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	<title>Pseudopapel &#187; Estação Moóca</title>
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		<title>A porteira da Mooca</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Feb 2013 19:27:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A passagem de nível mais famosa da cidade de São Paulo sempre foi a do Brás, na frente da Estação Roosevelt, mas a Mooca também tinha uma importante porteira, que teve uma história razoavelmente conturbada. Conhecida como &#8220;porteira da Mooca&#8221;, ela foi criada no início do século XX, ainda pela São Paulo Railway, por isso também era chamada de &#8220;porteira da Ingleza&#8221; (assim, mesmo, com z) quando se estava falando daquele bairro. Ela era uma das principais ligações da zona leste com o centro, não só antes da construção da Radial Leste como após, enquanto o Viaduto Alcântara Machado não&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2013/02/porteira-mooca/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A passagem de nível mais famosa da cidade de São Paulo sempre foi a do Brás, na frente da Estação Roosevelt, mas a Mooca também tinha uma importante porteira, que teve uma história razoavelmente conturbada. Conhecida como &#8220;porteira da Mooca&#8221;, ela foi criada no início do século XX, ainda pela São Paulo Railway, por isso também era chamada de &#8220;porteira da Ingleza&#8221; (assim, mesmo, com <em>z</em>) quando se estava falando daquele bairro. Ela era uma das principais ligações da zona leste com o centro, não só antes da construção da Radial Leste como após, enquanto o Viaduto Alcântara Machado não ficava pronto.</p>
<p>Como ocorria em outras passagens de nível paulistanas, o local era conhecido por muitos acidentes, normalmente causados por imprudência de pedestres e motoristas. Esses acidentes levaram a Estrada de Ferro Santos&#8211;Jundiaí (EFSJ, que tinha substituído a São Paulo Railway após a encampação pelo governo brasileiro, em 1946) a impor o fechamento da porteira em 3 de março de 1967, executado pelo Departamento de Engenharia de Tráfego (DET) da cidade. A decisão desagradou a moradores e comerciantes da região, mas principalmente aos motoristas que dependiam da transposição dos trilhos da EFSJ por ali para alcançar o centro da cidade.</p>
<p>Após protestos organizados por moradores e por entidades como a União dos Moradores da Mooca e Alto da Mooca, a porteira acabou reaberta em 24 de abril. A Companhia Antarctica Paulista, que tinha uma grande fábrica ao lado da Estação Mooca e da passagem de nível, era uma das maiores interessadas na reabertura e programou uma festa para a data de reabertura, com fogos de artifício, confetes e serpentinas. Um veículo de propaganda da empresa tinha percorrido o bairro naquela manhã anunciando a festa e convidando a população, mas a iniciativa não deu muito certo: menos de cem pessoas compareceram ao evento.</p>
<div id="attachment_1628" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca-1967.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca-1967-640x773.jpg" alt="A porteira da Mooca, em 1967, em foto d&#039;O Estado de S. Paulo" title="A porteira da Mooca, em 1967, em foto d&#039;O Estado de S. Paulo" width="640" height="773" class="size-medium wp-image-1628" /></a><p class="wp-caption-text">A porteira da Mooca, em 1967, em foto d&#039;O Estado de S. Paulo</p></div>
<p>Nessa época já se falava que a passagem seria novamente fechada quando o viaduto da Radial Leste sobre a linha da EFSJ fosse inaugurado. Mas a inauguração deu-se três semanas depois, em 17 de maio, e a passagem seguiu aberta até 1976. No primeiro dia de junho daquele ano, a RFFSA (a EFSJ, que já era parte da RFFSA desde 1957, fora extinta em 1969) anunciou que fecharia definitivamente a passagem, que daria lugar ao prédio de seu Controle de Tráfego Centralizado (CTC). A versão oficial é de que a decisão já tinha sido tomada &#8220;havia alguns meses&#8221;, mas o comunicado só foi feito a quatro dias do fechamento. Assim, o Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV) teve de elaborar, às pressas, um plano com &#8220;outras opções para se atingir a região central da cidade&#8221;, como informado na nota oficial emitida pelo órgão naquele dia.</p>
