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	<title>Pseudopapel &#187; Placar</title>
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		<title>Memórias da minha infância jornalística</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2014 19:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada, o Flavio Gomes postou em seu blog um texto sobre o primeiro jornal que ele fez, aos nove anos. Isso, claro, atiçou minha memória e cometi as (muitas) linhas abaixo, publicadas nos comentários do texto original. Minha primeira memória também é dos nove anos de idade, um “jornal”, de cujo nome não me lembro, que publiquei durante uma viagem com meus avós a Itanhaém. O jornal já nasceu encadernado, publicado que era nas páginas de um caderno adquirido exatamente para esse fim. Alternava notícias gonzo — como a de quando meu avô foi ao mercado e esqueceu&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2014/04/memorias-infancia-jornalistica/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, o Flavio Gomes postou em seu blog <a href="http://flaviogomes.warmup.com.br/2014/04/o-comeco-de-tudo/" title="Flavio Gomes: &#039;O começo de tudo&#039;" class="broken_link">um texto sobre o primeiro jornal que ele fez</a>, aos nove anos. Isso, claro, atiçou minha memória e cometi as (muitas) linhas abaixo, publicadas nos comentários do texto original.</p>
<p>Minha primeira memória também é dos nove anos de idade, um “jornal”, de cujo nome não me lembro, que publiquei durante uma viagem com meus avós a Itanhaém. O jornal já nasceu encadernado, publicado que era nas páginas de um caderno adquirido exatamente para esse fim. Alternava notícias gonzo — como a de quando meu avô foi ao mercado e esqueceu parte das compras no teto do carro, sobrando apenas o tapete de chuveiro, que ficou devidamente “grudado” — e <em>hard news</em>, como a explosão da Challenger, ocorrida naqueles dias. É exatamente por causa dessa notícia que me lembro da minha idade.</p>
<p>Mas meu negócio, mesmo, era desenhar histórias em quadrinhos, apesar de eu ser um péssimo desenhista. Segui nessa toada até os catorze anos, graças à inspiração das histórias em quadrinhos desenhadas pelo meu pai na infância e adolescência. Tenho até hoje várias das revistas que ele publicou, acho que entre 1963 e 1970. Embora houvesse vários números acima do cem, desconfio que ele pulou alguns números. A coleção segue praticamente completa até por volta do número 80, depois começam a aparecer “buracos”.</p>
<p>A minha coleção foi muito menos longa, embora mais vasta, pois eu tinha umas quatro ou cinco publicações concomitantes. Eu fazia no mesmo esquema que o meu pai, colorindo apenas a capa e uma ou outra página interna, mais ou menos como era <em>O Pato Donald</em> nos anos 1950. Eram as referências do meu pai e também as minhas, já que ele mantém até hoje a coleção do <em>Pato</em> completa do número 1 ao 1900, mais ou menos.</p>
<p>Mas chegou uma hora em que percebi que desenhava como uma criança de seis ou sete anos, embora já tivesse quase quinze. Cessei as publicações de quadrinhos, embora não tenha fechado a editora, afinal eu orgulhava-me de tê-la fundado em 1981, dez anos antes, e não poderia deixá-la morrer. Eu só nunca consegui uma explicação da data. Em 1981, eu já sabia escrever, é verdade, e escrevia livros e desenhava histórias em quadrinhos, da maneira como se espera que uma criança de cinco anos o faça, mas não me lembro de ter inventado o nome de uma editora até, sei lá, uns dois ou três anos depois. Mas eu tinha definido que a data de fundação era em 1981, e, naqueles tempos, minha palavra era final na Editora Matriz.</p>
<p>A empreitada seguinte da editora serviria para suprir uma lacuna na minha vida, criada quando a <em>Placar</em> cessou suas publicações semanais, em agosto de 1990. A Matriz, claro, seria a responsável por uma revista que fizesse o mesmo papel. O nome, por mero acaso, era um sinônimo de “placar”: <em>Escore</em>. Mas havia um problema: devido ao Plano Collor, não havia verba para mandar fotógrafos aos estádios e coisa e tal nem para comprar material de agências. Ok, talvez o Plano Collor não tivesse nada a ver com isso, mas fica mais legal contando assim.</p>
<p>Então, em vez de cobrir o Campeonato Brasileiro de Futebol, a <em>Escore</em> passou a cobrir o Campeonato Brasileiro de Futebol… de Botão, realizado no meu quarto, mesmo. Como eu sempre quisera ver um campeonato em pontos corridos, o meu Brasileiro era assim, com oito clubes disputando o título. Havia até uma segunda divisão, uma Copa do Brasil e campeonatos regionais e estaduais. E a revista seguiu firme e forte, semanalmente, por mais de cinquenta edições. Confesso que o “forte” devia-se mais aos excelentes desenhos do meu vizinho Zé do que ao meu talento jornalístico. Acho que tenho todas as edições, guardadas em algum armário inacessível na casa dos meus pais.</p>
<p>Um ano após o fim da <em>Escore</em>, chegou o primeiro computador em casa. Para mim, a maior utilidade seria diagramar minhas revistas. No começo, eu usava o Paintbrush, mesmo. Imagine minha surpresa ao descobrir que dava para fazer em formato de papel, mesmo, em vez do formato padrão que o programa abriu para as primeiras edições publicadas. Eu pegava os cliparts que vinham com o Windows 3.1 e espalhava-os pelas páginas. A imagem que abre este texto dá a dimensão do que era essa fase. As tábuas de classificação eram especialmente difíceis de ser feitas!</p>
<p>Algum tempo depois, migrei para o Word. Para ter certeza de como poderia usá-lo com mais de uma coluna por página, passei dias tentando diagramar uma página do Estadão no Word. Por incrível que pareça, deu certo, e pude diagramar a nova revista esportiva da Editora Matriz, <a href="https://twitter.com/jogosspfc/status/403639688969584641">no Word</a>: a <em>Goleada</em>. Seu auge foi em 1995, quando em várias segundas e terças eu dava um jeito de ir à Praça da República, para comprar jornais de outros estados e até de outros países. Eles serviriam de fonte para textos, fichas técnicas e fotos, escaneadas para entrar na edição daquela semana. Àquela altura, a cobertura tinha deixado os campeonatos de botão e resumia-se apenas ao bom e velho futebol profissional.</p>
<p>Não é difícil imaginar que, apesar de a publicação supostamente ser semanal, devido a todo esse processo e à quantidade de páginas, eu levava muito mais que uma semana para escrever cada uma delas, então elas saíam meio que mensalmente ou bimestralmente, dependendo de quantas provas eu tivesse na faculdade. Obviamente, eu pulava os números. Assim, por exemplo, o número 48 foi seguido, acho, pelo 53 ou algo do tipo.</p>
<p>Folheando alguma revista, descobri que a Microsoft estava lançando um programa para diagramação de páginas, chamado Publisher. Eu até lidava com PageMaker na faculdade, mas ele era caríssimo e eu não tinha como comprar. O Publisher custou-me R$ 120 na época (começo de 1996), tirados do meu primeiro salário em uma editora (como contato comercial). Mas, no fim das contas, usei-o muito pouco para diagramar revistas. Ele foi muito mais útil para diagramar trabalhos de faculdade, embora meus colegas de grupo sempre odiassem quando eu tentava fazer trabalhos com mais de uma coluna por página.</p>
<p>Minha relação com diagramação passou a ser exclusivamente por <em>hobby</em>. Sim, eu diagramo revistas como passatempo. Outro dia, mesmo, peguei o álbum de figurinhas da Copa União de 1988 — o Brasileiro daquele ano realmente chegou a ser conhecido assim, apesar de muita gente achar que Copa União foi só a de 1987 — e rediagramei, no InDesign, duas páginas. Apenas escaneei as figurinhas, que <a href="http://anotacoestricolores.tumblr.com/post/81987828737/album-de-figurinhas-copa-uniao-de-1988" title="Anotações Tricolores: 'Álbum de figurinhas: Copa União de 1988'">entraram no layout exatamente como foram coladas no meu álbum original</a>, ainda comigo, embora com a capa colada com durex e maltratado pelo tempo.</p>
<p>Havia outras memórias menos detalhadas, mas o texto já estava longo demais e parou por aí. Pelo visto, isto é o menos prolixo que consigo ser em um assunto tão apaixonante, que também faz parte da minha infância e adolescência.</p>
