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	<title>Pseudopapel &#187; demolições</title>
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		<title>O destino do casarão da Rua Artur Prado</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jun 2012 00:19:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há anos o belíssimo casarão localizado na Rua Artur Prado, 376, na Bela Vista, entre as ruas Cunha Bueno e Santa Madalena está escorado para não desabar. Como se lê no site São Paulo Antiga, quem passa por ali com frequência já se acostumou a tal paisagem. Mas há pouco mais de um mês ela mudou. Mas, não, o casarão não foi demolido: na semana do último dia 24 de maio a casa foi toda envolvida por uma lona azul. Se o motivo das escoras já não era muito claro — ok, é para não desabar, mas, se o casarão&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/06/casarao-rua-artur-prado-376/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há anos o belíssimo casarão localizado na Rua Artur Prado, 376, na Bela Vista, entre as ruas Cunha Bueno e Santa Madalena está escorado para não desabar. <a href="http://www.saopauloantiga.com.br/casarao-rua-artur-prado-376/" title="São Paulo Antiga: Casarão de 1913 – Rua Artur Prado, 376">Como se lê no site <em>São Paulo Antiga</em></a>, quem passa por ali com frequência já se acostumou a tal paisagem. Mas há pouco mais de um mês ela mudou. Mas, não, o casarão não foi demolido: na semana do último dia 24 de maio a casa foi toda envolvida por uma lona azul. Se o motivo das escoras já não era muito claro — ok, é para não desabar, mas, se o casarão está abandonado há tanto tempo, qual é o interesse de alguém (supostamente o proprietário) em mantê-lo de pé, ainda mais em um bairro onde têm pipocado novos lançamentos imobiliários com frequência? —, o motivo da lona é ainda mais misterioso. Imaginei que talvez isso significasse que ele não duraria muito mais, mas mais de um mês já se passou, e ao menos aparentemente nada mudou.</p>
<p>Qual será o destino do casarão da Rua Artur Prado?</p>
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		<title>Casarão da Rua do Lavradio que desabou</title>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 23:03:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Turismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje pela manhã desabou um sobrado na esquina das ruas do Lavradio e da Relação, na Lapa, centro do Rio de Janeiro. É o mesmo sobrado que me chamou a atenção quando lá estive, em novembro passado. Ele ficava a uns dois quarteirões do hotel onde fiquei. Na ocasião, fotografei-o. É a foto acima. Dá para notar que, mesmo em completo estado de abandono, ainda era um casarão muito bonito. É mais um exemplo de como a falta de cuidados na conservação de imóveis pode trazer prejuízos, não só para o proprietário como para boa parte da população, nem que&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/05/casarao-rua-lavradio-desabou/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje pela manhã <a href="http://oglobo.globo.com/rio/presidente-do-crea-diz-que-ao-menos-cem-predios-no-rio-correm-risco-de-desabar-4900313" title="O Globo: "Presidente do Crea diz que ao menos cem prédios no Rio correm risco de desabar"">desabou um sobrado na esquina das ruas do Lavradio e da Relação</a>, na Lapa, centro do Rio de Janeiro. É o mesmo sobrado que me chamou a atenção quando lá estive, em novembro passado. Ele ficava a uns dois quarteirões do hotel onde fiquei. Na ocasião, fotografei-o. É a foto acima. Dá para notar que, mesmo em completo estado de abandono, ainda era um casarão muito bonito.</p>
<p>É mais um exemplo de como a falta de cuidados na conservação de imóveis pode trazer prejuízos, não só para o proprietário como para boa parte da população, nem que seja na forma do complicado trânsito nessa região na manhã de hoje, devido à interdição de diversas ruas. Ou para os donos do restaurante vizinho, interditado até que sua estrutura seja avaliada. O bairro da Lapa, no Rio, tem diversas casas antigas, sendo muitas delas em excelente conservação, incluindo algumas em frente ao sobrado que desabou, na Rua da Relação. Na foto abaixo, tirada em 1 de dezembro, dá para vê-los ainda em reforma, mas, pelas fotos que vi hoje, já estão prontos — e muito bonitos.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/05/avenida-republica-chile-rua-lavradio.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/05/avenida-republica-chile-rua-lavradio-640x426.jpg" alt="Esquina da Avenida República do Chile com Rua do Lavradio" title="Esquina da Avenida República do Chile com Rua do Lavradio" width="640" height="426" class="alignnone size-medium wp-image-1502" /></a></p>
