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	<title>Pseudopapel &#187; ecologia</title>
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		<title>O golpe das sacolinhas plásticas</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 19:33:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Giesbrecht</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O último desserviço que a atual onda do politicamente correto nos impingiu é o sumiço das sacolinhas plásticas dos supermercados do estado de São Paulo. Claro, a medida é apregoada pelos próprios estabelecimentos como um compromisso em prol do meio-ambiente, mas uma análise só um pouquinho mais detalhada já mostra que esse compromisso é unilateral: apenas por parte dos consumidores. Vejamos: no estado de São Paulo, eram distribuídos 6,6 milhões de sacolas por ano em supermercados, segundo números publicados pela Vejinha desta semana. Se cada uma delas custasse um centavo para cada estabelecimento, a economia anual para eles é de&#8230; [<a href="http://blog.pittsburgh.com.br/2012/02/golpe-sacolinhas-plasticas/">Continuar a ler</a>]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O último desserviço que a atual onda do politicamente correto nos impingiu é o sumiço das sacolinhas plásticas dos supermercados do estado de São Paulo. Claro, a medida é apregoada pelos próprios estabelecimentos como um compromisso em prol do meio-ambiente, mas uma análise só um pouquinho mais detalhada já mostra que esse compromisso é unilateral: apenas por parte dos consumidores. Vejamos: no estado de São Paulo, eram distribuídos 6,6 milhões de sacolas por ano em supermercados, <a href="http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2255/a-polemica-das-sacolinhas" title="Veja São Paulo: A polêmica das sacolinhas">segundo números publicados pela <em>Vejinha</em> desta semana</a>. Se cada uma delas custasse um centavo para cada estabelecimento, a economia anual para eles é de nada menos que 66 milhões de reais no estado. É bom lembrar que as sacolinhas nunca foram grátis; seu custo sempre esteve embutido nos preços dos produtos, desde quando elas ainda eram de papel. Mas não espere uma redução proporcional dos preços dos produtos. Essa diferença será embolsada como um aumento de lucros, às custas do povo, que aceita de bom grado em nome da ecologia.</p>
<p>E a ecologia, o que ganha? Quase nada. Como sabemos, uma sacola plástica por si só não contamina nada. É necessário que algum sem-educação a jogue na rua e/ou em lugares não-apropriados. E gente sem educação existe por aí aos montes. Esse pessoal não vai deixar de jogar lixo na rua só porque não há mais sacolinhas plásticas. Eles ainda vão ter garrafas PET, embalagens plásticas, papéis etc. Não vi os supermercados sequer mencionando alguma coisa sobre as garrafas PET, por exemplo (as mesmas que ainda poluem rios por todo o Brasil, apesar de o país ser campeão de reciclagem do item). Seria porque as garrafas PET são vendidas, ao contrário das sacolinhas, distribuídas &#8220;de graça&#8221;? Campanha de educação os supermercados nunca financiaram. Custa dinheiro, sabe? Os governos de todas as esferas também nunca se preocuparam muito com isso.</p>
<p>Eu sempre <a href="http://blogdogiesbrecht.blogspot.com/2012/02/confissoes-de-um-ranheta.html" title="Blog do Giesbrecht: Confissões de um ranheta">aprendi com meus pais</a> que não devia jogar lixo na rua. Não jogo em hipótese alguma e já dei muita bronca em amigos que o fizeram na minha frente. Também já peguei muito lixo dos outros e joguei na lata, preferencialmente na frente da pessoa que jogou. Mas é algo quixotesco, cujo impacto é insignificante. Na minha casa, as sacolinhas de mercado sempre foram usadas para acumular os itens recicláveis, sendo depois depositadas na caçamba do prédio onde moro. Na lata de lixo vão sacos de lixo, supostamente apropriados para esse fim — não sou totalmente convencido de que eles são uma solução melhor que as sacolinhas de mercado. Mas, apesar de tudo isso, eu serei &#8220;punido&#8221; junto com os mal-educados.</p>
<p><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/sacola-retornavel-199.jpg" alt="Sacola retornável a 1,99 reais e anúncio da imposição" title="Sacola retornável a 1,99 reais e anúncio da imposição" width="640" height="480" class="alignnone size-full wp-image-1412" /></p>
<p>Por ora, a &#8220;punição&#8221; foi adiada. O novo prazo para as sacolinhas sumirem é daqui a pouco menos de dois meses. Até lá, os supermercados estão proibidos de vender as sacolinhas ditas biodegradáveis e devem fornecer opções gratuitas aos clientes, nem que sejam as sacolinhas antigas. Você acha que as sacolinhas antigas voltaram aos caixas? Que nada! Cito dois exemplos.</p>
