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	<title>Pseudopapel &#187; Esporte</title>
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		<title>Cetale, o zagueiro que o futebol esqueceu</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Aug 2013 14:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Morreu, na madrugada de 21 de julho, o ex-zagueiro Cetale, que defendeu o Botafogo entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1960. Após os jogos do Nacional no Estádio Nicolau Alayon, a última pessoa a deixar as arquibancadas costumava ser o homem da foto acima. Quieto, passava despercebido para a maioria dos torcedores, que não imaginavam estar próximos de um zagueiro que jogou com grandes personagens do futebol brasileiro. Nascido em 23 de fevereiro de 1939, filho de pai argentino e mãe uruguaia, foi criado na Vila Anastácio, em São Paulo, e seu início de carreira&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/08/cetale-zagueiro-botafogo/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Morreu, na madrugada de 21 de julho, o ex-zagueiro Cetale, que defendeu o Botafogo entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1960. Após os jogos do Nacional no Estádio Nicolau Alayon, a última pessoa a deixar as arquibancadas costumava ser o homem da foto acima. Quieto, passava despercebido para a maioria dos torcedores, que não imaginavam estar próximos de um zagueiro que jogou com grandes personagens do futebol brasileiro.</p>
<p>Nascido em 23 de fevereiro de 1939, filho de pai argentino e mãe uruguaia, foi criado na Vila Anastácio, em São Paulo, e seu início de carreira foi no time infantil do Corinthians, na primeira metade da década de 1950. Por sua altura de 1,81 metro (alto para a época), era considerado um dos destaques, como mostrou a matéria &#8220;Rato cumpre uma nobre missão no Coríntians&#8221;, publicada na <em>Folha da Manhã</em> de 24 de julho de 1955. No ano seguinte, entretanto, transferiu-se para o Nacional, ficando lá até 1958, quando foi levado para o Rio de Janeiro por um olheiro do America. Segundo <a href="http://portoroberto.blog.uol.com.br/arch2008-08-24_2008-08-30.html" title="O Blog do Roberto Porto: &#039;Um nome para a história do Glorioso&#039;" class="broken_link">texto de Albino Castro Filho no blog de Roberto Porto</a>, &#8220;treinou dois meses na velha cancha de Campos Salles e chegou a disputar um amistoso contra o Bonsucesso vestindo a camisa do diabo rubro, <em>[mas]</em> o America, que já preparava Djalma Dias, vacilou, e Cetale foi para o Botafogo, levado por Nadim Marreis&#8221;.</p>
<p>Aos dezenove anos, estava sendo preparado no time de aspirantes que conquistou o bicampeonato da categoria, em 1958 e 1959, ao lado de Amarildo, Amoroso e outros jogadores que atuariam, mais tarde, no famoso Botafogo dos anos 1960. O fato de jogar nos aspirantes não impedia que fosse convocado para as excursões do clube, como um giro pela Europa, em junho de 1959, que incluiu uma goleada sobre o Anderlecht, em Bruxelas, com Cetale entrando no segundo tempo. &#8220;Excursionei o mundo inteiro com o Botafogo&#8221;, disse o jogador a Albino Castro Filho. &#8220;Conheci mais de cinquenta países e, naquelas viagens, vivi meus melhores momentos no clube.&#8221;</p>
<blockquote><p>6/6/1959<br />
<strong>ANDERLECHT 0×5 BOTAFOGO</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> amistoso. <strong>Estádio:</strong> Bruxelas, BÉL. <strong>Público:</strong> 20.000. <strong>Gols:</strong> Paulinho (7/1T), Quarentinha (14/1T), Lippens (contra, 25/1T), Quarentinha (26/1T e 25/1T).<br />
<strong>Anderlecht:</strong> Week; Cogelaers, Koster e Gettemans; Coninck e Lippens; Jurion, Van der Wilt, Stockmans, Mande Boers e Van dem Bosche.<br />
<strong>Botafogo:</strong> Ernâni; Aírton, Chicão e Nílton Santos; Tomé (Cetale) e Ronaldo; Garrincha, Didi, Paulinho, Quarentinha e Zagalo (Nivaldo).</p></blockquote>
<p>Ainda uma jovem promessa, dizia-se que seu passe estaria estipulado em quatro milhões de cruzeiros, o terceiro maior valor entre os cinco jogadores que o Estadão de 27 de junho dava como possíveis transferidos à Espanha, atrás de Didi (quinze milhões) e do goleiro Ernâni (cinco milhões). Naquele ano, chegou a ser oferecido, junto com Rossi, ao Atlético de Madri, numa negociação em troca de Vavá, que não foi para a frente. Seu prestígio faria com que fosse convocado para a seleção carioca de novos que enfrentou a paulista, no Maracanã, em 28 de abril de 1960, num jogo cuja renda foi revertida para o benefício das vítimas de inundações no Nordeste. Curiosamente, Ademir da Guia, ainda jogador do Bangu, era reserva na seleção carioca e entrou, provavelmente no segundo tempo, no lugar de Válter. A partida terminou empatada em um gol.</p>
<p>7/4/1960<br />
<strong>BOTAFOGO 1×1 VASCO DA GAMA</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> Rio&#8211;São Paulo. <strong>Estádio:</strong> Maracanã (Rio de Janeiro, RJ). <strong>Juiz:</strong> Alberto da Gama Malcher. <strong>Renda:</strong> Cr$ 896.913. <strong>Gols:</strong> Amarildo (15/1T) e Peniche (22/2T).<br />
<strong>Botafogo:</strong> Ernâni; Jorge (Marcelo), Cetale e Nílton Santos; Chicão e Frazão; Garrincha, Rossi, Neivaldo, Amarildo e Orlando (Geninho).<br />
<strong>Vasco da Gama:</strong> Miguel (Itá); Paulinho, Bellini e Coronel; Écio (Orlando) e Russo; Sabará, Roberto (Valdemar), Delém, Pinga e Peniche.</p>
<p>Em 23 de junho de 1960, foi personagem de um caso curioso. Em amistoso contra o Palmeiras, o zagueiro Zé Maria foi expulso, aos 22 minutos do primeiro tempo, por indisciplina, logo após o gol palmeirense. Diante dos protestos de Zé Maria, a partida ficou parada por alguns minutos e, quando finalmente foi reiniciada, Cetale, originalmente no banco, estava em campo. Ele não tinha informado ao representante da federação quem tinha sido substituído, mas o trio de arbitragem, inicialmente, não se deu conta. Cerca de dois minutos depois, um dos bandeirinhas percebeu que o Botafogo ainda estava com onze jogadores em campo e avisou o árbitro, Manuel Ramos.</p>
<p>Nova confusão estava armada, com os botafoguenses cercando o árbitro e rapidamente sendo acompanhados por integrantes da comissão técnica e até dirigentes. Cetale argumentava que o jogo era um amistoso, sem convencer Ramos. A delegação carioca optou, então, por retirar-se de campo, embora sem ir aos vestiários. Os jogadores ficaram na beira do túnel por dez minutos, até os ânimos se acalmarem, e voltaram ao gramado. Cetale estava entre eles, mas, agora, substituindo Neivaldo.</p>
<p>23/6/1960<br />
<strong>PALMEIRAS 1×0 BOTAFOGO</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> Amistoso. <strong>Estádio:</strong> Pacaembu (São Paulo, SP). <strong>Juiz:</strong> Manuel Ramos. <strong>Renda:</strong> Cr$ 277.225. <strong>Gol:</strong> Walter Prado (22/1T).<br />
<strong>Palmeiras:</strong> Waldir de Moraes; Djalma Santos e Waldemar Carabina; Perinho, Aldemar e Geraldo; Ivã, Walter Prado, Moacir, Chinesinho e Cruz.<br />
<strong>Botafogo:</strong> Manga; Zé Maria e Nílton Santos; Ademar, Pampolini (Ronald) e Chicão; Neivaldo (Cetale 25/1T), Édson (Rossi), Alencar, Amarildo e Zagalo (Bruno).</p>
<p>Em 1961, o técnico Marinho não o relacionara para uma viagem do Botafogo, o que irritou Cetale, segundo o próprio contou, <a href="http://terceirotempo.bol.uol.com.br/quefimlevou/qfl/sobre/cetale-1415-3.html" title="Que Fim Levou?: Cetale">em entrevista sem data</a> publicada no <em>site</em> Terceiro Tempo. Com o contrato vencido no final daquele ano, parecia não ter mais espaço no clube, mesmo com o presidente declarando que estava preparando um novo contrato para o jogador. Cetali começou a despertar o interesse de outros times, e os jornais publicavam notas a respeito deles, baseadas ou não em fatos. Em dezembro, por exemplo, o Corinthians teria cogitado sua contratação. Mais tarde, já em abril de 1962, o Botafogo de Ribeirão Preto teria chegado a mandar um representante ao Rio de Janeiro para tentar contratá-lo, sem sucesso. Naquele mês, tinha circulado a notícia de que Cetale teria sido multado pelo Botafogo (o Estadão de 4 de abril apenas fala em multa, sem citar o alegado motivo), logo desmentida pela diretoria, explicando que não poderia multá-lo, por ele estar sem contrato.</p>