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		<title>A nova cara da Placar</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 21:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Em janeiro de 2006 Placar mudou seu projeto gráfico. Na ocasião, o diretor de Redação da revista, Sérgio Xavier Filho, falou sobre a mudança na carta ao leitor e citou o clichê em que se tornou falar disso. Foi também a ocasião em que o logotipo da revista, desenhado por Roger Black onze anos antes, foi alterado para levar a Bola de Prata, prêmiação anual distribuída pela revista durante o Campeonato Brasileiro. (Discordo dessa alteração, que descaracterizou o logo, mas este artigo não é para tratar disso.) Depois disso, uma nova e razoavelmente precoce mudança ocorreria em fevereiro de 2007.&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/07/nova-cara-placar/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em janeiro de 2006 <em>Placar</em> mudou seu projeto gráfico. Na ocasião, o diretor de Redação da revista, Sérgio Xavier Filho, falou sobre a mudança na carta ao leitor e citou o clichê em que se tornou falar disso. Foi também a ocasião em que o logotipo da revista, desenhado por Roger Black onze anos antes, foi alterado para levar a Bola de Prata, prêmiação anual distribuída pela revista durante o Campeonato Brasileiro. (Discordo dessa alteração, que descaracterizou o logo, mas este artigo não é para tratar disso.) Depois disso, uma nova e razoavelmente precoce mudança ocorreria em fevereiro de 2007. Na reforma de janeiro de 2006 a fonte principal fora mantida — versões mais pesadas da <a href="http://new.myfonts.com/fonts/emigre/solex/" class="broken_link">família Solex</a> —, mas na nova reforma, ela foi sacrificada. Desta vez, nenhuma menção no editorial. <a href="http://placar.wordpress.com/2007/01/26/primeira-folheada-fevereiro-de-2007/">Na época</a>, elogiei o fato de o <em>layout</em> ficar mais limpo, mas critiquei a fonte principal utilizada, a <a href="http://www.houseind.com/fonts/unitedcollection">família United</a>, da House Industries. O curioso é que eu mudei de ideia em relação à família tipográfica, e não demorou muito. Foi só perceber o quão versátil ela é, e a <em>Placar</em> foi importante nisso, porque seu pessoal de Arte soube explorá-la com eficiência.</p>
<p>Ao contrário da reforma de fevereiro de 2007, a reforma seguinte demorou. Enquanto ela não vinha, fiquei imaginando se a família United seria mantida. A edição de julho de 2011 trouxe a resposta: sim, a United foi mantida. Na verdade, seu uso foi até expandido: agora é a única família de fontes usada na revista, uma aposta ousada. Com isso, a versão regular com serifas dela passou a ser usada inclusive no corpo dos textos. Minha primeira impressão disso não foi das melhores, assim como já havia ocorrido com o uso da fonte em títulos e outros elementos gráficos. O problema que vejo é que, além de a United ser bastante angulosa, a versão com serifas é do tipo <em>slab serif</em>. Nesse último quesito, o uso de <em>slab serifs</em> em corpo de textos está longe de ser uma novidade. O <em>Jornal da Tarde</em> já usava uma das famílias mais antigas desse estilo, a Clarendon, nos anos 1970, com sucesso, mas a Clarendon é &#8220;redondinha&#8221; e aproxima-se muito mais das fontes serifadas normalmente usadas em revistas. <em>Placar</em> seguiu o mesmo caminho trilhado pela <em>Revista ESPN</em>, que, por sua vez, importou a mesma fonte para corpo de texto que sua versão norte-americana. Vale lembrar que a United já era usada por <em>Placar</em> no corpo do texto de alguns boxes.</p>
<p>Corpo de texto à parte, a reforma visual manteve boa parte do que funcionava no design anterior. Os pontilhados que serviam como &#8220;fios&#8221; em seções como &#8220;Aquecimento&#8221; e &#8220;O Mundo É uma Bola&#8221; foram mantidos, mas agora em menor número, apenas horizontalmente e sem chegar às bordas das páginas. Ficou mais limpo, embora antes não estivesse ruim. Já que algumas mudanças eram necessárias, acho bom que mantenham uma unidade visual razoável com o <em>layout</em> anterior. Os início de algumas matérias, especialmente nos textos de uma página, como colunas, ganharam um corpo maior, tendência cada vez mais utilizada em revistas. Funciona quando o texto em corpo maior coincide com um parágrafo, mas, por exemplo, na (dispensável) coluna de Milton Neves isso não ocorre, o que dá um aspecto estranho à página.</p>
<p>Nas entrevistas, as perguntas são apresentadas em uma versão mais pesada da fonte e em parágrafos não-justificadas, fazendo um bom contraste com as respostas, justificadas e na mesma versão regular da fonte usada no corpo dos outros textos. Mas nas perguntas é vetada a hifenização, o que vira um problema quando isso gera linhas muito curtas, provocando um &#8220;buraco&#8221; na página. Isso ocorreu em uma das perguntas da entrevista com o Robinho, na página 94. De início, pensei que fosse o uso do recurso &#8220;Balance ragged lines&#8221;, do InDesign, mas a quinta pergunta da página 92 mostra que não é esse o caso. As fotos que ilustram as entrevistas também comprovam que o padrão agora é manter uma margem fixa nas páginas, funcionando como uma &#8220;borda branca&#8221;, mesmo recurso que tem sido brilhantemente usado na revista <em>Época</em>, da concorrente Editora Globo. Com o <em>layout</em> mais &#8220;limpo&#8221; em <em>Placar</em>, parece estar funcionando. Felizmente, as fotos que ocupam todo o espaço da página não foram abolidas totalmente, como na abertura das matérias.</p>
<p>No fim das contas, foi uma reforma gráfica positiva. Por ter sido razoavelmente simples, mantendo boa parte do <em>layout</em> anterior, é possível que a próxima reforma não esteja tão longe. Eu espero que esteja, pois gostei do resultado atual.</p>
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		<title>Entrevista com Juca Kfouri</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jun 2011 00:33:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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		<description><![CDATA[Cerca de três anos e meio atrás eu decidi entrevistar o jornalista Juca Kfouri para conhecer mais da história da Placar, a fim de enriquecer o verbete sobre a revista na Wikipédia. Marquei com ele por email e fui à CBN, onde ele todas as noites durante a semana fazia o programa CBN Esporte Clube. Na data marcada cheguei lá, e ele atrasou-se. Quando me viu, já imaginou quem eu era, me pediu desculpas por mais de uma vez pelo atraso, causado por problemas particulares, e disse que eu poderia marcar a data que eu quisesse na semana seguinte para&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/06/entrevista-juca-kfouri/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cerca de três anos e meio atrás eu decidi entrevistar o jornalista Juca Kfouri para conhecer mais da história da <em>Placar</em>, a fim de enriquecer <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Placar">o verbete sobre a revista na Wikipédia</a>. Marquei com ele por email e fui à CBN, onde ele todas as noites durante a semana fazia o programa CBN Esporte Clube. Na data marcada cheguei lá, e ele atrasou-se. Quando me viu, já imaginou quem eu era, me pediu desculpas por mais de uma vez pelo atraso, causado por problemas particulares, e disse que eu poderia marcar a data que eu quisesse na semana seguinte para fazermos a entrevista.</p>
<p>Dito e feito. Ao invés de levar um gravador, usei minha câmera para filmar a entrevista, que foi praticamente toda focada na <em>Placar</em>. Gostei tanto do resultado que depois pedi autorização a ele para colocar alguns trechos da entrevista no YouTube, com o que ele concordou. Depois diagramei a transcrição da entrevista e coloquei o PDF no ar, com um link bem obscuro para ele. Foi a partir desse esforço que decidi escrever um livro sobre a história da revista, iniciativa que abortei quando <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/uma-historia-que-merecia-ser-contada/">descobri que isso já tinha sido feito</a>, e benfeito, por outrem. Hoje decidi colocar a entrevista aqui, pois a <em>Placar</em> é um tema que já apareceu por aqui antes, e pretendo que volte a aparecer. Eu só queria ter uma foto melhor para ilustrar, mas a foto que bati dele apresentando o CBN Esporte Clube daquele dia saiu desfocada.</p>