<p>A única boa notícia do desabamento é que, segundo a Agência Estado, <a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2012/05/15/andar-de-sobrado-nao-oferece-risco-afirma-defesa-civil.htm" title="Uol Notícias: " class="broken_link">o que restou do casarão não deverá ser demolido</a>.</p>
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		<title>Os prédios da Fiesp</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2012 15:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida Paulista]]></category>
		<category><![CDATA[demolições]]></category>
		<category><![CDATA[Edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Trianon-Masp]]></category>
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		<category><![CDATA[Fórum Hely Lopes Meirelles]]></category>
		<category><![CDATA[Palácio Mauá]]></category>
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		<description><![CDATA[O atual número 80 do Viaduto Dona Paulina era, no início do século XX, o terreno onde ficava a mansão de Paulina de Souza Queiroz, que foi desapropriada quando do primeiro projeto da Avenida Itororó, a atual Vinte e Três de Maio. (Não consegui achar fotos da mansão; alguém tem?) O decreto-lei 14.280, de 24 de dezembro de 1944, regulamentou a doação do terreno por parte do governo do estado, então gerido pelo interventor Fernando Costa, para o Instituto de Engenharia e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). O Ciesp era — e ainda é —&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/03/predio-fiesp/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O atual número 80 do Viaduto Dona Paulina era, no início do século XX, o terreno onde ficava a mansão de Paulina de Souza Queiroz, que foi desapropriada quando do primeiro projeto da Avenida Itororó, a atual Vinte e Três de Maio. (Não consegui achar fotos da mansão; alguém tem?) O decreto-lei 14.280, de 24 de dezembro de 1944, regulamentou a doação do terreno por parte do governo do estado, então gerido pelo interventor Fernando Costa, para o Instituto de Engenharia e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). O Ciesp era — e ainda é — a entidade irmã da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (para entender melhor a diferença entre as duas entidades, consulte as páginas 98 a 101 da <a href="http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-01102009-165641/pt-br.php" title="A FIESP e o estado nacional: de escudeiros e opositores (uma breve história do empresariado industrial paulista e a crise do regime autoritário) 1979 a 1985">dissertação de mestrado intitulada &#8220;A FIESP e o estado nacional: de escudeiros e opositores&#8221;</a>, de Celio André Barbosa, publicada em 2009).</p>
<p>Ali seria erguido, a partir de 1946, o Palácio Mauá, que passaria a ser sede da Fiesp, da Ciesp e do Instituto de Engenharia. O presidente da Fiesp à época, Roberto Simonsen, é considerado o idealizador da construção do edifício de 21 andares (foto abaixo), que teria duas inaugurações: 11 de dezembro de 1952 e 25 de janeiro de 1955. Ele simbolizaria a &#8220;união&#8221; entre a indústria e os engenheiros. Já o nome do edifício era uma homenagem a Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá — ele era também o Barão de Mauá, mas um dos nomes cogitados para o edifício originalmente era Edifício Visconde de Mauá. O projeto foi do arquiteto Francisco Prestes Maia, que tinha encerrado seu primeiro mandato à frente da prefeitura paulistana em 1945. A obra foi financiada pela Caixa Econômica Federal, com um empréstimo pago em &#8220;pouco mais de vinte anos&#8221;, segundo o engenheiro Leônidas Fagundes Rhormens, conhecido como Zico, um dos funcionários mais antigos do prédio em 1977, quando foi ouvido pela <em>Folha de S. Paulo</em>.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/03/palacio-maua-forum-hely-lopes-meirelles.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/03/palacio-maua-forum-hely-lopes-meirelles-640x425.jpg" alt="Palácio Mauá (atual Fórum Hely Lopes Meirelles)" title="Palácio Mauá (atual Fórum Hely Lopes Meirelles)" width="640" height="425" class="alignnone size-medium wp-image-1454" /></a></p>
