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	<title>Pseudopapel &#187; Jornal da Tarde</title>
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		<title>Os cadernos do Estadão</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Apr 2013 19:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>
		<category><![CDATA[O Estado de S. Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de ler um comunicado interno do Estadão, publicado pelo Blue Bus, anunciando mudanças a partir do próximo dia 22. &#8221; O jornal adotará a configuraçao de três cadernos, mais um suplemento&#8221;, escreveu Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do jornal. Note que são citados três cadernos por dia, além de um suplemento. E quais seriam esses três cadernos? &#8220;O primeiro caderno terá as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorpora comportamento digital e literatura.&#8221; Ou seja, o&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/04/estadao-cadernos/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de ler um comunicado interno do <em>Estadão</em>, <a href="http://www.bluebus.com.br/1-novo-estadao-aqui-a-integra-do-comunicado-interno-de-ricardo-gandour/" title="Blue Bus: '1 novo Estadao, aqui a integra do comunicado interno de Ricardo Gandour'">publicado pelo <em>Blue Bus</em></a>, anunciando mudanças a partir do próximo dia 22. &#8221; O jornal adotará a configuraçao de três cadernos, mais um suplemento&#8221;, escreveu Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do jornal. Note que são citados três cadernos por dia, além de um suplemento. E quais seriam esses três cadernos? &#8220;O primeiro caderno terá as editorias Política, Internacional, Metrópole (incluindo os temas da atual Vida) e Esportes. O segundo caderno trará Economia, Negócios e Tecnologia. O Caderno 2 amplia a cobertura de entretenimento e incorpora comportamento digital e literatura.&#8221;</p>
<p>Ou seja, o <em>Estadão</em> vai retroceder mais de vinte anos. Para quem não se lembra, não era nascido ou simplesmente não se importava, até 1991, o noticiário era concentrado em um ou dois cadernos. Até os anos 1980, a divisão entre os assuntos nem era lá muito clara, mas essa época eu não peguei (como leitor). O que peguei foi a época de poucos cadernos, o que fazia com que o caderno &#8220;Cidades&#8221; (atual &#8220;Metrópole&#8221;) fosse sempre fundido com o &#8220;Esportes&#8221;, a não ser aos domingos e às segundas-feiras. Assim, eu tinha de dividir o jornal com a minha mãe, que queria ler &#8220;Cidades&#8221;, enquanto eu queria ler &#8220;Esportes&#8221;. Adivinhe quem tinha a preferência? Em vez de poder levar o jornal comigo para a escola, às vezes, eu não podia nem lê-lo de manhã. Não creio que fosse só comigo que isso ocorresse.</p>
<p>Quando os dois cadernos passaram a ser separados &#8212; a não ser em épocas como pouca cobertura esportiva, como em fins de ano, quando eles voltavam a se fundir por alguns dias &#8211;, resolveu esse problema. E isso, pelo visto, vai durar até abril de 2013. Já não divido mais o jornal com minha mãe, mas divido-o com minha esposa. E o &#8220;Metrópole&#8221; é sua leitura preferida do jornal. Não poderemos mais ler o jornal juntos na mesa do café da manhã.</p>
<p>O <em>Estadão</em> <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/11/fim-jornal-da-tarde/" title="O fim do Jornal da Tarde">já tinha matado, no ano passado, o <em>Jornal da Tarde</em></a>. Nesse processo, vi diminuída a cobertura esportiva a que eu tinha direito. No <em>JT</em>, eram, no mínimo, doze páginas diárias, o que equivaleria a seis páginas n&#8217;<em>O Estado</em>, mas este, em muitos dias, traz apenas quatro páginas. A diferença no número de páginas é pequena, mas, na cobertura dos times, é gritante: enquanto o finado trazia, em geral, duas páginas para cada um dos quatro grandes (o equivalente a uma página inteira do irmão mais velho), não raro vê-se no <em>Estadão</em> uma única matéria, que ocupa apenas um pedaço da página. Se forem diminuir ainda mais, vai começar a ficar injustificável minha assinatura.</p>
<p>Não nego que os jornais enfrentam inúmeros desafios hoje em dia, especialmente para se fortalecer entre o público jovem. Mesmo entre a minha geração, que já não é tão jovem assim, não é lá muito fácil encontrar alguém que assine jornal. Entre os oito amigos de colégio com quem ainda mantenho contato frequente, nenhum (!) assina um jornal impresso. Apenas dois deles o fizeram em algum momento de suas vidas adultas. Uma das coisas que atraem jovens (do sexo masculino) aos jornais é o caderno de esportes. Foi o que aconteceu comigo.</p>
<p>Atualmente, quase ninguém fica sabendo de um resultado de jogo pelos jornais. Acontece, ainda, comigo, quando acabo indo formir muito cedo, mas é raro. Além disso, 95% do noticiário diário esportivo publicado em impressos ocorreu até as 18 horas do dia anterior. Muitas vezes, o sujeito abre o jornal na parte de esportes e só depara com notícias que já lera na internet à noite. Esse é o maior problema, e não consigo entender como mesclar tudo no mesmo caderno vai resolver. Os jogos noturnos continuarão com uma cobertura parca, escrita às pressas, devido aos exíguos prazos de fechamento, e estes nem veem a internet com vantagem, pois os <em>sites</em> sempre querem publicar seus textos o mais rápido possível &#8212; ou seja, minutos após o encerramento da partida. Isso também não vai ser resolvido com os cadernos mesclados.</p>
<p>Essa questão dos três cadernos é um tendência recente nos Estados Unidos, onde alguns jornais chegaram ao extremo de cortar algumas edições. Sim, alguns jornais já não põem sua versão impressa para circular em determinados dias da semana. Quanto tempo até essa &#8220;inovação&#8221; chegar por aqui? Será que, quando chegar, eu ainda estarei assinando um jornal?</p>