<p><strong>Como você foi parar em <em>Placar</em>?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=gwxmcAhhVFo">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Eu fazia Ciências Sociais. Não tinha a menor intenção de ser jornalista. Na verdade, tinha me alistado como voluntário pro CPOR para ir aprender a dar tiro, porque eu era de uma organização clandestina de esquerda, de combate à ditadura, e um belo dia um amigo meu, que trabalhava no DEDOC (Departamento de Documentação e Pesquisas Jornalísticas da Editora Abril), me disse: &#8220;Estão procurando um cara para atender um projeto de uma revista semanal esportiva da Abril, o Projeto Alfa. E eu indiquei você.&#8221; Eu queria ter o meu próprio &#8220;aparelho&#8221;, porque uma coisa que me constrangia era o fato de ter uma atividade clandestina perigosa e de alguma maneira submeter meus pais e meus irmãos aos riscos que eu corria. Aí fui lá ser entrevistado pela alta cúpula da <em>Placar</em>, que já era um bando de jornalistas renomados: Woile Guimarães, Maurício Azêdo, Cláudio de Souza&#8230; Me entrevistaram, aparentemente gostaram e me mandaram fazer os testes psicotécnicos. Eu fiz e passei. Disseram: &#8220;Tá legal, vamos te contratar.&#8221; Eu tinha que me livrar do exército. Foi uma dificuldade, mas, para resumir, me livrei e comecei a trabalhar no DEDOC, atendendo <em>Placar</em>. Assim fiquei durante quatro anos, até terminar a faculdade, em 1974. Quando terminei a faculdade, já como gerente do DEDOC, ia começar a fazer pós-graduação, e o diretor da <em>Placar</em> então, o Jairo Régis, me chamou e me convidou para assumir a chefia de reportagem da revista. &#8220;Você está maluco. Eu nunca fui repórter.&#8221; &#8220;<em>Placar</em> precisa de um cara organizado, <em>Placar</em> precisa de um cara que pense grande, e chegamos à conclusão que é você.&#8221; Eu seguia na minha ideia de fazer carreira universitária. Mas tive que decidir, porque não daria para conciliar a vida de <em>Placar</em> com a pós-graduação. Eu já estava no primeiro semestre, mas resolvi que iria mesmo trilhar o caminho do jornalismo. Assumi a chefia de reportagem da <em>Placar</em> e, cinco anos depois, era diretor da revista. Foi assim que <em>Placar</em> caiu na minha vida. Eu sempre digo que, durante muitos anos, <em>Placar</em> era o meu filho mais velho. Talvez o grande equívoco que eu tenha cometido dentro da Editora Abril tenha sido o de achar que <em>Placar</em> era minha, e não da Abril. Tanto que, quando me pediram para tirar o pé do acelerador em relação à crítica que a revista fazia, por causa dos interesses de compra de direitos pela TVA, eu caí do 15.º andar.</p>
<p><strong>Isso já na época em que você saiu.</strong><br />
Isso, 25 anos depois de ter entrado. Porque a vida inteira a revista era minha. A Abril nunca tinha feito nenhuma interferência na linha da revista. A revista era exatamente aquilo que eu queria fazer, era como se fosse minha.</p>
<p><strong>Como foi na época em que você estava na <em>Playboy</em> e ainda comandando a <em>Placar</em>, de longe?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=DTZRm_RZJxI">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Não só de longe, mas a <em>Placar</em> já era mensal e era uma revista temática. Muito mais fazia o Sérgio Martins e tal do que eu. Eu dava uma supervisionada. Quando fui para a <em>Playboy</em>, eu me joguei de cabeça na <em>Playboy</em>.</p>
<p><strong>Quando eu conversei com o Celso Unzelte, ele falou que naquela época ficavam ele, o PVC até altas horas lá e…</strong><br />
…mal viviam. Foi mais do que isso. Eu assumi a direção editorial do grupo masculino.</p>
<p><strong>Foi quando a Abril enjeitou a <em>Placar</em>.</strong><br />
Isso, porque terminou a Copa de 1990, com aquele fracasso…</p>
<p><strong>Se o Brasil tivesse ganhado, a <em>Placar</em> continuaria semanal?</strong><br />
Provavelmente continuaria. Aquele ano foi terrível, porque o campeão paulista foi o Bragantino. No Campeonato Carioca, o Vasco e o Botafogo deram a volta olímpica — o título foi decidido mesmo no tapetão, quinze dias depois. Uma das coisas que lavavam a égua da <em>Placar</em> era final de campeonato estadual. Você tinha o campeão carioca, o campeão paulista, o pôster e tal. Foi um fracasso. A Copa foi o que foi. Aí acharam que deviam parar com o futebol. E inventaram aquela bobagem da revista <em>Ação</em>, que eu até fiz, porque mandaram, mas não botava a menor fé. E a <em>Placar</em> só não desapareceu de vez porque me deu um estalo e eu falei: &#8220;Escuta, não temos que manter esse nome? Então vamos aproveitar e fazer os 50 anos do Pelé?&#8221; &#8220;Legal. Faz. Mas faz com frila, não inventa moda.&#8221; Foi um puta sucesso, esgotou, ganhou Prêmio Esso. Para o ano seguinte, eu falei: &#8220;Vamos manter uma linha de revistas temáticas, com uma redação com quatro, cinco pessoas?&#8221; &#8220;Vamos, mas sem periodicidade, tá legal?&#8221; &#8220;Tá legal.&#8221; Só que eles não perceberam que eu propus doze revistas naquele ano. Toparam. Fizemos as doze. Ninguém dizia &#8220;<em>Placar</em>, a revista mensal de futebol da Editora Abril&#8221;, mas o fato é que ela era mensal. E passou a viver no azul. Pequeno, mas não dava prejuízo. E foi se mantendo. Até que em 1994 o Brasil ganhou a Copa, e aí eu consegui encaixar o projeto da nova <em>Placar</em>, revista de &#8220;futebol, sexo e rock &#8216;n roll&#8221;.</p>
<p><strong>Era isso mesmo que você queria fazer?</strong><br />
Era. Esta é uma injustiça que cometem contra os que permaneceram em <em>Placar</em> e que sempre eu quero esclarecer. Dizem: &#8220;Pô, o Juca saiu porque não concordou com…&#8221; Não é verdade. Quem propôs a revista &#8220;futebol, sexo e rock &#8216;n roll&#8221; fui eu.</p>
<p><strong>O que eu pergunto é o seguinte: você propôs isso porque você sabia que isso ia ser aprovado ou você propôs isso porque realmente você queria?</strong><br />
Eu queria uma revista de futebol. Um dia, o Roberto Civita me perguntou: &#8220;Você acha que é missão da Editora Abril ter uma revista de futebol?&#8221; Eu falei: &#8220;Não, acho que não.&#8221; &#8220;Mas é a sua, né?&#8221; Eu falei: &#8220;É, minha é.&#8221; Eu acho um absurdo que um país como o Brasil não tenha uma revista de futebol. Eu achava que isso tornaria o projeto mais palatável. São dois os grandes problemas do futebol brasileiro. O primeiro: são raríssimos na história do Brasil os presidentes da República que se interessam por futebol, que entendem de futebol, que conhecem futebol. O Lula é uma exceção. Até outro dia eu falei: &#8220;Talvez seja até melhor que não goste, já que ele está fazendo tanta bobagem nessa área, que vai ver é pior gostando.&#8221; Você conversava com Fernando Henrique, com Itamar Franco, com Sarney sobre futebol… <em>[Faz olhar perdido, bate com as mãos em sinal de "nada".]</em> Não sabiam nada. O outro é que os grandes patrões da indústria de comunicação também ligam muito pouco para futebol. Então, meu argumento era o seguinte: a garotada brasileira de novo tem ídolos, vencedores. Acabou o trauma, a depressão de 1982, da Seleção que não ganha. Hoje tem o Romário, tem o Bebeto, tem não sei o quê. Era visível nas ruas: crianças, meninas inclusive, indo para a escola com camisas de clubes. Então não pode ser uma revista só de futebol. Vamos fazer uma revista voltada para o público jovem, vamos brincar de música, a revista tem de ser uma árvore de Natal, tem que ter presente, tem que ter games e cards… E a revista foi lançada. A primeira edição vendeu 350 mil exemplares, com o Edmundo, &#8220;O animal precisa de carinho&#8221;. E foi um puta sucesso. Como projeto editorial, era uma coisa absolutamente inovadora no Brasil, nem tanto por mérito meu. Nós trouxemos dos Estados Unidos o Roger Black, um dos melhores diretores de arte do mundo, que se encantou com a revista e com o projeto e se dedicou 48 horas por dia até o lançamento. Mas a revista não deixava de ter sua pegada, e foi aí, no terceiro mês, que deu o problema. Foi uma situação absolutamente inusitada, porque a revista era um sucesso, estava sendo comentadíssima, ganhou prêmio de design e o diabo a quatro, e o seu diretor foi embora, porque havia um encarte, &#8220;Dossiê Placar&#8221;, alguma coisa assim, e deu merda. Pediram para parar.</p>