<p>A Fiesp/Ciesp passou a funcionar no quinto e no sexto andadres do Palácio Mauá, junto com o Instituto de Engenharia, que ocupava o oitavo e o nono andares. Os demais espaços eram alugados, e a renda era dividida entre as duas entidades. Aos poucos, entidades ligadas à Fiesp, como o Serviço Social da Indústria (Sesi), e sindicatos patronais da indústria começaram a alugar esses outros espaços. Em 1977 o Instituto reclamava do valor dos aluguéis, considerados por ele &#8220;ridículos, irrisórios e irreais&#8221;, segundo a <em>Folha</em>. Essa declaração foi publicada em matéria (&#8220;Um novo dono para o velho Palácio Mauá&#8221;, <em>Folha de S. Paulo</em>, 20 de novembro de 1977, página 24) que especulava sobre o destino do Palácio Mauá após a mudança da Fiesp para o número 1.313 da Avenida Paulista, em novembro daquele ano.</p>
<p>Como o novo edifício não comportaria todos os sindicatos que estavam instalados na sede antiga, a mudança da Fiesp não foi total. Também por esse motivo, ela não poderia de imadiato vender a sua parte no Palácio Mauá, apesar de o Instituto ser o principal interessado na compra, para ampliar suas instalações e seguir alugando o que sobrasse, provavelmente por valores mais atualizados. Após a saída da Fiesp, o Instituto ficaria no Palácio Mauá até a decada de 1980, quando se mudou para o local atual, na Avenida Doutor Dante Pazzanese, 120, na Vila Mariana. O Palácio Mauá hoje é conhecido como Fórum Hely Lopes Meirelles.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/palacete-fuad-salem-jt.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/palacete-fuad-salem-jt-640x305.jpg" alt="Palacete Fuad Salem em 1969 (foto de José Pinto/AE)" title="Palacete Fuad Salem em 1969 (foto de José Pinto/AE)" width="640" height="305" class="alignnone size-medium wp-image-1434" /></a></p>
<p>O novo prédio da Fiesp foi erguido no terreno onde ficava o casarão de Fuad Salem, classificado pelo <em>Jornal da Tarde</em> em reportagem de abril de 1969 como &#8220;um dos mais belos e caros da [Avenida] Paulista&#8221;. A foto acima é da mansão, publicada na mesma reportagem. Quando ela foi publicada, o casarão e seu terreno de mil metros quadrados já haviam sido vendidos por nove milhões de cruzeiros, e o imóvel estava sendo demolido, com a venda de boa parte do material retirado, quase todo importado. A descrição do interior da mansão dá uma ideia do que se perdeu: &#8220;(…) o palacete [tinha] sessenta cômodos, vitrais de cristal belga, azulejos ingleses e alemães, e todo o mármore importado da Alemanha e de Portugal. O mármore está ainda na escada e nas colunas da entrada. Dois artistas orientais trabalharam três anos no piso da sala de música, que forma mosaicos de desenhos entalhados. A decoração das outras salas e janelas segue o estilo oriental, com reproduções de palmeiras, tamareiras e camelos.&#8221; A construção da casa, em 1924, custou cerca de mil contos de réis, uma fortuna para a época. E ela durou apenas 45 anos.</p>
<p>Em seu lugar, o Edifício Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho começou a ser construído em 1970, mas só seria definitivamente acabado em 1979, apesar de diversos departamentos da Fiesp já funcionarem ali desde 18 de novembro de 1977, quando foi realizada no novo prédio a cerimônia de posse da diretoria da Fiesp. Nessa época, a estrutura externa de um tom bem escuro de cinza, que dá a forma triangular às faces do edifício, ainda não tinha sido instalada. Assim, apesar de o prédio em si já ter um formato triangular devido às lajes, ele não se destacava muito na paisagem, ao contrário do que ocorre hoje, quando, mesmo de longe, ele chama a atenção:</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/03/avenida-paulista-predio-fiesp.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/03/avenida-paulista-predio-fiesp-640x425.jpg" alt="Avenida Paulista com o Prédio da Fiesp ao fundo" title="Avenida Paulista com o Prédio da Fiesp ao fundo" width="640" height="425" class="alignnone size-medium wp-image-1456" /></a></p>
<p>A área no nível da Avenida Paulista é constantemente usada para exposições e apresentações. Cerca de uma década atrás, quando eu trabalhava na região — mais precisamente, em um prédio atrás do da Fiesp, na Alameda Santos —, costumeiramente havia filas no início da noite: eram pessoas em busca de ingressos, creio que gratuitos, para a apresentação teatral do dia. Naquela época, a Fiesp deixava seu corredor lateral na Alameda Santos aberto, e eu, assim como centenas de pessoas, usava-o para ter um acesso mais rápido à Estação Trianon-Masp do Metrô, sem precisar dar a volta pela Rua Pamplona. Quem acessava pela Alameda Santos tinha de subir uma escada de metal que beirava o lado direito do prédio (visto daquele lado), em seguida virar à esquerda para entrar no corredor central daquele andar (térreo?) e, ao final desse corredor, subir uma curta escada que termina na calçada da Avenida Paulista.</p>
