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	<title>Pseudopapel &#187; Diário de S. Paulo</title>
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		<title>O novo Diário de S. Paulo e o velho Diário Popular</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 14:35:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Diário de S. Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Diário Popular]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo sem assistir muito à televisão, vi diversas vezes o anúncio do &#8220;novo Diário de S. Paulo&#8220;. E, mesmo assistindo diversas vezes a esse anúncio, perdi o primeiro número da nova fase, que foi no domingo passado. Não sei se o anúncio não falava em data ou eu é que não prestei atenção. Mas ontem finalmente conheci essa nova versão. O antigo Diário Popular nunca foi um jornal com que tive muito contato. Conheço bastante da história do Estadão, da Folha e do Jornal da Tarde, mas muito pouco da história do segundo jornal mais antigo ainda em circulação em&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2010/07/novo-diario-sao-paulo-velho-diario-popular/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo sem assistir muito à televisão, vi diversas vezes o anúncio do &#8220;novo <em>Diário de S. Paulo</em>&#8220;. E, mesmo assistindo diversas vezes a esse anúncio, perdi o primeiro número da nova fase, que foi no domingo passado. Não sei se o anúncio não falava em data ou eu é que não prestei atenção. Mas ontem finalmente conheci essa nova versão.</p>
<p>O antigo <em>Diário Popular</em> nunca foi um jornal com que tive muito contato. Conheço bastante da história do <em>Estadão</em>, da <em>Folha</em> e do <em>Jornal da Tarde</em>, mas muito pouco da história do segundo jornal mais antigo ainda em circulação em São Paulo. O que sei é que o jornal foi-se posicionando cada vez mais no segmento popular ao longo do século XX, embora mantivesse resquícios algo elitistas, como a manchete abaixo, de 28 de novembro de 1977: &#8220;Dantesco incêndio no Hotel Nacional&#8221;, sobre desastre acontecido no centro do Rio de Janeiro.</p>
<p>Pela imagem acima, também pode-se perceber como o jornal estava atrasado tecnologicamente em relação a seus concorrentes paulistanos. A composição parece ser toda manual nessa época, enquanto os demais já usavam técnicas mais avançadas. Quando li pela primeira vez um <em>Diário Popular</em>, em 1994, minha primeira impressão foi a de um <em>Estadão</em> de muitos anos antes. Àquela altura, os jornais que circulavam em São Paulo já tinham ao menos algumas páginas em cores desde o início daquela década. Mesmo o &#8220;enjeitado&#8221; <em>Notícias Populares</em>, que fazia tempo não ganhava atenção do Grupo Folha e seria fechado em 2001, tinha a capa e a contracapa de seus dois cadernos em cores, assim como uma segunda cor na impressão de diversas páginas. O <em>Diário</em> prosseguia totalmente em preto e branco, situação que só mudaria no final da década, de novo muito depois de seus concorrentes.</p>
<p>Apesar da aparência anacrônica, o conteúdo do caderno de Esportes do jornal nos anos 1990 era considerado um dos melhores da cidade e sempre trazia os resultados das rodadas noturnas, mesmo quando comprado em cidades mais afastadas de São Paulo. Quem estava no litoral, por exemplo, recebia o chamado &#8220;primeiro clichê&#8221; dos outros jornais, quase sempre sem o noticiário de partidas iniciadas depois das 20 horas, mas o <em>Diário</em> (e, a bem da verdade, <em>A Gazeta Esportiva</em> também) sempre vinha com elas. E esse noticário só perdia em tamanho para o da <em>Gazeta</em>, por motivos óbvios, mesmo tendo o mesmo número de páginas do suplemento equivalente do <em>Estadão</em>. Abaixo, um exemplo, de 29 de setembro de 1994.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2010/07/diario-popular-esportes-29-setembro-1994.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2010/07/diario-popular-esportes-29-setembro-1994-512x341.jpg" alt="" title="Diário Popular, Esportes: 29 de setembro de 1994" width="512" height="341" class="alignnone size-medium wp-image-184" /></a></p>
<p>Caderno de Esportes forte é um dos pilares do jornalismo dito popular, e o restante do conteúdo seguia à risca quase todas as outras diretrizes. A cobertura geral focava em assuntos voltados para as classes mais baixas, geralmente ignorados pelos concorrentes ou relegados a notas pequenas. Na <a href="http://blog.pittsburgh.com.br/pseudopapel/2010/06/25-de-janeiro-de-1979/">pesquisa que fiz</a> sobre a inauguração das estações da atual Linha 8 da CPTM em 25 de janeiro de 1979, o <em>Diário</em> foi de grande valia, pois foi o único que deu destaque ao assunto. As linhas dos trens então conhecidos como &#8220;de subúrbio&#8221; tinham até uma coluna semanal no jornal e um box com horários de saída, ambos patrocinados pela Fepasa, que via ali uma forma de conversar com seu público. Da mesma maneira, a seção de Variedades dava destaque principalmente a assuntos da televisão e a lançamentos do cinema.</p>