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		<title>O fim do Jornal da Tarde</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Nov 2012 17:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div id="capa-jt"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/11/19760407-Jornal-da-Tarde.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/11/19760407-Jornal-da-Tarde-255x387.jpg" alt="Capa do Jornal da Tarde em 7 de abril de 1976" title="Capa do Jornal da Tarde em 7 de abril de 1976" width="255" height="387" class="alignright size-thumbnail wp-image-1555" /></a></div>
<p>Quando o <em>Jornal da Tarde</em> &#8212; <em>JT</em> para os íntimos &#8212; passou a fazer parte da minha vida ele já não era mais um vespertino como o nome sugere. A mudança tinha ocorrido fazia pouco tempo. (Parêntese: em sua última edição e no especial de 25 anos, publicado em 1991, é mencionado o mês de abril de 1988 como o da mudança, mas ela já era citada no passado em uma reportagem do <em>Estadão</em> de 5 de janeiro de 1986. Esse &#8220;mistério&#8221; só vai ser solucionado quando &#8212; e se &#8212; o acervo do <em>JT</em> for para a internet. Com o fim do jornal, talvez esse projeto, anunciado pelo <em>Estado</em> no início do ano, mas sem data prevista de implantação, tenha sido cancelado.) Como o <em>Estadão</em>, jornal que assinávamos em casa, não saía às segundas-feiras, meu pai comprava o <em>JT</em> nesse dia e geralmente levava-o quando nos buscava na escola. Muitas vezes li o jornal no trajeto entre o Morumbi, onde estudava, e Santana de Parnaíba, onde morava. Minha lembranças mais antigas disso são de 1988.</p>
<p>No segundo semestre de 1991 o <em>Estadão</em> passou a sair também às segundas-feiras, mas não consigo me lembrar se àquela época meu pai ainda mantinha o hábito de comprar o <em>JT</em> às segundas. A partir daí, por cerca de dois anos e meio, só o reencontrei após títulos do São Paulo, quando corria à banca para comprar todos os jornais. Nessa época, foram várias as vezes em que isso ocorreu, tantas foram as campanhas tricolores que culminaram com a taça sobre a cabeça de Raí. E ainda tenho todos esses jornais, como quem me conhece já suspeitava. Em 1994 voltei a lê-lo regularmente, embora com atraso de um dia, abastecido pelos vizinhos, que guardavam a edição de segunda-feira para mim. Nesse ano eu já estava na faculdade e tinha o costume de todos os dias comprar um jornal na banca, para poder ler durante (!) as aulas. Eu não comprava necessariamente o <em>JT</em>; eu alternava-o com o <em>Diário Popular</em>, a <em>Folha da Tarde</em> e até eventualmente o <em>Notícias Populares</em>, quando alguma manchete bizarra me chamava a atenção. Nenhum desses jornais existe mais. (Eu não comprava o <em>Estadão</em> e a <em>Folha de S. Paulo</em> porque podia ler o primeiro em casa e o segundo na casa das minhas tias-avós, que eu frequentava bastante por ser muito perto da faculdade.)</p>
<p>Quando incluí em minha rotina uma viagem pendular diária de ônibus de cerca de uma hora, de Santana de Parnaíba à Avenida Paulista, decidi assinar um jornal. O escolhido foi o <em>JT</em>, do qual passei a ser assinante lá por outubro de 1999. Embora na época eu não soubesse, o jornal já era bem diferente de seus &#8220;anos de glória&#8221;, até a década de 1980, e não só por ser matutino. Aos poucos, ele foi perdendo sua característica de um design diferente, até irreverente em certos detalhes. Pouco disso havia sobrado em 1999, e menos ainda sobrava a cada mudança sofrida depois. Mas era o jornal que se adaptava melhor ao meu dia a dia: eu conseguia lê-lo praticamente inteiro no percurso até chegar ao escritório onde trabalhava. E, se o visual tinha mudado para pior, o conteúdo tinha sofrido menos transformações. Estava mais sisudo, é certo, mas seu caderno de esportes e sua cobertura local continuavam sendo provavelmente os melhores da cidade. Isso era importante para mim. Ainda é.</p>
<p>Uma das poucas mudanças para melhor nos últimos tempos foi feita em 25 de agosto de 2003: o jornal reviveu a &#8220;Edição de Esportes&#8221;, como passou a ser chamado o caderno de esportes às segundas-feiras. Ele ganhou numeração separada, começando do número 1, e formato tabloide, da mesma maneira como ele era apresentado trinta anos antes. Regularmente ela vinha com mais de quarenta páginas (44 e até 48) e trazia semanalmente o &#8220;Paredão&#8221;, uma entrevista com duas ou três páginas, e a seção que retratava o &#8220;onde anda&#8221; de algum ídolo do passado, sob o título &#8220;Cadê você?&#8221;. Isso sem falar em uma cobertura maior dos jogos. Era a época de seguidos Troféus Ford Aceesp. Tenho todas as edições encadernadas. Ainda hoje tenho tanto prazer ao folheá-las quanto as dos anos 1970 e 1980 (que <em>não</em> tenho em casa).</p>
<p>Nos últimos anos, o que distinguia essa &#8220;Edição de Esportes&#8221; já tinha sumido. O &#8220;Paredão&#8221; e o &#8220;Cadê você?&#8221; tinham acabado (a primeira já em 2005, a segunda no ano seguinte), e até uma seção um pouco mais recente, que trouxe entre 2007 e 2009 fotos para os leitores identificarem sumiu. Participei semanalmente daquela que pedia para identificar um jogo só pela foto e vi meu nome ali todas as semanas, menos duas. Era uma bela diversão, que para mim se perdeu quando passou a trazer apenas fotos de jogadores, mas que ao menos seguia buscando interação. Se fossem apenas as seções sumindo, não haveria muito problema, mas as páginas também tinham minguado. O último caderno de esportes de segunda-feira, em 29 de outubro, trouxe apenas dezesseis páginas. Tudo bem, não tinha havido rodada no domingo, por causa das eleições, mas não deixa de ser simbólico. (A edição de 22 de outubro teve vinte páginas.) Em dezembro de 2010 a edição do campeão brasileiro &#8212; o Fluminense, mas um time paulista estava na briga até a última rodada &#8212; rendeu míseras 24 páginas. Para efeito de comparação, a edição do campeão de 2003, o Cruzeiro, teve o dobro de páginas, e, apesar de haver um clube paulista na &#8220;luta&#8221;, ele tinha pouquíssimas chances.</p>