<p><strong>Em 1972, houve outro encarte, em papel jornal, com o Tabelão e a rodada do fim de semana. Você ainda não era o diretor de redação, mas sabe por que começou?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=flSzrVSnSjU">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Era uma maneira de baratear. O problema é o seguinte: <em>Placar</em> a vida inteira deu prejuízo. São raros os anos em que <em>Placar</em> deu lucro. Eu, por exemplo, saí de <em>Placar</em>, em 1978, e fui para a TV Tupi. Passei três meses lá. Eles não pagavam o salário, pedimos demissão coletiva um dia às sete horas da noite e fomos a um boteco, umas quarenta pessoas, a equipe toda do jornalismo da Tupi, encher a cara. Fui dormir lá pelas cinco horas da manhã. Às dez horas da manhã, eu estava dormindo, e, como na minha casa não tinha telefone, meu pai bateu na porta, para me acordar. Minha mulher tinha ido trabalhar. &#8220;O que é, pai?&#8221; &#8220;A Sofia, secretária do Jairo Régis, ligou para você lá em casa. O Jairo está perguntando por que você não foi trabalhar.&#8221; Eu falei: &#8220;Pai, você está maluco? Eu não trabalho mais na Abril!&#8221; &#8220;Eu também não entendi nada, filho, mas o fato é que a Sofia pediu que eu viesse aqui à sua casa, que o Jairo quer falar com você.&#8221; Eu levantei, tomei banho, fui para a casa do meu pai e telefonei. &#8220;O que é?&#8221; &#8220;O que é o quê? São duas horas da tarde. Você não vem trabalhar?&#8221; Falei: &#8220;O que é isso, Jairo? É um convite?&#8221; &#8220;Não, é uma intimação. Tem lugar para você aqui, pô. Vem para cá.&#8221; E imediatamente eu voltei a trabalhar lá. Como editor de projetos especiais, que é uma dessas coisas que inventam para dar emprego. Me encomendaram fazer a coleção, a primeira dos grandes clubes brasileiros, que salvou <em>Placar</em> naquele ano e foi um baita de um sucesso. <em>Placar</em> fechou no azul por causa daquela coleção. Mas <em>Placar</em>, em regra, dava prejuízo. Foi um sucesso durante a Copa de 1970 e, terminada a Copa, passou a vender 35 mil exemplares.</p>
<p><strong>Qual era a tiragem nessa época?</strong><br />
Durante a Copa, vendia mais de cem mil. Depois da Copa, começou a vender 35, 40 e fechava.</p>
<p><strong>E tirava quanto?</strong><br />
Tirava os mesmos 110 mil, 115 mil. Então, sempre houve dificuldades, e por isso ela mudou de cara, de forma de fazer, com capa, sem capa, até morrer, até ser desativada como revista semanal. Teve aquele tempo da <em>Placar Mais</em>, <em>Placar Todos os Esportes</em>, tentou-se de tudo. De tudo. E para mim é muito claro: não haverá uma revista forte de futebol no Brasil enquanto o futebol do Brasil não for um futebol organizado.</p>
<p><strong>Ao menos não numa editora como a Abril.</strong><br />
Mas aí é que está: nenhuma outra tem condições de fazer como a Abril tem. Ninguém distribui revista pelo Brasil afora como a Abril.</p>
<p><strong>A minha opinião de uma revista semanal é que teria que ser local. Fazer uma revista só para São Paulo, por exemplo.</strong><br />
Mas, de certa forma, a gente fazia. Porque tinha uma capa para São Paulo, tinha uma capa para o Rio, tinha uma capa para o Rio Grande do Sul, tinha uma capa para Minas.</p>
<p><strong>Mas vocês tinham que distribuir também no Ceará, no Amazonas…</strong><br />
Sim, mas aí era residual. Não é aí que você vende revista, entendeu? Nem a <em>Veja</em>. Se a <em>Veja</em> não fosse para lá, não faria a menor falta, do ponto de vista econômico. O problema é que é difícil, nessa bagunça que é o nosso futebol, manter viva uma revista semanal. Eu confesso que hoje tenho certa curiosidade para saber o que aconteceria com esse campeonato de pontos corridos, com menos futebol no meio de semana. O meu sonho sempre foi esse: falar da rodada que passou, poder apresentar direito a rodada seguinte e não morrer no segundo dia. O problema era esse. Você saía na terça-feira dizendo &#8220;Corinthians arrasador&#8221;, porque meteu 5 a 0 no Palmeiras no domingo, e na quarta-feira perdia para a Esportiva de Guaratinguetá. E a revista tinha 24 horas.</p>
<p><strong>E hoje o pessoal para guardar isso tem que guardar o <em>Lance</em>, que é jornal e não é a mesma coisa.</strong><br />
Pois é. Mas também não se iluda com relação a uma questão: você olha para o <em>Lance</em> com um olhar de adulto; você olhava para a <em>Placar</em> com olhar de criança e olhar de adolescente. Provavelmente, a criança e o adolescente que compram o <em>Lance</em> têm com o <em>Lance</em> o vínculo que você tinha com a <em>Placar</em>. É assim que funciona. A relação que temos com o futebol quando criança é uma coisa que precisamos preservar. Eu tive uma discussão com o Clóvis Rossi na Copa de 1998. Ele estava indignado com a qualidade da Copa e brigou comigo porque eu escrevi que Brasil × Holanda tinha sido uma prorrogação extraordinária. &#8220;Não admito que você, que viu a Copa de 1970, diga um troço desses.&#8221; Falei: &#8220;Está bem. Vamos ver juntos a Copa de 1970 com o olhar de hoje?&#8221; Será que o Pelé chutava a bola 40 metros por cima do travessão? &#8220;Não!&#8221; Chutava… O Rivellino errava passe? Errava! Quando a gente fala assim: &#8220;Ah, o Corinthians nunca teve um time tão ruim quanto esse.&#8221; Teve sim! Teve piores. O &#8220;Faz-me Rir&#8221; é dos tempos dourados do futebol brasileiro. Não é da fase de exportação de jogador. Se você perde essa dimensão, aí você fica mal-humorado.</p>
<p><strong>Também tem outra coisa: se você comparar o Corinthians de hoje com o melhor time brasileiro hoje, seja qual for, a distância é muito menor do que se você comparar o &#8220;Faz-me Rir&#8221; com o…</strong><br />
…o Santos do Pelé. Sem dúvida.</p>
<p><strong>Sobre a &#8220;revista de 24 horas&#8221;, a Kicker alemã não é mais semanal. Ela sai às segundas e às quintas, resumindo a rodada anterior, inclusive a terceira divisão, e apresentando a rodada seguinte, em preto e branco, não sei a qualidade do papel.</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=epryuev4OUY">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Deve ser papel jornal. Cospe da máquina. Uma das bem-sucedidas experiências que <em>Placar</em> fez foi exatamente na Copa de 1994, quando a gente fazia uma revista após cada jogo do Brasil.</p>
<p><strong>Em papel vagabundo…</strong><br />
Em papel vagabundo, mas já <em>full-color</em>, com foto digital. Só o <a href="http://www.pedromartinelli.com.br">Pedrão Martinelli</a> <em>[fotógrafo de </em>Placar<em> à época]</em> conseguiu transmitir aquele troço <em>[os arquivos das fotografias]</em>. E foi um sucesso. A primeira não vendeu nada, a segunda um pouquinho, a terceira um pouco mais, a quarta já satisfatoriamente, a quinta revista foi um sucesso… Na final, com o Brasil campeão, vendeu quinhentos mil. Foi um puta de um sucesso. Nunca ninguém tinha feito. Qual era o compromisso? Chegar junto com o jornal à banca? Mas isso não é, como princípio, a filosofia de uma revista. A revista não foi feita pra concorrer com o jornal. Mas, pelas particularidades nacionais, por mexer com a emoção… O fato é o seguinte: a <em>Guerin Sportivo</em> <em>[revista italiana de esportes]</em> deixou de ser o que era, a <em>El Gráfico</em> <em>[revista argentina de esportes fundada em 1919 e que foi semanal até 2002, passando então a ser mensal]</em> deixou de ser o que era…</p>
<p><strong>E os escudinhos de botão? Entraram e saíram da revista três ou quatro vezes.</strong><br />
Quando saía, a molecada enchia o saco até conseguir fazer voltar. Aquilo era uma coisa bem-sucedida. Mas tinha que parar de vez em quando, porque esgotava. Era um pouco deliberado. Deixávamos a molecada começar a chiar e aí os escudinhos voltavam. Era um pouco uma brincadeira interna.</p>
<p><strong>E o Tabelão, quando deixou de ser publicado, em 1985?</strong><br />