<p>Nos anos 1990 até aquele &#8220;verniz elitista&#8221; expressado pela manchete do incêncio no Hotel Nacional já tinha sido trocado por expressões mais populares: para ficar em um dos muitos exemplos, vitórias eram machetadas como &#8220;Time A detona Time B&#8221;. A única diretriz que parecia estar faltando é a do jornal colorido e bonito. Não que ele fosse feio. Com um design modulado, as páginas daquela época até hoje chamam a atenção de quem aprecia uma diagramação atemporal. Mas sem dúvida, ao lado de jornais coloridos que destacavam e valorizavam grandes fotos, o <em>Diário</em> via seu anacronismo realçado. A impressão em cores era inevitável, e veio entre 1998 e 1999.</p>
<p>Mais tarde, ao ser comprado pelas Organizações Globo, a impressão que ficou foi de um jornal incomodado com essa postura popular, tanto é que o nome foi mudado para <em>Diário de S. Paulo</em>. Eu não o lia diariamente, mas o jornal parecia alternar-se entre matérias e fases mais populares, beirando o popularesco, e menos populares. Isso, claro, acaba por afastar ambos os públicos, e a circulação média segundo o Instituto Verificador de Circulação caiu vertiginosamente, de 139.421 em 2000 para 57.010 em 2009, quando a Globo o vendeu para o grupo Bom Dia.</p>
<p>Os novos donos aparentemente resolveram voltar a dar uma cara ao jornal. Fala-se na redação em um &#8220;jornal popular de qualidade&#8221; e em &#8220;cobertura pós-noticiosa&#8221;. A primeira ideia é até óbvia, mas basta ver o que houve na última década para perceber que não é tão simples. Se o jornal quisesse deixar de ser popular, provavelmente não conseguiria, pois essa imagem está muito enraizada. Então volta-se a apostar em assuntos voltados para a grande massa, mas sem sensacionalismo. Já a segunda ideia é algo que defendo, para todos os jornais, há tempos: a análise das notícias. O &#8220;quem, o quê, quando e como&#8221; a gigantesca maioria das leitores já ficou sabendo no dia anterior, pela televisão, pelo rádio ou pela Internet, então o jornal passa a focar-se no &#8220;porquê&#8221;, com uma análise da situação. Em vez de falar &#8220;O político foi eleito&#8221;, contar por que o político foi eleito.</p>
<p>Na edição de ontem, a primeira da nova fase que li, isso foi muito benfeito, especialmente na <a href="http://www.diariosp.com.br/index.php?id=/dia_a_dia/sao_paulo/materia.php&#038;cd_matia=3055">matéria de capa</a>, sobre a inauguração do corredor de ônibus que liga o Morumbi a Diadema. Sim, o texto fala que o corredor seria inaugurado hoje, mas esse não é o foco, que está voltado para os motivos do atraso e para a reação da população — embora o box &#8220;Veja o que aconteceu nesses 24 anos&#8221; seja dispensável. Para efeito de comparação, o <em>JT</em>, que também concentra seu noticiário geral na cidade de São Paulo, escreveu sobre o assunto no dia anterior, mas em <a href="http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/corredor-diadema-sp-chega-apos-23-anos/">um texto curto</a> que não explorava as causas do atraso: &#8220;As obras do corredor começaram em 1987, mas enfrentaram problemas nas últimas duas décadas.&#8221; Vale lembrar que hoje um corredor de ônibus é um assunto que afeta uma parcela muito maior da população do que os trens de subúrbio 31 anos atrás. Apesar desse bom exemplo, a cobertura da cidade poderia ser mais estendida. A seção de Variedades, que ficou longa demais, poderia ceder um pouco de seu espaço para isso. No geral, minha primeira impressão foi boa.</p>
<p>Visualmente o jornal também ganha destaque nas bancas com o formato <em>berliner</em>, pouco maior que o tabloide convencional, e uma capa com grande espaço dedicado a apenas um assunto, muitas vezes conceitual, com muito espaço em branco para fazer a chamada sobressair-se ainda mais. Na edição de hoje, por exemplo, para falar sobre o preço da batata é usado um &#8220;Mr. Potatohead&#8221;, boneco em forma de batata. Não sei se isso está previsto, mas o espaço nobre da capa pode eventualmente ser usado para uma grande foto: o contraste com o espaço em branco da maioria das edições servirá para destacar ainda mais essa foto. Ainda há muitas possibilidades a ser exploradas, tanto visualmente como em termos de conteúdo. Mas pelo menos o <em><del datetime="2010-07-31T11:41:31+00:00">Diário Popular</del></em> <em>Diário de S. Paulo</em> voltou a ter um rumo.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2010/07/diario-spaulo-31-julho-2010.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2010/07/diario-spaulo-31-julho-2010.jpg" alt="" title="Diário de S. Paulo: 31 de julho de 2010" width="512" height="714" class="alignnone size-full wp-image-185" /></a></p>
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