<p>Vejam bem: não estou comparando com as &#8220;Edições de Esportes&#8221; de 1974, também em formato tabloide, mas de uma época em que o jornal tinha uma importância distinta. Estou comparando com seis anos antes ou menos, quando a internet já estava bastante disseminada. Perdeu-se muito conteúdo em pouco tempo. Sem conteúdo, a importância também diminui. E, sem importância, o fim parece próximo. Havia anos que eu ouvia falar que o <em>JT</em> poderia acabar. Nas últimas semanas, esses rumores intensificaram-se e na segunda-feira foram confirmados. E o fim foi breve: na quarta-feira já saiu a última edição. E nem consegui guardar mais de uma, pois eu estava em Porto Alegre no dia e, quando cheguei a Guarulhos, às três da manhã de quinta, graças a um <a href="http://instagr.am/p/ReJYrnIn5d/">atraso de mais de quatro horas da Avianca</a>, já haviam recolhido as edições, se é que havia sobrado alguma. Fiquei apenas com a minha de assinante.</p>
<p>Por falar na assinatura, eu nunca cheguei a receber um comunicado oficial do fim da minha assinatura; apenas os textos que circularam no jornal na terça e na quarta-feiras. Em um deles, o &#8220;Comunicado importante aos assinantes do <em>Jornal da Tarde</em>&#8220;, uma frase surpreendentemente conformista: &#8220;Caso tenham interesse, uma opção é continuar com a assinatura, passando a receber o <em>Estadão</em>.&#8221; Como assim &#8220;caso tenham interesse&#8221;?! Perderam a chance de fidelizar um público que, apesar do baque, poderia seguir com o <em>Estadão</em>! Bastava avisar que eles seguiriam recebendo o &#8220;irmão mais velho&#8221; e pagariam o mesmo preço da assinatura do <em>JT</em> por, sei lá, um ou dois meses. Depois desse &#8220;caso tenham interesse&#8221;, fiquei surpreso ao ver que na quinta-feira entregaram o <em>Estadão</em> na minha porta. Mas ainda não faço ideia de quanto pagarei por isso. Só sei que essa assinatura custa o dobro da do <em>JT</em> e não estou inclinado a seguir com um jornal que não tenho tempo de ler pela manhã, isso sem falar no minguado caderno de Esportes, que não chega aos pés do do <em>JT</em> nem nos melhores dias do primeiro e piores dias do segundo. Se o &#8220;Jornal do Carro&#8221; vai sobreviver no <em>Estado</em>, por que não dedicar-se também a um caderno de esportes que honrasse a memória do finado e respeitasse seus leitores?</p>
<p>Os leitores, de quem o <em>JT</em> dependia para sobreviver, já que quase não tinha anúncios, não pareciam se importar muito com o jornal. Na seção de cartas da página 2, alguns nomes repetiam-se muitas vezes, como Uriel Villas Boas e Luiz Nusbaum, entre outros. Provavelmente eram dos poucos que mandavam <del datetime="2012-11-02T13:21:54+00:00">cartas</del> emails para a redação. Ter uma carta publicada ali era muito mais fácil que no <em>Estadão</em>, que recebe um volume muito maior. Mandei uns seis ou sete emails para a seção entre 2003 e 2012, e acho que todos foram publicados, inclusive <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/01/carta-jt-texto-nao-meu/" title="Minha carta ao JT tem texto que não é meu">um que teve palavras inseridas pelo próprio editor</a>, algo de que não gostei muito. Deve ter sido justamente para preencher espaço pela falta de leitores escrevendo. E por que não havia muitos leitores escrevendo? Talvez porque a comunicação dificilmente tinha mão dupla. O máximo de interação que se tinha era o blog do jornal (porque era um blog, não um site), onde os leitores podiam comentar, mas nunca vi uma resposta da redação a nenhum comentário, nem aos incisivos nem aos inofensivos. De certo modo, é como se ainda estivéssemos nos anos 1980, mas sem um jornal igual aos daquela época. Quando escrevi um email sobre minhas considerações a respeito do jornal (parte deste texto foi tirada de lá), não consegui sequer descobrir para onde mandá-lo, senão para a seção de cartas e para o responsável pelo caderno de esportes, Luiz Antônio Prósperi, e este só porque seu endereço era listado em sua coluna semanal, senão nem isso. Não tenho a menor ideia se meu email foi lido, pois nunca recebi resposta, e ele tornou-se meu único email com o endereço da seção de cartas que não foi publicado.</p>
<p>Nesse email eu também mencionava a seção &#8220;Há XX anos&#8221;, que fica com os xis no nome, pois mudava quase todos os dias. Era uma ideia boa, mas bastante subutilizada desde o início: a capa que aparecia era minúscula, e, quando muito, era possível ler a manchete principal e uma ou outra manchete adicional. Uma pena, especialmente nas edições dos primeiros trinta anos do jornal, que são de um primor gráfico que se destaca mesmo na época atual. Não sei por qual motivo, havia períodos em que praticamente só se publicava capas de dez anos antes, com raras exceções (uma ou duas por semana), talvez como um apelo à solução mais fácil. Se dessem um jeito de deixar a capa em tamanho maior, o texto que a acompanhava poderia até ser dispensado. À exceção da <em>Última Hora</em>, não há jornal no Brasil que tenha se destacado tanto por seu design quanto o <em>Jornal da Tarde</em>, e perderam por anos a oportunidade de destacar isso ao leitor atual, muitos dos quais não tiveram contato com os jornais da época, a não ser por matérias autolaudatórias em que eram destacadas sempre as mesmas capas do passado.</p>