<p>Chegou a ser noticiada, em maio, sua transferência para o Juventus, por quinhentos mil cruzeiros, mas seu destino acabou sendo a Esportiva de Guaratinguetá, embora ele garantisse, décadas depois, também ter tido uma oferta do Internacional de Porto Alegre. No dia 29 daquele mês, o Botafogo informou à Federação Carioca de Futebol que tinha cedido todos os direitos sobre o jogador ao clube paulista, passando a ter condições de jogo no fim do mês seguinte. &#8220;Eu tinha proposta do Internacional, mas acabei preferindo ir para o Guaratinguetá&#8221;, relembraria, na entrevista publicada pelo Terceiro Tempo. &#8220;Fiquei muito arrependido.&#8221;</p>
<p>Já em sua primeira partida pelo novo clube, foi citado pelo Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol, devido às faltas cometidas. Era um procedimento normal, em um tempo em que não havia cartões amarelos ou vermelhos. Cetale acabou absolvido.</p>
<p>25/11/1962<br />
<strong>XV DE PIRACICABA 2×0 ESPORTIVA DE GUARATINGUETÁ</strong><br />
<strong>Campeonato:</strong> Paulista. <strong>Estádio:</strong> Piracicaba, SP. <strong>Juiz:</strong> José Batista dos Santos. <strong>Renda:</strong> Cr$ 139.900. <strong>Gols:</strong> Vágner (20/1T) e Nilo (7/2T).<br />
<strong>XV de Piracicaba:</strong> Orlando; Orlando Maia, Ditão e Cardinale, Fernando Sátiro e Dorival; Ovaldinho, Vágner, Maneca, Nilo e Ubirael. Técnico: King.<br />
<strong>Esportiva de Guaratinguetá:</strong> Lamim; Rubens, Cetale e Henrique; Tupi e Carlitto; Roberto; Frazão, Nato, Beirute e Oriel. Técnico: Begliomimi.</p>
<p>Após o fim do campeonato a <em>Folha de S. Paulo</em> mencionou, em sua edição de 20 de dezembro, que o Flamengo teria interesse em contratar Cetale. Com ou sem oferta do time carioca, Cetale decidiu rumar para a Colômbia, a fim de defender o Deportivo Cáli. &#8220;Foi uma experiência boa&#8221;, avaliaria, mais tarde. &#8220;A diferença técnica entre o futebol brasileiro e o futebol colombiano era muito grande naquela época. O Brasil enfrentava a Colômbia e ganhava até por oito gols de diferença. Hoje, não é bem assim.&#8221; Uma operação no menisco, que ele não quis fazer na Colômbia, foi decisiva para sua volta ao Brasil, onde defenderia, ainda, Bonsucesso e Olaria — em 14 de setembro de 1966, o <em>Estadão</em> fez referência a um Cetali marcando para o São Cristóvão, em um amistoso contra a seleção da Tunísia.</p>
<p>Mais tarde, ex-companheiros do Botafogo indicaram-no para jogar no futebol dos Estados Unidos, onde defendeu o Toros Los Angeles e o Chicago Spurs. Foi naquele país que ele encerrou a carreira como jogador, passando a trabalhar num projeto voltado para jovens promessas latino-americanas. &#8220;Eu falava bem espanhol, por isso fui convidado para trabalhar no projeto, que se chamava Panamericano&#8221;, explicava.</p>
<p>Cetale só voltaria a sua São Paulo natal em 1998, já vivendo dificuldades financeiras. &#8220;Chegou a morar num albergue público, no bairro do Canindé, com duas mudas de roupa e uma mala de fotos dos tempos gloriosos do Botafogo&#8221;, escreveu Albino. &#8220;Nos momentos de desespero, e eram muitos, eu abria a minha carteira e só encontrava as duas fotos do Botafogo&#8221;, contou Cetale, no mesmo texto. &#8220;Então, revirava a mala e ficava olhando minhas fotos com a camisa do Botafogo, e isso ajudava-me a enfrentar as necessidades.&#8221; Ele não se separou dessas fotos até sua morte.</p>
<p>Após o jogo entre Nacional e Atibaia, em 18 de maio, tive a oportunidade de conhecê-lo e testemunhei o orgulho com que ele as mostrava. Ele estava cabisbaixo, sentado na ponta da arquibancada térrea na frente das tribunas do Nicolau Alayon. Quando questionado sobre seus tempos de Botafogo, imediatamente encheu o peito e sacou a foto de sua carteira, para exibi-la. No próprio domingo em que ele morreu, funcionários do Nacional procuravam separar as fotos de Cetale, para dar-lhes um destino adequado. Uma delas, de um time posado do Botafogo, em que ele está ao lado de Manga e Nílton Santos, entre outros, tinha lugar cativo, plastificada, em sua carteira.</p>
<p>Fiz, nas semanas seguintes, a pesquisa que deu origem a este texto, e gostaria de entrevistá-lo, já com os detalhes à mão. Infelizmente, ele não estava no estádio nas duas partidas seguintes do Nacional. Pouco antes de começar a terceira, no último dia 21, fui informado de sua morte. A partida entre Nacional e SEV Hortolândia teve um minuto de silêncio, em homenagem a Cetale, e <a href="http://instagram.com/p/cCER_iInwQ/" title="Instagram: agiesbrecht">terminou com o placar de 10 a 0</a>, maior goleada da história do clube ferroviário.</p>
<p>Tenho certeza de que Cetale deu a assistência em pelo menos metade dos gols.</p>
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		<title>De volta ao Estádio Nicolau Alayon</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Jul 2012 22:53:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Avenida Marquês de São Vicente]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Água Branca]]></category>
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		<category><![CDATA[Linha 7 da CPTM]]></category>
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		<description><![CDATA[Na época em que defendi as cores da equipe de futebol de mesa do Nacional Atlético Clube, entre 1995 e 1997, frequentei várias partidas do time de futebol profissional no Estádio Nicolau Alayon, pegando nesse período a frustrada campanha do time na Série A-2 de 1995, quando estava (pouco) fora da zona do rebaixamento após dois turnos, mas sucumbiu no terceiro. A última de que tenho registro foi em 5 de abril de 1997, contra a Internacional de Bebedouro, pela Série A-3 paulista daquele ano. (Entrei em vários jogos sem ingresso, então pode ser que eu tenha ido a algum&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/07/estadio-nicolau-alayon/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na época em que defendi as cores da <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/03/memorias-jogo-de-botao/" title="Memórias do jogo de botão">equipe de futebol de mesa do Nacional Atlético Clube</a>, entre 1995 e 1997, frequentei várias partidas do time de futebol profissional no Estádio Nicolau Alayon, pegando nesse período a frustrada campanha do time na Série A-2 de 1995, quando estava (pouco) fora da zona do rebaixamento após dois turnos, mas sucumbiu no terceiro. A última de que tenho registro foi em 5 de abril de 1997, contra a Internacional de Bebedouro, pela Série A-3 paulista daquele ano. (Entrei em vários jogos sem ingresso, então pode ser que eu tenha ido a algum jogo depois desse.) Nessa partida, não lembro por quê, fiquei com dois ingressos, e um deles nem teve o canhoto destacado. Ficou como recordação. É este logo abaixo.</p>
<div id="attachment_1519" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/ingresso-nacional-internacional-bebedouro-1997.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/07/ingresso-nacional-internacional-bebedouro-1997-640x299.jpg" alt="Ingresso para Nacional × Internacional de Bebedouro, em 5 de abril de 1997" title="Ingresso para Nacional × Internacional de Bebedouro (1997)" width="640" height="299" class="size-medium wp-image-1519" /></a><p class="wp-caption-text">Ingresso para Nacional × Internacional de Bebedouro, em 5 de abril de 1997</p></div>