Ele não se aguentava mais financeiramente, porque era muito caro fazer o Tabelão. Mas todos nós sabíamos que era um pecado. São coisas que marcam a história da revista. Quando você tem que tirar, é como aleijar, como perder uma característica da sua personalidade. Mas era sempre por ditames econômico-financeiros.</p>
<p><strong>E a época da <em>Placar Mais</em>? Foi algo preventivo ou reação a alguma coisa?</strong> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=6Dwt_Zb3rEs">Ver o vídeo deste trecho</a>)<br />
Não, ali foi para não fechar. Vamos fazer bem baratinha, a um real.</p>
<p><strong>E ela deu certo no começo?</strong><br />
No começo, ela foi a revista que mais vendia na Abril. A revista ficou a um real <em>[na verdade, a um preço bem baixo na moeda da época, o cruzado, que sofreu alta inflação ao longo das semanas]</em> um tempão, vendia feito água. Só que havia uma curva, e a partir de certo ponto ela se tornava antieconômica. Então tínhamos que segurar a tiragem, porque a partir de um determinado momento, quanto mais ela vendia, pior era o prejuízo. É delicado. Porque ela não vendia publicidade. Nunca vendeu. Nunca foi um bom veículo.</p>
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		<title>Memórias do jogo de botão</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Mar 2011 23:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Li um texto escrito por Ubiratan Leal, da Revista ESPN e do site Balípodo, em que ele fala de sua paixão na infância pelo futebol de mesa, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era muito mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria aqui. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos. Minhas primeiras&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/03/memorias-jogo-de-botao/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1-640x132.jpg" alt="Times de botão: Mixto, São Paulo, Nacional, Santa Cruz e Vasco" title="Times de botão: Mixto, São Paulo, Nacional, Santa Cruz e Vasco" width="640" height="132" class="alignnone size-large wp-image-719" /></p>
<p>Li um texto escrito por Ubiratan Leal, da <em>Revista ESPN</em> e do site <em>Balípodo</em>, em que ele fala de <a href="http://www.balipodo.com.br/index.php?p=6495" class="broken_link">sua paixão na infância pelo futebol de mesa</a>, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era muito mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria aqui. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos.</p>
<p>Minhas primeiras memórias do futebol de botão são de fotos que mostram meu irmão e eu brincando na tenra infância, especialmente a foto aí embaixo. Aparecemos deitados sobre o campo para chutar a gol, muitas vezes em jogos com três redes (!). Claro, com três e dois anos de idade não é de se espantar. Eram fins dos anos 1970, ainda morávamos em um apartamento na Bandeira Paulista. A diferença de idade — sou pouco <em>menos</em> de onze meses mais velho — sempre permitiu que brincássemos praticamente das mesmas coisas em pé de quase igualdade.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1979.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1979-640x426.jpg" alt="Jogo de botão em 1979" title="Jogo de botão em 1979" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-714" /></a></p>
<p>Nosso sonho era participar dos campeonatos que meu pai organizava entre seus amigos, quase sempre em nossa casa. Eram campeonatos anuais, mas que duravam vários fins de semana, com uma ou outra rodada no meio da semana, se não me engano. Numa época em que e-mail era coisa de ficção científica, as atualizações da tabela eram passadas por correio, mesmo, depois de a secretária dele datilografar tudo. Era ela também que fazia os resumos dos campeonatos, que estão guardados até hoje.</p>
<p>Não chegamos a conseguir participar, pois ainda não éramos nem adolescentes quando os campeonatos &#8220;morreram&#8221;. Não sei direito o motivo, mas imagino que tenha sido especialmente por causa da mudança do local de disputa: tínhamos nos mudado para Alphaville. Mesmo sem trânsito (e sem pedágio) na Castello Branco à época, o campeonato provavelmente passou a ser classificado com uma prioridade mais baixa. Ainda houve um ou outro por lá, mas depois nunca mais.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/alemanha-botao-cracks.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/alemanha-botao-cracks-640x426.jpg" alt="Seleção da Alemanha fabricada pela Crack&#039;s" title="Seleção da Alemanha fabricada pela Crack&#039;s" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-717" /></a></p>
<p>Esta seleção da Alemanha, fabricada pela Crack&#8217;s, foi meu time na maioria das &#8220;Copas do Mundo&#8221; que disputei. O craque do time era o camisa 10, Matthäus, que seguiu como artilheiro mesmo depois de colado com Super Bonder e fita adesiva. Para essa seleção, busquei o maço de cigarros mais bonito da banca, da Lucky Strike. Engraçado pensar que foi vendido para um moleque bem abaixo de 18 anos, mesmo sem o vendedor saber que minutos depois eu jogaria todos os cigarros no lixo.
</p></div>
<p>Mais ou menos na mesma época, meu irmão e eu começamos a organizar campeonatos entre nossos amigos por lá. O primeiro durante a Copa do Mundo de 1986 fez com que, óbvio, o campeonato fosse uma Copa do Mundo. Mas valia imaginar qualquer seleção com qualquer time. O meu, por exemplo, era um Górnik Zabrze, da Brianezi, fabricado nos anos 1970, <a href="http://colecaodebotao.wordpress.com/2011/03/18/gornik-polonia/">igual a este do Farah</a>. Por causa das cores, chamei-o de Paraguai. A escalação? Peguei um álbum de figurinhas do Campeonato Paulista de 1978 e &#8220;convoquei&#8221; alguns dos jogadores, seguramente nenhum de ascendência guarani. Gozado, não me lembro de nenhum, a não ser do craque daquele time, o camisa 2: Neca. Que não era lateral direito, mas como é que eu iria saber?</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-5-640x121.jpg" alt="Times de botão: Holanda e Inglaterra" title="Times de botão: Holanda e Inglaterra" width="640" height="121" class="alignnone size-large wp-image-727" /></p>
<p>Outro dos &#8220;técnicos&#8221; escolheu um time qualquer e chamou de Bélgica, que estava em evidência naquela Copa. Meu irmão tinha um time da União Soviética (<a href="http://colecaodebotao.wordpress.com/2010/11/21/russia-selecao/">igual a este, também do Farah</a>), fabricado pela Crack&#8217;s — se naquela época eu imaginasse um lugar chamado Cracolândia, seria muito diferente da que temos hoje em Campos Elíseos —, e usou-o sob esse nome. Mas batizou cada jogador com nomes supostamente russos que ele mesmo inventou. Uns poucos lembravam até nomes daquele país, mas a maioria não tinha nada a ver. Curiosamente, eu me lembro de alguns dos nomes, mais até do que os do meu time. O goleiro chamava-se Goleress (o cara <em>nasceu</em> para ser goleiro?); o zagueiro central era o Nortov; o lateral direito era o Vondos; o ponta esquerda era o Vondoteico, que era o craque do time. Um outro &#8220;técnico&#8221; simplesmente inventou um país chamado Gray Light. Seu elenco era composto por vários jogadores famosos, como Gary Lineker.</p>
<p>Nessa primeira Copa do Mundo meu irmão ganhou de mim na final. O jogo terminou 8 a 7, ou algo parecido. As Copas do Mundo seguintes foram vencidas sempre por ele. Fiquei com a maior parte (mas não todos) os vice-campeonatos. Ele às vezes até perdia na primeira fase, quando podia perder, mas nunca nos mata-matas e, especialmente, na final. Apesar desse domínio, todos tinham o maior prazer em participar. Eu, em especial, adorava confeccionar as tabelas e tentar fazer &#8220;anuários&#8221; baseados em um livro estrangeiro da Copa do Mundo de 1986 que meu pai tinha arrumado. Um dos livros mais legais que já tive. E sumiu. Não sei que fim levou, mas sumiu quando eu ainda era criança.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/copa-do-mundo-botao.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/copa-do-mundo-botao-640x426.jpg" alt="Copa do Mundo de botão" title="Copa do Mundo de botão" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-709" /></a></p>
<p>Não sei se esta foto, batida em 1988 ou 1989, é de uma das Copas do Mundo, mas é mais ou menos da mesma época. Nesse torneio especificamente havia jogos simultâneos, daí o outro campo no pé da foto.