<p>Não que essas capas &#8220;de sempre&#8221; não devam ser destacadas, pois de fato marcaram não só o jornalismo como muitos leitores. O exemplo mais citado é <a href="http://blogdomariomarinho.blogspot.com.br/2010/07/capa-historica.html" title="Blog do Mário Marinho: 'A capa histórica'">a capa de 6 de julho de 1982</a>, a do menino com a camisa da seleção brasileira chorando a eliminação diante da Itália na Copa do Mundo. Aos quarenta anos, o menino, claro, virou matéria sobre o fim do jornal, <a href="http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2012/10/31/menino-da-tragedia-do-sarria-lamenta-fim-de-jornal-tarde-e-conta-como-foto-historica-marcou-sua-vida.htm" title="Uol Esporte: 'No fim do Jornal da Tarde, menino da tragédia do Sarriá conta como foto histórica marcou sua vida'">publicada no Uol</a> e provavelmente em outros veículos. Mas a de que mais gosto é a de 8 de junho de 1970, com a expressão de um torcedor mudando até culminar em um alegre sorriso pelo gol do Brasil contra a Inglaterra na Copa do Mundo. Nos dois casos, era a cara do <em>JT</em> usar personagens aparentemente alheios ao assunto.</p>
<p>Essa foi uma das características que o jornal perdeu. Em sua última edição ele destacou algumas &#8220;capas que marcaram os 46 anos&#8221;. É quase constrangedor ver como as capas do século 21 são muito menos criativas que as do século anterior. Fiquei com a impressão de que as capas de destaque nos últimos anos são simplesmente aquelas que têm uma foto grande, independentemente se as fotos grandes são marcantes ou não. E, claro, eu não poderia deixar de mencionar a desastrada mudança no logotipo. Por 33 anos após o lançamento do jornal, a fonte de seu logotipo foi a bela Clarendon. Em 1999, ela foi substituída pela Helvetica Ultra Compressed, mais tarde adaptada para outra fonte da família, Helvetica Compressed, um pouco mais &#8220;gordinha&#8221;, mas com o &#8220;r&#8221; de &#8220;jornal&#8221; com um rabicho visivelmente menor que o de &#8220;tarde&#8221;. Apenas sete anos depois, nova mudança, para a Interstate, mesma fonte que passou a ser usada nas manchetes. Pela primeira vez, o nome do jornal ganhou maiúsculas. E seguiu assim até sua morte. Não me parece coincidência que na última edição, para os topos das páginas falando da trajetória do veículo, tenha sido escolhido o logotipo original.</p>
<p>Por falar nessas páginas, o <em>JT</em> não teve direito sequer a um obituário digno. Na página 8A de sua última edição, <a href="http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/para-ficar-na-historia/" title="JT: 'Para ficar na história'">um texto apócrifo</a> nada mais é do que uma versão reduzida, sem os devidos créditos, de outro <a href="http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19860105-34003-nac-0018-999-18-not/" title="O Estado de S. Paulo: 'A revolução na arte de informar'">publicado por José Maria Mayrink no <em>Estadão</em> em 5 de janeiro de 1986</a>. Naquela ocasião, era para comemorar o aniversário de vinte anos do jornal. Mas talvez um obituário &#8220;oficial&#8221; nem fosse tão necessário assim. Vários profissionais que passaram por lá e outros que por ele foram influenciados escreveram em seus blogs a respeito. Seguindo a ordem em que apareceram no meu Google Reader: <a href="http://blogs.lancenet.com.br/maurobeting/2012/10/29/jornal-da-tarde-vazia/" title="Mauro Beting: 'Jornal da Tarde vazia'">Mauro Beting</a>, <a href="http://flaviogomes.warmup.com.br/2012/10/jt/" title="Blog do Flávio Gomes: &#039;JT&#039;" class="broken_link">Flávio Gomes</a>, <a href="http://trivela.uol.com.br/blog/menon/o-jt-e-seus-matadores-merecem-aplausos" title="Blog do Menon: &#039;O JT e seus matadores merecem aplausos&#039;" class="broken_link">Luís Augusto Símon</a>, <a href="http://dagomir.blogspot.com.br/2012/10/rip-jt.html" title="Blog do Dagomir Marquezi: 'RIP JT'">Dagomir Marquezi</a>, <a href="http://blogs.estadao.com.br/reclames-do-estadao/2012/10/30/chegou-o-jt/" title="Reclames do Estadão: 'Chegou o JT'">Cley Scholtz</a> (Reclames do Estadão), <a href="http://baptistao.zip.net/arch2012-10-01_2012-10-31.html#2012_10-30_17_18_50-4079780-0" title="Baptistão Caricaturas: 'Inverno do JT'">Eduardo Baptistão</a>, <a href="http://blogdojuca.uol.com.br/2012/10/que-pena-jornal-da-tarde-1966-2012/" title="Blog do Juca: 'Que pena, JT (1966-2012)'">Juca Kfouri</a> (com cartum de <a href="http://www.byguedex.com.br/2012/10/as-maquinas-pararam.html" title="By Guedex: 'Pararam as máquinas'">By Guedex</a>) e <a href="http://jmaquino.blog.terra.com.br/2012/10/31/o-adeus-do-jt/" title="J.M. Aquino: &#039;O adeus do JT&#039;" class="broken_link">José Maria de Aquino</a>, além de <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-morte-de-um-jornal/?autor=42#todos-comentarios" title="Mino Carta: 'A morte de um jornal'">Mino Carta</a>, que não está no meu Google Reader. Isso sem falar em textos como os de <a href="http://quandoacidade.wordpress.com/2012/10/31/teste-de-conhecimento/" title="Quando a cidade era mais gentil: 'Teste de conhecimento'">Martin Jayo</a>, <a href="http://www.evaldonovelini.com.br/?p=3169" title="Evaldo Novelini: &#039;Sobre o fim do JT&#039;" class="broken_link">Evaldo Novelini</a> e <a href="http://futpopclube.com/2012/10/31/obrigado-jornal-da-tarde/" title="Fut Pop Clube: 'Obrigado, "Jornal da Tarde"!'">João Ricardo Lima</a>, além de outros textos não lincados e, vá lá, este aqui. Incluiria ainda o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornal_da_Tarde_(S%C3%A3o_Paulo)" title="Wikipédia: Jornal da Tarde (São Paulo)">verbete sobre o jornal na Wikipédia</a>, boa parte dele escrito por mim.</p>
<p>O <em>JT</em> vai fazer falta.</p>
