Copa, começou a vender 35, 40 e fechava.</p>
<p><strong>E tirava quanto?</strong><br />
Tirava os mesmos 110 mil, 115 mil. Então, sempre houve dificuldades, e por isso ela mudou de cara, de forma de fazer, com capa, sem capa, até morrer, até ser desativada como revista semanal. Teve aquele tempo da <em>Placar Mais</em>, <em>Placar Todos os Esportes</em>, tentou-se de tudo. De tudo. E para mim é muito claro: não haverá uma revista forte de futebol no Brasil enquanto o futebol do Brasil não for um futebol organizado.</p>
<p><strong>Ao menos não numa editora como a Abril.</strong><br />
Mas aí é que está: nenhuma outra tem condições de fazer como a Abril tem. Ninguém distribui revista pelo Brasil afora como a Abril.</p>
<p><strong>A minha opinião de uma revista semanal é que teria que ser local. Fazer uma revista só para São Paulo, por exemplo.</strong><br />
Mas, de certa forma, a gente fazia. Porque tinha uma capa para São Paulo, tinha uma capa para o Rio, tinha uma capa para o Rio Grande do Sul, tinha uma capa para Minas.</p>
<p><strong>Mas vocês tinham que distribuir também no Ceará, no Amazonas…</strong><br />
Sim, mas aí era residual. Não é aí que você vende revista, entendeu? Nem a <em>Veja</em>. Se a <em>Veja</em> não fosse para lá, não faria a menor falta, do ponto de vista econômico. O problema é que é difícil, nessa bagunça que é o nosso futebol, manter viva uma revista semanal. Eu confesso que hoje tenho certa curiosidade para saber o que aconteceria com esse campeonato de pontos corridos, com menos futebol no meio de semana. O meu sonho sempre foi esse: falar da rodada que passou, poder apresentar direito a rodada seguinte e não morrer no segundo dia. O problema era esse. Você saía na terça-feira dizendo &#8220;Corinthians arrasador&#8221;, porque meteu 5 a 0 no Palmeiras no domingo, e na quarta-feira perdia para a Esportiva de Guaratinguetá. E a revista tinha 24 horas.</p>
<p><strong>E hoje o pessoal para guardar isso tem que guardar o <em>Lance</em>, que é jornal e não é a mesma coisa.</strong><br />
Pois é. Mas também não se iluda com relação a uma questão: você olha para o <em>Lance</em> com um olhar de adulto; você olhava para a <em>Placar</em> com olhar de criança e olhar de adolescente. Provavelmente, a criança e o adolescente que compram o <em>Lance</em> têm com o <em>Lance</em> o vínculo que você tinha com a <em>Placar</em>. É assim que funciona. A relação que temos com o futebol quando criança é uma coisa que precisamos preservar. Eu tive uma discussão com o Clóvis Rossi na Copa de 1998. Ele estava indignado com a qualidade da Copa e brigou comigo porque eu escrevi que Brasil × Holanda tinha sido uma prorrogação extraordinária. &#8220;Não admito que você, que viu a Copa de 1970, diga um troço desses.&#8221; Falei: &#8220;Está bem. Vamos ver juntos a Copa de 1970 com o olhar de hoje?&#8221; Será que o Pelé chutava a bola 40 metros por cima do travessão? &#8220;Não!&#8221; Chutava… O Rivellino errava passe? Errava! Quando a gente fala assim: &#8220;Ah, o Corinthians nunca teve um time tão ruim quanto esse.&#8221; Teve sim! Teve piores. O &#8220;Faz-me Rir&#8221; é dos tempos dourados do futebol brasileiro. Não é da fase de exportação de jogador. Se você perde essa dimensão, aí você fica mal-humorado.</p>
<p><strong>Também tem outra coisa: se você comparar o Corinthians de hoje com o melhor time brasileiro hoje, seja qual for, a distância é muito menor do que se você comparar o &#8220;Faz-me Rir&#8221; com o…</strong><br />
…o Santos do Pelé. Sem dúvida.</p>
<p><strong>Sobre a &#8220;revista de 24 horas&#8221;, a Kicker alemã não é mais semanal. Ela sai às segundas e às quintas, resumindo a rodada anterior, inclusive a terceira divisão, e apresentando a rodada seguinte, em preto e branco, não sei a qualidade do papel.</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=epryuev4OUY">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Deve ser papel jornal. Cospe da máquina. Uma das bem-sucedidas experiências que <em>Placar</em> fez foi exatamente na Copa de 1994, quando a gente fazia uma revista após cada jogo do Brasil.</p>
<p><strong>Em papel vagabundo…</strong><br />
Em papel vagabundo, mas já <em>full-color</em>, com foto digital. Só o <a href="http://www.pedromartinelli.com.br">Pedrão Martinelli</a> <em>[fotógrafo de </em>Placar<em> à época]</em> conseguiu transmitir aquele troço <em>[os arquivos das fotografias]</em>. E foi um sucesso. A primeira não vendeu nada, a segunda um pouquinho, a terceira um pouco mais, a quarta já satisfatoriamente, a quinta revista foi um sucesso… Na final, com o Brasil campeão, vendeu quinhentos mil. Foi um puta de um sucesso. Nunca ninguém tinha feito. Qual era o compromisso? Chegar junto com o jornal à banca? Mas isso não é, como princípio, a filosofia de uma revista. A revista não foi feita pra concorrer com o jornal. Mas, pelas particularidades nacionais, por mexer com a emoção… O fato é o seguinte: a <em>Guerin Sportivo</em> <em>[revista italiana de esportes]</em> deixou de ser o que era, a <em>El Gráfico</em> <em>[revista argentina de esportes fundada em 1919 e que foi semanal até 2002, passando então a ser mensal]</em> deixou de ser o que era…</p>
<p><strong>E os escudinhos de botão? Entraram e saíram da revista três ou quatro vezes.</strong><br />
Quando saía, a molecada enchia o saco até conseguir fazer voltar. Aquilo era uma coisa bem-sucedida. Mas tinha que parar de vez em quando, porque esgotava. Era um pouco deliberado. Deixávamos a molecada começar a chiar e aí os escudinhos voltavam. Era um pouco uma brincadeira interna.</p>
<p><strong>E o Tabelão, quando deixou de ser publicado, em 1985?</strong><br />
Ele não se aguentava mais financeiramente, porque era muito caro fazer o Tabelão. Mas todos nós sabíamos que era um pecado. São coisas que marcam a história da revista. Quando você tem que tirar, é como aleijar, como perder uma característica da sua personalidade. Mas era sempre por ditames econômico-financeiros.</p>
<p><strong>E a época da <em>Placar Mais</em>? Foi algo preventivo ou reação a alguma coisa?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=6Dwt_Zb3rEs">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Não, ali foi para não fechar. Vamos fazer bem baratinha, a um real.</p>
<p><strong>E ela deu certo no começo?</strong><br />
No começo, ela foi a revista que mais vendia na Abril. A revista ficou a um real <em>[na verdade, a um preço bem baixo na moeda da época, o cruzado, que sofreu alta inflação ao longo das semanas]</em> um tempão, vendia feito água. Só que havia uma curva, e a partir de certo ponto ela se tornava antieconômica. Então tínhamos que segurar a tiragem, porque a partir de um determinado momento, quanto mais ela vendia, pior era o prejuízo. É delicado. Porque ela não vendia publicidade. Nunca vendeu. Nunca foi um bom veículo.</p>
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