<p>Primeiro exemplo: no Pão de Açúcar próximo ao Alphaville 6, no último sábado 4, primeiro dia em que as alternativas gratuitas tinham sido impostas aos mercados, eu solicitei uma sacolinha. A caixa perguntou-me se eu queria comprar uma — algo que, eu descobriria depois, é vedado neste momento —, e eu respondi que não, eu queria uma sacolinha gratuita. Ganhei uma, mas só após a liberação da gerente, que controla a entrega das sacolinhas, dadas única e exclusivamente a quem solicita. Muitas pessoas lá estavam preparadas, com sacolas retornáveis, carrinhos etc. Mas muitas não estavam, e não lhes foi oferecida nenhuma opção.</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/saquinhos-plasticos-frutas.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/saquinhos-plasticos-frutas-640x480.jpg" alt="Saquinhos plásticos para carregar frutas, com aviso" title="Saquinhos plásticos para carregar frutas, com aviso" width="640" height="480" class="alignnone size-medium wp-image-1411" /></a></p>
<p>Segundo exemplo: no dia seguinte fui ao Extra da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, que é do mesmo grupo do Pão de Açúcar. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o aviso ao lado das sacolinhas de frutas, em português com erros, dando conta que havia um limite de cinco sacolinhas por vez, e que elas deviam ser usadas exclusivamente para transportar frutas. Isso porque muita gente estava pegando um monte dessas sacolinhas para transportar suas compras após passar no caixa, apesar de elas serem difíceis de carregar por não terem alças. Haveria alguma punição? Será que proibiriam quem usasse saquinhos para &#8220;fins maléficos&#8221; de entrar no mercado? Será que o &#8220;infrator&#8221; seria preso? <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sarcasmo">O aviso não deixava claro.</a> No caixa, eu já tinha percebido que o esquema era similar ao do Pão de Açúcar: em vez de a gerente liberar as sacolas, <a href="http://www.trash80s.com.br/2009/10/ta-lembrado-lu-patinadora/" title="Lá, lé, li, ló, Lú Patinadora!" class="broken_link">as atendentes patinadoras</a> (se não me engano, chamadas de fiscais de caixa) traziam algumas sacolas a tiracolo, fornecendo-as aos clientes que as solicitavam. Foi o que o consumidor à minha frente fez.</p>
<p>Na minha vez, entretanto, as sacolinhas demoraram para ser entregues após minha solicitação. Mais de cinco minutos. Então apareceu a patinadora, olhou para as minhas compras, que não eram muitas, e estimou que seriam suficientes três saquinhos. Sim, saquinhos. Veja na foto abaixo, com um iPhone 4S para comparar, qual é o tamanho das sacolinhas que o Extra estava fornecendo! Tenho certeza que não é coincidência, mas uma maneira de doutrinar o cliente sem ele perceber. Eu já sabia do tamanho dos saquinhos, porque o cliente à minha frente tinha questionado o tamanho. A resposta da patinadora foi de uma arrogância extrema, em tom quase ameaçador: &#8220;Nós temos apenas de fornecer alguma coisa para o senhor levar suas compras, e é isso que estamos fazendo.&#8221;</p>
<p><a href="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/saquinho-plastico-ridiculo-extra.jpg"><img src="http://blog.pittsburgh.com.br/wp-content/uploads/2012/02/saquinho-plastico-ridiculo-extra-640x217.jpg" alt="Saquinho plástico ridículo do Extra" title="Saquinho plástico ridículo do Extra" width="640" height="217" class="alignnone size-medium wp-image-1413" /></a></p>
<p>Virou guerra, aparentemente. E não deveria. A motivação do meio-ambiente é louvável, embora, como eu expliquei acima, a simples falta das sacolinhas não impedirá que lixo siga se acumulando nas nossas ruas e mesmo nos aterros sanitários. Mas uma contribuição por parte dos supermercados seria muito bem vinda, com ações educativas e o oferecimento de alternativas que não joguem todo o ônus da mudança nos ombros do consumidor. Porque fazer caridade com o bolso dos outros é muito fácil. Especialmente quando essa caridade vem acompanhada de um lucro extra de mais de sessenta milhões de reais.</p>
<p>Ainda quero ver quais serão os efeitos colaterais da decisão, que podem acabar sendo um tiro no pé. Afinal, compras de última hora, como de quem passaria no mercado após o trabalho e carregaria uma ou duas sacolinhas de compras na condução, tendem a diminuir. São compras pequenas, mas em grande quantidade. E há ainda as chamadas &#8220;compras de mês&#8221;, com grandes volumes, que não cabem nas alternativas que vão sobrar, como carrinhos de feira e sacolas retornáveis (aquelas que agora estão custando os olhos da cara). Isso sem falar em cenas bizarras, como alguém fazendo compras no Carrefour com uma sacola do Walmart, por exemplo, algo sem impacto algum, mas que vai gerar algumas fotos engraçadas.</p>
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