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		<title>Minha carta ao JT tem texto que não é meu</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 22:47:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Na seção &#8216;Há 20 Anos&#8217; li que, em 1992, um estudo da USP mostrava que seriam necessários 300 anos para que o ensino público brasileiro se igualasse ao de países desenvolvidos (Opinião, 9/1, pág. 2A). Pois bem, já se passaram 20 anos desde que essa matéria foi publicada e no que avançamos? Tivemos alguma melhora? Eu, realmente, duvido de que as coisas tenham se tornado melhores. Na verdade, imagino até que o ensino público brasileiro tenha regredido, considerando toda a corrupção que assola o nosso país e a falta de compromisso de nossos políticos. Devemos precisar de mais do que&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/01/carta-jt-texto-nao-meu/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Na seção &#8216;Há 20 Anos&#8217; li que, em 1992, um estudo da USP mostrava que seriam necessários 300 anos para que o ensino público brasileiro se igualasse ao de países desenvolvidos (Opinião, 9/1, pág. 2A). Pois bem, já se passaram 20 anos desde que essa matéria foi publicada e no que avançamos? Tivemos alguma melhora? Eu, realmente, duvido de que as coisas tenham se tornado melhores. Na verdade, imagino até que o ensino público brasileiro tenha regredido, considerando toda a corrupção que assola o nosso país e a falta de compromisso de nossos políticos. Devemos precisar de mais do que 300 anos para deixar o ensino público em ordem.&#8221;</p>
<p>A carta acima foi enviada ontem por mim ao <em>Jornal da Tarde</em> — em forma de email, claro — e publicada na edição de hoje. Eu concordo com tudo que está escrito acima. Não, esta última frase não é tão surreal quanto parece, já que o texto em questão foi escrito involuntariamente a quatro mãos. O fato é que eu escrevi menos de 50% dele; o restante foi alguém do jornal que adicionou. O motivo para tal adição eu ignoro. Posso supor que fosse para preencher o espaço, embora isso esteja longe de justificar o fato de colocarem palavras na minha boca.</p>
<p>O rodapé da seção de cartas é claro: &#8220;As cartas poderão ser reduzidas.&#8221; Nenhum problema quanto a isso. Já tive outras cartas publicadas no <em>JT</em> e em outros veículos, e a maioria delas foi reduzida. Mas apenas no <em>JT</em> uma carta minha tinha tido conteúdo <em>adicionado</em> (não me lembro quando, mas sei que já ocorrera uma vez), embora tivesse sido pouca coisa. Desta vez, eu tinha escrito 259 caracteres (e errado o ano!), que foram transformados em 607, já descontado o aposto que indica a matéria a que eu me referia. Veja o meu email original:</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/01/carta-original-jornal-da-tarde.gif" alt="Carta original ao Jornal da Tarde em 2012" title="Carta original ao Jornal da Tarde em 2012" width="640" height="380" class="alignnone size-full wp-image-1371" /></p>
<p>Se compararmos os dois textos, no que foi publicado até a palavra &#8220;regredido&#8221; dá para se dizer que eles simplesmente elaboraram um pouco mais minhas frases. Não mexeram no sentido delas, de fato. Após isso, já não há nada que eu tenha sequer mencionado? Corrupção? Falta de compromisso? Eu não citei os motivos para uma possível regressão. Quem os citou foi o <em>JT</em>, tudo debaixo do meu nome. E de uma maneira simplória, pois há muito mais motivos que apenas a corrupção e a falta de compromisso por parte de nossa classe política. Não que eu discorde do que eles afirmaram em meu nome; apenas acho que é uma afirmação incompleta. E, claro, se vivêssemos em uma ditadura, o jornal teria me jogado debaixo de um ônibus em alta velocidade.</p>
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		<title>A casa mais antiga do Bixiga</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 15:14:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Bela Vista]]></category>
		<category><![CDATA[Bixiga]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>

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		<description><![CDATA[No fim de novembro estive no Arquivo Público do Estado de São Paulo para, como faço várias vezes, pesquisar jornais antigos. Na pasta contendo edições do Jornal da Tarde de outubro de 1981, por acaso trombei com uma matéria sobre o Bixiga, onde eram contadas várias características da região e de seus habitantes, além de parte da história do bairro, como a controversa origem do nome, que provavelmente nunca será esclarecida. O texto era bem longo, e serviu como uma das fontes na detalhada atualização que fiz no verbete sobre o ex-jogador de futebol Feitiço na Wikipédia. Mas o que&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/01/casa-mais-antiga-bixiga/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No fim de novembro estive no Arquivo Público do Estado de São Paulo para, como faço várias vezes, pesquisar jornais antigos. Na pasta contendo edições do <em>Jornal da Tarde</em> de <a href="http://min.us/mvnEo0M#10" class="broken_link">outubro de 1981</a>, por acaso trombei com uma matéria sobre o Bixiga, onde eram contadas várias características da região e de seus habitantes, além de parte da história do bairro, como a controversa origem do nome, que provavelmente nunca será esclarecida. O texto era bem longo, e serviu como uma das fontes na detalhada atualização que fiz no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Matoso">verbete sobre o ex-jogador de futebol Feitiço na Wikipédia</a>. Mas o que mais chamou minha atenção foi uma foto, cuja legenda era simplesmente &#8220;A casa mais velha do bairro (é de 1889), na rua São Domingos&#8221;.</p>