<p>Neste sábado, ignorei totalmente as Olimpíadas e fiz meu retorno ao único estádio brasileiro que leva o nome de um estrangeiro, para assistir à partida do Nacional pela quarta rodada da segunda fase da Série B do Campeonato Paulista, eufemismo para a quarta divisão estadual. O Nacional cumpre boa campanha, tendo liderado seu grupo na primeira fase, posição que mantinha na segunda fase após o primeiro turno encerrado, isso sem falar na sequência invicta de dez jogos. O adversário da tarde de sábado seria o lanterna do grupo, o Desportivo Brasil, time artificial de Porto Feliz pertencente à Traffic. Tirei minha camisa do armário e rumei ao estádio.</p>
<p>Como o Nacional originalmente chamava-se São Paulo Railway, por ser o clube dos funcionários da ferrovia homônima, <a href="https://twitter.com/agiesbrecht/status/229264706324529152">fui pela mesma ferrovia</a>, atualmente a Linha 7-Rubi da CPTM, e desci na Estação Água Branca, a apenas três quarteirões do estádio. Não há na cidade de São Paulo nenhum estádio com uma estação tão próxima. Acesso facilitado e fila mínima para comprar o ingresso de dez reais — ok, aqui o pequeno público ajudou. Com a ajuda do Fernando Martinez, do site <a href="http://www.jogosperdidos.com/" title="Jogos Perdidos.com">Jogos Perdidos</a>, consegui acesso ao gramado para fotografar as equipes, tanto no momento da execução do hino nacional como nas tradicionais fotos posadas.</p>
<div id="attachment_1522" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-time-posado.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-time-posado-640x426.jpg" alt="Equipe do Nacional no jogo contra o Desportivo Brasil (28 de julho de 2012)" title="Equipe do Nacional no jogo contra o Desportivo Brasil" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1522" /></a><p class="wp-caption-text">Equipe do Nacional no jogo contra o Desportivo Brasil (28 de julho de 2012)</p></div>
<div id="attachment_1523" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/desportivo-brasil-foto-posada.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/desportivo-brasil-foto-posada-640x426.jpg" alt="Equipe do Desportivo Brasil que enfretou o Nacional (28 de julho de 2012)" title="Equipe do Desportivo Brasil que enfretou o Nacional" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1523" /></a><p class="wp-caption-text">Equipe do Desportivo Brasil que enfretou o Nacional (28 de julho de 2012)</p></div>
<p>Bola rolando, e o Nacional mostrou ser um time superior, mas não conseguia furar a defesa portofelicense. Ao longo de todo o jogo, foram poucas chances para os dois lados. No primeiro tempo, a primeira grande oportunidade foi do Desportivo Brasil, que perdeu um gol quase embaixo das traves. A resposta ferroviária veio com um forte chute defendido pelo goleiro aos 27 minutos, a primeira foto abaixo. O Nacional abriria o placar um minuto depois, com Alemão aproveitando-se da confusão após cobrança de escanteio da direita. Acabei não conseguindo fotografar o gol, mais preocupado que eu estava naquele momento com uma foto bonita a partir do escanteio, a segunda foto abaixo. Deveria ter seguido fotografando.</p>
<div id="attachment_1525" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-defesa-640x426.jpg" alt="Goleiro do Desportivo Brasil faz defesa contra o Nacional" title="Goleiro do Desportivo Brasil faz defesa contra o Nacional" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1525" /><p class="wp-caption-text">Goleiro do Desportivo Brasil faz defesa contra o Nacional</p></div>
<div id="attachment_1524" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-gol.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-gol-640x426.jpg" alt="Escanteio que originou o gol do Nacional contra o Desportivo Brasil" title="Escanteio que originou o gol do Nacional" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1524" /></a><p class="wp-caption-text">Escanteio que originou o gol do Nacional contra o Desportivo Brasil</p></div>
<div id="attachment_1528" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-lance-640x426.jpg" alt="Disputa de bola no jogo Nacional × Desportivo Brasil, em 28 de julho de 2012" title="Disputa de bola no jogo Nacional × Desportivo Brasil" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1528" /><p class="wp-caption-text">Disputa de bola no jogo Nacional × Desportivo Brasil, em 28 de julho de 2012</p></div>
<p>No segundo tempo, o panorama não mudou muito. O Desportivo Brasil teve uma boa chance, defendia pelo goleiro Carlão, mas não incomodou muito. O problema é que o Nacional também quase não ameaçou. O que valeu para a torcida — estimo o público em torno de trezentas pessoas, a ser confirmado quando o boletim financeiro do jogo for publicado no site da Federação Paulista — acabou sendo mesmo a vitória por 1 a 0, que praticamente selou a classificação nacionalista à terceira fase. Após os resultados dos outros grupos, no domingo, a fatura foi fechada, e o NAC tornou-se um dos dois clubes classificados com duas rodadas de antecipação.</p>
<div id="attachment_1526" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/estadio-nicolau-alayon-tribunas.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/07/estadio-nicolau-alayon-tribunas-640x426.jpg" alt="Tribunas do Estádio Nicolau Alayon no jogo do Nacional contra o Desportivo Brasil" title="Tribunas do Estádio Nicolau Alayon" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1526" /></a><p class="wp-caption-text">Tribunas do Estádio Nicolau Alayon no jogo do Nacional contra o Desportivo Brasil</p></div>
<div id="attachment_1529" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-estadio.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-estadio-640x426.jpg" alt="Visão do campo do Estádio Nicolau Alayon a partir da arquibancada norte" title="Visão do campo do Estádio Nicolau Alayon" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1529" /></a><p class="wp-caption-text">Visão do campo do Estádio Nicolau Alayon a partir da arquibancada norte</p></div>
<div id="attachment_1527" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-placar.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/nacional-desportivo-brasil-placar-640x426.jpg" alt="Placar final de Nacional × Desportivo Brasil em 28 de julho de 2012" title="Placar final de Nacional × Desportivo Brasil" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1527" /></a><p class="wp-caption-text">Placar final de Nacional × Desportivo Brasil em 28 de julho de 2012</p></div>
<p>Ao final do jogo, uma cena impensável em jogos do, digamos, &#8220;circuito comercial&#8221;: pelo menos dez crianças brincando com uma bola no gol que o Nacional tinha atacado no segundo tempo. Enquanto isso, o sol se punha calmamente por trás das tribunas, ao mesmo tempo em que as nuvens praticamente sumiam, deixando o céu num gradiente com praticamente todos os tons entre o azul e o amarelo. Se eu tivesse esperado mais um pouco para bater a foto abaixo, provavelmente eu pegaria todo o espectro entre azul e vermelho, podendo homenagear as cores do Nacional, as mesmas da bandeira britânica, em homenagem ao seu passado como São Paulo Railway Athletic Club.</p>
<div id="attachment_1530" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/tribunas-estadio-nicolau-alayon-ceu.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/07/tribunas-estadio-nicolau-alayon-ceu-640x426.jpg" alt="Tribunas do Estádio Nicolau Alayon durante o pôr-do-sol" title="Tribunas do Estádio Nicolau Alayon durante o pôr-do-sol" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1530" /></a><p class="wp-caption-text">Tribunas do Estádio Nicolau Alayon durante o pôr-do-sol</p></div>