</p></div>
<p>O grande motivo do domínio do meu irmão certamente era a bolinha. Ou melhor, o disco que usávamos. Eram sempre fichas de War. Se algum sumia, lá íamos nós até a caixa do jogo para buscar um novo. Quando, com muito atraso, passamos a jogar com bolinhas, tudo passaria a ser equilibrado, ao menos no que dizia respeito a nós dois. Mas aí as nossas Copas do Mundo já tinham acabado.</p>
<p>A Copa do Mundo de 1986 também me lembra o nascimento do meu primo Fernando. Quando ele veio ao mundo, meu irmão e eu ganhamos como presente um time de botão cada. Não me lembro de qual ele ganhou; eu ganhei o Grêmio. Era uma série da Gulliver em que os jogadores tinham dois tamanhos diferentes, algo que eu nunca tinha visto até então. Não me adaptei àquele estilo de botão e pouco joguei com aquele Grêmio.</p>
<p>Acho que eu era o único que fazia paralelamente campeonatos sozinho. Aprendi isso com meu pai. Quer dizer, com um caderno em que ele anotava os campeonatos dele, que duraram entre 1964 e 1974, se não me engano. 1974 foi o ano em que ele se casou — no dia do casamento, ele conta que estava jogando botão até pouco antes da cerimônia. É claro que eu tinha de ter o meu próprio caderno com os meus próprios campeonatos! Então passei a montar meu Campeonato Brasileiro em pontos corridos, algo que eu sempre quisera ver na vida real, mas nunca tinha conseguido. Havia oito clubes, nenhum deles comprado em loja.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-3-640x112.jpg" alt="Times de botão: Botafogo, Goiás, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Ceará" title="Times de botão: Botafogo, Goiás, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Ceará" width="640" height="112" class="alignnone size-large wp-image-726" /></p>
<p>Os times eram os com que meu pai jogava na infância, montados a partir de diversos times que ele tinha comprado. Ele provavelmente vai saber citar a marca de cada um. Eu, como já os recebi &#8220;desfigurados&#8221;, não saberia dizer. Mas os times eram boas mesclas. Não eram exatamente os mesmos de 25 anos antes, pois após o advento dos escudinhos de botão na revista <em>Placar</em> ele passou a decorá-los. Fora isso, era a mesma coisa. Ele guardava cada um em maços de cigarro Minister, com etiquetas adesivas daquelas em relevo para tornar fácil o arquivamento. Não sei o que aconteceu com esses maços. Aliás, não sei nem onde ele os arranjou. Anos mais tarde, eu quis recolocá-los em maços de cigarro e contei com a ajuda de uma amiga da minha tia, que fumava algumas dezenas de cigarros Marlboro por dia. Rapidinho obtive caixinhas para as dezenas de times. E arrumei também uma etiquetadora para colocar os devidos nomes.</p>
<p>Um dos times de que mais me lembro é o Porto Seguro, a escola onde meu pai e eu estudamos, feito quase todo de botões estilo &#8220;Canoinha&#8221; da Estrela. Ele tinha montado o time com seus colegas, muitos dos quais eu conhecia. O primeiro botão abaixo é um dos jogadores, que hoje é o tio da minha esposa. Era talvez o único que, por motivos óbvios, não tinha escudinhos da Placar colados. Como o &#8220;escudo&#8221; do colégio era razoavelmente simples, canetas hidrográficas de apenas duas cores resolveram o problema. Era também um dos únicos que tinha a escalação &#8220;impressa&#8221; no próprio botão. Certa vez, sei lá por quê, levei-o à escola. O professor de Artes Plásticas viu e resolveu que a ala masculina da classe faria times de botão como um dos trabalhos e depois seria organizado um campeonato. Eu até fiz o meu time, mas, para o campeonato, usei o time do meu pai, com que eu já estava acostumado a jogar. Não me lembro do resultado. Aliás, nem me lembro se o campeonato chegou a terminar.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-2-640x106.jpg" alt="Times de botão: Porto Seguro, Marília, Londrina, Sport e Grêmio" title="Times de botão: Porto Seguro, Marília, Londrina, Sport e Grêmio" width="640" height="106" class="alignnone size-large wp-image-724" /></p>
<p>Outro time que me marcou era o Marília, composto por jogadores transparentes estilo &#8220;tampa de relógio&#8221;, mas com uma tampa embaixo, o que permitia que se colocasse os escudinhos por dentro do botão. Essa tampa de baixo tinha dois furinhos para que fosse possível desencaixá-la, como se vê no terceiro botão acima. Eu tinha sempre um clipe desentortado para usar quando precisasse abrir um desses botões. O clipe desentortado fazia parte do meu kit para jogar, que também incluía uma caixa de fichas de pif-paf, usadas como palheta. Outro time de que eu gostava muito era o Londrina, com botões azuis da marca Bolagol. No meio do botão havia uma depressão onde era encaixado o papelzinho redondo com o escudinho e o número de cada jogador. Algumas dessas depressões ainda tinham uma tampinha transparente para proteger o papel, mas muitas foram se soltando com o tempo. Um dos outros times que tinham jogadores Bolagol era o Sport, nesse caso branco. Talvez influenciado pela campanha do Fluminense no Brasileiro de 1984, o número 6 eu chamava de &#8220;Paulo Vítor Entrou na Linha&#8221;. Só não me peça para explicar o que o Sport tinha a ver com o Fluminense. Não faço ideia. Também vale citar que o Grêmio montado pelo meu pai tinha botões &#8220;Canoinha&#8221; vermelhos. Até hoje, quando penso em cada um dos times consigo me lembrar de como eram os botões.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/caixa-palhetas-fichas-pif-paf.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/caixa-palhetas-fichas-pif-paf-640x426.jpg" alt="Caixa de fichas de pif-paf, usadas como palhetas" title="Caixa de fichas de pif-paf, usadas como palhetas" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-716" /></a></p>
<p>A caixa de fichas de pif-paf que eram usadas como plahetas. Muitas delas já se perderam no tempo e algumas quebraram-se, mas a maioria ainda existe. Como se pode ver, a branca era a preferida.
</p></div>
<p>Quando eu ia ao Rio de Janeiro, ficava muitas vezes no apartamento do meu primo de segundo grau Bruno, que tinha a minha idade, apesar de ser primo da minha mãe. No prédio dele, em Botafogo, havia muita gente com que jogar. Os botões que eles usavam eram diferentes dos com que estava acostumado. Não eram iguais nem aos que chamávamos de &#8220;oficiais&#8221; (Champion, Crack&#8217;s etc.) nem aos do meu pai. Eles eram maciços, com ângulos retos. Lembravam um pouco os oficiais da Federação Paulista que eu conheceria anos mais tarde, mas menores e sem furo no meio. E eles praticavam trocas de jogadores, literalmente, o que eu achava divertido, embora nunca pudesse participar, já que os meus eram muito diferentes. Foi lá no Rio também que certa vez fui à Rua da Alfândega procurar times e comprei seis caixas: América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Eram caixas azuis, com botões meio vagabundos, que tinham até uma pontinha que sobrava depois de os moldes serem destacados. O único deles que eu já não tinha era o Bangu, que ficou, pois, intacto; os demais foram desfigurados para montar outros times.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/bangu-fabrica-de-penas-de-aco-brasil.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/bangu-fabrica-de-penas-de-aco-brasil-640x425.jpg" alt="Bangu (Fábrica de Penas de Aço Brasil)" title="Bangu (Fábrica de Penas de Aço Brasil)" width="640" height="425" class="alignnone size-large wp-image-715" /></a></p>
<p>A caixinha do Bangu ainda existe, embora não seja mais usada para guardar o time, que tem seu próprio maço de cigarro. O fabricante era a Fábrica de Penas de Aço Brasil, que ficava na <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&#038;source=s_q&#038;hl=en&#038;geocode=&#038;q=Rua+Pereira+Nunes,+410,+Rio+de+Janeiro,+Brasil&#038;aq=0&#038;sll=37.0625,-95.677068&#038;sspn=34.313287,79.013672&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=R.+Pereira+Nunes,+410+-+Vila+Isabel,+Rio+de+Janeiro,+20511-120,+Brazil&#038;ll=-22.915754,-43.2406&#038;spn=0.002436,0.004823&#038;t=h&#038;z=18&#038;layer=c&#038;cbll=-22.915595,-43.240638&#038;panoid=PpG_iFl4ao10s9w2I7XrWw&#038;cbp=12,76.32,,0,0.45">Rua Pereira Nunes, 410-A</a>, no Rio de janeiro. Pelo Google Street View, não fica claro se a empresa ainda está lá, mas uma consulta no Google só retornou resultados do <em>Diário Oficial</em>.