<p>No texto, nenhuma menção à casa, embora eu tenha certeza de que estavam falando dela como a mais antiga ainda de pé, até porque as origens do bairro vão bem além de 1889. Imediatamente surgiu a curiosidade de saber como ela está hoje. Ou melhor, se ela teria resistido por quase trinta anos em <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/preocupacao-memoria/">uma cidade que tem notório descaso para com sua própria memória</a>. A única pista, a rua onde a casa ficava, só serviria se a casa estivesse ainda lá e sem ter passado por nenhuma reforma radical, mas resolvi percorrer a Rua São Domingos para tentar achá-la.</p>
<p>Hoje ocupando o número 231, a casa ainda está de pé, embora você já deva ter adivinhado isso ao ver a foto acima. E num estado de conservação até melhor do que estava em 1981, embora estejamos longe de poder dizer que ela está bem conservada. Basta comparar com a foto abaixo, de Sidney Corrallo, publicada no <em>JT</em> em 26 de outubro de 1981. No Google Maps é possível visualizá-la <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&#038;source=s_q&#038;hl=en&#038;geocode=&#038;q=Rua+S%C3%A3o+Domingos,+231,+Rep%C3%BAblica,+S%C3%A3o+Paulo,+Brasil&#038;sll=-23.521831,-46.7485&#038;sspn=0.009818,0.01929&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=R.+S%C3%A3o+Domingos,+231+-+Rep%C3%BAblica,+S%C3%A3o+Paulo,+01326-000,+Brazil&#038;ll=-23.552783,-46.644452&#038;spn=0.001227,0.002411&#038;t=k&#038;z=19">por cima</a> ou <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&#038;source=s_q&#038;hl=en&#038;geocode=&#038;q=Rua+S%C3%A3o+Domingos,+231,+Rep%C3%BAblica,+S%C3%A3o+Paulo,+Brasil&#038;sll=-23.521831,-46.7485&#038;sspn=0.009818,0.01929&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=R.+S%C3%A3o+Domingos,+231+-+Rep%C3%BAblica,+S%C3%A3o+Paulo,+01326-000,+Brazil&#038;ll=-23.552785,-46.64458&#038;spn=0.001227,0.002411&#038;t=h&#038;z=19&#038;layer=c&#038;cbll=-23.552776,-46.644502&#038;panoid=FGk3p1BFXsF_RSrt4jAh8w&#038;cbp=12,166.83,,0,-14.92">de frente</a>.</p>
<div class="full-image"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/01/casa-mais-antiga-bixiga-1981.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/01/casa-mais-antiga-bixiga-1981-672x447.jpg" alt="Casa mais antiga do Bixiga em 1981 (foto JT)" title="Casa mais antiga do Bixiga em 1981 (foto JT)" width="672" height="447" class="alignnone size-large wp-image-586" /></a></div>
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		<title>Como é difícil receber créditos!</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/como-e-dificil-receber-creditos/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 18:54:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Diário do Comércio]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>
		<category><![CDATA[Michel Laurence]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Para mim, um produtor de conteúdo que é também fotógrafo amador, não faria sentido cobrar por foto alguma. Por isso, todas as fotos que bati e estão aqui no Pseudopapel são liberadas em Creative Commons, com as mesmas condições. Faço o mesmo no meu Flickr e, obviamente, nas várias imagens que já carreguei no Commons. A única vez que recebi por uma foto foi quando enviei uma foto do cruzamento entre as avenidas Faria Lima e Rebouças travado para o &#8220;Fotorrepórter&#8221; do Grupo Estado, e no dia seguinte o Jornal da Tarde usou-a em sua segunda página. Recebi, depois de&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/como-e-dificil-receber-creditos/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para mim, um produtor de conteúdo que é também fotógrafo amador, não faria sentido cobrar por foto alguma. Por isso, todas as fotos que bati e estão aqui no <em>Pseudopapel</em> são liberadas em Creative Commons, com as mesmas condições. Faço o mesmo <a href="http://www.flickr.com/photos/things-i-like-in-sp">no meu Flickr</a> e, obviamente, nas <a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/User:Agiesbrecht">várias imagens que já carreguei no Commons</a>. A única vez que recebi por uma foto foi quando enviei uma foto do cruzamento entre as avenidas Faria Lima e Rebouças travado para o &#8220;Fotorrepórter&#8221; do Grupo Estado, e no dia seguinte o <em>Jornal da Tarde</em> usou-a em sua segunda página. Recebi, depois de três anos, 65 reais. Pouco uso aqui fotos que não sejam de minha autoria, mas as que aqui estão têm seus devidos créditos.</p>
<p>No ano passado, quando ainda tinha como projeto escrever um livro sobre a história de <em>Placar</em>, entrevistei <a href="http://colunistas.ig.com.br/jogoquaseperfeito/" class="broken_link">Michel Laurence</a>, um dos jornalistas que ajudaram a fundar a revista. Naquela manhã de abril, pedi para bater uma foto sua com a Bola de Prata, para ilustrar na Wikipédia os verbetes com sua biografia e sobre o troféu. Foto tirada, <a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Michel_Laurence_Bola_de_Prata.jpg">coloquei-a no Wikimedia Commons</a>, o repositório de imagens da Wikipédia. Para uma imagem figurar no Commons, é necessário que esteja em Creative Commons, algo que para mim não é problema. Com isso, qualquer um pode usar a imagem como bem entender, de maneira gratuita. A única condição é que mantenha o compartilhamento livre <em>e dê os devidos créditos</em>.</p>
