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	<title>Pseudopapel &#187; Rua Oscar Freire</title>
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		<title>Prédios com nomes estrangeiros</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 21:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
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		<description><![CDATA[Em 13 de janeiro o Jornal da Tarde publicou reportagem em seu caderno de Imóveis a respeito da tendência do mercado imobiliário de dar nomes estrangeiros aos novos empreendimentos. É algo com que tenho rusgas que já expus aqui em alguns artigos, como quando critiquei o Edifício Mood, na Rua Álvaro de Carvalho. Na matéria do JT, em executivo de incorporadora disse: &#8220;É tradição usar palavras estrangeiras. Brasileiro gosta de tudo o que é de fora.&#8221; É verdade. Até porque muitas vezes desconhece o significado, e aí a palavra soa melhor. No caso específico do Mood, imaginem se ele se&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/05/predios-nomes-estrangeiros/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 13 de janeiro o <em>Jornal da Tarde</em> publicou reportagem em seu caderno de Imóveis a respeito da <a href="http://m.estadao.com.br/noticias/economia,cidade-%E2%80%98brasiliana%E2%80%99-de-todos-os-%E2%80%98names%E2%80%99,98810.htm" title="JT: "Cidade 'brasiliana' de todos os 'names'"">tendência do mercado imobiliário de dar nomes estrangeiros aos novos empreendimentos</a>. É algo com que tenho rusgas que já expus aqui em alguns artigos, como <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/01/viaduto-major-quedinho/" title="Passeio pelo Viaduto Major Quedinho">quando critiquei o Edifício Mood, na Rua Álvaro de Carvalho</a>. Na matéria do <em>JT</em>, em executivo de incorporadora disse: &#8220;É tradição usar palavras estrangeiras. Brasileiro gosta de tudo o que é de fora.&#8221; É verdade. Até porque muitas vezes desconhece o significado, e aí a palavra soa melhor. No caso específico do Mood, imaginem se ele se chamasse Edifício Humor ou Edifício Estado de Espírito.</p>
<p>E há outros exemplos similares por aí, basta folhear um jornal de domingo. Aliás, &#8220;similar&#8221; é a melhor palavra para definir essa situação, porque há nomes muito parecidos. Tudo quanto é lançamento de prédio de escritórios tem um &#8220;Business Center&#8221; ou um &#8220;Offices&#8221; no nome. Entre os residenciais, não há algo tão dominante, mas vê-se muito &#8220;Estilo&#8221; e, especialmente, &#8220;Park&#8221;, como um empreendimento chamado &#8220;Central Park Prime&#8221;, no Carrão (embora anunciado como Tatuapé), bairro que de central não tem nada.</p>
<p>Na mesma matéria do <em>JT</em>, é citada uma incorporadora que tem outra posição a respeito dos nomes estrangeiros: ela não os usa. &#8220;Muitas pessoas estão entrando no segmento <em>[N. do E.: O que raios significa "entrar no segmento"? Ela está falando dos compradores ou dos corretores?]</em> e têm dificuldade de pronunciar os nomes. E o Brasil está na moda.&#8221; Aplaudo a iniciativa de usarem nomes em português. Só poderiam ser mais criativos. Vários têm &#8220;Estilo&#8221; no nome ou outras (poucas) palavras, sempre para tentar dar ao empreendimento um status que ele não tem. Ou alguém acha que em um condomínio onde moram duzentas famílias &#8220;estilo&#8221; é a primeira palavra que se vem à mente?</p>
<p>É verdade que ser criativo nesse mercado não é lá muito fácil. Mesmo nos tempos de antigamente, os nomes não eram uma maravilha da criatividade: costumavam homenagear a rua, o bairro ou alguma pessoa cujos feitos se perderam no tempo. Eu mesmo já morei no Edifício Almiro Meirelles Ferreira, levantado nos anos 1960, e não faço ideia de quem seja. Nem Mr. Google ajudou muito na busca. Sem contar as menções ao prédio, só consegui descobrir que ele — ou um homônimo — era dono de terras que foram <a href="http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=167001" title="Decreto número 35.351, de 8 de abril de 1954" class="broken_link">desapropriadas em 1954</a> para a passagem de uma linha de transmissão entra a usina termelétrica de Piratininga e uma linha entre Cubatão e São Caetano do Sul. Nada mais sei sobre ele. Seria ele o antigo proprietário do terreno onde o prédio foi construído? Difícil saber.</p>
<p>Já os bairros homenageados pelos prédios de antigamente ao menos tratavam do bairro onde eles ficavam. Hoje Santa Cecília virou Higienópolis, Pinheiros virou Jardins, Pompeia virou Perdizes e por aí vai. Meu pai mostrou-me outro dia um anúncio que lhe chamara a atenção na página A28 do <em>Estadão</em> de 21 de abril, com o empreendimento Estilo Jardins, que fica… em Pinheiros! Sim, na Rua Arruda Alvim, entre a Cardeal Arcoverde e a Teodoro Sampaio. (Será que em cidades que delimitam as divisas de bairros por leis isso também acontece? Pior que acredito que sim.) E olha que nem vou entrar no mérito de que o anúncio trazia fotos de um metrô que não é o de São Paulo (&#8220;Imagem ilustrativa da Estação Clínicas&#8221;, dizia um texto sobre a foto!), de uma mulher com vestido esvoaçante e de lojas na Rua Oscar Freire, que é paralela à Rua Arruda Alvim. Essa foto, além de tudo, mostra um trecho da rua a pelo menos oito quarteirões do empreendimento, pouco após a esquina com a Rua da Consolação. Essa distância inclui cruzar a Avenida Rebouças. E a derrapada nessa foto não para por aí: para não mostrar as marcas das lojas, ela foi <em>photoshopada</em>, incluindo a remoção de uma placa com o logo da loja Carmim. Mas faltou removê-la do reflexo na vitrine da loja, embora deste o logo também tenha sido removido! Compare a foto que saiu no jornal <a href="http://g.co/maps/qd3h9" class="broken_link">com o Street View</a>.</p>
<p>Mas eu queria falar mesmo era dos nomes dos prédios. Sessenta anos atrás, parece que o pessoal podia ser mais ousado. Um bom exemplo, <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2011/06/predio-zu-rua-dos-bororos/" title="Prédio Zú, na Rua dos Bororós">o Prédio Zú</a>, foi citado aqui em junho passado. Um exemplo melhor ainda é o Edifício do Vovô e da Vovó, na Rua Pedro Taques, cujo letreiro aparece na foto acima, após <a href="http://instagr.am/p/Kaf81Ron1K/" title="Instagram: Edifício da Vovó e do Vovô">a horrenda pintura</a> que ele sofreu recentemente — dá para perceber que não há verbo que se encaixe melhor aqui do que &#8220;sofrer&#8221;. São nomes únicos, que incorporadora nenhuma ousa usar hoje em dia. Melhor batizar com um nome parecido com os outros. Mais garantido. Vai que eles acabam vendendo menos por não usar um nome como &#8220;Estilo Jardins&#8221;.</p>
<p>(Ah, sim, uma última foto em que se vê a fachada inteira do Edifício da Vovó e do Vovô.)</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/04/edificio-da-vovo-e-do-vovo.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/04/edificio-da-vovo-e-do-vovo-640x480.jpg" alt="Edifício da Vovó e do Vovô" title="Edifício da Vovó e do Vovô" width="640" height="480" class="alignnone size-medium wp-image-1494" /></a></p>
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