<p>O que estragou a paisagem foram os espigões que hoje se erguem do outro lado da Avenida Marquês de São Vicente, ao lado do Centro de Treinamento do São Paulo Futebol Clube, prédios esses que não existiam quinze anos atrás. <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/11/esta-vista-vai-acabar/" title="Esta vista vai acabar">A sanha imobiliária chegou já há algum tempo à Água Branca</a>, e o vizinho do Nacional, conhecido como &#8220;Terreno da Telefônica&#8221;, será em breve trasnformado em um empreendimento tão grande que até criará novas ruas por ali. Já ouvi dizer que o clube estaria ameaçado por essa sanha, embora eu nem imagine como isso possa acontecer. De qualquer maneira, enquanto eu fotografava pelo estádio no intervalo do jogo, um trator passava simbolicamente ao lado de um portão que dáo para o terreno vizinho e nunca é usado. É uma foto emblemática. E, espero, não premonitória.</p>
<div id="attachment_1531" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/07/estadio-nicolau-alayon-acesso.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2012/07/estadio-nicolau-alayon-acesso-640x426.jpg" alt="Acesso fechado do Estádio Nicolau Alayon na direção do antigo &quot;Terreno da Telefônica&quot;" title="Acesso fechado do Estádio Nicolau Alayon" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1531" /></a><p class="wp-caption-text">Acesso fechado do Estádio Nicolau Alayon na direção do antigo &quot;Terreno da Telefônica&quot;</p></div>
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		<title>A história de Joe Gaetjens</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Sep 2011 20:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há algum tempo peguei finalmente uma Sports Illustrated de meses antes, que estava na minha fila de leitura. Era de março de 2010: na capa, o jogador de hóquei no gelo Sidney Crosby com a camisa do Canadá, ao invés da do Pittsburgh Penguins, comemorando o gol da medalha de ouro nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver, marcado na prorrogação. Mas a melhor reportagem da edição é outra, de oito páginas, sobre a vida e o sumiço do futebolista haitiano Joe Gaetjens, que defendeu a seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Gaetjens tornou-se conhecido&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/09/historia-joe-gaetjens/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algum tempo peguei finalmente uma <em>Sports Illustrated</em> de meses antes, que estava na minha fila de leitura. Era de março de 2010: na capa, o jogador de hóquei no gelo Sidney Crosby com a camisa do Canadá, ao invés da do Pittsburgh Penguins, comemorando o gol da medalha de ouro nas Olimpíadas de Inverno de Vancouver, marcado na prorrogação. Mas a melhor reportagem da edição é outra, de oito páginas, <a href="http://sportsillustrated.cnn.com/vault/article/magazine/MAG1166756/1/index.htm" class="broken_link">sobre a vida e o sumiço do futebolista haitiano Joe Gaetjens</a>, que defendeu a seleção dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Gaetjens tornou-se conhecido no meio esportivo por ter marcado o gol da vitória dos Estados Unidos contra a Inglaterra na primeira fase, em Belo Horizonte. Esse jogo é considerado uma das maiores zebras da história da competição, pois o time americano era formado por jogadores amadores e pouco experientes, e enfrentava um selecionado que era tido como um dos melhores do mundo.</p>
<p>Além de interessante, a matéria esclarece diversos mitos perpetuados pela história e até pelo filme de 2005 sobre a partida que marcou a carreira de Gaetjens, chamado no Brasil de <em>Duelo de Campeões</em> (em inglês, <em>The Game of Their Lives</em>). Um deles: Gaetjens não era negro, mas, sim, terceira geração de descendentes de alemães — seu bisavô fora ao Haiti para ser representante comercial do rei da Prússia no século XIX. Já algumas dúvidas nunca foram esclarecidas, como quando e como ele morreu. O texto trata as versões como <em>teledjòl</em>, ou &#8220;rumores&#8221; em crioulo, e não tenta impor uma delas. É uma excelente narrativa mesmo para quem já conhece o final.</p>
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		<title>Memórias do jogo de botão</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Mar 2011 23:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Li um texto escrito por Ubiratan Leal, da Revista ESPN e do site Balípodo, em que ele fala de sua paixão na infância pelo futebol de mesa, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era muito mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria aqui. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos. Minhas primeiras&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/03/memorias-jogo-de-botao/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1-640x132.jpg" alt="Times de botão: Mixto, São Paulo, Nacional, Santa Cruz e Vasco" title="Times de botão: Mixto, São Paulo, Nacional, Santa Cruz e Vasco" width="640" height="132" class="alignnone size-large wp-image-719" /></p>
<p>Li um texto escrito por Ubiratan Leal, da <em>Revista ESPN</em> e do site <em>Balípodo</em>, em que ele fala de <a href="http://www.balipodo.com.br/index.php?p=6495" class="broken_link">sua paixão na infância pelo futebol de mesa</a>, mais conhecido como jogo de botão. O texto fez aflorar muitas memórias, e na hora decidi comentar. Comecei, mas rapidamente percebi que o que eu estava escrevendo era muito mais do que um comentário. Possivelmente ficaria maior até do que o texto dele. Então o espaço ideal para publicá-lo seria aqui. No fim das contas, ficou um texto bastante pessoal, mas tenho certeza que muitos vão se identificar com vários trechos.</p>
<p>Minhas primeiras memórias do futebol de botão são de fotos que mostram meu irmão e eu brincando na tenra infância, especialmente a foto aí embaixo. Aparecemos deitados sobre o campo para chutar a gol, muitas vezes em jogos com três redes (!). Claro, com três e dois anos de idade não é de se espantar. Eram fins dos anos 1970, ainda morávamos em um apartamento na Bandeira Paulista. A diferença de idade — sou pouco <em>menos</em> de onze meses mais velho — sempre permitiu que brincássemos praticamente das mesmas coisas em pé de quase igualdade.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1979.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-1979-640x426.jpg" alt="Jogo de botão em 1979" title="Jogo de botão em 1979" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-714" /></a></p>
<p>Nosso sonho era participar dos campeonatos que meu pai organizava entre seus amigos, quase sempre em nossa casa. Eram campeonatos anuais, mas que duravam vários fins de semana, com uma ou outra rodada no meio da semana, se não me engano. Numa época em que e-mail era coisa de ficção científica, as atualizações da tabela eram passadas por correio, mesmo, depois de a secretária dele datilografar tudo. Era ela também que fazia os resumos dos campeonatos, que estão guardados até hoje.</p>
<p>Não chegamos a conseguir participar, pois ainda não éramos nem adolescentes quando os campeonatos &#8220;morreram&#8221;. Não sei direito o motivo, mas imagino que tenha sido especialmente por causa da mudança do local de disputa: tínhamos nos mudado para Alphaville. Mesmo sem trânsito (e sem pedágio) na Castello Branco à época, o campeonato provavelmente passou a ser classificado com uma prioridade mais baixa. Ainda houve um ou outro por lá, mas depois nunca mais.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/alemanha-botao-cracks.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/alemanha-botao-cracks-640x426.jpg" alt="Seleção da Alemanha fabricada pela Crack&#039;s" title="Seleção da Alemanha fabricada pela Crack&#039;s" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-717" /></a></p>
<p>Esta seleção da Alemanha, fabricada pela Crack&#8217;s, foi meu time na maioria das &#8220;Copas do Mundo&#8221; que disputei. O craque do time era o camisa 10, Matthäus, que seguiu como artilheiro mesmo depois de colado com Super Bonder e fita adesiva. Para essa seleção, busquei o maço de cigarros mais bonito da banca, da Lucky Strike. Engraçado pensar que foi vendido para um moleque bem abaixo de 18 anos, mesmo sem o vendedor saber que minutos depois eu jogaria todos os cigarros no lixo.