<p>Não posso dizer que fiquei surpreso ao descobrir que há pelo menos dois sites usando a imagem acima, a mesma postada na Wikipédia, sem me dar o crédito. Um deles é o <a href="http://blogdoodir.com.br/2010/10/logo-mais-na-tv-assembleia-michel-laurence-e-eu-falamos-de-pele/">blog do jornalista Odir Cunha</a>, que, se não é sustentado por um grande portal, tem um número de visitantes alto que pode ser medido pela quantidade de comentários em cada postagem. O outro é o <a href="http://www.dcomercio.com.br/especiais/2010/pele/">site do jornal <em>Diário do Comércio</em></a>. O aviso de como a foto pode ser usada não está no topo da página, mas é bem destacado. No caso do jornal, é inadmissível que isso ocorra. Toda imagem usada por uma publicação deve ter seus direitos autorais analisados. Não é porque está na Internet que é de domínio público. Não é porque a foto está em tamanho pequeno que ela não precisa de crédito. As outras fotos da página, incluindo algumas antigas de Pelé, também estão sem crédito. Será que o jornal seria leniente com quem fizesse o mesmo com suas fotos?</p>
<p><strong>Atualização (14 de junho de 2013):</strong> O blog do Odir Cunha acabou, não sei exatamente quando dando algum tipo de crédito à minha foto, dando-o a &#8220;Agiesbrecht&#8221;. Não é o ideal, mas, vá lá, no caso dessa foto, é assim que a página do Wikimedia Commons apresenta.</p>
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		<title>Um reclame do Jornal da Tarde</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/reclame-jornal-da-tarde/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Dec 2010 14:31:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[1980]]></category>
		<category><![CDATA[classificados]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>
		<category><![CDATA[prostituição]]></category>

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		<description><![CDATA[Orestes Quércia, então governador de São Paulo, respondeu em dezembro de 1990 a críticas do Jornal da Tarde, dizendo que a publicação não tinha &#8220;autoridade moral&#8221; para fazê-lo, porque &#8220;vive subvencionado pela prostituição&#8221;. Ele estava falando dos anúncios de garotas de programa que o jornal publicava, e ainda publica, na seção de classificados. Como resposta, foi elaborado um editorial com novas críticas ao governador e aos &#8220;prostitutos da política&#8221;. Tudo ficou por isso mesmo. Quércia deixaria o governo três meses depois com o sucessor que elegeu, e o JT seguiria publicando seus classificados de prostituição, assim como a gigantesca maioria&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/reclame-jornal-da-tarde/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Orestes Quércia, então governador de São Paulo, respondeu em dezembro de 1990 a críticas do <em>Jornal da Tarde</em>, dizendo que a publicação não tinha &#8220;autoridade moral&#8221; para fazê-lo, porque &#8220;vive subvencionado pela prostituição&#8221;. Ele estava falando dos anúncios de garotas de programa que o jornal publicava, e ainda publica, na seção de classificados. Como resposta, foi elaborado um editorial com novas críticas ao governador e aos &#8220;prostitutos da política&#8221;. Tudo ficou por isso mesmo. Quércia deixaria o governo três meses depois com o sucessor que elegeu, e o <em>JT</em> seguiria publicando seus classificados de prostituição, assim como a gigantesca maioria dos jornais brasileiros.</p>
<p>Esse tipo de classificado deve dar retorno às anunciantes, já que há décadas é usado e não morreu mesmo nos tempos atuais, em que os classificados em geral de jornais têm perdido cada vez mais espaço para sites que oferecem o mesmo serviço, mas com uma busca infinitamente mais fácil. No caso específico das garotas de programas, não é preciso ser um gênio da computação para achar sites que oferecem apenas esses serviços, com fotos e tudo o mais. Os classificados atuais desse assunto? Ainda com bizarrices ocasionais, com alguns textos que estão mais para a comédia do que para vender o, digamos, &#8220;produto&#8221;. Mas sem fotos, até onde eu sei.</p>
<p>E tais anúncios estão sempre na seção de classificados e sempre em forma de classificados. Nunca imaginei que já tivesse sido diferente, daí a surpresa ao topar com o anúncio acima, publicado no pé de uma página da seção de Esportes do <em>JT</em> em 8 de março de 1980. Anúncio mais explícito, só se a mulher que lá aparece (que provavelmente não era uma das &#8220;atendentes&#8221; das casas, mas alguma modelo, talvez de catálogo de imagens) estivesse vestindo menos roupas.</p>
<p>O blog <a href="http://blogs.estadao.com.br/reclames-do-estadao/">Reclames do Estadão</a> publica diariamente diversos anúncios antigos que saíram em <em>O Estado de S. Paulo</em> ao longo de sua história. Será que um dia ainda vai publicar esse aí de cima?</p>
<p><strong>Atualização (14/12/2010, 23h19):</strong> Não só publicou, como publicou apenas algumas horas depois. <a href="http://blogs.estadao.com.br/reclames-do-estadao/2010/12/14/terceiras-intencoes/">Confira!</a></p>
<p><strong>Atualização (3/5/2011, 6h14):</strong> Outra versão de anúncio da mesma rede também pode ser vista em edições de 1980 da Folha de S. Paulo, inclusive uma <a href="http://acervo.folha.com.br/fsp/1980/12/11/2/4276248">ao lado do noticiário político</a>, na página 4 da edição do dia 11 de dezembro. Definitivamente, outros tempos.</p>
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		<title>De revolução não houve nada</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/de-revolucao-nao-houve-nada/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 22:54:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[design]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>