<p>O DSV estimava que cerca de 1,7 mil veículos se utilizassem da passagem por hora nos horários de pico. Esses veículos somar-se-iam aos seis mil por hora recebidos pela já saturada Radial Leste nos mesmos horários. O próprio órgão público tinha uma previsão pessimista, mas, sem alternativa, determinou a mudança de mão em diversas ruas do bairro. Três semáforos foram instalados: nos cruzamentos da Radial Leste com as ruas do Hipódromo e Piratininga, e no desta última com a Rua da Mooca. Foram distribuídos ainda folhetos orientando os motoristas. Funcionários das empresas de ônibus que prestavam serviço na região receberam circulares a respeito, assim como cartazes para ser afixados nos coletivos.</p>
<p>Ao menos a previsão pessimista acabou não se concretizando no primeiro dia útil sem a porteira. O trânsito piorou na Radial Leste, é verdade, mas ficou longe do caos que era previsto. Só na Rua dos Trilhos que a coisa complicou, e &#8220;a rua praticamente parou&#8221;, na descrição d&#8217;<em>O Estado de S. Paulo</em>. Prossegue o <em>Estadão</em>: &#8220;E o cruzamento da Avenida Paes de Barros transformou-se num desordenado amontoado de automóveis, que nem o esforço dos guardas, sempre apoiados em seus apitos estridentes, conseguiu desenlaçar.&#8221; Se os motoristas tiveram menos motivos para reclamar do que se imaginava, os comerciantes da Rua da Mooca reclamavam que o fechamento da passagem de nível diminuiu consideravelmente o movimento de pedestres no local, o que consideravam péssimo para os negócios.</p>
<p>Os motoristas começaram a ter motivos para reclamar na sexta-feira seguinte, dia 11, após um engavetamento de cinco veículos no viaduto que liga a Radial Leste à Ligação Leste&#8211;Oeste, às 7h15 da manhã. Ele não teve vítimas, mas causou um congestionamento de mais de quatro quilômetros que durou quase duas horas. Voltando a citar o <em>Estadão</em>: &#8220;Dezenas de bairros da zona leste constataram, da maneira mais concreta possível, a inconveniência de possuir apenas uma passagem para o centro da cidade.&#8221;</p>
<p>No dia 4, véspera da consumação do fato, o então prefeito, Olavo Setúbal, tinha proposto que se fizesse um projeto para a construção de um viaduto no local, ligando os dois lados da Rua da Mooca. Ele adiantou que a eventual construção dependeria &#8220;do aprofundamento dos estudos globais, mediante os quais a Prefeitura tenciona desafogar o trânsito da região&#8221;. Discurso bonito, mas vazio. Já o diretor do DSV, Roberto Scaringela, acreditava que seriam necessários pelo menos dois anos para que o viaduto saísse do papel.</p>
<p>A única ligação entre os dois lados da linha do trem passou a ser a passarela para pedestres, construída pela São Paulo Railway no início do século XX, além da passarela coberta da Estação Mooca. Com a maioria os carros abandonando as ruas próximas, a região passou a sofrer com a deterioração e o abandono. O muro erguido pela RFFSA ganhou entre a vizinhança o apelido de &#8220;Muro da Vergonha&#8221;. A construção do viaduto era reivindicada pelos moradores, mas era seguidamente protelada. Um exemplo é a carta publicada pela <em>Folha de S. Paulo</em> em 29 de setembro de 1987, em que o leitor Hélio Ruggiero solicita uma solução para o muro da vergonha: &#8220;O que se pleiteia não é um viaduto de porte exuberante, mas, sim, algo que elimine de vez a triste obstrução que lá permanece há tanto tempo, fazendo parte da abominável coleção de promessas concretas e realizações abstratas.&#8221;</p>
<p>Em 10 de março de 1993, pouco depois de assumir a Prefeitura pela segunda vez, Paulo Maluf esteve na Mooca e anunciou que a construção do viaduto seria iniciada ainda naquele ano. O projeto de lei pedindo suplementação de verbas para a construção foi encaminhado à Câmara dos Vereadores ainda naquele mês. O custo estimado era de cerca de doze milhões de dólares, com previsão de entrega no final de 1995. A ideia preliminar era um viaduto com três faixas, todas no sentido bairro&#8211;Centro, e uma calçada larga para os pedestres, que permitisse a retirada da antiga passarela de metal da SPR.</p>
<p>Como é praxe até hoje, as datas foram postergadas várias vezes. Em setembro a previsão era de início de obras em 1994. Quando muitos moradores da região já começavam a duvidar da nova promessa, as obras finalmente tiveram início, apenas em setembro de 1994. O &#8220;muro da vergonha&#8221; foi demolido no mês de fevereiro seguinte. Apesar do atraso inicial, a entrega seguia prometida para até dezembro de 1995, mas, ao visitar a obra no fim do mês, Maluf antecipou esse prazo para junho. Em agosto de 1995, com o novo prazo já estourado, Maluf prometeu a entrega para outubro. Em dezembro, falava-se na inauguração em 18 de janeiro de 1996.</p>