</p></div>
<p>Mais ou menos na mesma época, meu irmão e eu começamos a organizar campeonatos entre nossos amigos por lá. O primeiro durante a Copa do Mundo de 1986 fez com que, óbvio, o campeonato fosse uma Copa do Mundo. Mas valia imaginar qualquer seleção com qualquer time. O meu, por exemplo, era um Górnik Zabrze, da Brianezi, fabricado nos anos 1970, <a href="http://colecaodebotao.wordpress.com/2011/03/18/gornik-polonia/">igual a este do Farah</a>. Por causa das cores, chamei-o de Paraguai. A escalação? Peguei um álbum de figurinhas do Campeonato Paulista de 1978 e &#8220;convoquei&#8221; alguns dos jogadores, seguramente nenhum de ascendência guarani. Gozado, não me lembro de nenhum, a não ser do craque daquele time, o camisa 2: Neca. Que não era lateral direito, mas como é que eu iria saber?</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-5-640x121.jpg" alt="Times de botão: Holanda e Inglaterra" title="Times de botão: Holanda e Inglaterra" width="640" height="121" class="alignnone size-large wp-image-727" /></p>
<p>Outro dos &#8220;técnicos&#8221; escolheu um time qualquer e chamou de Bélgica, que estava em evidência naquela Copa. Meu irmão tinha um time da União Soviética (<a href="http://colecaodebotao.wordpress.com/2010/11/21/russia-selecao/">igual a este, também do Farah</a>), fabricado pela Crack&#8217;s — se naquela época eu imaginasse um lugar chamado Cracolândia, seria muito diferente da que temos hoje em Campos Elíseos —, e usou-o sob esse nome. Mas batizou cada jogador com nomes supostamente russos que ele mesmo inventou. Uns poucos lembravam até nomes daquele país, mas a maioria não tinha nada a ver. Curiosamente, eu me lembro de alguns dos nomes, mais até do que os do meu time. O goleiro chamava-se Goleress (o cara <em>nasceu</em> para ser goleiro?); o zagueiro central era o Nortov; o lateral direito era o Vondos; o ponta esquerda era o Vondoteico, que era o craque do time. Um outro &#8220;técnico&#8221; simplesmente inventou um país chamado Gray Light. Seu elenco era composto por vários jogadores famosos, como Gary Lineker.</p>
<p>Nessa primeira Copa do Mundo meu irmão ganhou de mim na final. O jogo terminou 8 a 7, ou algo parecido. As Copas do Mundo seguintes foram vencidas sempre por ele. Fiquei com a maior parte (mas não todos) os vice-campeonatos. Ele às vezes até perdia na primeira fase, quando podia perder, mas nunca nos mata-matas e, especialmente, na final. Apesar desse domínio, todos tinham o maior prazer em participar. Eu, em especial, adorava confeccionar as tabelas e tentar fazer &#8220;anuários&#8221; baseados em um livro estrangeiro da Copa do Mundo de 1986 que meu pai tinha arrumado. Um dos livros mais legais que já tive. E sumiu. Não sei que fim levou, mas sumiu quando eu ainda era criança.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/copa-do-mundo-botao.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/copa-do-mundo-botao-640x426.jpg" alt="Copa do Mundo de botão" title="Copa do Mundo de botão" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-709" /></a></p>
<p>Não sei se esta foto, batida em 1988 ou 1989, é de uma das Copas do Mundo, mas é mais ou menos da mesma época. Nesse torneio especificamente havia jogos simultâneos, daí o outro campo no pé da foto.
</p></div>
<p>O grande motivo do domínio do meu irmão certamente era a bolinha. Ou melhor, o disco que usávamos. Eram sempre fichas de War. Se algum sumia, lá íamos nós até a caixa do jogo para buscar um novo. Quando, com muito atraso, passamos a jogar com bolinhas, tudo passaria a ser equilibrado, ao menos no que dizia respeito a nós dois. Mas aí as nossas Copas do Mundo já tinham acabado.</p>
<p>A Copa do Mundo de 1986 também me lembra o nascimento do meu primo Fernando. Quando ele veio ao mundo, meu irmão e eu ganhamos como presente um time de botão cada. Não me lembro de qual ele ganhou; eu ganhei o Grêmio. Era uma série da Gulliver em que os jogadores tinham dois tamanhos diferentes, algo que eu nunca tinha visto até então. Não me adaptei àquele estilo de botão e pouco joguei com aquele Grêmio.</p>
<p>Acho que eu era o único que fazia paralelamente campeonatos sozinho. Aprendi isso com meu pai. Quer dizer, com um caderno em que ele anotava os campeonatos dele, que duraram entre 1964 e 1974, se não me engano. 1974 foi o ano em que ele se casou — no dia do casamento, ele conta que estava jogando botão até pouco antes da cerimônia. É claro que eu tinha de ter o meu próprio caderno com os meus próprios campeonatos! Então passei a montar meu Campeonato Brasileiro em pontos corridos, algo que eu sempre quisera ver na vida real, mas nunca tinha conseguido. Havia oito clubes, nenhum deles comprado em loja.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-3-640x112.jpg" alt="Times de botão: Botafogo, Goiás, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Ceará" title="Times de botão: Botafogo, Goiás, Flamengo, Atlético-MG, Figueirense e Ceará" width="640" height="112" class="alignnone size-large wp-image-726" /></p>
<p>Os times eram os com que meu pai jogava na infância, montados a partir de diversos times que ele tinha comprado. Ele provavelmente vai saber citar a marca de cada um. Eu, como já os recebi &#8220;desfigurados&#8221;, não saberia dizer. Mas os times eram boas mesclas. Não eram exatamente os mesmos de 25 anos antes, pois após o advento dos escudinhos de botão na revista <em>Placar</em> ele passou a decorá-los. Fora isso, era a mesma coisa. Ele guardava cada um em maços de cigarro Minister, com etiquetas adesivas daquelas em relevo para tornar fácil o arquivamento. Não sei o que aconteceu com esses maços. Aliás, não sei nem onde ele os arranjou. Anos mais tarde, eu quis recolocá-los em maços de cigarro e contei com a ajuda de uma amiga da minha tia, que fumava algumas dezenas de cigarros Marlboro por dia. Rapidinho obtive caixinhas para as dezenas de times. E arrumei também uma etiquetadora para colocar os devidos nomes.</p>
<p>Um dos times de que mais me lembro é o Porto Seguro, a escola onde meu pai e eu estudamos, feito quase todo de botões estilo &#8220;Canoinha&#8221; da Estrela. Ele tinha montado o time com seus colegas, muitos dos quais eu conhecia. O primeiro botão abaixo é um dos jogadores, que hoje é o tio da minha esposa. Era talvez o único que, por motivos óbvios, não tinha escudinhos da Placar colados. Como o &#8220;escudo&#8221; do colégio era razoavelmente simples, canetas hidrográficas de apenas duas cores resolveram o problema. Era também um dos únicos que tinha a escalação &#8220;impressa&#8221; no próprio botão. Certa vez, sei lá por quê, levei-o à escola. O professor de Artes Plásticas viu e resolveu que a ala masculina da classe faria times de botão como um dos trabalhos e depois seria organizado um campeonato. Eu até fiz o meu time, mas, para o campeonato, usei o time do meu pai, com que eu já estava acostumado a jogar. Não me lembro do resultado. Aliás, nem me lembro se o campeonato chegou a terminar.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/jogo-de-botao-2-640x106.jpg" alt="Times de botão: Porto Seguro, Marília, Londrina, Sport e Grêmio" title="Times de botão: Porto Seguro, Marília, Londrina, Sport e Grêmio" width="640" height="106" class="alignnone size-large wp-image-724" /></p>
<p>Outro time que me marcou era o Marília, composto por jogadores transparentes estilo &#8220;tampa de relógio&#8221;, mas com uma tampa embaixo, o que permitia que se colocasse os escudinhos por dentro do botão. Essa tampa de baixo tinha dois furinhos para que fosse possível desencaixá-la, como se vê no terceiro botão acima. Eu tinha sempre um clipe desentortado para usar quando precisasse abrir um desses botões. O clipe desentortado fazia parte do meu kit para jogar, que também incluía uma caixa de fichas de pif-paf, usadas como palheta. Outro time de que eu gostava muito era o Londrina, com botões azuis da marca Bolagol. No meio do botão havia uma depressão onde era encaixado o papelzinho redondo com o escudinho e o número de cada jogador. Algumas dessas depressões ainda tinham uma tampinha transparente para proteger o papel, mas muitas foram se soltando com o tempo. Um dos outros times que tinham jogadores Bolagol era o Sport, nesse caso branco. Talvez influenciado pela campanha do Fluminense no Brasileiro de 1984, o número 6 eu chamava de &#8220;Paulo Vítor Entrou na Linha&#8221;. Só não me peça para explicar o que o Sport tinha a ver com o Fluminense. Não faço ideia. Também vale citar que o Grêmio montado pelo meu pai tinha botões &#8220;Canoinha&#8221; vermelhos. Até hoje, quando penso em cada um dos times consigo me lembrar de como eram os botões.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/caixa-palhetas-fichas-pif-paf.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/caixa-palhetas-fichas-pif-paf-640x426.jpg" alt="Caixa de fichas de pif-paf, usadas como palhetas" title="Caixa de fichas de pif-paf, usadas como palhetas" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-716" /></a></p>
<p>A caixa de fichas de pif-paf que eram usadas como plahetas. Muitas delas já se perderam no tempo e algumas quebraram-se, mas a maioria ainda existe. Como se pode ver, a branca era a preferida.