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		<description><![CDATA[O site do Jornal da Tarde estava sem qualquer atualização significativa de layout desde 2003, se não me falha a memória. E só coloquei o adjetivo &#8220;significativa&#8221; na frase anterior porque, quando trocou o logotipo em 2006, o logotipo do site também foi mudado. O site nada mais era do que uma mera lista das matérias publicadas na edição do dia, com acesso restrito a assinantes na maioria das matérias. Por tudo isso, fiquei curioso para ver o que o novo layout reservava quando li na edição de terça-feira sobre a estreia do dia seguinte. Não parecia ser nada revolucionário,&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/de-revolucao-nao-houve-nada/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O site do <em>Jornal da Tarde</em> estava sem qualquer atualização significativa de layout desde 2003, se não me falha a memória. E só coloquei o adjetivo &#8220;significativa&#8221; na frase anterior porque, quando trocou o logotipo em 2006, o logotipo do site também foi mudado. O site nada mais era do que uma mera lista das matérias publicadas na edição do dia, com acesso restrito a assinantes na maioria das matérias. Por tudo isso, fiquei curioso para ver o que o novo layout reservava quando li <a href="http://txt.jt.com.br/editorias/2010/06/01/ger-1.94.4.20100601.26.1.xml" class="broken_link">na edição de terça-feira</a> sobre a estreia do dia seguinte. Não parecia ser nada revolucionário, mas parecia melhor do que o que se tinha antes:</p>
<blockquote><p>Apresentadas de forma a facilitar a leitura, as notícias são publicadas em blogs para cada uma das seções. (…) &#8220;É um site que nasce do papel, que já nasce integrado. A equipe que faz o jornal também faz o site. O leitor tem unidade de produção&#8221;, afirma a editora-chefe do jornal, Claudia Belfort. (…) Para o diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, o site representa uma nova forma de desfrutar do <em>[sic]</em> jornalismo do <em>Jornal da Tarde</em>.</p>
<h6>Lais Cattassini, Jornal da Tarde, 1/6/2010</h6>
</blockquote>
<p>De fato, a reformulação ficou longe de ser revolucionária. O site virou um grande blog, com direito até ao <a href="http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/hello-world/">post &#8220;Olá, Mundo&#8221;</a>, do WordPress. A <em>home page</em> é &#8220;dura&#8221;, com um painel de rotação de destaques que não tem espaço para criatividade (foto, título de duas linhas e texto de três linhas), seguido de uma manchete maior e cinco menores.</p>
<p>Ao lado, uma barra com atualizações do Twitter, mas o jornal comete o mesmo erro que boa parte dos veículos de comunicação e usa o microblog como uma simples — e inútil — lista de links. Isso permite que às vezes as chamadas dos destaques se repitam entre as do Twitter. Ainda é de se espantar a falta de visão da redação, que só foi registrar sua conta no Twitter <a href="http://twittercounter.com/jornaldatarde_">no último dia 3 de maio</a> e teve de se contentar com um <em>underscore</em> no final do nome (<em>jornaldatarde_</em>). Não dá nem para dizer que quem registrou o <em>jornaldatarde</em> o fez com antecedência, pois foi <a href="http://twittercounter.com/jornaldatarde">menos de dois meses antes</a>.</p>
<p>O jornal impresso foi quase que totalmente ignorado. Na estreia, esqueceram-se até do link para a edição digital, em PDF, aberta apenas aos assinantes. No dia seguinte colocaram o link, mas apontando para o endereço errado, erro que ainda não foi corrigido. A edição do dia é representada apenas por uma imagem pequena da capa. Clicada, ela leva para uma versão maior, mas ainda ilegível. Abaixo dessa imagem, uma lista de três links para matérias da edição do dia é tudo que se tem como indicação do que saiu no jornal impresso. Outras matérias da versão impressa até estão disponíveis no site, mas nao dá para saber quais são sem comparar com o jornal.</p>
<p>Dentro das seções, a organização é caótica. Na lista de notícias, que não tem espaço para nenhum destaque, cada uma delas é seguida por um excesso de links para &#8220;posts relacionados&#8221;. As categorias dos posts ainda ajudam um pouco na busca se a seção em questão for Esportes ou Jornal do Carro. Nas outras, há poucas categorias, todas muito genéricas. A pesquisa por data praticamente inexiste, a não ser pelos arquivos, separados por mês. Não é lá grande ajuda: em maio, por exemplo, foram 218 postagens na editoria Cidade. Como encontrar algo no meio de tanta coisa? (Ainda bem que há a busca, modelo WordPress, que ajuda nesse quesito.)</p>
<p>De bom, mesmo, a possibilidade de comentar as notícias e os blogs de colunistas novos e antigos. O Blog da Garoa e o Vida de Solteiro foram boas surpresas. Robson Morelli, do caderno de Esportes, já mantinha no <em>Estadão.com.br</em>, um blog atualizado esporadicamente, e parece que agora escreverá com mais frequência. Vamos ver se daqui a seis meses todos os blogs continuarão a ser atualizados.</p>
<p>Em suma, há muito o que melhorar no novo site do <em>JT</em>. Se a ideia de transformar o site num grande blog facilita a atualização, sou a favor, mas seria interessante deixar o layout menos &#8220;engessado&#8221;, algo que deve ter sido feito pensando em repórteres que têm intimidade apenas com o texto. Deixar um diretor de arte responsável que pudesse tomar conta do layout poderia ajudar. Com ou sem diretor de arte, daria para usar melhor as fotos no site, explorando de fato mecanismos multimídia, neste instante limitados a um vídeo na barra direita da <em>home</em>, sem índice ou mecanismo de pesquisa.</p>
<p>Entre os anos 1960 e 1980 o <em>JT</em> sempre foi um jornal de vanguarda e inovador. Essa característica foi perdida, especialmente com as últimas reformas gráficas, que tiraram as características diagramações diferenciadas que ele tinha, transformando-o num jornal comum. Como o site só pegou a fase pouco inspirada, nunca chegou sequer perto de ser referência. Sempre deu a impressão de ser algo que era mantido por obrigação. Essa impressão persiste.</p>
<h5>Atualização (8/6/2010, 10h45):</h5>
<p>O link para a edição digital finalmente foi corrigido.</p>
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