<p>Há anos não vejo o acesso da Alameda Santos aberto. Acredito que não mais o abram, sabe-se lá por quê. Nunca o fotografei, mas certa vez, em 3 de novembro de 2003, passei por lá e notei a lua, brilhante no céu às 17h40. Fotografei-a; é a foto aqui embaixo. Nela pode-se ver parte do prédio da Fiesp à esquerda. Embaixo à direita, vê-se o muro do corredor, que divide o terreno da Fiesp do prédio de apartamentos vizinho na Alameda Santos. Mas a escadaria… dela não tenho fotos.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/lua-corredor-acesso-lateral-fiesp.jpg" alt="Lua vista do corredor lateral da Fiesp" title="Lua vista do corredor lateral da Fiesp" width="640" height="427" class="alignnone size-full wp-image-1435" /></p>
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		<title>Ainda as demolições, agora com loas da Vejinha</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 14:05:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No fim de semana passado chamou-me a atenção a matéria de capa da Veja São Paulo, sobre &#8220;as aventuras dos corretores que procuram áreas na cidade para a construção de novos prédios&#8221;. Não, eu não estava interessado nas peripécias desse pessoal; queria, isto sim, ver qual era o enfoque dado na matéria, porque, pela capa, parecia que seria elogioso. De fato, a reportagem &#8220;Os Sherlocks dos terrenos&#8221; apresenta os tais &#8220;perdigueiros&#8221; como verdadeiros heróis, de uma maneira acrítica e laudatória, que ignora o fato de que as empreendedoras para as quais eles trabalham são responsáveis por agressões à memória da&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/11/demolicoes-vejinha/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No fim de semana passado chamou-me a atenção a matéria de capa da <em>Veja São Paulo</em>, sobre &#8220;as aventuras dos corretores que procuram áreas na cidade para a construção de novos prédios&#8221;. Não, eu não estava interessado nas peripécias desse pessoal; queria, isto sim, ver qual era o enfoque dado na matéria, porque, pela capa, parecia que seria elogioso. De fato, a reportagem <a href="http://vejasp.abril.com.br/especiais/perdigueiros-corretores-de-sao-paulo" class="broken_link">&#8220;Os Sherlocks dos terrenos&#8221;</a> apresenta os tais &#8220;perdigueiros&#8221; como verdadeiros heróis, de uma maneira acrítica e laudatória, que ignora o fato de que as empreendedoras para as quais eles trabalham são responsáveis por agressões à memória da cidade e à qualidade de vida de seus moradores, algo tantas vezes citado por aqui, como quando falei da <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/05/nova-cara-rua-martiniano-de-carvalho/">nova cara da Rua Martiniano de Carvalho</a>.</p>
<p>Não me canso de falar isso: cada edifício erguido em um terreno onde antes havia uma ou mesmo algumas casas significa uma piora considerável na qualidade de vida de toda a vizinhança e até mesmo dos próprios futuros moradores do empreendimento. Isso sem falar em construções antigas representando a memória de São Paulo, que são vergonhosamente derrubadas, como o casarão da Paulista derrubado sorrateiramente de madrugada na semana retrasada, também fruto da ganância das construtoras — eu teria ilustrado este texto com uma foto desse casarão, mas demorei demais para ir lá fotografá-lo e agora, infelizmente, é tarde demais, então usei foto da demolição de duas casas na Rua Dr. Alfredo Ellis, em 9 de janeiro de 2007. A prática de demolições na calada da noite, aliás, já tinha sido levada a cabo nos anos 1980, quando <a href="http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI97207-15916,00.html" class="broken_link">casarões na mesma avenida amanheciam derrubados diante de um tombamento iminente</a>. Tudo &#8220;coincidência&#8221;, é claro.</p>
<p>É realmente essa atividade que queremos enaltecer? Pelo visto, é o que a <em>Vejinha</em> quer, o que é lamentável ainda mais nos últimos tempos, quando suas pautas principais vinham sendo mais sobre a cidade e menos sobre as pseudocelebridades (&#8220;o dentista dos famosos&#8221;, &#8220;o puxa-saco dos artistas&#8221; etc.) que tomaram conta das capas da publicação por anos. Mas, também pelo visto, não é o que os leitores da <em>Vejinha</em> querem, ao menos se levarmos em consideração as <a href="http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2244/cartas-edicao-2243">cartas publicadas pela revista na edição seguinte</a>: das seis sobre o tema, quatro são críticas, uma (de profissional do mercado imobiliário) é neutra e uma é elogiosa — não por acaso, escrita pela esposa de um corretor de imóveis. (Escrevi também um email para a seção, que acabou não sendo publicado, mas foi a base para este texto.)</p>