</p></div>
<p>Quando eu ia ao Rio de Janeiro, ficava muitas vezes no apartamento do meu primo de segundo grau Bruno, que tinha a minha idade, apesar de ser primo da minha mãe. No prédio dele, em Botafogo, havia muita gente com que jogar. Os botões que eles usavam eram diferentes dos com que estava acostumado. Não eram iguais nem aos que chamávamos de &#8220;oficiais&#8221; (Champion, Crack&#8217;s etc.) nem aos do meu pai. Eles eram maciços, com ângulos retos. Lembravam um pouco os oficiais da Federação Paulista que eu conheceria anos mais tarde, mas menores e sem furo no meio. E eles praticavam trocas de jogadores, literalmente, o que eu achava divertido, embora nunca pudesse participar, já que os meus eram muito diferentes. Foi lá no Rio também que certa vez fui à Rua da Alfândega procurar times e comprei seis caixas: América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Eram caixas azuis, com botões meio vagabundos, que tinham até uma pontinha que sobrava depois de os moldes serem destacados. O único deles que eu já não tinha era o Bangu, que ficou, pois, intacto; os demais foram desfigurados para montar outros times.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/bangu-fabrica-de-penas-de-aco-brasil.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/bangu-fabrica-de-penas-de-aco-brasil-640x425.jpg" alt="Bangu (Fábrica de Penas de Aço Brasil)" title="Bangu (Fábrica de Penas de Aço Brasil)" width="640" height="425" class="alignnone size-large wp-image-715" /></a></p>
<p>A caixinha do Bangu ainda existe, embora não seja mais usada para guardar o time, que tem seu próprio maço de cigarro. O fabricante era a Fábrica de Penas de Aço Brasil, que ficava na <a href="http://maps.google.com/maps?f=q&#038;source=s_q&#038;hl=en&#038;geocode=&#038;q=Rua+Pereira+Nunes,+410,+Rio+de+Janeiro,+Brasil&#038;aq=0&#038;sll=37.0625,-95.677068&#038;sspn=34.313287,79.013672&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=R.+Pereira+Nunes,+410+-+Vila+Isabel,+Rio+de+Janeiro,+20511-120,+Brazil&#038;ll=-22.915754,-43.2406&#038;spn=0.002436,0.004823&#038;t=h&#038;z=18&#038;layer=c&#038;cbll=-22.915595,-43.240638&#038;panoid=PpG_iFl4ao10s9w2I7XrWw&#038;cbp=12,76.32,,0,0.45">Rua Pereira Nunes, 410-A</a>, no Rio de janeiro. Pelo Google Street View, não fica claro se a empresa ainda está lá, mas uma consulta no Google só retornou resultados do <em>Diário Oficial</em>.
</div>
<p>A maior parte dos campeonatos de que eu participei na minha infância e adolescência envolveu, além do meu irmão, o Zé e o Gui, dois irmãos que moravam quase ao lado da nossa casa. Eles tinham entre si uma rivalidade ainda maior do que a nossa, acentuada por uma diferença de idade de quase três anos. O Zé, o mais velho, é um dia mais novo que o meu irmão. Eu já briguei com meu irmão por causa de jogos de botão, mas nunca cheguei a comer uma tabela após uma dolorosa eliminação, só para impedir a continuação do campeonato — a medida funcionou melhor que qualquer tapetão. Esses campeonatos geralmente tinham fórmulas de fazer a CBF morrer de inveja, incluindo uma primeira fase de grupos em que todos os times se classificavam.</p>
<p>O Zé também foi parte integrante dos campeonatos qe eu fazia sozinho, embora ele provavelmente nunca tenha presenciado um jogo. Afinal, eu publicava uma revista semanal sobre os torneios e precisava de alguém para desenhar as capas, já que minhas habilidades para desenho só são aceitáveis para uma criança de oito anos, e olhe lá. O pessoal da minha classe na escola sempre queria ver as revistas, claro que não pelo conteúdo, mas pelas capas e por um ou outro desenho que ele fazia a mais para preecher um eventual espaço vazio. As revistas em geral vinham com pôsteres (!) dos times posados. Esses eu mesmo fazia, usando os próprios jogadores como moldes e depois desenhando uma versão bem minimalista dos escudos com régua e compasso. Foi graças a essas revistas, escritas a mão, que minha letra melhorou bastante e eu passei a escrever em letra de forma. O nome da publicação, <em>Escore</em>, foi descaradamente baseado na <em>Placar</em>, que àquela altura já não era mais semanal. Era a minha maneira de suprir essa, digamos, &#8220;carência&#8221;. A revista durou uns cinquenta números. Eu, que sempre tinha gostado de fazer revistas em quadrinhos, nunca tinha conseguido chegar tão longe numa numeração. Essas revistas foram a única coisa que procurei, mas não achei para ilustrar este texto.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ulysses-cup.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ulysses-cup-640x424.jpg" alt="Ulysses Cup" title="Ulysses Cup" width="640" height="424" class="alignnone size-large wp-image-708" /></a></p>
<p>A Ulysses Cup em 4 de março de 2001. Não dá para ver direito na foto, mas, além da imagem de Ulysses Guimarães, todos os campeões estão imortalizados ali, em decalque coberto por esmalte incolor.
</p></div>
<p>Um pouco mais tarde, nós quatro criamos a Ulysses Cup, um troféu de posse transitória a ser disputado em um campeonato de botão. Àquela altura, já tínhamos sido apresentados aos times oficiais da Federação Paulista, por meio de uma matéria publicada na <em>Placar</em> em dezembro de 1991. Fomos atrás do Lourival, um dos fornecedores citados, no Belenzinho, e compramos um time cada um. O meu foi um time azul e vermelho, que batizei como Nacional. O do meu irmão foi um verde e branco, batizado de Werder Bremen. E foi com esse time que ele ganhou a primeira Ulysses Cup, em 1993. O nome, cuja ideia não foi minha, foi uma mistura de Ulysses Guimarães, recentemente falecido, com a Copa Stanley, troféu máximo do hóquei no gelo, esporte pelo qual minha fascinação estava começando.</p>
<p>Das cinco Ulysses Cups, conquistei duas, uma com meu time do Pittsburgh Penguins (um clube de hóquei no gelo), outra com a minha seleção alemã de 1974 (cujo craque era o número 8, Grabowski). Meu irmão ganhou aquela primeira e mais uma. A edição que sobrou foi vencida pelo Zé. Detalhe: meu irmão e eu suspendemos um ao outro daquela edição, devido a problemas distintos que nem lembro mais. Um deles possivelmente teve a ver com uma vez em que atirei vários jogadores da minha Alemanha contra ele. Muitos deles têm sequelas até hoje: pequenos &#8220;dentes&#8221; embaixo. O motivo? Deve estar perdido em alguma sinapse desfeita em meu cérebro.</p>
<p>Com times oficiais em mãos, resolvemos &#8220;nos profissionalizar&#8221;. Isto é, inscrevemo-nos na Federação Paulista de Futebol de Mesa. Quando do cadastro, cada um teve de escolher um apelido. O meu foi simplesmente o sobrenome do meio, Linhares. Em meados de 1994 participamos, meu irmão, o Zé e eu, de nosso primeiro campeonato, um torneio aberto no Círculo Militar de São Paulo. Nesses torneios abertos era permitida a inscrição de jogadores avulsos, sem clube, como nós. Foi lá que recebemos o convite para defender o Nacional, cujo departamento de futebol de mesa estava começando.</p>
<p>Acabamos não fazendo nada a respeito, mas no ano seguinte, quando praticamente já tínhamos nos esquecido, ligaram para mim perguntando se eu ainda estava interessado em treinar no Nacional. Sim, eu estava. Meu irmão e o Zé foram também. Passamos a defender a equipe de aspirantes do clube. Num dos jogos fora de casa, contra a Sociedade Amigos de Vila Maria Zélia, a reportagem do <em>Estadão</em> estava lá para escrever matéria sobre o botonismo naquele bairro. Acabamos saindo meio que sem querer na reportagem, publicada no caderno &#8220;Seu Bairro Leste&#8221; de 15 de agosto de 1996. A foto da equipe do Nacional, inclusive, foi a maior da página Z6, mas acabou bastante manchada por um anúncio quase todo preto na página oposta. O Nacional venceu o jogo, 46 a 26.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2011/03/reportagem-vila-maria-zelia.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/reportagem-vila-maria-zelia-640x425.jpg" alt="Reportagem sobre botonismo na Vila Maria Zélia" title="Reportagem sobre botonismo na Vila Maria Zélia" width="640" height="425" class="alignnone size-large wp-image-710" /></a></p>
<p>Na matéria sobre o botonismo na Vila Maria Zélia, a equipe do Nacional (sou o último à direita) ganhou um indevido destaque. A foto do time da casa saiu na capa do suplemento.