</div>
<p>A maior parte dos campeonatos de que eu participei na minha infância e adolescência envolveu, além do meu irmão, o Zé e o Gui, dois irmãos que moravam quase ao lado da nossa casa. Eles tinham entre si uma rivalidade ainda maior do que a nossa, acentuada por uma diferença de idade de quase três anos. O Zé, o mais velho, é um dia mais novo que o meu irmão. Eu já briguei com meu irmão por causa de jogos de botão, mas nunca cheguei a comer uma tabela após uma dolorosa eliminação, só para impedir a continuação do campeonato — a medida funcionou melhor que qualquer tapetão. Esses campeonatos geralmente tinham fórmulas de fazer a CBF morrer de inveja, incluindo uma primeira fase de grupos em que todos os times se classificavam.</p>
<p>O Zé também foi parte integrante dos campeonatos qe eu fazia sozinho, embora ele provavelmente nunca tenha presenciado um jogo. Afinal, eu publicava uma revista semanal sobre os torneios e precisava de alguém para desenhar as capas, já que minhas habilidades para desenho só são aceitáveis para uma criança de oito anos, e olhe lá. O pessoal da minha classe na escola sempre queria ver as revistas, claro que não pelo conteúdo, mas pelas capas e por um ou outro desenho que ele fazia a mais para preecher um eventual espaço vazio. As revistas em geral vinham com pôsteres (!) dos times posados. Esses eu mesmo fazia, usando os próprios jogadores como moldes e depois desenhando uma versão bem minimalista dos escudos com régua e compasso. Foi graças a essas revistas, escritas a mão, que minha letra melhorou bastante e eu passei a escrever em letra de forma. O nome da publicação, <em>Escore</em>, foi descaradamente baseado na <em>Placar</em>, que àquela altura já não era mais semanal. Era a minha maneira de suprir essa, digamos, &#8220;carência&#8221;. A revista durou uns cinquenta números. Eu, que sempre tinha gostado de fazer revistas em quadrinhos, nunca tinha conseguido chegar tão longe numa numeração. Essas revistas foram a única coisa que procurei, mas não achei para ilustrar este texto.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ulysses-cup.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ulysses-cup-640x424.jpg" alt="Ulysses Cup" title="Ulysses Cup" width="640" height="424" class="alignnone size-large wp-image-708" /></a></p>
<p>A Ulysses Cup em 4 de março de 2001. Não dá para ver direito na foto, mas, além da imagem de Ulysses Guimarães, todos os campeões estão imortalizados ali, em decalque coberto por esmalte incolor.
</p></div>
<p>Um pouco mais tarde, nós quatro criamos a Ulysses Cup, um troféu de posse transitória a ser disputado em um campeonato de botão. Àquela altura, já tínhamos sido apresentados aos times oficiais da Federação Paulista, por meio de uma matéria publicada na <em>Placar</em> em dezembro de 1991. Fomos atrás do Lourival, um dos fornecedores citados, no Belenzinho, e compramos um time cada um. O meu foi um time azul e vermelho, que batizei como Nacional. O do meu irmão foi um verde e branco, batizado de Werder Bremen. E foi com esse time que ele ganhou a primeira Ulysses Cup, em 1993. O nome, cuja ideia não foi minha, foi uma mistura de Ulysses Guimarães, recentemente falecido, com a Copa Stanley, troféu máximo do hóquei no gelo, esporte pelo qual minha fascinação estava começando.</p>
<p>Das cinco Ulysses Cups, conquistei duas, uma com meu time do Pittsburgh Penguins (um clube de hóquei no gelo), outra com a minha seleção alemã de 1974 (cujo craque era o número 8, Grabowski). Meu irmão ganhou aquela primeira e mais uma. A edição que sobrou foi vencida pelo Zé. Detalhe: meu irmão e eu suspendemos um ao outro daquela edição, devido a problemas distintos que nem lembro mais. Um deles possivelmente teve a ver com uma vez em que atirei vários jogadores da minha Alemanha contra ele. Muitos deles têm sequelas até hoje: pequenos &#8220;dentes&#8221; embaixo. O motivo? Deve estar perdido em alguma sinapse desfeita em meu cérebro.</p>
<p>Com times oficiais em mãos, resolvemos &#8220;nos profissionalizar&#8221;. Isto é, inscrevemo-nos na Federação Paulista de Futebol de Mesa. Quando do cadastro, cada um teve de escolher um apelido. O meu foi simplesmente o sobrenome do meio, Linhares. Em meados de 1994 participamos, meu irmão, o Zé e eu, de nosso primeiro campeonato, um torneio aberto no Círculo Militar de São Paulo. Nesses torneios abertos era permitida a inscrição de jogadores avulsos, sem clube, como nós. Foi lá que recebemos o convite para defender o Nacional, cujo departamento de futebol de mesa estava começando.</p>
<p>Acabamos não fazendo nada a respeito, mas no ano seguinte, quando praticamente já tínhamos nos esquecido, ligaram para mim perguntando se eu ainda estava interessado em treinar no Nacional. Sim, eu estava. Meu irmão e o Zé foram também. Passamos a defender a equipe de aspirantes do clube. Num dos jogos fora de casa, contra a Sociedade Amigos de Vila Maria Zélia, a reportagem do <em>Estadão</em> estava lá para escrever matéria sobre o botonismo naquele bairro. Acabamos saindo meio que sem querer na reportagem, publicada no caderno &#8220;Seu Bairro Leste&#8221; de 15 de agosto de 1996. A foto da equipe do Nacional, inclusive, foi a maior da página Z6, mas acabou bastante manchada por um anúncio quase todo preto na página oposta. O Nacional venceu o jogo, 46 a 26.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/reportagem-vila-maria-zelia.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/reportagem-vila-maria-zelia-640x425.jpg" alt="Reportagem sobre botonismo na Vila Maria Zélia" title="Reportagem sobre botonismo na Vila Maria Zélia" width="640" height="425" class="alignnone size-large wp-image-710" /></a></p>
<p>Na matéria sobre o botonismo na Vila Maria Zélia, a equipe do Nacional (sou o último à direita) ganhou um indevido destaque. A foto do time da casa saiu na capa do suplemento.
</p></div>
<p>Participando de praticamente todas as competições a que eu tinha direito, consegui subir no ranking da Federação e fui convocado até para a quarta divisão do Paulista Individual, realizado em um fim de semana no Clube Atlético Indiano. Para essa competição eram convocados anualmente os oitenta melhores no ranking, sendo vinte em cada divisão. Não cheguei nem perto de vencer, mas também não fui um dos últimos.</p>
<p>Eu tinha um estilo bem característico. Enquanto a grande maioria dos federados aproveitava ao máximo os doze toques a que tinham direito em cada lance, eu chutava do meio da rua, mesmo. E com uma pontaria realmente boa para a distância. Esses chutes ficaram conhecidos no Nacional como &#8220;pombos sem asa&#8221;. É claro que com esse estilo eu não teria como ir muito mais longe do que fui. Eu não gastava todo o tempo que podia, o que gerava uma média de gols (tanto pró como contra) mais alta nos meus jogos, isso sem falar que mais de uma vez tomei gol do goleiro adversário devido à potência dos meus chutes.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/nacional-foto-posada.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/nacional-foto-posada-640x421.jpg" alt="Nacional: foto posada" title="Nacional: foto posada" width="640" height="421" class="alignnone size-large wp-image-711" /></a></p>
<p>A foto acima é da minha última partida pelo Nacional, em 14 de setembro de 1997, contra a Hebraica. Em pé: Espel, Ceará, Peron e Linhares. Agachados: Roni, Miltinho, Bueno e Mazinho.