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		<title>A nova cara da Rua Martiniano de Carvalho</title>
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		<pubDate>Fri, 27 May 2011 14:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No fim da semana passada, usando a minha rota de escape pelo primeiro quarteirão da Rua Martiniano de Carvalho, deparei com a cena acima: a demolição de uma casinha simpática, no número 189, quase na esquina com a Rua Monsenhor Passaláqua, onde funcionava a Igreja Cristã de Graças Celestiais. Felizmente, o sinal estava fechado e consegui a tempo sacar meu celular para registrar os últimos suspiros da casa. Ela ainda está visível no Google Maps, e na imagem reproduzida abaixo, logo antes da paisagem quase lunar de hoje de manhã. No dia seguinte, tinha sobrado apenas o portão, e o&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/05/nova-cara-rua-martiniano-de-carvalho/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No fim da semana passada, usando a minha rota de escape pelo primeiro quarteirão da Rua Martiniano de Carvalho, deparei com a cena acima: a demolição de uma casinha simpática, no número 189, quase na esquina com a Rua Monsenhor Passaláqua, onde funcionava a Igreja Cristã de Graças Celestiais. Felizmente, o sinal estava fechado e consegui a tempo sacar meu celular para registrar os últimos suspiros da casa. <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=en&amp;geocode=&amp;q=Rua+Martiniano+de+Carvalho,+189,+S%C3%A3o+Paulo,+Brasil&amp;aq=t&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=34.259599,79.013672&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=R.+Martiniano+de+Carvalho,+189+-+Bela+Vista,+S%C3%A3o+Paulo,+01321-001,+Brazil&amp;ll=-23.56049,-46.641246&amp;spn=0.00121,0.002411&amp;t=h&amp;z=19&amp;layer=c&amp;cbll=-23.56049,-46.641246&amp;panoid=I5fRl0fgO09PUtRuJZf8Ig&amp;cbp=12,109.83,,0,-7.11">Ela ainda está visível no Google Maps</a>, e na imagem reproduzida abaixo, logo antes da paisagem quase lunar de hoje de manhã. No dia seguinte, tinha sobrado apenas o portão, e o que havia no terreno ao lado, de número 187, que antes tinha um alto muro na frente, também tinha vindo abaixo. Anteontem voltei para fotografar o portão, imaginando que talvez fosse ser conservado, mas ele já não mais estava lá. Os dois terrenos já estão sendo terraplanados. Não sei se vem por aí um novo templo ou um espigão. As duas alternativas são ruins. Sim, mesmo o eventual templo, pois tende a ser maior, e um polo gerador de tráfego. É, entretanto, uma alternativa menos pior do que mais um edifício com dezenas de apartamentos.</p>
<p><a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=en&amp;geocode=&amp;q=Rua+Martiniano+de+Carvalho,+189,+S%C3%A3o+Paulo,+Brasil&amp;aq=t&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=34.259599,79.013672&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=R.+Martiniano+de+Carvalho,+189+-+Bela+Vista,+S%C3%A3o+Paulo,+01321-001,+Brazil&amp;t=h&amp;layer=c&amp;cbll=-23.56049,-46.641246&amp;panoid=I5fRl0fgO09PUtRuJZf8Ig&amp;cbp=12,109.83,,0,-7.11&amp;ll=-23.560675,-46.641045&amp;spn=0.00121,0.002411&amp;z=19"><img class="alignnone size-full wp-image-846" title="Rua Martiniano de Carvalho, 189 no Google Maps" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-189-google-maps.jpg" alt="Rua Martiniano de Carvalho, 189 no Google Maps" width="640" height="427" /></a></p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-189-demolida.jpg" class="broken_link"><img class="alignnone size-large wp-image-852" title="Rua Martiniano de Carvalho, 189: demolida" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-189-demolida-640x426.jpg" alt="Rua Martiniano de Carvalho, 189: demolida" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Os dois primeiros quarteirões da Rua Martiniano de Carvalho, entre as ruas Humaitá e Pedroso, têm, além da Província Carmelitana de Santo Elias, que ocupa boa parte do lado par do primeiro quarteirão, vários edifícios baixos, construídos nas décadas de 1940 e 1950, e casas construídas ainda antes. Um dos exemplos está na foto abaixo, aparentemente no número 123 (o último algarismo caiu, mas deixou marcas que podem ser de um &#8220;3&#8243;).</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-123.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-847" title="Rua Martiniano de Carvalho, 123" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-123-640x426.jpg" alt="Rua Martiniano de Carvalho, 123" width="640" height="426" /></a></p>