</p></div>
<p>Participando de praticamente todas as competições a que eu tinha direito, consegui subir no ranking da Federação e fui convocado até para a quarta divisão do Paulista Individual, realizado em um fim de semana no Clube Atlético Indiano. Para essa competição eram convocados anualmente os oitenta melhores no ranking, sendo vinte em cada divisão. Não cheguei nem perto de vencer, mas também não fui um dos últimos.</p>
<p>Eu tinha um estilo bem característico. Enquanto a grande maioria dos federados aproveitava ao máximo os doze toques a que tinham direito em cada lance, eu chutava do meio da rua, mesmo. E com uma pontaria realmente boa para a distância. Esses chutes ficaram conhecidos no Nacional como &#8220;pombos sem asa&#8221;. É claro que com esse estilo eu não teria como ir muito mais longe do que fui. Eu não gastava todo o tempo que podia, o que gerava uma média de gols (tanto pró como contra) mais alta nos meus jogos, isso sem falar que mais de uma vez tomei gol do goleiro adversário devido à potência dos meus chutes.</p>
<div class="legendas"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/nacional-foto-posada.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/nacional-foto-posada-640x421.jpg" alt="Nacional: foto posada" title="Nacional: foto posada" width="640" height="421" class="alignnone size-large wp-image-711" /></a></p>
<p>A foto acima é da minha última partida pelo Nacional, em 14 de setembro de 1997, contra a Hebraica. Em pé: Espel, Ceará, Peron e Linhares. Agachados: Roni, Miltinho, Bueno e Mazinho.
</p></div>
<p>Minha última participação na Federação Paulista foi em 1997. O Nacional já não tinha mais jogadores suficientes para formar uma equipe de aspirantes, então só havia o time principal, do qual eu passei a ser titular. Mas naquela época minha vida profissional começou a colocar obstáculos demais para seguir comparecendo todos os finais de semana e deixei de ir. Desde 1997, meus únicos jogos foram um minicampeonato com parentes da minha mulher em 2000 e um campeonato escolar em 2007, em que atuei em dupla com o primo da minha mulher, então no colegial. Fomos campeões ganhando as duas partidas por W.O.</p>
<p>Depois de ler o texto do Ubiratan, resolvi comprar um Estrelão para meu filho Guilherme, que está por completar dois anos e meio. Não me parece cedo, não. Na foto que abre este texto, meu irmão, debruçado sobre o campo, tinha acabado de fazer dois anos. Na foto que fecha, Willi começa a aprender a jogar.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2011/03/willi-joga-botao-640x426.jpg" alt="Willi joga botão" title="Willi joga botão" width="640" height="426" class="alignnone size-large wp-image-729" /></p>
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		<title>Arbitragem eletrônica</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/arbitragem-eletronica/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 21:09:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[arbitragem]]></category>
		<category><![CDATA[beisebol]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos anos as maiores discussões de futebol têm sido em torno de erros ou supostos erros de arbitragem, especialmente aqui no Brasil, uma tendência acelerada pelo anonimato nas discussões de fóruns e nos comentários em blogs de jornalistas esportivos de expressão. Todo mundo acha que seu time só perdeu porque o juiz errou — ou melhor, roubou —, o que me faz pensar que esse povo talvez imagine que, num irreal mundo de arbitragens perfeitas, seus times ganhariam todos os jogos, sendo, pois, campeões de tudo o que disputam. Talvez para ser diferente de tudo isso, eu nunca reclamo&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/arbitragem-eletronica/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos anos as maiores discussões de futebol têm sido em torno de erros ou supostos erros de arbitragem, especialmente aqui no Brasil, uma tendência acelerada pelo anonimato nas discussões de fóruns e nos comentários em blogs de jornalistas esportivos de expressão. Todo mundo acha que seu time só perdeu porque o juiz errou — ou melhor, roubou —, o que me faz pensar que esse povo talvez imagine que, num irreal mundo de arbitragens perfeitas, seus times ganhariam todos os jogos, sendo, pois, campeões de tudo o que disputam.</p>
<p>Talvez para ser diferente de tudo isso, eu nunca reclamo quando os árbitros erram contra o meu time: eu sempre me lembro que eles às vezes erram a favor. No mundo das discussões acéfalas, o erro a favor seria uma suposta compensação por &#8220;todas as outras vezes&#8221; em que o time foi roubado. Não quero entrar numa análise pseudopsicológica disso. Seria algo entre a natureza do ser humano e o eterno nós-contra-eles que tanto satisfaz certas almas diante de resultados negativos.</p>
<p>A minha intenção é imaginar o que alimentaria tais discussões se a chamada arbitragem eletrônica entrasse em cena no futebol. É uma hipótese extremamente remota — acho que seria mais fácil eu conseguir eleger o porteiro do meu prédio presidente nas eleições de outubro, e no primeiro turno —, mas que sempre é levantada pela imprensa depois de algum erro grave. Não dá sequer para comparar com as ligas norte-americanas que têm algum tipo de arbitragem eletrônica, pois tanto no hóquei no gelo como no beisebol e no futebol americano os árbitros só podem apelar para os <em>replays</em> em alguns casos bem definidos.</p>
<p>Ontem mesmo, na liga de beisebol, um erro crucial criou <a href="http://sportsillustrated.cnn.com/2010/writers/tom_verducci/06/02/joyces.missed.call/index.html?eref=sihp" class="broken_link">uma polêmica</a> que pode fazer com que a arbitragem eletrônica no esporte seja estendida além de apenas verificar se <em>home runs</em> foram corretamente anotados. Armando Galarraga, arremessador venezuelano do Detroit Tigers precisava de apenas uma eliminação para conseguir um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogo_perfeito">jogo perfeito</a>. O feito, que consiste em eliminar todos os rebatedores adversários, é tão raro que apenas vinte arremessadores conseguiram-no em toda a história do beisebol — apesar de dois deles terem conseguido nesta temporada, algo que não acontecia desde 1880.</p>
<p>No que deveria ter sido seu último arremesso, o interbases Jason Donald, do Cleveland Tigers, rebateu a bola na direção de Miguel Cabrera, que a recolheu e passou para Galarraga, que cobria a primeira base. O arremessador <a href="http://mlb.mlb.com/video/play.jsp?content_id=8616789" class="broken_link">pisou na base</a> com a bola pelo menos um passo antes de Donald, mas o árbitro da primeira base, Jim Joyce, assinalou que o jogador estava salvo. O jogo perfeito tinha ido para as cucuias. E não só o jogo perfeito, como algumas <a href="http://sports.yahoo.com/mlb/blog/big_league_stew/post/Robbed-Blown-call-costs-Armando-Galarraga-a-per?urn=mlb,245292">marcas relacionadas</a>: teria sido o menor número de arremessos em um jogo perfeito desde 1908 e o jogo perfeito mais curto desde 1965.</p>
<p>Talvez o mais impressionante nessa história toda tenha sido o fato de o juiz que errou ter assumido seu erro, pedindo desculpas a Galarraga pessoalmente. E ele não se limitou a pedir desculpas privadamente; <a href="http://wxyt.cbslocal.com/2010/06/03/jim-joyce-right-after-he-robbed-armando-galarraga-of-a-perfect-game/" class="broken_link">em entrevista</a> após ver o <em>replay</em> e perceber o que tinha feito, ele reconheceu que errou. Algo inimaginável no futebol, especialmente no futebol brasileiro, onde os árbitros ficam incomunicáveis, mesmo para a imprensa, após os jogos, especialmente quando houve algum erro clamoroso.</p>
<p>O próprio Galarraga comportou-se como um cavalheiro. Ao invés de espernear, xingar e amaldiçoar, não, ele simplesmente sorriu, com um ar de incredulidade, logo após o lance. Seus companheiros de time e seu técnico reclamaram. Ele seguiu em frente e eliminou mais um adversário, encerrando definitivamente a partida. Mesmo depois do jogo, quando já tinha a mais absoluta das certezas de que ele deveria àquela altura estar com um jogo perfeito no currículo, ele teve uma atitude ímpar. Ao saber, por meio de um repórter do jornal <em>Detroit Free Press</em>, que Joyce tinha assumido o erro e estava se sentindo péssimo, sua resposta veio com classe.</p>