<p>Finalmente, o viaduto foi inaugurado em 8 de fevereiro de 1996, já com o nome de Viaduto Professor Alberto Mesquita de Camargo. Comemorado inicialmente, menos de um ano depois ele passou a ser alvo de reclamações de comerciantes da vizinhança. &#8220;Eu era a favor, mas agora sou contra&#8221;, revelou Roberto Riccio, dono de uma lotérica na rua. Ele não era o único que tinha mudado de opinião. &#8220;A gente pensava que iria ser uma coisa, mas foi outra&#8221;, explicou Homero Fernandes da Silva, dono de um bar, ao <em>Estadão</em>. &#8220;A obra ficou boa, o trânsito ficou bom. Mas…&#8221; Mas o viaduto estava servindo como solução apenas para quem usava carro: ele afastava os pedestres da região.</p>
<p>Da mesma maneira que outras obras feitas na cidade.</p>
<div id="attachment_1629" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca.jpg" class="broken_link"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2013/02/porteira-mooca-640x426.jpg" alt="Hoje não dá mais para perceber, mas aqui ficava a porteira da Mooca" title="Hoje não dá mais para perceber, mas aqui ficava a porteira da Mooca" width="640" height="426" class="size-medium wp-image-1629" /></a><p class="wp-caption-text">Hoje não dá mais para perceber, mas aqui ficava a porteira da Mooca</p></div>
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		<title>A CPTM pratica censura</title>
		<link>http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/cptm-pratica-censura/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 11:30:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>
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		<description><![CDATA[No que dependesse da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a foto acima não existiria. É proibido fotografar estações de trem, um resquício da época da Ditadura, quando era &#8220;questão de segurança nacional&#8221;. A proibição foi relaxada, provavelmente na última década, quando máquinas digitais se popularizaram, e mais e mais pessoas passaram a ter a ideia de fotografar trens e estações sem se preocupar com os custos de compra e revelação de filmes. Entretanto, pelo visto você só pode fotografar se for com uma máquina simples. Se for com uma um pouquinho mais complexa, você começa a atrair os olhares&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/cptm-pratica-censura/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No que dependesse da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a foto acima não existiria. É proibido fotografar estações de trem, um resquício da época da Ditadura, quando era &#8220;questão de segurança nacional&#8221;. A proibição foi relaxada, provavelmente na última década, quando máquinas digitais se popularizaram, e mais e mais pessoas passaram a ter a ideia de fotografar trens e estações sem se preocupar com os custos de compra e revelação de filmes. Entretanto, pelo visto você só pode fotografar se for com uma máquina simples. Se for com uma um pouquinho mais complexa, você começa a atrair os olhares dos seguranças.</p>
<p>Minha câmera, embora seja nova e potente para uma <em>point-and-shoot</em>, está longe de ser profissional. É uma <a href="http://www.amazon.com/gp/product/B0031RGGFM?ie=UTF8&amp;tag=beiseblog-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=B0031RGGFM">Kodak EasyShare Z981</a> (o próprio nome &#8220;EasyShare&#8221; já indica que não é uma câmera para profissionais), classificada pela Amazon na categoria &#8220;Point &amp; Shoot Digital Cameras&#8221;. Mas a aparência dela é mais próxima à de uma câmera profissional do que de uma daquelas que garotas adolescentes usam para tirar fotos em frente a um espelho. No treinamento de um segurança da CPTM, é claro que não existe um tópico explicando a diferença entre uma câmera profissional e uma amadora.</p>
<p>A primeira vez que tive problemas foi <a href="http://twitter.com/#!/agiesbrecht/status/9626694381998080" class="broken_link">em 30 de novembro</a>, quando um segurança me abordou na Estação Tamanduateí, próximo às catracas de transferência para o Metrô, informando que eu não poderia bater fotos com uma câmera profissional. Expliquei a situação, o que não adiantou nada. Como eu já tinha tirado as fotos que me interessavam — a saber, da demolição da antiga Estação Tamanduateí —, simplesmente fui embora.</p>
<p>Alguns dias depois, entretanto, decidi voltar lá para ver como anda a evolução da demolição, mas antes parei na <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br/m/mooca.htm">Estação Moóca</a>. Saí do trem e fui até o início da plataforma no sentido Rio Grande da Serra, de onde tirei a foto que ilustra este texto, entre outras. Quando cheguei próximo às escadas para a passarela, um segurança de novo apontou para a minha câmera, informando que não era permitido fotografar com câmeras profissionais sem autorização da chefia. Mais uma vez, expliquei que minha câmera não era profissional, e mais uma vez minha explicação de nada adiantou.</p>