<p>No lado ímpar do segundo quarteirão destaca-se a Vila Itororó, conjunto arquitetônico erguido nos anos 1920, possivelmente o imóvel mais famoso da rua e de todo o bairro, lugar onde foi instalada a primeira piscina da cidade. Há ainda uma vila, na altura do número 71, onde minha sogra, Maria Elisa, passou boa parte de sua infância e adolescência. A vila resiste até hoje, mas com um portão provavelmente colocado nas décadas de 1990 ou 2000, como se vê na foto abaixo.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-71-vila.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-848" title="Vila na Rua Martiniano de Carvalho, 71" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-71-vila-640x426.jpg" alt="Vila na Rua Martiniano de Carvalho, 71" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Cruzando a Rua Pedroso, no primeiro quarteirão ainda resistem algumas casas antigas, convivendo com dois prédios mais recentes, provavelmente dos anos 1970, um de cada lado da rua. A partir da esquina com a Rua Santa Madalena, e seguindo até o fim da via, na Praça Amadeu Amaral, as características da Martiniano de Carvalho se modificam, e os hospitais Paulistano e São José passam a dividir a paisagem com prédios já construídos entre a década de 1960 e o início dos anos 1980. A partir de então, o bairro passou a ser esquecido para novos empreendimentos imobiliários.</p>
<p>Nos últimos anos essa tendência tem sido radicalmente revertida. O enorme terreno que abrigou o Palácio Pio XII, sede da Cúria Metropolitana até os anos 1970 e demolido no final daquela década, desde meados da década passada tem três torres enormes de apartamentos, cujo condomínio não preservou a memória do ocupante original do terreno nem no nome, hoje um pouco criativo (e geograficamente errado) &#8220;Vereda Paraíso&#8221;. Apesar de cada um dos prédios ter frente para uma das ruas que ladeiam o terreno — Martiniano de Carvalho, Artur Prado e Pio XII —, a entrada social do condomínio é na Artur Prado, ficando a Martiniano como entrada de serviço e saída da garagem, depejando dezenas de veículos ali todas as manhãs.</p>
<p>Mais à frente, quase na esquina com a Rua João Julião, um espigão recente aparenta ter mais de uma dezena de apartamentos em cada um de seus mais de vinte andares. Um pouco abaixo do Hospital Paulistano, do outro lado da rua, está sendo construído <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/01/demolicao-martiniano-de-carvalho/">um prédio também com dezenas de apartamentos</a>, mas que terá entrada pela Rua Artur Prado, paralela à Martiniano de Carvalho. Um novo prédio de escritórios está quase pronto pouco abaixo, seguindo a tendência ditada pelo complexo da Telefónica, na esquina da Martiniano com a Rua Capitão-Mor Roque Barreto.</p>
<p>Uma esquina pode estar prestes a representar bem as mudanças que, pelo visto, estão apenas começando na Rua Martiniano de Carvalho. Na esquina com a Rua Santa Madalena, do lado esquerdo de quem sobe havia um estacionamento, transferido há poucas semanas para o terreno ao lado, na Santa Madalena. O muro permaneceu, e os portões foram fechados com tijolos. O terreno é grande o bastante para abrigar um novo prédio. Esse último quarteirão da Santa Madalena costuma ter trânsito problemático nos horários de pico, por causa do acesso à Avenida Vinte e Três de Maio e ao Viaduto Pedroso. Um novo prédio justamente ali só fará piorar essa situação.</p>
<p>Do outro lado dessa esquina existiam três casas antigas até 2004, ano em que foram demolidas para dar lugar a um posto de gasolina. Meu pai tinha ficado sabendo dessa demolição à época e pediu que eu fosse lá fotografar, pois eu trabalhava não muito longe dali. Assim, é possível fazer um antes e depois dessa esquina, com a foto batida em 17 de agosto de 2004 em cima e a de 27 de maio de 2011 abaixo.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-rua-santa-madalena-2004.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-849" title="Rua Martiniano de Carvalho x Santa Madalena (2004)" src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-rua-santa-madalena-2004-640x426.jpg" alt="Rua Martiniano de Carvalho x Santa Madalena (2004)" width="640" height="426" /></a></p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-rua-santa-madalena-2011.jpg" class="broken_link"><img class="alignnone size-large wp-image-850" title="Rua Martiniano de Carvalho x Santa Madalena (2011)" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/rua-martiniano-de-carvalho-rua-santa-madalena-2011-640x426.jpg" alt="Rua Martiniano de Carvalho x Santa Madalena (2011)" width="640" height="426" /></a></p>