</p></div>
<p>Minha última participação na Federação Paulista foi em 1997. O Nacional já não tinha mais jogadores suficientes para formar uma equipe de aspirantes, então só havia o time principal, do qual eu passei a ser titular. Mas naquela época minha vida profissional começou a colocar obstáculos demais para seguir comparecendo todos os finais de semana e deixei de ir. Desde 1997, meus únicos jogos foram um minicampeonato com parentes da minha mulher em 2000 e um campeonato escolar em 2007, em que atuei em dupla com o primo da minha mulher, então no colegial. Fomos campeões ganhando as duas partidas por W.O.</p>
<p>Depois de ler o texto do Ubiratan, resolvi comprar um Estrelão para meu filho Guilherme, que está por completar dois anos e meio. Não me parece cedo, não. Na foto que abre este texto, meu irmão, debruçado sobre o campo, tinha acabado de fazer dois anos. Na foto que fecha, Willi começa a aprender a jogar.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/willi-joga-botao-640x426.jpg" alt="Willi joga botão" title="Willi joga botão" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-729" /></p>
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		<title>Como é difícil receber créditos!</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 18:54:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Diário do Comércio]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal da Tarde]]></category>
		<category><![CDATA[Michel Laurence]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Para mim, um produtor de conteúdo que é também fotógrafo amador, não faria sentido cobrar por foto alguma. Por isso, todas as fotos que bati e estão aqui no Pseudopapel são liberadas em Creative Commons, com as mesmas condições. Faço o mesmo no meu Flickr e, obviamente, nas várias imagens que já carreguei no Commons. A única vez que recebi por uma foto foi quando enviei uma foto do cruzamento entre as avenidas Faria Lima e Rebouças travado para o &#8220;Fotorrepórter&#8221; do Grupo Estado, e no dia seguinte o Jornal da Tarde usou-a em sua segunda página. Recebi, depois de&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/como-e-dificil-receber-creditos/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para mim, um produtor de conteúdo que é também fotógrafo amador, não faria sentido cobrar por foto alguma. Por isso, todas as fotos que bati e estão aqui no <em>Pseudopapel</em> são liberadas em Creative Commons, com as mesmas condições. Faço o mesmo <a href="http://www.flickr.com/photos/things-i-like-in-sp">no meu Flickr</a> e, obviamente, nas <a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/User:Agiesbrecht">várias imagens que já carreguei no Commons</a>. A única vez que recebi por uma foto foi quando enviei uma foto do cruzamento entre as avenidas Faria Lima e Rebouças travado para o &#8220;Fotorrepórter&#8221; do Grupo Estado, e no dia seguinte o <em>Jornal da Tarde</em> usou-a em sua segunda página. Recebi, depois de três anos, 65 reais. Pouco uso aqui fotos que não sejam de minha autoria, mas as que aqui estão têm seus devidos créditos.</p>
<p>No ano passado, quando ainda tinha como projeto escrever um livro sobre a história de <em>Placar</em>, entrevistei <a href="http://colunistas.ig.com.br/jogoquaseperfeito/" class="broken_link">Michel Laurence</a>, um dos jornalistas que ajudaram a fundar a revista. Naquela manhã de abril, pedi para bater uma foto sua com a Bola de Prata, para ilustrar na Wikipédia os verbetes com sua biografia e sobre o troféu. Foto tirada, <a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Michel_Laurence_Bola_de_Prata.jpg">coloquei-a no Wikimedia Commons</a>, o repositório de imagens da Wikipédia. Para uma imagem figurar no Commons, é necessário que esteja em Creative Commons, algo que para mim não é problema. Com isso, qualquer um pode usar a imagem como bem entender, de maneira gratuita. A única condição é que mantenha o compartilhamento livre <em>e dê os devidos créditos</em>.</p>
<p>Não posso dizer que fiquei surpreso ao descobrir que há pelo menos dois sites usando a imagem acima, a mesma postada na Wikipédia, sem me dar o crédito. Um deles é o <a href="http://blogdoodir.com.br/2010/10/logo-mais-na-tv-assembleia-michel-laurence-e-eu-falamos-de-pele/">blog do jornalista Odir Cunha</a>, que, se não é sustentado por um grande portal, tem um número de visitantes alto que pode ser medido pela quantidade de comentários em cada postagem. O outro é o <a href="http://www.dcomercio.com.br/especiais/2010/pele/">site do jornal <em>Diário do Comércio</em></a>. O aviso de como a foto pode ser usada não está no topo da página, mas é bem destacado. No caso do jornal, é inadmissível que isso ocorra. Toda imagem usada por uma publicação deve ter seus direitos autorais analisados. Não é porque está na Internet que é de domínio público. Não é porque a foto está em tamanho pequeno que ela não precisa de crédito. As outras fotos da página, incluindo algumas antigas de Pelé, também estão sem crédito. Será que o jornal seria leniente com quem fizesse o mesmo com suas fotos?</p>
<p><strong>Atualização (14 de junho de 2013):</strong> O blog do Odir Cunha acabou, não sei exatamente quando dando algum tipo de crédito à minha foto, dando-o a &#8220;Agiesbrecht&#8221;. Não é o ideal, mas, vá lá, no caso dessa foto, é assim que a página do Wikimedia Commons apresenta.</p>
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		<title>Uma história que merecia ser contada</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 15:33:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Placar]]></category>

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		<description><![CDATA[Em primeiro lugar, cumpro o dever de avisar que eu estava com um projeto de escrever a história da Placar, tendo inclusive feito e transcrito diversas entrevistas. Apesar disso, recebi com alegria o lançamento de Onde o Esporte se Reinventa — Histórias e bastidores dos 40 anos de Placar. Sim, é verdade que o livro basicamente torna desnecessário o meu esforço, embora ele não tenha sido menos prazeroso por isso. Mas meu desejo de escrevê-lo surgiu da vontade de ler essa história, que não sabia que já estava sendo contada. E o trabalho de Bruno Chiaroni e Márcio Kroehn possibilitou&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/uma-historia-que-merecia-ser-contada/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em primeiro lugar, cumpro o dever de avisar que eu estava com um projeto de escrever a história da <em>Placar</em>, tendo inclusive feito e transcrito diversas entrevistas. Apesar disso, recebi com alegria o lançamento de <em>Onde o Esporte se Reinventa — Histórias e bastidores dos 40 anos de Placar</em>. Sim, é verdade que o livro basicamente torna desnecessário o meu esforço, embora ele não tenha sido menos prazeroso por isso. Mas meu desejo de escrevê-lo surgiu da vontade de ler essa história, que não sabia que já estava sendo contada. E o trabalho de Bruno Chiaroni e Márcio Kroehn possibilitou que eu não tivesse de esperar para lê-la.</p>
<p>A primeira impressão, claro, é o &#8220;pacote&#8221;. É um livro bem acabado, com papel de qualidade e mais de quatrocentas páginas. A não ser pela foto da Bola de Prata e pela pequena menção ao nome da revista no subtítulo, não se percebe que o tema é a história da <em>Placar</em>. Há algumas capas ao fundo, mas, não sei se propositalmente ou não, elas estão borradas e bastante escuras, a ponto de ser possível identificar apenas a do número 1, no alto à esquerda. A diagramação é bem cuidada e separa bem o texto do livro dos boxes com reproduções de matérias. A coluna deixada vazia nas laterais externas das páginas é um recurso para inserir notas &#8220;de rodapé&#8221; e eventuais auxílios gráficos, como capas das revistas de onde tiraram matérias, mas foi pouco explorada, e a gigantesca maioria das páginas ficou com essa coluna totalmente em branco. Já na página 323 um erro de impressão, que talvez esteja limitado apenas ao meu exemplar, sobrepôs pedaços de texto sobre o início das últimas linhas. Como isso aconteceu em apenas um centímetro, dificultou, mas não impediu a leitura. Já a impressão das legendas das fotos no encarte não chegou a ficar ilegível, mas foi escolhida uma fonte fina demais. A qualidade da impressão de algumas das fotos também deixou a desejar. Uma das pessoas que cederam fotos disse-me que a foto fornecida tinha melhor qualidade do que a que saiu.</p>
<p>O tema foi tratado desde o início com loas e reverências à revista e sua história, algo perfeitamente compreensível, não só pelo provável histórico dos autores com a revista (que, suspeito, deve ser bem parecido com o meu), mas também porque os entrevistados deixam muito claro o quanto a revista foi importante para eles e o quanto gostaram de passar por lá. Não que fique parecendo que a vida da revista foi o tempo inteiro o mar de rosas. Os inúmeros percalços e mudanças estão lá e foram tratados e quase todos detalhados. O único senão foi a fase &#8220;Todos os Esportes&#8221;, que foi esmiuçada a partir do momento que foi implantada, sem expor os motivos da decisão.</p>
<p>Apesar de o texto não seguir o tempo todo uma ordem necessariamente cronológica, a história é bem linear, sem exigir esforço do leitor para se lembrar em que fase da revista está. Contar essa história cronologicamente, com precisão de datas, seria quase impossível, e alguns temas, como a fotografia e a cobertura de outros esportes, ganharam capítulos à parte que ajudam a inserir histórias cujas datas se perderam no tempo ou que não se encaixariam facilmente na cronologia de acontecimentos que decidiram a sorte da publicação. Outras histórias nessas condições, mas que não tiveram como ser agrupadas em um mesmo tema, foram polvilhadas em microcapítulos ao final de cada capítulo, uma boa solução para não deixar muito material interessante de fora. A narrativa só se perde um pouco no final, quando a fase atual da revista, que já tem quase sete anos e inclui a criação do <em>Jornal Placar</em>, é passada em apenas oito páginas (mais os trechos de reportagens) e encerra-se bruscamente.</p>
<p>O recurso dos trechos de matérias dá a quem não as tem em arquivo a oportunidade de lê-las. Talvez elas devessem ter sido inseridas como apêndices no final do livro, mas não dá para dizer que incomodam a leitura, pois estão muito bem delimitadas e quem já as conhece pode pulá-las facilmente. Algumas delas poderiam ter sido resumidas — a da Máfia da Loteria ocupou quase 16 páginas — e outras talvez pudessem ser suprimidas, mantendo publicadas apenas as que de fato marcaram a história da revista.</p>
<p>Longe de comprometer o livro, a revisão deixou a desejar. O acento grave é usado incorretamente em algumas ocasiões e em outras há erros de digitação, especialmente nos trechos de matérias, o que sugere o uso de um software de reconhecimento de caracteres sem a devida checagem. Curiosamente, esses erros aparecem com mais frequência a partir da segunda metade do livro. Mas o único erro realmente grave está na página 413, quando o verbo &#8220;taxar&#8221; (&#8220;determinar, estabelecer a taxa do preço de&#8221;, de acordo com o Michaelis) é usado no lugar de &#8220;tachar&#8221; (&#8220;considerar depreciativamente, qualificar&#8221;, de acordo com o mesmo dicionário).</p>
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