<blockquote><p>&#8220;Diga a ele que não tem problema&#8221;, disse Galarraga. &#8220;Eu posso ir dizer a ele.&#8221; Ele sorriu. &#8220;Eu provavelmente deveria falar com ele. Vai ser melhor.&#8221; E foi o que ele fez.</p>
<h6><a href="http://www.freep.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20100603/SPORTS02/6030588/1321/Armando-Galarragas-near-perfect-night-marred-by-gaffe&amp;template=fullarticle" class="broken_link">Michael Rosenberg</a>, <em>Detroit Free Press</em>, 3/6/2010</h6>
</blockquote>
<p>Nesta manhã, foi o grande assunto do noticiário esportivo norte-americano. Houve quem <a href="http://joeposnanski.si.com/2010/06/02/the-lesson-of-jim-joyce/" class="broken_link">aplaudisse de pé</a> as atitudes de Galarraga e Joyce, quem <a href="http://sportsillustrated.cnn.com/2010/writers/frank_deford/06/03/deford.galarraga/index.html" class="broken_link">defendesse</a> a mudança do resultado (algo que mais tarde seria <a href="http://sportsillustrated.cnn.com/2010/writers/tom_verducci/06/03/joyce.selig/index.html" class="broken_link">rejeitado oficialmente</a> pela liga) e muitos que voltaram a <a href="http://sportsillustrated.cnn.com/2010/writers/tom_verducci/06/03/joyce.selig/index.html" class="broken_link">tocar no assunto</a> da arbitragem eletrônica estendida a outras situações, o que a liga disse que estudará.</p>
<p>No futebol, não existe sequer essa discussão por parte de quem decide, apenas por parte da imprensa. Quem decide é a International Board, que mexeu em pouquíssimas regras do esporte ao longo do último século. Não que isso seja um problema; ficar mudando tudo a toda hora seria péssimo. Mas já faz algum tempo que está na hora de mexer nessa regra que faz crer que a Fifa ainda acredita em infalibilidade dos árbitros. Eles falham, e falham muito, e todos os jogos, até os da segunda divisão nacional, já têm várias câmeras espalhadas pelo estádio, o que é facilmente comprovado pelo <em>pay-per-view</em> quase onipresente.</p>
<p>Falando só no Brasil, provavelmente não seria possível adotar essa solução em todos os campeonatos, como alguns estaduais menores e as divisões inferiores. Mas isso já poderia ajudar bastante justamente nos torneios de maior visibilidade. Sei que nada disso vai acontecer. A Fifa vira-e-mexe dá declarações dizendo que não gostaria de eliminar a polêmica do futebol, como se esse fosse um grande argumento contra a arbitragem eletrônica. Será que não seria melhor as discussões na segunda-feira serem sobre os lances bonitos da rodada, em vez das falhas de arbitragem?</p>
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		<title>Uma história que merecia ser contada</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 15:33:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
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		<description><![CDATA[Em primeiro lugar, cumpro o dever de avisar que eu estava com um projeto de escrever a história da Placar, tendo inclusive feito e transcrito diversas entrevistas. Apesar disso, recebi com alegria o lançamento de Onde o Esporte se Reinventa — Histórias e bastidores dos 40 anos de Placar. Sim, é verdade que o livro basicamente torna desnecessário o meu esforço, embora ele não tenha sido menos prazeroso por isso. Mas meu desejo de escrevê-lo surgiu da vontade de ler essa história, que não sabia que já estava sendo contada. E o trabalho de Bruno Chiaroni e Márcio Kroehn possibilitou&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/06/uma-historia-que-merecia-ser-contada/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em primeiro lugar, cumpro o dever de avisar que eu estava com um projeto de escrever a história da <em>Placar</em>, tendo inclusive feito e transcrito diversas entrevistas. Apesar disso, recebi com alegria o lançamento de <em>Onde o Esporte se Reinventa — Histórias e bastidores dos 40 anos de Placar</em>. Sim, é verdade que o livro basicamente torna desnecessário o meu esforço, embora ele não tenha sido menos prazeroso por isso. Mas meu desejo de escrevê-lo surgiu da vontade de ler essa história, que não sabia que já estava sendo contada. E o trabalho de Bruno Chiaroni e Márcio Kroehn possibilitou que eu não tivesse de esperar para lê-la.</p>
<p>A primeira impressão, claro, é o &#8220;pacote&#8221;. É um livro bem acabado, com papel de qualidade e mais de quatrocentas páginas. A não ser pela foto da Bola de Prata e pela pequena menção ao nome da revista no subtítulo, não se percebe que o tema é a história da <em>Placar</em>. Há algumas capas ao fundo, mas, não sei se propositalmente ou não, elas estão borradas e bastante escuras, a ponto de ser possível identificar apenas a do número 1, no alto à esquerda. A diagramação é bem cuidada e separa bem o texto do livro dos boxes com reproduções de matérias. A coluna deixada vazia nas laterais externas das páginas é um recurso para inserir notas &#8220;de rodapé&#8221; e eventuais auxílios gráficos, como capas das revistas de onde tiraram matérias, mas foi pouco explorada, e a gigantesca maioria das páginas ficou com essa coluna totalmente em branco. Já na página 323 um erro de impressão, que talvez esteja limitado apenas ao meu exemplar, sobrepôs pedaços de texto sobre o início das últimas linhas. Como isso aconteceu em apenas um centímetro, dificultou, mas não impediu a leitura. Já a impressão das legendas das fotos no encarte não chegou a ficar ilegível, mas foi escolhida uma fonte fina demais. A qualidade da impressão de algumas das fotos também deixou a desejar. Uma das pessoas que cederam fotos disse-me que a foto fornecida tinha melhor qualidade do que a que saiu.</p>
<p>O tema foi tratado desde o início com loas e reverências à revista e sua história, algo perfeitamente compreensível, não só pelo provável histórico dos autores com a revista (que, suspeito, deve ser bem parecido com o meu), mas também porque os entrevistados deixam muito claro o quanto a revista foi importante para eles e o quanto gostaram de passar por lá. Não que fique parecendo que a vida da revista foi o tempo inteiro o mar de rosas. Os inúmeros percalços e mudanças estão lá e foram tratados e quase todos detalhados. O único senão foi a fase &#8220;Todos os Esportes&#8221;, que foi esmiuçada a partir do momento que foi implantada, sem expor os motivos da decisão.</p>
<p>Apesar de o texto não seguir o tempo todo uma ordem necessariamente cronológica, a história é bem linear, sem exigir esforço do leitor para se lembrar em que fase da revista está. Contar essa história cronologicamente, com precisão de datas, seria quase impossível, e alguns temas, como a fotografia e a cobertura de outros esportes, ganharam capítulos à parte que ajudam a inserir histórias cujas datas se perderam no tempo ou que não se encaixariam facilmente na cronologia de acontecimentos que decidiram a sorte da publicação. Outras histórias nessas condições, mas que não tiveram como ser agrupadas em um mesmo tema, foram polvilhadas em microcapítulos ao final de cada capítulo, uma boa solução para não deixar muito material interessante de fora. A narrativa só se perde um pouco no final, quando a fase atual da revista, que já tem quase sete anos e inclui a criação do <em>Jornal Placar</em>, é passada em apenas oito páginas (mais os trechos de reportagens) e encerra-se bruscamente.</p>
<p>O recurso dos trechos de matérias dá a quem não as tem em arquivo a oportunidade de lê-las. Talvez elas devessem ter sido inseridas como apêndices no final do livro, mas não dá para dizer que incomodam a leitura, pois estão muito bem delimitadas e quem já as conhece pode pulá-las facilmente. Algumas delas poderiam ter sido resumidas — a da Máfia da Loteria ocupou quase 16 páginas — e outras talvez pudessem ser suprimidas, mantendo publicadas apenas as que de fato marcaram a história da revista.</p>
<p>Longe de comprometer o livro, a revisão deixou a desejar. O acento grave é usado incorretamente em algumas ocasiões e em outras há erros de digitação, especialmente nos trechos de matérias, o que sugere o uso de um software de reconhecimento de caracteres sem a devida checagem. Curiosamente, esses erros aparecem com mais frequência a partir da segunda metade do livro. Mas o único erro realmente grave está na página 413, quando o verbo &#8220;taxar&#8221; (&#8220;determinar, estabelecer a taxa do preço de&#8221;, de acordo com o Michaelis) é usado no lugar de &#8220;tachar&#8221; (&#8220;considerar depreciativamente, qualificar&#8221;, de acordo com o mesmo dicionário).</p>
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