<p>Como se pode perceber, o &#8220;ataque imobiliário&#8221; não se restringe à Rua Martiniano de Carvalho. Uma casa dos anos 1950 foi demolida no ano passado na Rua Pio XII e uma casa noturna de &#8220;namoradas instantâneas&#8221; foi demolida há dois meses na Rua Pedroso, ao lado do Pão de Açúcar, ambas para dar lugar a lindos estacionamentos. Além disso, segue em estágio avançado a construção de outro prédio na Artur Prado, pouco acima da Santa Madalena, e um prédio de apartamentos será erguido na confluência das ruas Monsenhor Passaláqua e Sebastião Soares de Faria, em frente ao início da Rua Artur Prado, a um quarteirão de onde estão demolindo a antiga Igreja Cristã de Graças Celestiais. <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&amp;source=s_q&amp;hl=en&amp;geocode=&amp;q=Rua+Martiniano+de+Carvalho,+189,+S%C3%A3o+Paulo,+Brasil&amp;aq=t&amp;sll=37.0625,-95.677068&amp;sspn=34.259599,79.013672&amp;ie=UTF8&amp;hq=&amp;hnear=R.+Martiniano+de+Carvalho,+189+-+Bela+Vista,+S%C3%A3o+Paulo,+01321-001,+Brazil&amp;ll=-23.56044,-46.642275&amp;spn=0.00121,0.002411&amp;t=h&amp;z=19&amp;layer=c&amp;cbll=-23.56044,-46.642275&amp;panoid=eZb0ecJvhZnd9YGLrH0l2A&amp;cbp=12,7.02,,0,-3.6">Este último empreendimento tomou o lugar de um estacionamento</a>. Uma casa bem antiga na Artur Prado, que há anos está bem escorada para não cair, segue resistindo bravamente, só não se sabe por quanto tempo. Quando ela cair — porque não é questão de <em>se</em> vai cair; ela <em>vai</em> cair eventualmente —, certamente tentarão encaixar um novo prédio por ali, quem sabe fagocitando também a casa vizinha, mais recente, que abriga um cabeleireiro e um consultório de dentista.</p>
<p>Assim, a cara da Rua Martiniano de Carvalho e adjacências segue mudando sua cara, para pior, sem dúvida. Seus quarteirões que eram pacatos vão ganhar movimento; os que já não mais eram pacatos ganharão <em>mais</em> movimento. E a qualidade de vida dos que lá já moravam e dos que lá virão morar desce ladeira abaixo, junto com a memória do bairro, que nunca foi lá muito bem conservada, como mostra o exemplo da Vila Itororó, em foto abaixo. Falam que ela será reformada e dará lugar a um centro cultural, mas ela e seus atuais moradores seguem sem destino definido. Não será nenhuma surpresa se daqui a alguns anos houver um grande condomínio no lugar. E este, claro, não terá &#8220;Vila Itororó&#8221; no nome.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/vila-itororo.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-853" title="Vila Itororó" src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/05/vila-itororo-640x426.jpg" alt="Vila Itororó" width="640" height="426" /></a></p>
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		<title>Demolição na Martiniano de Carvalho</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Jan 2011 13:37:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não era um prédio — ou seria um galpão? — particularmente bonito. Nem devia ter ele grande valor histórico. Mas a barulhenta demolição que ocorre neste momento na Rua Martiniano de Carvalho, aqui na Bela Vista, é tão inquietante quanto a do casarão na esquina das ruas Antônia de Queiroz e Augusta. Sim, é um pedaço da memória do bairro que vai para o chão, mas é difícil dizer que seja um pedaço significativo. O prédio não era tão antigo nem tinha características marcantes de nenhum tipo de arquitetura. Até o ano passado ele era a sede de um estacionamento&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/01/demolicao-martiniano-de-carvalho/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não era um prédio — ou seria um galpão? — particularmente bonito. Nem devia ter ele grande valor histórico. Mas a barulhenta demolição que ocorre neste momento na Rua Martiniano de Carvalho, aqui na Bela Vista, é tão inquietante quanto <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/preocupacao-memoria/">a do casarão na esquina das ruas Antônia de Queiroz e Augusta</a>. Sim, é um pedaço da memória do bairro que vai para o chão, mas é difícil dizer que seja um pedaço significativo. O prédio não era tão antigo nem tinha características marcantes de nenhum tipo de arquitetura. Até o ano passado ele era <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&#038;source=s_q&#038;hl=en&#038;geocode=&#038;q=Rua+Cunha+Bueno,+S%C3%A3o+Paulo,+Brasil&#038;sll=37.0625,-95.677068&#038;sspn=34.724817,79.013672&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=R.+Cunha+Bueno+-+Bela+Vista,+S%C3%A3o+Paulo,+01322-040,+Brazil&#038;ll=-23.56429,-46.642307&#038;spn=0.001227,0.002411&#038;t=h&#038;z=19&#038;layer=c&#038;cbll=-23.56429,-46.642307&#038;panoid=3XQBvl668_seLMLP2HaD1Q&#038;cbp=12,274.58,,0,-6.61">a sede de um estacionamento</a> que ocupava um grande terreno que vai da Martiniano de Carvalho até a Rua Artur Prado.</p>
