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	<title>Pseudopapel &#187; Rua Augusta</title>
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	<description>Porque de eletrônico este espaço só tem o formato.</description>
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		<title>A preocupação não é só com a memória</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Dec 2010 22:12:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[abandono]]></category>
		<category><![CDATA[Consolação]]></category>
		<category><![CDATA[Folha de S. Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Rua Augusta]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada o site Folha Online, pertencente ao jornal Folha de S. Paulo, publicou uma matéria sobre um casarão na Rua Augusta que estava sendo demolido, para dar lugar a um espigão, provavelmente com nome estrangeiro. Até aí, nenhuma novidade: casas antigas são derrubadas com alguma frequência em São Paulo. A notícia, na verdade, tinha-me sido passada um dia antes pelo Douglas Nascimento, do site São Paulo Antiga, por e-mail. Ele logo atualizou a página sobre o casarão no site com a informação da demolição. Enquanto isso, na página de comentários da notícia na Folha Online, havia quase tantos&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/12/preocupacao-memoria/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada o site <em>Folha Online</em>, pertencente ao jornal <em>Folha de S. Paulo</em>, publicou uma matéria sobre um <a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/845984-casarao-na-rua-augusta-em-sp-da-lugar-a-predio.shtml">casarão na Rua Augusta que estava sendo demolido</a>, para dar lugar a um espigão, provavelmente com nome estrangeiro. Até aí, nenhuma novidade: <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/10/que-sobrou-casas-carlos-sampaio/">casas antigas são derrubadas com alguma frequência em São Paulo</a>. A notícia, na verdade, tinha-me sido passada um dia antes pelo Douglas Nascimento, do site <a href="http://www.saopauloantiga.com.br/"><em>São Paulo Antiga</em></a>, por e-mail. Ele logo atualizou <a href="http://www.saopauloantiga.com.br/rua-dona-antonia-de-queiros/">a página sobre o casarão no site</a> com a informação da demolição.</p>
<p>Enquanto isso, <em>na página de comentários da notícia na Folha Online</em>, havia quase tantos comentários <em>favoráveis</em> à demolição quanto contrários. Isso, claro, não foi exatamente uma surpresa. A surpresa estava contida nos motivos alegados para defender a demolição. Veja alguns exemplos:</p>
<ul>
<li>&#8220;Preservar um prédio que nem tem informações históricas? Para que <em>(sic)</em>? Não é uma árvore ou um ser. Melhor uma construção útil, <strong>que todos possam usar</strong> e que acabe com aquele fantasma que deixa a região insegura.&#8221;</li>
<li>&#8220;Isto mesmo São Paulo, não a velharia, sou a favor do progresso. Tem mais é que por <em>(sic)</em> estes prédios antigos abaixo e dar lugar aos modernos, muda tudo, novos ares!&#8221;</li>
<li>&#8220;Essas coisas velhas e antiquadas só trazem nostaugia <em>(sic)</em> e bichos pra nossa linda e moderna cidade.&#8221;</li>
<li>&#8220;São Paulo já está com <strong>número alto de patrimônios históricos</strong>, colocando um prédio de nivel melhor ali melhora a região.&#8221;</li>
<li>&#8220;Já vai tarde, pois <strong>aquela região necessita urgentemente de imóveis novos</strong> <em>(…)</em> região central não pode mais conviver com o <strong>atraso</strong> e descaso.&#8221;</li>
<li>Hehehe, ja <em>(sic)</em> vai tarde!!! Confundir ruína com cultura, se esses comentários valessem alguma coisa, imagina o bonde, o lixeiro de carroção de burros, telefone de manivela e <strong>outras porcarias</strong>.</li>
<li>Haaaaa parem de chorar, <strong>tem mais que derrubar essas porcarias mesmo</strong>. Quanto mais obras mais empregos…</li>
<li><strong>Já vai tarde esse lixo!</strong> Que venham obras que reduza <em>(sic)</em> a incrivel <em>(sic)</em> deterioração da área.</li>
<li><strong>Velharia</strong>! Viva o progresso de são paulo, viva!!!</li>
<li>Muito Bom! Finalmente irão dar uma destinação a um terreno que era também ploblema <em>(sic)</em> social pelo abandono e pelas invasões. <em>(…)</em> Naquele pedaço tem <em>(sic)</em> mesmo que sair vários prédios e construções novas com o fulcro de acabar com as casas velhas e cortiços que por lá persistem.</li>
<li>Na minha modesta opinião, não vejo traços artisticos significativos <strong>nesse pardieiro</strong>. Que venha uma construção moderna e clean para revitalizar, ainda mais, a região.</li>
<li><strong>Já tem muito casarão tombado em São Paulo.</strong> Não fará falta.</li>
</ul>
<p>Ninguém é obrigado a admirar todos os casarões que ainda resistem em São Paulo, e nem todo imóvel velho é necessariamente histórico. Mas é preocupante que tanta gente despreze alguma coisa pelo simples fato de ser antiga. Não é de se admirar, pois, que a memória paulistana, paulista e brasileira seja sempre colocada para escanteio. Aí vai da consciência de cada um. Alguns criticaram o processo de tombamento, no que têm razão, pois ele é, na maioria dos casos, prejudicial aos donos dos imóveis, que se veem impedidos até de fazer reformas revitalizadoras. O problema, aí, é do processo, não do tombamento em si. Está na hora de mudá-lo.</p>
<p>Os comentários que defendem a gentrificação da região — incluindo um que está mais para higienização social pura e simples — ignoram um grande problema. Um prédio naquele terreno adicionará dezenas de novos automóveis ao trânsito já caótico das ruas Augusta e da Consolação. Isso sem falar que prédios, atualmente complexos isolados por muros, grades e cercas elétricas, não são nenhuma garantia de &#8220;revitalização&#8221; de uma região. Há exemplos que deram certo e exemplos que não fizeram diferença alguma. Ou seja, muitos dos comentaristas defendem uma solução mágica que, na verdade, causará outros problemas. Há quem defenda até a construção de &#8220;vários prédios e construções novas&#8221;. <a href="http://blogdogiesbrecht.blogspot.com/2010/10/o-profeta-do-caos.html">São Paulo e, mais especificamente, seu centro, ainda aguentam?</a> Aguentar, até aguentam. Mas não sem impor uma grande redução na qualidade de vida de todos os moradores, não apenas dos novos.</p>
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