<p>Cabe ressaltar: apesar de eu discordar frontalmente da proibição da CPTM, nenhum dos quatro funcionários que interagiram comigo nos dois episódios foi descortês. Muito pelo contrário. Todos foram educados e em nenhum momento proferiram ameaças ou algo parecido. O único senão é o desconhecimento da diferença de uma câmera <em>point-and-shoot</em> e uma profissional, o que, convenhamos, não dá para culpá-los. No fim das contas, fui liberado pela chefia da estação para continuar fotografando. Na Estação Moóca — na Tamanduateí, eu teria de procurar a chefia de estação novamente.</p>
<p>Ou o departamento de Marketing da CPTM. Consultei o departamento, e a primeira informação é que é proibido fotografar com qualquer câmera, mesmo amadora, sendo apenas celulares permitidos, ainda assim por pura impossibilidade de controle. Anacrônico, não? Comprovei o que eu já imaginava: o procedimento de autorização para fotografar é extremamente burocrático. Tudo começa com uma solicitação via e-mail para marketing@cptm.sp.gov.br, em que se explica quando as fotos serão feitas e em qual estação, junto com uma descrição de como esse material será usado. Também é preciso comprometer-se a não vender as fotos. Aqui no <em>Pseudopapel</em> isso não é um problema, pois todas as fotos tiradas por mim são liberadas em <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/">Creative Commons</a>.</p>
<p>A solicitação é encaminhada então para a área de operações responsável, que autoriza ou não que as fotos sejam feitas, usando como critério o &#8220;projeto&#8221; apresentado. E como é necessário apresentar o &#8220;projeto&#8221;, isso praticamente elimina a possibilidade de que sejam autorizadas fotos meramente para arquivo pessoal. Sem &#8220;projeto&#8221;, sem fotos. Ao menos, parece — <em>parece!</em> — que serão autorizadas solicitações para alimentar a Wikipédia ou o site <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br"><em>Estações Ferroviárias</em></a>. Essa burocracia toda, se seguida, impediria que eu publicasse postagens como as sobre <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/09/ultimo-dia-estacao-tamanduatei/">o último dia da Estação Tamanduateí</a> (seu fechamento foi comunicado na última hora) ou sobre <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/08/algumas-cenas-estacao-luz/">algumas cenas de lotação na Estação da Luz</a>. Vale destacar que tanto a chefia da estação como o departamento de Marketing informaram que não era necessária autorização para fotografar os arredores de cada estação. O problema é a partir do momento que se entra nas mesmas.</p>
<p>É difícil imaginar por que a CPTM ainda tem uma regra oriunda dos tempos da ditadura. Talvez pelo mesmo comodismo que a faz manter a sinalização antiga em boa parte da Linha 7-Rubi, três anos depois da última mudança. A regra é ainda mais anacrônica se lembrarmos que hoje não só câmeras <em>point-and-shoot</em> já têm recursos bastante similares aos de câmeras profissionais, como também com celulares é perfeitamente possível bater fotos sem ser percebido. Mas, se a câmera <em>parecer</em> profissional, só com autorização. Qual é a grande preocupação? Que alguma empresa use a foto num anúncio e crie um slogan como &#8220;o xampu da Estação Guapituba&#8221;? E se criar? O departamento Jurídico da empresa não é tão ágil quanto os seguranças? (Não sei, mas duvido que seja tão cortês.)</p>
<p>Preservar a memória ferroviária é algo que sem a menor dúvida tem sido feito melhor pelos inúmeros usuários que mantêm sites, blogs e fóruns do que pelas empresas que dela deveriam cuidar, sejam elas públicas ou não. Mesmo a imprensa pouco ligou para a Estação Tamanduateí antiga no dia de sua desativação, para ficar em um de inúmeros exemplos. Quando a CPTM lança algum livro sobre a memória ferroviária, ele geralmente é presenteado a diversos &#8220;ilustres&#8221;, que o recebem e guardam em uma estante empoeirada sem sequer abri-lo, isso se não jogarem fora direto. Já a quem esse material de fato interessa, resta esperar meses ou anos até que alguma rara cópia apareça em um sebo.</p>
<p>Se dependesse da CPTM, um site como o <em>Estações Ferroviárias</em>, do meu pai, não seria possível. E mesmo lá fotos dos anos 1960, 1970 e 1980 são raras, não só porque era mais caro tirar fotos naquela época, mas também porque, no caso das estações, era simplesmente proibido. Até quando vai ser?</p>
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