<p>Então por que é tão preocupante essa demolição?</p>
<p>Porque ela simboliza o fim da tranquilidade de um bairro que, apesar de ter vários prédios, ainda é uma &#8220;ilha&#8221; a poucos quarteirões da Avenida Paulista. Em geral, os prédios do quadrilátero formado pelas ruas Pio XII, Maestro Cardim, Pedroso e Dr. Alfredo Ellis são mais antigos. Isso significa menos apartamentos por prédio, menos gente morando neles e menos carros deixando os locais a cada manhã. Para se ter uma ideia, é muito fácil achar vagas para estacionar em boa parte das ruas compreendidas no quadrilátero supracitado, desde que não seja em horário comercial de dias úteis, quando as vagas são tomadas pelo pessoal que trabalha nos hospitais próximos e no prédio da Telefónica, na Martiniano de Carvalho.</p>
<div class="full-image"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/01/demolicao-rua-martiniano-de-carvalho-atras-672x446.jpg" alt="Demolição na Martiniano de Carvalho vista por trás" title="Demolição na Martiniano de Carvalho vista por trás" width="672" height="446" class="alignnone size-large wp-image-579" /></img></div>
<p>Mas agora, no terreno onde havia o estacionamento que ia da Martiniano à Artur Prado surgirá um daqueles monstrengos de apartamentos com dezenas de apartamentos de quinze metros quadrados (ou, vá lá, <em>um pouquinho</em> maiores). Os prédios da região, boa parte deles construídos entre os anos 1960 e 1970, quando muito, têm uns sessenta apartamentos. É como se esse novo projeto, com nome em inglês e chamado de maneira quase criminosa nosso bairro de &#8220;Paraíso&#8221;, representasse quatro prédios dos antigos, mas no mesmo espaço de um. No Google Maps é possível ver <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&#038;source=s_q&#038;hl=en&#038;geocode=&#038;q=Rua+Cunha+Bueno,+S%C3%A3o+Paulo,+Brasil&#038;sll=37.0625,-95.677068&#038;sspn=34.724817,79.013672&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=R.+Cunha+Bueno+-+Bela+Vista,+S%C3%A3o+Paulo,+01322-040,+Brazil&#038;ll=-23.564226,-46.643271&#038;spn=0.001227,0.002411&#038;t=h&#038;z=19">o tamanho do terreno</a>, embora a foto ainda seja de quando o estacionamento ainda funcionava ali. Serão, na verdade, 232 apartamentos com 41 metros quadrados (um dormitório, sendo 3,2 metros quadrados de varanda) e 55 metros quadrados (dois dormitórios, sendo 4,8 metros quadrados de varanda, o que é pouco menos que o segundo quarto, onde é impossível colocar-se de maneira prática uma cama de casal). Quando do pré-lançamento, corretores distribuíram vários folhetos sobre o empreendimento, oferecendo a quem comprasse uma unidade televisores e até crédito de quinhentos reais na Padaria Dengosa, poucos metros acima do local.</p>
<p>O endereço do prédio será na Rua Artur Prado, mais calma que a Martiniano, mas a um quarteirão da Rua Santa Madalena, um gargalo nos horários de pico para quem quer acessar a Avenida Vinte e Três de Maio em qualquer de seus sentidos. Com a entrada pela Rua Artur Prado, a parte do bairro onde sempre é fácil estacionar à noite e aos fins de semana tende a ficar mais carregada de carros. Afinal, se um décimo dos apartamentos receber uma visita cada um num sábado à noite, por exemplo, serão 23 carros a mais. A pequena Rua Cunha Bueno, que fica entre a Artur Prado e a Alfredo Ellis, em frente ao empreendimento, tende a ficar abarrotada. A qualidade de vida de quem já mora no bairro vai ser comprometida, até porque há outro empreendimento similar sendo erguido meio quarteirão para baixo na mesma Artur Prado.</p>
<div class="full-image"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/01/janela-predio-demolido-martiniano-de-carvalho-672x446.jpg" alt="Janela de prédio demolido na Martiniano de Carvalho" title="Janela de prédio demolido na Martiniano de Carvalho" width="672" height="446" class="alignnone size-large wp-image-580" /></img></div>
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